Publicado por: Espaco Espiritual | sábado, 23 julho 2011

CONVERSANDO COM DEUS….

 

CONVERSANDO COM DEUS

 

Pode existir vida inteligente em livros de auto-ajuda? Eu, como qualquer cientista cético, achava matematicamente possível que, devido ao grande número de livros lançados e a minha ignorância sobre eles, haveria em algum lugar um livro que faça mais do que passar a mão em sua cabeça e levantar sua auto-estima, mas não admitia a real existência deles pelo simples fato de nunca ter visto um assim.

Até que recebi de aniversário o livro Conversando com Deus, de Neale Donald Walsch, que se enquadra perfeitamente na categoria auto-ajuda, a começar pelo subtítulo “um diálogo sobre os maiores problemas que afligem a humanidade”. Numa primeira olhada, ele é paternalista e didático, como todo e qualquer livro desses, numa linguagem bem mastigada. Ele leva duas páginas pra dizer que nós temos o potencial Divino e que precisamos da aceitação do Quem Você É, antes de mais nada, para começar a manifestá-lo. Confesso que, talvez devido a minha educação espartana, eu me identifique mais com os ensinos orientais, que são simples, diretos e duros: “Se quiser trilhar o caminho de Buda, aprenda primeiro a pôr-se de pé”.

Mas neste livro você vai encontrar amplo material pra rever seus conceitos, se trabalhar e meditar sobre como você tem agido até então. Quando li um certo trecho, imediatamente o selecionei pra publicá-lo aqui, porque está totalmente no espírito do blog, que é o da desconstrução da realidade e o enfoque na SUA responsabilidade perante o mundo. Ainda ontem assisti “Muito além do jardim” (Being there), o filme-testamento de Peter Sellers, que consegue ser um tapa de luva-de-pelica não só na sociedade norte-americana, mas nas pessoas como um todo. A grande sacada do filme é o personagem principal, um simples e franco jardineiro, que vai ganhando um status que não pediu e se tornando algo que não é, apenas por ele ser um espelho do que as pessoas esperam que ele seja! E nisso as pessoas vão revestindo ele de valores e conceitos, todos criados por elas mesmas ou por terceiros, e tudo vai virando uma imensa bola de neve, sem que ele tivesse dito uma mentira sequer!

É sobre isso que versa o trecho selecionado do livro. O quanto nós somos influenciados por terceiros? O quanto compramos de idéias prontas, pré-concebidas, verdadeiros dogmas científicos, sociais e religiosos? Nós esperamos que outros nos digam como devemos nos comportar, nos vestir, o que dizer, como amar, etc. Mas, e quanto a nós? O quanto ouvimos nossos próprios pensamentos, nossa personalidade mais íntima, o nosso EU? O quanto prestamos atenção ao que REALMENTE SÃO as outras pessoas, e às consequências de nossas própias atitudes?

Vamos então ao trecho do livro, que nos fala da idéia de “certo” ou “errado” que nos é imposta:

Não há nada de “errado” em coisa alguma. “Errado” é um termo relativo, que indica o oposto do que você chama de “certo”. Contudo, o que é “certo”? Você pode ser realmente objetivo no que diz respeito a essas questões? Ou “certo” e “errado” são apenas descrições suas de ocorrências e circunstâncias, a partir do que decide sobre elas?

E, peço que me diga, o que forma a base de sua decisão? Sua própria experiência? Não. Na maioria dos casos, você escolheu aceitar a decisão de outra pessoa. Alguém que veio antes de você e, presumivelmente, sabe mais. Raras de suas decisões diárias a respeito do que é “certo” e “errado” são tiradas por você, baseadas em sua interpretação. Isso é especialmente verdadeiro quando se trata de questões importantes. De fato, quanto mais importante é a questão, menos você tenderá a prestar atenção à sua própria experiência, e mais tenderá a tornar as idéias de outras pessoas suas próprias.

Isso explica porque você renunciou a praticamente todo o controle de certas áreas de sua vida, e certas questões que surgem dentro da experiência humana. Essas áreas e questões muito freqüentemente incluem os temas mais vitais para a sua alma: a natureza de Deus e da verdadeira moralidade; a questão da realidade máxima; os problemas da vida e da morte que cercam uma guerra, a medicina, o aborto, a eutanásia, todos os valores pessoais, todas as estruturas e julgamentos. Isso a maioria de vocês anulou, transferiu para outras pessoas.

Vocês não querem tomar as suas próprias decisões a esse respeito.

“Outra pessoa que decida! Eu concordarei! Eu concordarei!”, brada você. “Alguém me diga o que é certo e errado!” A propósito, é por esse motivo que as religiões humanas são tão populares. Não importa muito qual seja o sistema de crença, desde que seja rígido coerente e corresponda claramente à expectativa do seguidor. Devido a essas características, você pode encontrar pessoas que acreditam em quase tudo. A conduta e a crença mais estranhas podem ser – têm sido – atribuídas a Deus. E a vontade de Deus – dizem. A palavra de Deus.

E há aqueles que aceitam isso. Alegremente. Porque assim eliminam a necessidade de pensar.

Agora, vamos pensar na morte. Pode haver um motivo justificável para matar? Pense nisso. Descobrirá que não precisa de uma orientação externa, uma fonte superior para lhe dar respostas. Se pensar e descobrir como se sente em relação a isso, as respostas serão óbvias e você agirá de acordo com elas. Isso é chamado de agir sob a sua própria orientação.

Há uma diferença entre o ato de matar e o assassinato?

O estado gostaria de fazê-lo acreditar que matar para cumprir uma agenda política é perfeitamente justificável. De fato, o estado precisa que você aceite a sua palavra a esse respeito para existir como uma instituição de poder. As religiões gostariam de fazê-lo acreditar que matar para revelar, difundir e impor a sua verdade particular é perfeitamente justificável. De fato, as religiões exigem que você aceite a sua palavra a esse respeito para existir como instituições de poder. A sociedade gostaria de fazê-lo acreditar que matar para punir aqueles que cometem certas ofensas (que mudaram ao longo dos anos) é perfeitamente justificável. De fato, a sociedade precisa que você aceite a sua palavra a esse respeito para existir como uma instituição de poder.

Você considera essas posturas corretas? Aceitou a palavra de outrem a esse respeito? O que o seu EU tem a dizer? Não existe “certo” ou “errado” nessas questões. Mas com suas decisões você desenha a imagem de Quem É. De fato, com suas decisões os estados e as nações já desenharam essas imagens.

Com suas decisões as religiões criaram impressões indestrutíveis. Com elas as sociedades também produziram suas auto-imagens.

Você está satisfeito com essas imagens? São essas as impressões que deseja criar? Essas imagens representam Quem Você É?

Seja cauteloso com essas perguntas. Elas podem exigir que você pense.

Pensar e fazer julgamentos de valor é difícil. Isso o leva à pura criação, porque muitas vezes terá de dizer: “Eu não sei. Simplesmente não sei.” Ainda assim, terá de decidir e, portanto, de escolher. Terá de fazer uma escolha arbitrária. A escolha – uma decisão que não surge de um conhecimento pessoal anterior – é chamada de pura criação. E o indivíduo está muito consciente de que tomando essas decisões o EU é criado.

A maioria de vocês não se interessa por esse trabalho tão importante. Prefere deixá-lo para outras pessoas. E por isso vocês não criam a si próprios, mas são criaturas caracterizadas por hábito – criadas por outras pessoas. Então, quando as outras pessoas lhe dizem como deveria sentir-se, e isso vai totalmente contra o que sente – você experimenta um grande conflito interior. Algo em seu íntimo lhe diz que aquilo que as outras pessoas disseram não corresponde a Quem Você É. E agora? O que deve fazer? Sua primeira atitude é procurar os seus beatos – as pessoas que o colocaram nessa situação. Procura padres, rabinos, pastores e mestres e eles lhe dizem para parar de ouvir o seu Eu.

Os piores deles tentarão assustá-lo para que negue o que sabe intuitivamente. Eles lhe falarão sobre o demônio, Satanás, os maus espíritos, o inferno, a condenação e todos os temores em que possam pensar para fazê-lo ver que aquilo que sentia e sabia intuitivamente era errado, e que o único modo de encontrar algum conforto é aceitar a teologia deles, os pensamentos, as idéias, as definições de certo e errado e o conceito deles a respeito de Quem Você É. A sedução aqui é que tudo que você tem de fazer para obter aprovação imediata é concordar. Concorde e a obterá. Alguns até mesmo irão cantar dançar, erguer os braços e gritar aleluia!

E difícil resistir a isso. Tanta aprovação, tanto júbilo porque você viu a luz; foi salvo. A aprovação raramente acompanha as decisões interiores. As celebrações raramente se seguem à escolha de aceitar a verdade pessoal. De fato, ocorre exatamente o contrário. As outras pessoas podem não só deixar de celebrar a sua decisão de aceitar a sua verdade pessoal, como também expô-lo ao ridículo. O quê? Você está pensando e decidindo por si mesmo? Está seguindo os seus próprios padrões, fazendo os seus próprios julgamentos de valor? Afinal de contas, quem pensa que é?

E é exatamente a essa pergunta que você está respondendo.

Mas você deve fazer o trabalho sozinho. Sem recompensa ou aprovação, talvez até mesmo sem que seja notado. E então você faz uma pergunta muito boa. Porque continuar? Por que começar a trilhar esse caminho? Que benefício isso trará? Qual é o incentivo? Qual é o motivo?

O motivo é ridiculamente simples: NÃO HÁ OUTRA SAÍDA.

O que quero dizer com isso é que você não tem outra escolha. De fato, há outra atitude que possa ter. Fará o que está fazendo pelo restante da sua vida – como fez desde que nasceu. A única dúvida é se o fará consciente ou inconscientemente.

Veja bem, você não pode desistir da jornada. Começou-a antes mesmo de nascer. Seu nascimento é apenas um sinal de que a jornada começou. Portanto, a pergunta não é: “Por que começar a seguir esse caminho?” Você já começou a segui-lo. Fez isso com o primeiro batimento do seu coração. A pergunta é: “Desejo seguir esse caminho consciente ou inconscientemente? Como a causa de minha experiência, ou o seu efeito?”

Durante a maior parte de sua vida você viveu sob o efeito de suas experiências. Agora está sendo convidado a ser a causa delas. Isso é conhecido como viver com consciência, caminhar com consciência.
Como eu disse agora muitos de vocês percorreram uma grande distância, progrediram muito. Então você não deveria achar que depois de todas essas vidas “só” chegou até aqui. Alguns de vocês são criaturas muito evoluídas, extremamente conscientes de seus EUs. Você sabe Quem É e o que gostaria de tornar-se. Além disso, sabe como ir daqui para lá. Isso é um ótimo sinal. Uma indicação certa do fato de que agora lhe restam muito poucas vidas.

Até pouco tempo atrás tudo que você queria era permanecer aqui. Agora tudo que quer é partir. Este é um ótimo sinal. Até pouco tempo atrás você matava seres – insetos, plantas, árvores, animais, pessoas – agora não pode matar coisa alguma sem saber exatamente o que está fazendo, e por qual motivo. Este é um ótimo sinal.

O homem se torna muitas vezes o que ele próprio acredita que é. Se insisto em repetir para mim mesmo que não posso fazer uma determinada coisa, é possível que acabe me tornando realmente incapaz de fazê-la. Ao contrário, se tenho a convicção de que posso fazê-la, certamente adquirirei a capacidade de realizá-la, mesmo que não a tenha no começo
(Gandhi)

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Responses

  1. BELO TEXTO!

    • Salve “Deus”

      Lilia Maura

      Por visitar meu blog e deixar sua opinião.


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