O BÔNUS-HORA
“…Notando que a senhora Laura entristecera subitamente ao recordar o
marido, modifiquei o rumo da palestra, interrogando:
- Que me diz do bônus-hora? Trata-se de algum metal amoedado?
Minha interlocutora perdeu o aspecto cismativo, a que se recolhera, e
replicou, atenciosa:
- Não é propriamente moeda, mas ficha de serviço individual,
funcionando como valor aquisitivo.
- Aquisitivo? - perguntei abruptamente.
- Explico-me - respondeu a bondosa senhora -; em “Nosso Lar” a
produção de vestuário e alimentação elementares pertence a todos em
comum. Há serviços centrais de distribuição na Governadoria e
departamentos do mesmo trabalho nos Ministérios. O celeiro fundamental é
propriedade coletiva.
Ante meu gesto silencioso de espanto, acentuou:
- Todos cooperam no engrandecimento do patrimônio comum e dele
vivem. Os que trabalham, porém, adquirem direitos justos. Cada habitante
de “Nosso Lar” recebe provisões de pão e roupa, no que se refere ao estritamente necessário; mas os que se esforçam na obtenção do bônus-hora conseguem certas prerrogativas na comunidade social.
O espírito que ainda não trabalha, poderá ser abrigado aqui; no entanto, os que cooperem podem ter casa própria.
O ocioso vestirá, sem dúvida; mas o operário dedicado vestirá o que melhor lhe pareça; compreendeu?
Os inativos podem permanecer nos campos de repouso, ou nos parques de tratamento, favorecidos pela intercessão de amigos; entretanto, as almas operosas conquistam o bônus-hora e podem gozar a companhia de irmãos queridos, nos lugares consagrados ao entretenimento, ou o contacto de orientadores sábios, nas diversas escolas dos Ministérios em geral.
Precisamos conhecer o preço de cada nota de melhoria e elevação. Cada um de nós, os que trabalhamos, deve dar, no mínimo, oito horas de serviço útil, nas vinte e quatro de que o dia se constitui. “…..
(trecho do livro Nosso Lar )
André Luiz
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