Publicado por: Espaco Espiritual | terça-feira, 12 maio 2015

A REVOLUÇÃO DO ESPIRITISMO,

A REVOLUÇÃO DO ESPIRITISMO,
Se nós conhecêssemos toda a regra soberana dos seres e das coisas, a lei e a consequência dos atos, sua repercussão sobre o destino, se nós soubéssemos que se colhe sempre o que se semeou, as reformas sociais seriam mais fáceis e a face do mundo seria rapidamente transformada. Mas a maioria dos homens, absorvidos por tarefas, por preocupações materiais, privados dos lazeres necessários para cultivar sua inteligência e seu coração, percorrem a vida como se passassem por uma neblina. A morte não é para seus olhos mais do que um espantalho, do qual eles afastam, com pavor, o pensamento importuno. Também quando vêm os dias de provas, se o vento sopra com tempestade, eles se acham logo desamparados.
É o que ocorre em nossa época. Para tirar o homem das pesadas influências que o oprimem seriam precisos eventos importantes, crises dolorosas que, mostrando-lhe o caráter precário, instável da vida na Terra, deviam abater o seu orgulho, obrigá-lo a afastar para longe suas atenções e fixar mais alto seus objetivos. Seria lucro para a humanidade, se os tempos de prova, que a nossa civilização atravessa atualmente, esclarecessem suas taras e seus vícios e lhe ensinassem a curá-las.
Não é uma coincidência notável que, ao mesmo tempo em que as crenças religiosas se apagam cada vez mais e o materialismo espalha ante nossos olhos seus efeitos destruidores, uma revelação do Alto se difunde pelo globo por milhares de vozes, oferecendo uma doutrina, um ensino racional e consolador para todos os interessados de boa-fé?
O Espiritismo é o maior e mais solene movimento do pensamento que se produziu desde o aparecimento do Cristianismo. Não somente pelo conjunto de seus fenômenos, ele nos traz a prova da sobrevivência, mas, sob o ponto de vista filosófico, suas consequências são mais grandiosas. Com ele, o horizonte se aclara, o objetivo da vida torna-se preciso, a concepção do Universo e de suas leis aumenta, o pessimismo sombrio se esvaece para dar lugar à confiança, à fé em destinos melhores.
O Espiritismo pode então revolucionar todos os domínios do pensamento e do conhecimento. No lugar de ambientes estreitos onde se achavam confinados, ele abre grandes portas para o desconhecido e para o inexplorado. Pelo estudo do ser em seu “eu” profundo, neste mundo fechado onde se acumulam tantas impressões e lembranças, o Espiritismo cria uma Psicologia nova, muito maior e variada do que a Psicologia clássica.
Até aqui, nós somente conhecemos a parte mais grosseira, a mais superficial de nosso ser. O Espiritismo no-lo mostra como um reservatório de forças escondidas, de faculdades em estado germinativo, que cada um de nós é chamado a valorizar, a desenvolver através dos tempos. Pelos métodos hipnóticos ou magnéticos tornar-se-á possível chegar até às origens do ser, reconstituindo o encadeamento das existências e das lembranças, a série de causas e efeitos que são como a trama de nossa própria história. Aprenderemos que o próprio ser cria a sua personalidade, sua consciência no decorrer de uma evolução que o conduz, vida após vida, em direção de planos melhores. E assim se afirma nossa liberdade que se engrandece com nossa elevação e fixa as causas determinantes de nosso destino, feliz ou infeliz, conforme os méritos. Desde então, não mais esses debates estéreis que nós assistimos há longo tempo, e que provêm da insuficiência de nossos pontos de vista e do campo muito limitado de nossas observações, nesta vida passageira e sobre este mundo mísero, parcela íntima do Todo-Poderoso.
Em uma palavra, o ser nos aparece sob aspectos mais nobres e mais belos, levando consigo todo o segredo de sua grandeza futura e de sua potência radiante. Com a cultura dessa ciência, um dia virá em que todo homem poderá ler claramente, em si mesmo, a regra soberana de sua vida e de seu futuro. E daí decorrerão as grandes consequências sociais. A noção dos deveres e das responsabilidades se tornará mais precisa. No lugar de dúvidas, de incertezas e do pessimismo atuais, a esperança se originará do conhecimento de nossa natureza imperecível e de nossos destinos infinitos.
Pode-se, então, dizer que a obra do Espiritismo é dupla: no plano terrestre ela tende a se reunir e a fundir em um sistema grandioso todas as formas, até o momento discordantes e sempre contraditórias, do pensamento e da Ciência. Num plano mais amplo ele une o visível ao invisível, essas duas formas de vida que, na realidade, se penetram e se completam desde o princípio das coisas. Com este objetivo, ele demonstra que o nosso mundo e o do Além não são separados, mas estão um no outro, formando assim um todo harmônico.

Livro: O Gênio Céltico e o Mundo Invisível
Léon Denis

Publicado por: Espaco Espiritual | segunda-feira, 4 maio 2015

JORGE – UM RELATO EMOCIONANTE

JORGE – UM RELATO EMOCIONANTE

A fantástica história de Jorge, o humilde cidadão que quando desencarnou foi recebido no plano espiritual por Jesus de Nazaré.
(relato Adelino da Silveira- revelações Chico Xavier)
Ao longo dos anos em que ia a Uberaba, conheci muita gente. Gente boa, gente meio boa e gente menos boa. Algumas, o tempo vai apagando lentamente, mas jamais terá força suficiente para apagar de minhas lembranças a figura encantadora que vocês vão passar a conhecer.
Numa daquelas madrugadas, quando as reuniões do Grupo Espírita da Prece se estendiam até ao amanhecer, vi-o pela primeira vez. Naquela filas quase intermináveis que se formavam para a despedida ou para uma última palavrinha ainda que rápida com Chico, ele chamou-me a atenção pela alegria com que esperava a sua vez.
Vinha com passos cansados, o andar trôpego, a fisionomia abatida, mas seus olhos brilhavam à medida que se aproximava do médium. Não raro, seu contentamento se traduzia em lágrimas serenas mas copiosas.
Trajes pobres, descalço, pés rachados, indicando que raramente teriam conhecido um par de sapatos. Calça azul, camisa verde, com muitos remendos; um paletó de casimira apertava-lhe o corpo franzino.
Pele escura, cabelos enrolados nos lábios uma ferida. Chamava-se Jorge.
Creio que deve ter tomado poucos banhos durante toda a vida. Quando se aproximava, seu corpo magro, sofrido e mal alimentado exalava um odor desagradável.
Em sua boca, alguns raros tocos de dentes, totalmente apodrecidos. Quando falava, seu hálito era quase insuportável. Ainda que alguém não quisesse, tinha um movimento instintivo de recuo. Quando se aproximava, tínhamos pressa em dar-lhe algum trocado para que ele fosse comprar pipoca, doce ou um refrigerante, a fim de que saísse logo de perto da gente.
Jorge morava com o irmão e a cunhada num bairro muito pobre – uma favela, quase um cortiço.
Seu quarto era um pequeno cômodo anexado ao barraco do irmão. Algumas telhas, pedaços de tábuas, de plásticos, folhas de lata emolduravam o seu pequeno espaço.
O irmão e a cunhada eram boias-frias. Jorge ficava com as crianças. Fazia-lhes mingau, trocava-lhes os panos, assistia-os. Alma assim caridosa, acredito que sofresse maus tratos. Muitas vezes o vi com marcas no rosto, e, ainda hoje, fico pensando se aquela ferida permanente em seu lábio inferior não seria resultante de constantes pancadas.
Pois o Chico conversava com ele, cinco,dez, vinte minutos. Nas primeiras vezes, pensava: “Meu Deus! como é que o Chico pode perder tanto tempo com ele, quando tantas pessoas viajaram milhares de quilômetros e mal pegaram sua mão?! Por que será que ele não diminui o tempo do Jorge, para dar mais atenção aos outros?”
Somente mais tarde fui entender que a única pessoa capaz de parar para ouvir o Jorge era ele.
Em casa, o infeliz não tinha com quem conversar; na rua, ninguém lhe dava atenção.
Quase todas as vezes em que lá estive, lá estava ele também.
Assim, por alguns anos, habituei-me a ver aquele estranho personagem que aos poucos me foi cativando.
Hoje , passados tantos anos, ao escrever estas linhas, ainda choro. “A gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar, não é mesmo?
Nunca ouvimos de sua boca qualquer palavra de queixa ou revolta.
Seu diálogo com o paciente médium era comovente e enternecedor.
– Jorge, como vai a vida?
– Ah, Tio Chico! Eu acho a vida uma beleza!
– E a viagem, foi boa?
– Muito boa, Tio Chico! Eu vim olhando as flores que Deus plantou no caminho para nos alegrar.
– Do que você mais gosta de olhar, Jorge?
– O azul do céu, Tio Chico. às vezes penso que o Sinhô Jesus tá me espiando por detrás de uma nuvem.
– Depois, o visitante falava da briga dos gatos, da goteira que molhou a cama, do passarinho que estava fazendo ninho no seu telhado.
Quando pensava que tudo havia terminado, o dono da casa ainda dizia:
– Agora, o nosso Jorge vai declamar alguns versos.
Eu chegava até me virar na cadeira, perguntando a mim mesmo: “Onde é que o Chico arruma tanta paciência?”
Jorge declamava um, dois , quatro versos.
– Bem Jorge, agora para a nossa despedida, declame o verso que mais gosto.
– Qual, tio Chico?
– Aquele da moça.
– Ah, Tio Chico! Já me lembrei. Já me lembrei.
Naquelas horas, o centro continuava lotado. As pessoas se acotovelavam, formando um grande círculo em torno da mesa.
Jorge colocava, então, o colarinho da camisa para fora, abotoava o único botão de seu surrado paletó, colocava as mãos para trás, à semelhança de uma criança quando vai declamar na escola ou perante uma autoridade, olhava para ver se o estavam observando e sapecava, inflado de orgulho:
“Menina, penteia o cabelo.
Joga as tranças para a cacunda.
Queira Deus que não te leve
de domingo pra segunda!”
Quando terminava, o riso era geral. Ele também sorria. Um sorriso solto e alegre, mas ainda assim doído, pois a parte inferior de seus grossos lábios se dilatava, fazendo sangrar a ferida.
Aí, ele se aproximava do médium, que lhe dava uma pequena ajuda em dinheiro. Em todos aqueles anos, nunca consegui ver quanto era. Depois, colocava o dinheiro dentro de uma capanga, onde já havia guardado as pipocas, os doces, dando um nó na alça do pano.
Para se despedir, ele não se abraçava ao Chico: ele se jogava, sim, todo por inteiro em cima do Chico! Falava quase dentro do nariz do Chico e eu nunca o vi ter aquele recuo instintivo como eu tivera tantas vezes.
Beijava-lhe a mão, o qual também beijava a mão e a face dele, ao que ele retribuía, beijando os dois lados da face do Chico, onde ficavam manchas de sangue deixadas pela ferida aberta em seus lábios. Nunca vi o Chico se limpar na presença dele nem depois que ele se tivesse ido. Eu, que muitas vezes, ao chegar à casa dele, molhava um pano e limpava o que passamos a chamar carinhosamente de “o beijo do Jorge…”
Não saberia dizer quantas vezes pensei em levar um presente àquele pobre irmão – uma camisa…um par de sapatos…uma blusa. Infelizmente, fui adiando e o tempo passando. Acabei por não lhe levar nada.
Lembro-me disto com tristeza e as palavras do Apóstolo Paulo se fazem mais fortes nos recessos de minha alma: “Façamos o bem, enquanto temos tempo.”
Enquanto temos tempo. De repente, fica tarde demais. Jorge desencarnou. Desencarnou numa madrugada fria. Completamente só em seu quarto. Esquecido do mundo, esquecido de todos, mas não de Deus.
Contou-me o Chico que foi este nosso irmão de pele escura, cabelos enrolados, ferida nos lábios, pés rachados, mau cheiro e mau hálito que ao desencarnar, Jesus Cristo veio pessoalmente buscar. Entrou naquela quarto de terra batida, retirou Jorge do corpo magro e sofrido, envolto em trapos imundos, aconchegou-o de encontro ao peito e voou com ele para o espaço, como se carregasse o mais querido dos seus irmãos!
“Eis que estarei convosco até o fim dos séculos.”
“Não vos deixarei órfãos.”
Ele não faria uma promessa que não pudesse cumprir.

(Livro: Kardec Prossegue- Adelino da Silveira)

Publicado por: Espaco Espiritual | terça-feira, 21 abril 2015

MATERIALIZAÇÃO E DESMATERIALIZAÇÃO

MATERIALIZAÇÃO E DESMATERIALIZAÇÃO

(…)

Acompanho-lhes as referências sobre a matéria e, como não podia deixar de ser, mais vale tomar o assunto por tema central da noite para seguirmos com nosso intercâmbio de experiências.

O problema da materialização e da desmaterialização, meu caro Rômulo, não pode ser colocado por mim em termos técnicos. Esperemos que outros amigos mais voltados para esse campo de observações se expressem, mais tarde, com respeito aos “enigmas científicos” que naturalmente preocupam o espírito encarnado, mesmo porque em nossa esfera de ação os “labirintos” não são menores. O que lhe adianta, meu filho, é que se a vida deve ser considerada por um todo ascendente em seus característicos de aprimoramento e eternidade, o Universo, englobando o infinito dos mundos, deve ser interpretado por organismo vivo, sem solução de continuidade, isto é, sem vácuos, nas suas manifestações diversas, em múltiplos ângulos da Criação.

A matéria e o espírito são duas realidades, a nosso ver, sem fronteiras absolutas. Não sabemos, ainda, onde começa uma e termina o outro. Na crosta da Terra, as descobertas permanecem incipientes. Somente agora é que a mente honesta e indagadora enceta o labor da perquirição justa. A matéria, para vocês, é por enquanto tão “nebulosa” quanto o espírito em si mesmo e em “nosso lado” o avanço das inteligências de minha condição não vai muito além das linhas em que os seus próprios conhecimentos permanecem situados. De modo geral, chegamos ao “plano imediato ao dos encarnados” em dilacerante posição mental. O fenômeno “dor”, sob variados matizes, não dá largos ensejos à penetração nos domínios da sabedoria e quando o desequilíbrio dessa ordem não predomina, quando é possível estabelecer relativa tranquilidade no coração, as exigências do amor nem sempre nos permitem a atenção concentrada com tais assuntos.

Para a maioria dos habitantes do meu círculo de ação o tempo é escasso para organizar o “recomeço”, tanto quanto para vocês aí as horas são demasiadamente exíguas para o trato com todas as questões concernentes à “partida para cá”. E nesses imperativos de reforma íntima, objetivando-se maior aproveitamento da oportunidade futura, não há ensanchas para trabalhos analíticos. Afirmo, porém, a você que a eletricidade e o magnetismo estão por agora apenas levemente vislumbrados entre os homens e que a matéria que lhes serve de base à luta evolutiva ainda é grande desconhecida. Leis de vibração presidem a integração e a desintegração dos átomos em todos os ângulos da vida e em nos referindo ao assunto estimaria poder transmitir-lhes certas lições que vamos estudando sobre os poderes do pensamento. Esses poderes são tão grandes e de tamanha importância sobre a vida material em todos os reinos da natureza – a visível e a invisível – que não nos é dado expressar algumas de nossas experiências em terminologia terrestre, porque não só nos faltam recursos analógicos para o cometimento, como também as ordenações superiores acreditam que a revelação perturbaria o clima do progresso humano, por prematura e suscetível de favorecer a ignorância e a maldade. Creia, porém, que os fenômenos de “conversão”, como denominamos as trocas entre os dois planos, se verificam incessantemente. Pelo crivo da química orgânica, milhões de vidas surgem aqui por morrerem aí, e vice-versa. O movimento é constante. Não há paradas na ação, tanto quanto não há hiatos no espaço. Mas, em me reportando aos problemas dessa natureza, desejo somente destacar o poder de intervenção da nossa inteligência onde estivermos.

A vontade é poderoso fator de prosperidade e decadências. Através do pensamento próprio, cada espírito cria, destrói e recompõe no presente e no futuro. Nossas ideias são sinais; nossos ideais, turbilhões de força atrativa. Em torno de cada criatura jazem os materiais invisíveis que ela própria deseja e que torna visíveis na esfera de vocês através da assimilação mental, perispirítica e física.

A alma, onde quer que se encontre, está desejando e por isso mesmo criando, em processos de cooperação com o sumo Poder que rege a vida eterna.

Todos os dias materializamos e desmaterializamos coisas diversas. Essa faculdade do ser que já alcançou a zona da razão é exercida com tanta naturalidade quanto o ato de respirar. Daí a necessidade de nos inclinarmos à renovação com o bem. Nesse sentido, o aprendiz do Evangelho nada mais faz, quando é sincero e operoso, que levar aos padrões vivos do divino Mestre os materiais de que dispõe, dentro de si mesmo, reestruturando-os gradativamente, até que possa sintonizar-se com o Senhor de maneira integral.

Eu sei que com essas observações não trouxe à superfície qualquer definição técnica ou particularizada com respeito à matéria, mas o “modus operandi” das agregações e desagregações atômicas não pode mesmo, agora, ainda que lhes guardássemos todas as chaves, ser oferecido à apreciação geral. Urge preparar, estudar e aperfeiçoar muitos aspectos da experiência em que marchamos. Baste-nos, por enquanto, a consoladora certeza de que cada espírito é pai e filho das próprias obras e que sendo livre para fazer é constrangido a suportar os efeitos ou obrigado a recolher os frutos de suas ações felizes, compreendendo-se, pois, que nós todos somos independentes na sementeira e escravos na colheita. Essa é a grande lição que estou aprendendo e que desejo sempre progressiva. Não podemos trair a natureza, ainda mesmo quando se cogite de obras beneficiárias do campo coletivo. (…)

23 de novembro de 1949

Livro: Colheita do Bem

Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Neio Lúcio,

Publicado por: Espaco Espiritual | terça-feira, 24 março 2015

A ROTINA

A ROTINA

A natural transformação social, decorrente dos efeitos da ciência aliada à tecnologia a partir do século XIX, impôs que o individualismo competitivo pós-renascentista cedesse lugar ao coletivismo industrial e comunitário da atualidade.

A cisão decorrente do pensamento cartesiano, na dicotomia do corpo e da alma, ensejou uma radical mudança nos hábitos da sociedade, dando surgimento a uma série de conflitos que irrompem na personalidade humana e conduzem a alienações perturbadoras.

Antes, os tabus e as superstições geravam comportamentos extravagantes, e a falsa moral mascarava os erros que se tomavam fatores de desagregação da personalidade, a serviço da hipocrisia refinada.

A mudança de hábitos, no entanto, se liberou o homem de algumas fobias e mecanismos de evasão perniciosos, impôs outros padrões comportamentais de massificação, nos quais surgem novos ídolos e mitos devoradores, que respondem por equivalentes fenômenos de desequilíbrio.

Houve troca de conduta, mas não de renovação saudável na forma de encarar-se a vida e de vivê-la.

De um lado, a ciência em constante progresso, não se fazendo acompanhar por um correspondente desenvolvimento ético-espiritual, candidata-se a conduzir o homem ao niilismo, ao conceito de aniquilamento.

Noutro sentido, o contubérnio subjacente, apresenta um elenco exasperador de áreas conflitantes nas guerras e ameaças de guerras que se sucedem, nas variações da economia, nos volumosos bolsões de miséria de vária ordem, empurrando o homem para a ansiedade, a insegurança, a suspeição contumaz, a violência.

A fim de fugir à luta desigual — o homem contra a máquina — os mecanismos responsáveis pela segurança emocional levam o indivíduo, que não se encoraja ao competitivismo doentio, à acomodação, igualmente enferma, como forma de sobrevivência no báratro em que se encontra, receando ser vencido, esmagado ou consumido pela massa crescente ou pelo desespero avassalador.

Estabelece algumas poucas metas, que conquista com relativa facilidade, passando a uma existência rotineira e neurotizante, que culmina por matar-lhe o entusiasmo de viver, os estímulos para enfrentar desafios novos.

Rotina é como ferrugem na engrenagem de preciosa maquinaria, que a corrói e arrebenta.

Disfarçada como segurança, emperra o carro do progresso social e automatiza a mente, que cede o campo do raciocínio ao mesmismo cansador, deprimente.

O homem repete a ação de ontem com igual intensidade hoje; trabalha no mesmo labor e recompõe idênticos passos; mantém as mesmas desinteressantes conversações; retorna ao lar ou busca os repetidos espairecimentos: bar, clube, televisão, jornal, sexo, com frenético receio da solidão, até alcançar a aposentadoria… Nesse ínterim, realiza férias programadas, visita lugares que o desagradam, porém reúne-se a outros grupos igualmente tediosos e, quando chega ao denominado período do gozo-repouso, deixa-se arrastar pela inutilidade agradável, vitimado por problemas cardíacos, que resultam das pressões largamente sustentadas ou por neuroses que a monotonia engendra.

O homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras.

A sua vida é resultado de bilhões de anos de transformações celulares, sob o comando do Espírito, que elaborou equipamentos orgânicos e psíquicos para as respostas evolutivas que a futura perfeição lhe exige.

O trabalho constitui-lhe estímulo aos valores que lhe dormem latentes, aguardando despertamento, ampliação, desdobramento.

Deixando que esse potencial permaneça inativo por indolência ou rotina, a frustração emocional entorpece os sentimentos do ser ou leva-o à violência, ao crime, como processo de libertação da masmorra que ele mesmo construiu, nela encarcerando-se.

Subitamente, qual correnteza contida que arrebenta a barragem, rompe os limites do habitual e dá vazão aos conflitos, aos instintos agressivos, tombando em processos alucinados de desequilíbrios e choque.

Nesse sentido, os suportes morais e espirituais contribuem para a mudança da rotina, abrindo espaços mentais e emocionais para o idealismo do amor ao próximo, da solidariedade, dos serviços de enobrecimento humano.

O homem se deve renovar incessantemente, alterando para melhor os hábitos e atividades, motivando-se para o aprimoramento íntimo, com consequente movimentação das forças que fomentam o progresso pessoal e comunitário, a benefício da sociedade em geral.

Face a esse esforço e empenho, o homem interior sobrepõe-se ao exterior, social, trabalhado pelos atavismos das repressões e castrações, propondo conceitos mais dignos de convivência humana, em consonância com as ambições espirituais que lhe passam a comandar as disposições íntimas.

O excesso de tecnologia, que aparentemente resolveria os problemas humanos, engendrou novos dramas e conflitos comportamentais, na rotina degradante, que necessitam ser reexaminados para posterior correção.

O individualismo, que deu ênfase ao enganoso conceito do homem de ferro e da mulher boneca, objeto de luxo e de inutilidade, cedeu lugar ao coletivismo consumista, sem identidade, em que os valores obedecem a novos padrões de crítica e de aceitação para os triunfos imediatos sob os altos preços da destruição do indivíduo como pessoa racional e livre.

A liberdade custa um alto preço e deve ser conquistada na grande luta que se trava no cotidiano.

Liberdade de ser e atuar, de ter respeitados os seus valores e opções de discernir e aplicar, considerando, naturalmente, os códigos éticos e sociais, sem a submissão acomodada e indiferente aos padrões de conveniência dos grupos dominantes.

A escala de interesses, apequenando o homem, brinda-o com prêmios que foram estabelecidos pelo sistema desumano, sem participação do indivíduo como célula viva e pensante do conjunto geral.

Como profilaxia e terapêutica eficaz, existem os desafios propostos por Jesus, que são de grande utilidade, induzindo a criatura a dar passos mais largos e audaciosos do que aqueles que levam na direção dos breves objetivos da existência apenas material.

A desenvoltura das propostas evangélicas facilita a ruptura da rotina, dando saudável dinâmica para uma vida integral em favor do homem-espírito eterno e não apenas da máquina humana pensante a caminho do túmulo, da dissolução, do esquecimento.

Livro: O Homem Integral

Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis

Publicado por: Espaco Espiritual | quarta-feira, 4 fevereiro 2015

A FACE DE JESUS

JESUS
No dia 3 de dezembro de 1984, quando estávamos prestes a comemorar o Natal, Chico [Xavier] me escreveu uma de suas mais belas cartas:

Querido amigo Baccelli:

Deus nos abençoe.

As suas notícias de ontem me trouxeram imensa alegria, a imensa alegria que me configurou por desdobramento da felicidade que senti ao ter em mãos o nosso livro Fé!* Ao relê-lo é que percebi que as páginas dele consubstanciam um poema de confiança em Deus e na vida. A forma que a editora escolheu para reger a leitura, colocando as frases de Refúgio, a bela página recebida por você, me encantou! Cada frase, brilhando ante a face do eterno Amigo, nos atrai o coração, fixando-nos no contexto de todo o volume, que mais se parece a uma joia da mais alta Espiritualidade.

Sou eu quem agradece a você e à nossa estimada Márcia o estímulo que recebi com a publicação. Todos os assuntos estão ajustados com elevação e mestria. Eu, que já me tornara um leitor assíduo da mensagem Refúgio, do nosso benfeitor Alexandre de Jesus, ao vê-la orientando o livro chorei de alegria ao compulsar o volume, em regressando à casa no sábado último. Que emoção se apoderou de mim! Era tarde e achando-me só podia olhar o céu qual se quisesse vasculhá-lo para encontrar aquela divina Face. Desde criança me impressionei com o bilhete-oração que São Francisco de Assis escreveu para Frei Leão, que seguia para longa viagem. O texto é quase assim: “Deus te abençoe! Que o Senhor te mostre a sua face”.

E as páginas do Fé como que nos convidam a contemplar a face de Jesus em todos os momentos nos quais nos detemos na leitura ou releitura do livro. Isso me comoveu intensamente e agradeci, em pensamento, a você e a Márcia, a alegria intraduzível que senti.

A face de Jesus!… Desde a escola primária perguntava a mim mesmo como seria o semblante dele, o Benfeitor incomparável! Muito cedo, caminhei para a mediunidade e indagava dos espíritos amigos como seriam os traços fisionômicos do Senhor. Os benfeitores espirituais me determinavam procurá-lo nas crianças doentes e desamparadas, e nas pessoas abatidas, sofredoras, andrajosas ou feridas. Certa vez, meu pai, impressionado com a minha persistência em recortar retratos do Senhor de jornais e revistas, me perguntou: “Chico, que nome terá Jesus no céu?” Eu, que estava sempre induzido pelos amigos espirituais a procurar a divina Face nos sofredores e nos infelizes, imaginei que o Senhor, sendo o conforto e a providência dos tristes e dos desventurados, deveria ter no Alto um nome de luz e respondi: “Meu pai, eu penso que no céu Jesus se chama ‘Alegria’, pois todos os que sofrem na Terra estão esperando por ele”.

E como era muito do gosto de meu pai celebrar o Natal, ele me solicitava acompanhá-lo em dez noites consecutivas para cantar um pequeno hino de louvor, enquanto ele me acompanhava ao violão. O hino era ligeiro e cabia-me repeti-lo à porta de cada um de nossos numerosos amigos. Lembro-me perfeitamente da estrofe única de que se compunha e, já que falamos no Fé, vou escrevê-lo aqui para você e Márcia:

Não quero que me dês prata,

Nem cousa de maior valia,

Só quero que abras a porta

E me mostres a alegria.

As casas se abriam, mas eu não encontrava o rosto de Jesus naqueles semblantes sorridentes e felizes, e no dia seguinte ia procurá-lo nas crianças paralíticas de nossa vizinhança ou nos velhinhos quase agonizantes do Abrigo São Vicente de Paulo, em Pedro Leopoldo.

Assim tem sido minha vida: uma busca incessante da Face divina. Agradeço, pois, a você e à Márcia a felicidade que me proporcionaram, felicidade de comparecer com vocês no livro, que ficou lindo!

Caro Baccelli, comunico a você e Márcia que após o dia 15 deste mês só voltarei ao Grupo Espírita da Prece na segunda sexta-feira de janeiro próximo. Assim espero, se Jesus me permitir. Fiquei contente ao saber que você se prepara a fim de ir ao Rio. Ficarei mais feliz se você me disser que a Márcia seguirá em sua companhia. Será ótimo se assim for. Espero que, no sábado próximo, possamos conversar sobre isso.

Com um abraço a Thiago e Marcela, envio a você e à Márcia um outro grande abraço do coração.

Chico

Livro: Chico Xavier, o Médium dos Pés Descalços

Carlos A. Baccelli

Publicado por: Espaco Espiritual | quarta-feira, 26 novembro 2014

INFECÇÕES FLUÍDICAS (Os Nossos Vícios)

INFECÇÕES FLUÍDICAS (Os Nossos Vícios)

INFECÇÕES FLUÍDICAS (Os Nossos Vícios)

“Da mesma maneira como existem infecções orgânicas, acontecem também as
fluídicas. Muitos desencarnados, movidos por vingança, empolgam a imaginação
dos adversários encarnados, com formas mentais monstruosas, classificadas
pelos instrutores como “infecções fluídicas”, com grande poder destruidor,
podendo levar até à loucura.

(…) É possível compreender, assim, os casos de possessos, relatados nos
Evangelhos, que se curaram de doenças físicas ou de profunda deterioração
mental, quando os Espíritos inferiores, que os subjugavam, foram retirados
pela ação curadora de nosso mestre Jesus ou dos apóstolos. Mas não podemos
nos esquecer que os encarnados também produzem larvas mentais, que são
vampirizadas pelos desencarnados. Como vemos, na estrada do psiquismo,
sempre existe dupla mão.

(…) Em *Missionários da Luz*, André Luiz continua os seus estudos sobre as
larvas mentais. Observou que não têm forma esférica, nem são do tipo
bastonetes como as bactérias biológicas, entretanto, formam colônias densas
e terríveis. Em uma sessão, pôde examinar um rapaz, candidato ao
desenvolvimento mediúnico em um centro espírita, constatando a presença de
aluviões de corpúsculos negros, possuídos de espantosa mobilidade, que se
deslocavam, desde a bexiga urinária, passando ao longo do cordão espermático
e formando colônias compactas nas vesículas seminais, na próstata, na
uretra, e invadindo os canais seminíferos, para, finalmente, lutar contra as
células sexuais, aniquilando-as. Alexandre designou-os de *bacilos psíquicos
da tortura sexual*, explicando que o rapaz os tem cultivado pela falta de
domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, e,
também, pelo contato com entidades grosseiras, que se afinam com as
predileções dele. Essas companhias espirituais o visitam com frequência,
como imperceptíveis vampiros.

(…) André analisou também outra candidata ao desenvolvimento da
mediunidade. Em grande zona do ventre dessa senhora, observou muitos
parasitos conhecidos do campo orgânico, mas lá estavam também outros como se
fossem lesmas voracíssimas, que se agrupavam em colônias, desde os músculos
e fibras do estômago até a válvula ileocecal. Semelhantes parasitos
atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição.
Alexandre diagnosticou:
– Temos aqui uma pobre amiga desviada nos excessos de alimentação (…)
descuidada de si mesmo, caiu na glutonaria crassa, tornando-se presa de
seres de baixa condição.
Um outro pretendente a médium, sob o exame de André Luiz, apresentava o
aparelho gastrintestinal ensopado em aguardente, do esôfago ao bolo fecal.

(…) Alexandre ressaltou que ninguém quer fazer do mundo terrestre um
cemitério de tristeza e desolação. Atender a santificada missão do sexo, no
seu plano respeitável, usar um aperitivo comum, fazer a boa refeição, de
modo algum significa desvios espirituais; no entanto, os excessos
representam desperdícios lamentáveis de força, os quais retêm a alma nos
círculos inferiores.

E concluiu o mentor: Não se pode cogitar de mediunidade construtiva, sem o
equilíbrio construtivo dos aprendizes, na sublime ciência do bem-viver. O
médico desencarnado desejou saber mais sobre os “bacilos mentais” que o
benfeitor denominava larvas. Nascem da onde, qual a fonte?
Alexandre explicou que elas se originam da patogênese da alma: A cólera, a
intemperança, os desvios do sexo, as viciações de vários matizes, formam
criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.
As ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão
origem a formas e consequências de infinitas expressões. Assim, a cólera, a
desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos gérmens psíquicos
na esfera da alma. E, qual acontece no terreno das enfermidades do corpo, o
contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade
de luta estabeleçam ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível.”

Da obra *A Obsessão e suas Máscaras*, de Marlene R. S. Nobre, p. 71-75.

Publicado por: Espaco Espiritual | domingo, 7 setembro 2014

O SUICÍDIO

cristal

                                 SUICÍDIO 

 

  1. – O senhor não falou no que sucede a uma pessoa que comete o suicídio. Esse ato é um grande crime?
  2. – Tirar a vida de si próprio não é apenas um crime, mas um ato extremamente insensato. Não resolvemos nossas dificuldades fugindo delas. Isso apenas irá adiar-lhes a solução para uma vida futura. Alguém poderia argumentar que as circunstâncias que tem de enfrentar são motivos para o suicídio; contudo, essas circunstâncias foram julgadas necessárias para seu progresso na evolução, e ele terá que passar por elas, mais cedo ou mais tarde. Do mesmo modo pelo qual uma criança que falta à escola repetirá o ano escolar até que compreenda que, para se qualificar num nível superior, deve conseguir pelo menos um mínimo de média em todas as disciplinas, o homem que comete suicídio tem de voltar ao mundo. Em sua próxima vida, uma série de circunstâncias se juntarão de novo, para formar os mesmos obstáculos e dificuldades de que desejou escapar. Deve, então, enfrentá-las e dominá-las, pois, se fugir mais uma vez, estará apenas retardando sua própria evolução e, enquanto não fizer face a esses obstáculos, ultrapassando-os e aprendendo as lições que eles pretendem ensinar, esse homem nunca será capaz de dar mais um passo sequer no caminho que leva à perfeição. Habitualmente, ao gesto suicida segue-se um remorso extremo e, dentro de um espaço de tempo muito curto, depois de sua chegada ao mundo astral, a maioria dos suicidas daria qualquer coisa para anular o ato impensado. Infelizmente, eles não podem voltar, mas devem aguardar até que chegue a época de sua próxima encarnação. E não lhes deixam quaisquer dúvidas de que em sua próxima existência terão de enfrentar de novo as mesmas dificuldades.

Pelo fato de um homem sofrer tanto pelo remorso, e porque daria tudo para voltar a seu corpo físico, mesmo que fosse para fazer face às consequências, ele muitas vezes se recusa ao esforço de vontade necessário para se livrar de seu veículo etérico, que, como o senhor se deve lembrar, enrola-se em torno do corpo astral no momento da morte. Por causa desse veículo etérico pendente dele, esse homem se torna o que é conhecido como “ligado à terra”, por tanto tempo quanto dure sua obstinação em não se livrar dele. Sendo um suicida, ele não recebe o mesmo auxílio afetuoso dos ajudantes astrais, auxílio que, como o senhor viu, é altruisticamente dado a todos os que passam para o próximo mundo de maneira normal. Desse modo, ele pode permanecer “ligado á terra” pela ignorância, sendo incapaz de funcionar apropriadamente em qualquer desses mundos, o físico e o astral, e sentindo a profunda solidão que essas circunstâncias propiciam. Depois de um período de tempo que lhe parece uma eternidade, através de uma mudança ocorrida em sua mente, atrairá para si alguém que o auxilie, depois do que pode começar a viver sob condições astrais.

As condições excessivamente desagradáveis existentes nessa região de ninguém, tornam às vezes um homem tão amargo contra seu Criador e a humanidade em geral, que ele passa a perambular pelo lugar onde tirou a própria vida, tentando influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo. A razão desse comportamento é a terrível solidão de seu estado presente. Esse homem sente que, se puder persuadir outros a fazerem o que ele fez, não ficará inteiramente só em sua angústia. Em raras ocasiões ele consegue êxito nesse seu esforço, e o resultado cármico desse ato significa que ele terá que sofrer imensamente em sua próxima existência. Suicídio nunca é uma libertação, mas apenas um adiamento, e não há circunstâncias no mundo que sejam tão más a ponto de levarem um homem a recorrer a esse método para escapar de tais circunstâncias.

 

Livro:  A Viagem de Uma Alma

            Peter Richelieu

            Editora Pensamento-Cultrix

 

Publicado por: Espaco Espiritual | terça-feira, 2 setembro 2014

APOMETRIA

kardec

Apometria: nem Ciência nem Espiritismo

Alexandre Fontes da Fonseca

Fonte: Reformador julho de 2014

A Apometria é uma técnica de desdobramento proposta nos anos 70, que tem como objetivo auxiliar encarnados e desencarnados em seus problemas físicos e espirituais. Através do desdobramento, o Espírito do médium observaria enfermos ou desencarnados, executaria comandos de ação de um dirigente, e descreveria o ambiente espiritual. A técnica envolve práticas materiais como contagem numérica ou geração de ruído, e se baseia na crença de que energias físicas seriam manipuladas na atuação sobre encarnados e desencarnados.

Baseada em conceitos da Física e da Matemática, a Apometria apresenta-se como uma teoria científica avançada, chegando ao ponto de se considerar mais eficaz que o Espiritismo em tarefas como a desobsessão.1 Conforme afirma Kardec, o Espiritismo deve assimilar o progresso da Ciência,1,2 no entanto, alguns companheiros, sem base para analisar a parte científica da Apometria, têm acatado suas práticas, esquecendo-se da orientação dos bons Espíritos de que quando não sabemos avaliar um assunto “melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea”.3 Também se esqueceram de que essa assimilação pelo Espiritismo só deve ocorrer “desde que [as doutrinas progressistas] hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele [o Espiritismo] se suicidaria”.2 (Destaques nossos.)

Diversos confrades espíritas já falaram 4 e escreveram 5,6,7 sobre os desacordos entre a Doutrina Espírita e as propostas da Apometria. A seguir, enumeramos algumas diferenças entre conceitos espíritas e os da Apometria, bem como um resumo dos seus principais erros científicos:

a) a Apometria adota conceitos esotéricos, por exemplo, o de vários corpos (astral, mental etc.); o Espiritismo adota terminologia simples e de acordo com os fenômenos que podem sustentá-la, como se faz em toda disciplina científica e filosófica. Ele ensina apenas que temos um corpo espiritual, o perispírito, que sobrevive à morte do corpo físico e com o qual nos apresentamos perante desencarnados ou encarnados. Fenômenos de aparições comprovam a existência do perispírito que é responsável, também, pela constatação da individualidade do desencarnado. A respeito, vejamos as palavras de Kardec:

[…] Esse envoltório, denominado perispírito, faz de um ser abstrato, do Espírito, um ser concreto, definido, apreensível pelo pensamento. Torna-o apto a atuar sobre a matéria tangível, conforme se dá com todos os fluidos imponderáveis, que são, como se sabe, os mais poderosos motores. 2

b) a Apometria adota processos de contagem para direcionar energias e agir sobre os desencarnados; o Espiritismo ensina que o pensamento e a vontade são as forças que agem sobre os fluidos espirituais. 2 Gestos e rituais de natureza material não têm o menor efeito sobre os Espíritos desencarnados. 3

c) a Apometria propõe o desdobramento de enfermos encarnados para tratamento no plano espiritual; o Espiritismo não recomenda forçar o desdobramento nem qualquer outro tipo de transe mediúnico nas pessoas que não possuem mediunidade propriamente dita. 3 O objetivo do Espiritismo é a regeneração da humanidade através da transformação moral das pessoas.8 A orientação do Espiritismo para os enfermos do corpo e da alma é o estudo do Evangelho, fluido- terapia, e esforço por sua transformação moral.

d) a Apometria propõe, com suas técnicas, que Espíritos obsessores sejam presos, afastados e movidos para locais ou “dimensões” distantes. Ela considera que suas técnicas, seriam mais eficientes do que o diálogo esclarecedor com os Espíritos obsessores. O Espiritismo ensina que não se pode prender Espíritos desencarnados, e que nenhuma fórmula ou ritual é capaz de intimidá-los. A questão 553, de O livro dos espíritos, 9 esclarece que:

[…] Não há palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico, nem talismã, que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais. (Destaques nossos.)

Kardec, em O evangelho segundo o espiritismo, 10 reafirma:

[…] Qualquer que seja, porém, o caráter do Espírito, nada se obtém, é isto um fato incontestável, pelo constrangimento ou pela ameaça. Toda influência reside no ascendente moral. Outra verdade […] comprovada […], é a completa ineficácia dos exorcismos, fórmulas, palavras sacramentais, amuletos, talismãs, práticas exteriores, ou quaisquer sinais materiais.10 (Destaques nossos.)

Sobre a ação de uma terceira pessoa para ajudar um obsidiado, a questão 476, de O livro dos espíritos, diz que:

[…] quanto mais digna for a pessoa, tanto maior poder terá sobre os Espíritos imperfeitos, para afastá-los, e sobre os bons, para os atrair. […] Qualquer, porém, que seja o caso, aquele que não tiver puro o coração nenhuma influência exercerá. Os bons Espíritos não lhe atendem ao chamado e os maus não o temem. 9

A tarefa de desobsessão espírita está bem sintetizada no item 81, cap. XXVIII, de O evangelho segundo o espiritismo:

[…] necessário, sobretudo, é que se atue sobre o ser inteligente, ao qual importa se possa falar com autoridade, que só existe onde há superioridade moral. Quanto maior for esta, tanto maior será igualmente a autoridade. E não é tudo: para garantir-se a libertação, cumpre induzir o Espírito perverso a renunciar aos seus maus desígnios; fazer que nele despontem o arrependimento e o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas, em evocações particulares, objetivando a sua educação moral. Pode-se então lograr a dupla satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito. 10 (Destaques nossos.)

Portanto, a tarefa da desobsessão, segundo o Espiritismo, se baseia no conhecimento espírita e na transformação moral de todos os envolvidos, o que está de acordo com os ensinamentos de Jesus.

e) a Apometria fundamenta seus princípios e técnicas em conceitos da Física; se a Física evoluir, ou se houver erro na forma como seus conceitos foram usados, a teoria da Apometria se desmorona. O Espiritismo não tem seus princípios baseados em conceitos de outras ciências; ele se apoia na Ciência no tocante a questões materiais, mas não a utiliza na formulação dos seus conceitos.

A seguir, analisaremos alguns conceitos científicos da Apometria, cujas referências serão dadas, por falta de espaço, apenas para os detalhes de cada análise científica. Em resumo: uma análise científica consiste na verificação da coerência na utilização dos conceitos científicos (no caso, da Física e da Matemática) e da coerência da teoria em relação a si mesma, isto é, se apresenta contradições com os próprios conceitos e os conceitos científicos.

1) Matéria, Energia e Espaço: a Apometria propõe que matéria se transforma em energia e que energia se transforma em espaço. Segundo as teorias científicas vigentes, “matéria só se transforma em matéria” e a “energia total sempre se conserva”, isto é, ela é a mesma antes e depois de qualquer fenômeno físico. Para mais detalhes, consultar referências. 11 a 15

2) Corpo astral imaterial: a Apometria adota conceitos esotéricos como o de corpo astral. Diz também que além de imaterial e de natureza magnética, o corpo astral “perde energia” chegando a necessitar de “suprimento energético” para sua sustentação, assim como o corpo físico. Em Física, nada pode ser “imaterial” e ter, ao mesmo tempo, “natureza magnética”, ou (o que é ainda menos aceitável) “perder ou ganhar energia”. Somente objetos materiais possuem energia, portanto, só podem trocá-la (ganhá-la ou perdê-la) uns com os outros.

3) Despolarização magnética de estímulos da memória: a Apometria afirma que é possível apagar a memória de encarnados e desencarnados. Os impulsos cerebrais dependem da presença de íons de potássio (K+) e sódio (Na+) nas regiões dentro e fora dos neurônios, o que faz surgir uma diferença de potencial eletrostático (ddp), 16 ou uma polarização eletrostática. Uma despolarização seria a anulação dessa ddp. Infelizmente, não existem dados experimentais que comprovem a perda de memória em encarnados sob ação da Apometria. A incoerência dessa proposta é considerar que desencarnados possam sofrer despolarização de memória, porém, isso não acontece, como dito no item 2, pois o corpo dos Espíritos é imaterial, logo não pode conter íons positivos ou negativos (íons são materiais), não pode possuir uma polarização e, portanto, não pode ser despolarizado. Isso é uma contradição interna da teoria da Apometria.

4) Equação da energia do pensamento: a Apometria propõe uma lei matemática para a energia do pensamento. Ela seria igual ao produto da energia elétrica neuronal (EN) pela energia psíquica (da alma) – elevado à potência v, quando v tende para o infinito. Uma análise matemática dessa lei mostra que a quantidade de energia do pensamento só poderia assumir um dentre quatro valores: a) seria apenas a energia material; b) seria nula; c) seria infinita; ou d) seria indeterminada. Como nenhuma dessas quatro opções tem utilidade real para o entendimento espiritual do pensamento, a lei acima é o que se denomina absurdo matemático, já que não leva a nenhum resultado coerente. Os detalhes dessa análise se encontram nas referências 17 a 19.

5) Tempo e Espaço não existem na dimensão mental: se tempo e espaço não existem na dimensão mental, então a Apometria não pode falar de frequência, vibração e propagação de ondas mentais, pois em Física os conceitos de frequência, vibração e propagação dependem dos conceitos de tempo e espaço. A Apometria também fala da possibilidade de previsão do futuro. Mas, se o tempo não existe na dimensão mental, então como saber se uma percepção (mental) se refere ao passado, presente ou futuro? Se é possível discernir o período de tempo de uma percepção da mente, então o tempo existe na dimensão mental, logo o conceito acima é contraditório.

Há muitos outros erros científicos na teoria da Apometria, como pode ser verificado nas referências 17 a 19. Os que foram citados acima são, porém, suficientes para mostrar que a Apometria não é um avanço científico, não devendo, portanto, ser assimilada pelo Espiritismo.

REFERENCIAS:

1 ENTREVISTA de Divaldo Pereira Franco, ao programa Presença Espírita, Rádio Boa Nova, Guarulhos (SP], ago. 2001. Disponível em: <http://jornalo espirita.blogspot.com.br/2012/02/divaldo-franco-esclarece-sobre.htmb.

2 KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 53. ed. 1. imp. [Edição Histórica.] Brasília: FEB, 2013. A Gênese segundo o Espiritismo, cap. 1, it. 55; cap. 11, it. 17; Os milagres segundo o Espiritismo, cap. 14, it. Ação dos Espíritos sobre os fluidos…, subit. 14, respectivamente.

3 O Livro dos médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 81. ed. 1. imp. (Edição Histórica.] Brasília: FEB, 2013. pt. 2, cap. 20, it. 230, Erasto; pt. 2, cap. 8; cap. 17, it. 208, respectivamente.

4 ENTREVISTA de 3. R. Teixeira ao periódico O Consolador, 5 jun. 2011. Disponível em: <http://www.oconsoladorcom.br/ano5/212/raulteixeiraresponde.htmb.

5 HESSEN, J. A Apometria e as práticas espíritas. In: 0 Consolador. n. 67, 3 ago. 2008. Disponível em: <http:// www.oconsolador.com.br/ano2/67/ especial.htmb.

6 OLIVEIRA FILHO, A. O. de. Apometria não é Espiritismo. In: O Consolador. n. 130, 25 out. 2009. Disponível em: <http://www.oconsolador.com.br/ ano3/130/especial.html>.

7 SOUSA, G. J. de. Apometria não convém às Casas Espíritas. In: O Consolador. n. 139, 3 jan. 2010. Disponível em: <http://www.oconsolador.com.br/ ano3/139/gebaldo_sousa.html>.

8 KARDEC, Allan. O que ensina o Espiritismo. In: Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano. 8, n. 8, ago. 1865. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 306.

O livro dos espíritos. Trad.

Guillon Ribeiro. 93. ed. 1. imp. (Edição Histórica.] Brasília: FEB, 2013.

10 , 0 evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 3. imp. (Edição Histórica.] Brasília: FEB, 2013. cap. 28, it. 84, Observação.

11 VALADARES, J. A. O Conceito de Massa. I. Introdução Histórica. In: Revista Brasileira de Ensino de Física, 15, 110,1993.

12 , O Conceito de Massa. II. Análise do Conceito. In: Revista Brasileira de Ensino de Física 15,118,1993.

13 FONSECA, A. F. da. Um Ensaio sobre Matéria e Energia – Parte 1. In: FidelidadESPÍRITA 91, 6 abr. 2010.

14 Um Ensaio sobre Matéria e Energia – Parte 2. In: FidelidadESPÍRITA. 92, 20 mai. 2010.

15 MOREIRA, M. A. 0 Modelo Padrão da Física de Partículas. In: Revista Brasileira de Ensino de Física. 31, 1.306, 2009.

16 Ver, por exemplo, os seguintes sites: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Impul so_nervoso> e <http://www.afh.bio. br/nervoso/nervosol.asp>.

17 FONSECA, A. F. da. Análise Científica da Apometria. In: 0 Consolador. 289, 2 dez. 2012. Disponível em: <http:// www.oconsolador.com.br/ano6/289/ especial.htmb.

18 , Análise Científica dos Fundamentos Teóricos da Apometria. In: 0 Espiritismo na Atualidade. Textos selecionados do 8o Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores em Espiritismo (Lihpe]. Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro (CCDPE-ECM), São Paulo, 2013.

19 , Análise Científica da Teoria da Apometria. FidelidadESPIRITA. 118, 9, 2013.


Recebido de: “Gonzaga”

Publicado por: Espaco Espiritual | domingo, 6 julho 2014

Qual a diferença entre Espiritismo e Espiritualismo?

kardec

Qual a diferença entre Espiritismo e Espiritualismo?

O Espiritualismo é uma filosofia que se opõe ao Materialismo. O materialista crê somente na matéria, ou seja, naquilo que ele pode ver; para ele, portanto, em relação ao homem, tudo se acaba com a morte. O espiritualista crê em algo além da matéria, ou seja, o homem sobrevive à morte do corpo, seja como Espírito, Alma, Ego etc. Existem várias filosofias espiritualistas.

O Espiritismo também se opõe ao Materialismo. Defende a existência de Espíritos eternos e as comunicações entre o plano espiritual (mundo invisível) e corporal (mundo visível). 
Assim, o espírita ou espiritista é também espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita.

“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente-a-frente a razão em todas as épocas da Humanidade”. 

Freqüentemente sou abordado por pessoas que questionam acerca das diferenças entre Espiritismo e Espiritualismo. Perguntam, ainda, se ambas as doutrinas não seriam a mesma coisa.

Em verdade, a maior parte das questões formuladas não são pronunciadas exatamente dessa maneira. Muitos indagam se sou ‘espírita kardecista’ ou se sou ‘espírita de mesa branca’. Tem também os que desejam saber se no Centro Espírita ou o Templo onde desenvolvo minhas tarefas fazemos trabalhos de macumba ou reuniões mediúnicas públicas. E por aí vai. As perguntas são as mais variadas e a maioria delas reflete um grande desconhecimento do público sobre o tema.

Importante frisar que essa confusão não acontece apenas nos meios não-religiosos. Ela é muito freqüente entre os espiritualistas que em sua maioria não conhecem as bases filosóficas da doutrina à qual pertencem.

Obviamente, não é à toa que tal fenômeno ocorre. São fatores históricos que geraram tais confusões que, aliás, parecem ser de senso-comum, uma vez observada a naturalidade com que muitos afirmam que todo culto afro-católico é uma doutrina espírita, o que não é verdade. Kardec, quando elaborou o prefácio da obra viga mestra (O Livro dos Espíritos), afirmou que para coisas novas deveriam existir palavras novas. Foi aí que definiu a palavra Espiritismo e Espíritas (ou espiritistas) para diferenciar a Doutrina e seus seguidores das de outros movimentos religiosos. 

Umbandistas não são Espíritas, nem Candomblé, nem Cartomantes ou qualquer pessoa que desenvolva atividades ligadas às “mancias” (cristalomancia, quiromancia, etc.).

Isso não desmerece em nada as doutrinas espiritualistas – apenas dá conta de colocar cada coisa em seu devido lugar. Quem estuda as obras kardequianas e segue tal doutrina é Espírita. Simples assim. Não existe a palavra kardecismo, visto que Kardec não fundou nada, a Doutrina não é dele, mas sim dos Espíritos. Ele contribuiu com suas colocações lúcidas e organizou as informações vindas do Plano Mais Alto. Também não existe mesa branca: nos Centros Espíritas temos todos os tipos de cores de mesa e nem sempre as toalhas que as revestem são brancas. Também não realizamos reunião mediúnica pública – entendemos, através de nossos estudos, que tais reuniões devem ser privativas. Também não acendemos velas, nem realizamos sacramentos, tais como casamentos ou batizados. Não cultuamos imagens de santos, nem tomamos banho com sal grosso. Não carregamos “figas”, tampouco patuás, fitinhas ou amuletos.

Vale frisar que também não consideramos tais práticas perniciosas, apenas não faz parte da Doutrina Espírita e, portanto, um verdadeiro espírita deverá evitá-las, sem condenar as pessoas que delas se valem, de acordo com suas crenças particulares. Aqui o objetivo nunca será discriminar qualquer forma de religião, fazer proselitismo ou pregar o Espiritismo como sendo a maior ou a melhor das religiões. O que é preciso creio eu, é situarmos as coisas, pois esta confusão serve de munição para aqueles que atacam esta religião.

Espiritualismo é a doutrina ou sistema que admite a presença, no homem e no mundo em geral, do elemento espiritual. Desse modo, a maior parte das religiões é espiritualista, uma vez que crêem na existência da dualidade corpo e alma. O Espiritualismo é o oposto do materialismo, que afirma não existir nada além da matéria. Espiritismo, contudo, significa Doutrina dos Espíritos. Ou seja, há um parentesco significativo entre ambas, mas não é a mesma coisa. Aliás, posso afirmar que elas apresentam práticas bastante diferentes.

O Espiritismo compreende alguns pontos que o afastam do Espiritualismo das religiões tradicionais. São eles: a crença na reencarnação; a descrença na doutrina das penas eternas; a crença na pluralidade dos mundos habitados e a crença na comunicabilidade dos Espíritos através da mediunidade. Além disso, para o espírita o estudo necessita ser constante e a busca por sua melhoria íntima idem.

Resumindo: todo Espírita é Espiritualista, mas nem todo Espiritualista é Espírita.

Sugiro ao caro leitor, caso se interesse pelo assunto, que leia as obras “O Que é o Espiritismo” de Allan Kardec e “O que não é o Espiritismo” de José Carlos Leal.

O tema é amplo e merece um olhar mais atento, principalmente em nosso país, onde há um número considerável de pessoas simpatizantes de ambas as doutrinas.

Publicado por: Espaco Espiritual | quarta-feira, 7 maio 2014

OS APRENDIZES DE FEITICEIROS

Amanto (1)

OS APRENDIZES DE FEITICEIRO

 – Amanto, – disse Neiva – de tudo isso que você me mostrou e contou, não consigo formar uma idéia de conjunto do porquê de tantos altos e baixos, tantos fracassos. Afinal, esses séculos de lutas, com instrumentos tão preciosos nas mãos dos espíritos evoluídos, tudo isso para termos um fim melancólico como esse que está sendo profetizado? Onde está a lógica disso tudo?

– Neiva, – respondeu ele – você conhece a lenda do aprendiz de feiticeiro?

– Não, nunca ouvi falar dela.

– Certa vez, diz a lenda, um mago poderoso, que vivia num castelo, saiu para uma viagem e deixou seu aprendiz tomando conta da casa. Este, tão pronto se viu a sós, resolveu experimentar os conhecimentos que julgava haver aprendido do seu mestre. A primeira coisa que lhe ocorreu foi usar aqueles poderes mágicos para executar as tarefas desagradáveis pelas quais era responsável. Assim, usando as palavras apropriadas, ordenou à vassoura que varresse o castelo, e esta entrou em ação na mesma hora. O mesmo aconteceu com o balde de água, e o aprendiz se deleitou com seus poderes. Mas, a vassoura varria tanto e o balde jogava tanta água, que o castelo começou a ser inundado. O aprendiz não sabia as palavras mágicas para pará-los.

– E como terminou a estória?

– Não sei bem. Creio que o feiticeiro pressentiu qualquer coisa de errado, e voltou a tempo de salvar o castelo, mas não pode impedir o aprendiz de quase morrer afogado e de passar um bom susto…

– Quer dizer nós estamos na mesma situação desse aprendiz?

– Em termos, de certa forma, sim. Através de todos os tempos, os Mestres promoveram todo o necessário a cada situação, a cada programa civilizatório, sempre visando adequar o planeta para a realização dos espíritos, dar a eles os meios de continuar sua evolução e colaborar na obra divina.

– Mas, Amanto, esse é outro ponto que a gente sempre interroga. Afinal como é isso? Os espíritos são perfeitos e, depois, decaem, passam a precisar evoluir de novo?

– Minha filha, essa pergunta vem sendo feita pelos Homens há milhares de anos. A mesma interrogação é feita em outros recantos do Universo, mas a resposta é sempre o silêncio e a incógnita. E possivelmente obtenhamos essa resposta quando estivermos integrados em Deus. Talvez os espíritos que já atingiram essa meta saibam o porquê de tudo! Mas, isso é impossível, tanto para você como para mim, pois somos, apenas, retas entre o menos e o mais infinito, somos espíritos a caminho… Voltando ao nosso aprendiz de feiticeiro, no caso o ser humano desses últimos trinta e dois mil anos, eles muitas vezes usaram sua mágica para varrer e lavar. Veja o exemplo dos Incas, dos Maias e dos Astecas. Eram herdeiros de profundos conhecimentos científicos, recebidos de seus ancestrais, aos quais tinham acesso através da herança tecnológica arquivada no recesso dos seus templos e palácios. Entretanto, esse tesouro era usado para o engrandecimento de seus egos hipertrofiados, do seu egoísmo palaciano e de suas conquistas insensatas. Preocupavam-se, muito, em receber, obter cada vez mais assistência dos Mestres, e, para isso, não poupavam esforços. Por isso, construíram complicados sistemas de propiciação aos deuses e observavam religiosamente seus calendários iniciáticos. Tudo visava a obtenção de energias do Céu, no caso representadas pelo deus Sol e pela deusa Lua. Pelo que a história da Terra registra, eles rezavam mais do que trabalhavam.

– Mas você não pode dizer que eles não trabalhavam! Se assim fosse, como é que poderiam ter construído aqueles majestosos monumentos, que até hoje estão de pé?

– Tais monumentos não foram feitos com o trabalho braçal. Isso é um engano que os cientistas cometem, ao interpretá-los em termos da atual capacidade humana e devido ao desconhecimento das técnicas empregadas naquele tempo. As teorias atuais se ressentem de lógica. A confusão ainda é maior devido à interpretação religiosa que se dá, atualmente, aos fatos, ou melhor, somente religiosa. É preciso unir as duas coisas, os atos psicofísicos e as finalidades do espírito, para se ter uma idéia mais precisa. Já lhe disse que não só os monumentos como, também, as cidades, foram feitos mediante processos fisioquímicos e forças magnéticas. Os construtores eram os nobres, os sacerdotes e os especialistas nas várias artes e ciências, principalmente os astrônomos. O povo mesmo, as massas daqueles tempos, era apenas espectador. Aliás, isso pode ser facilmente verificado nos episódios registrados em épocas mais recentes, como, por exemplo, no Século XVI da era atual. Toda a classificação sociológica dos povos antigos demonstra, sempre, essa defasagem entre os círculos dominadores e as massas.

– Mas, isso não é assim, também, em nossos dias?

– Sim, mas com distanciamento bem menor e com o fenômeno participativo cada vez maior. Mas, entre os Incas, por exemplo, a distância era imensurável. As referências a essas civilizações são sempre em termos de monumentos, riquezas em metais preciosos, rituais estranhos e templos. A gente não houve falar de ruas, casas, comércio e povo. Veja a facilidade como abandonavam suas cidades e se mudavam para outros sítios. Eles não tinham muito a carregar; os dirigentes, porque refaziam suas coisas com relativa facilidade, e os da periferia porque viviam do meio ambiente, sem muitas exigências. Até hoje isso pode ser visto nos países latinos, essa defasagem entre o monumental das cidades e a pobreza dos bairros, subúrbios e zonas rurais. O exemplo mais frisante se encontra na história dos Maias, que ocupavam a península de Yucatan.

– Mas, Amanto, isso faz surgir uma indagação: por que, realmente, eles se mudavam e abandonavam suas cidades? Pelo que ouvi um professor de História dizer, isso constitui um dos maiores mistérios dessas civilizações.

– Devido à degenerescência da natureza em torno deles, dado o abuso das forças nobres como o magnetismo, a fissão atômica e a fisioquímica em geral. Essas forças provocavam alterações na coesão molecular das coisas vivas e, com isso, seu enfraquecimento. As plantas e os animais morriam com facilidade, enquanto os seres humanos se tornavam apáticos e preguiçosos. Isso explica, em parte, a derrota desses povos diante dos espanhóis, numericamente inferiores, e as humilhações sofridas diante dos invasores. A história dos Astecas demonstra isso claramente.

– Mas, se eles podiam manipular forças atômicas e magnéticas, e tinham tais conhecimentos científicos, como no caso da Astronomia, como é que se explicam essas contradições que tanto confundem os pesquisadores atuais?

– Já lhe falei, Neiva, das dificuldades da transformação dos Capelinos em terráqueos, da adaptação desses espíritos à missão a que se propuseram. Mesmo depois do desaparecimento dos Equitumans e das catástrofes que se sucederam na superfície terrestre, eles continuaram indecisos quanto ao rumo certo. Milhares de anos se passaram, cerca de cento e vinte e cinco séculos depois da tragédia do Titicaca, até surgirem os conceitos da realidade humana, da necessidade de autonomia, do uso do livre arbítrio e do caminho criativo. Podemos traçar uma analogia desses tempos com o fenômeno migratório atual. Os imigrantes que chegaram ao Brasil nos fins do século passado, principalmente no Sul do país, levaram três gerações para abandonar os hábitos de seus países de origem, e assim mesmo ainda se nota, nos seus descendentes, a nostalgia, o saudosismo. A maior dificuldade era a adaptação ao ciclo vital – nascer, viver, reproduzir, morrer e nascer de novo. Sua grande preocupação era a de garantir os vínculos com os Mestres, e isso durou até a derrocada diante dos europeus. Aliás, esse traço da psique, de se garantir fora de si mesma, se renova agora, nas preocupações com o extraterreno, na busca de novos mundos, onde possa se perpetuar.

– Mas, – perdoe-me por tantos “mas” – você não disse que a derrota dos Equitumans foi devida à perda de sintonia com os Mestres, com os planos originais? Como explica você, agora, que seu fracasso seria devido a essa mesma preocupação?

– Isso se explica, Neiva, pela errônea interpretação de Deus. Eles se esqueceram, como o Homem sempre se esquece, de que Deus é intrínseco na natureza, no íntimo do ser e não exterior a ele. A projeção antropomórfica é que O faz assim. Em vez de se voltarem para si mesmos, de usarem sua força criativa e seus instrumentos no fazimento do mundo, na tarefa construtiva, eles se preocuparam mais em manter vivo seu cordão umbilical e em voltar para o útero materno. Aliás, as pirâmides nos dão uma idéia bem aproximada disso. Enquanto eles usavam a energia atômica, até para a iluminação delas, nos arredores os homens plantavam milho e trigo com paus pontudos, na forma mais primitiva. O mesmo sucede hoje, num paralelo absolutamente nítido. Enquanto os cientistas colocam milhares de custosos satélites em órbita e fabricam onerosas bombas atômicas, populações inteiras morrem de fome e a superfície do planeta se esvai no enfraquecimento progressivo da natureza. Esse é o aspeto fundamental de todos os problemas que afligem o Homem. É na luta básica dos campos de força que está situada a defasagem. O planeta foi planejado para determinada tônica de coesão molecular, uma dinâmica que se ajusta automaticamente a cada estágio posicional em relação ao sistema. A utilização de energias nobres deveria ser feita com critério espiritual, isto é, apenas nas tarefas criativas de impulso e em harmonia com o sistema. Nesse caso, “deus” seria considerado como “criador”. Mas, se essas forças são usadas indiscriminadamente, sem o planejamento cuidadoso, elas se transformam em destruição, e, nesse caso, “deus” se confunde com “vingança”. O mundo que, depois, se chamou América, se enfraqueceu no contraste energético, e isso se verifica na atual desarmonia da superfície, na sucessão de florestas e desertos e nas contradições da dinâmica humana. Por isso, as civilizações pré-colombianas eram civilizações de pedra. As florestas que, atualmente, cobrem suas ruínas, resultam de um custoso trabalho da natureza na retomada da tônica adequada. Houve um momento em que a Humanidade pareceu compreender isso: no Século XIX. Observe a história atual e você verificará os movimentos sérios que nasceram naquele século. Mas a euforia resultante está levando, novamente, ao fracasso. Se não houvesse o desencadeamento mal feito da energias atômicas, não haveria o triste 1984, que já começa a se manifestar. Os atuais aprendizes de feiticeiro se comprazem em “varrer” territórios com a bomba atômica, esquecendo-se de que são incapazes de parar as “vassouras” e os “baldes de água”. Isso explica, Neiva, a ausência de provas das civilizações mais antigas. Seus restos foram devorados nas transformações ciclópicas sofridas pela natureza. Depois, na medida em que a tônica própria foi sendo readquirida, o planeta foi conseguindo conservar suas amostras civilizatórias, que permitem as atuais cronologias da História. De cinco mil anos A.C. para trás, apenas existe o nada, ou o quase nada…

Neiva se quedou pensativa. No plano etérico em que se encontrava, na sintonia cada vez mais perfeita com sua existência transcendental, ela compreendia as lições profundas que estava recebendo. Mas, o ser humano que havia nela se manifestava, na preocupação de armazenar informações. Procurando manter os pés na Terra, ela se defendia com perguntas que Amanto, pacientemente, respondia.

– Amanto, – pergunto ela – e as pirâmides? Explique melhor sobre elas.

– Sim, explico. O grande Jaguar, o Tumuchy, era um cientista, conhecedor profundo da fisioquímica, e, com sua chalana, ele viajou para o Egito e outros pontos do planeta. Ele trabalhava com maestria o cobre e seus compostos e, com isso, ensinou a fundir grandes tubos e utensílios de metal, que eram usados em vários pontos da Terra. Isso permitiu o florescimento de núcleos tecnologicamente avançados, sendo um deles localizado na região coberta, atualmente, de gelo, que correspondem ao Pólo Norte e à Sibéria. O degelo dessa região, agora começando, vai revelar tudo isso. Mas, foi no Egito que teve início a conscientização da realidade humana. Observe a história dos egípcios, e verá as transformações básicas que ali tiveram lugar.

– E essas máquinas, esses tubos, ainda existem?

– Sim, são coisas recentes, de cinco ou seis mil anos passados. Sob a areia dos desertos e no fundo lamacento do Nilo, encontram-se objetos que irão espantar os cientistas de hoje, quando forem encontrados.

– Mais uma pergunta: essa história da arca de Noé tem algum fundamento?

– Há muitos fatos que se transformam em lendas. Na verdade, sempre existiram noés que precederam as catástrofes. Essa lenda se prende à seleção do mundo animal, feita sob a orientação dos Mestres. Sempre foram feitas experiências nesse sentido, e a habilidade do Homem em relação aos animais existe até hoje. Veja a miscigenação dos rebanhos atuais e todas as experiências com animais, e você poderá fazer uma comparação com o que acontecia.

– Outra pergunta, sobre essa questão de contatos com os Capelinos. Quais os problemas que havia?

– Os mesmos que existem hoje. Nós habitamos um planeta de constituição diferente, embora física, material. Para que possamos nos aproximar em nosso estado natural, somos obrigados a alterar o campo vibratório dos lugares onde chegamos, e isso provoca uma série de alterações na natureza. Assim mesmo, não podemos sair do interior de nossas naves, pois seríamos esmagados pela densidade do plano da Terra. Naqueles tempos, ainda conseguíamos estabelecer bases na superfície, onde podíamos sair das naves com relativa segurança. Mas isso era uma anormalidade que exigia enorme dispêndio de preciosas energias, e só era feito em função dos planos da época. Mas não era qualquer ser humano que podia chegar até nós. Apenas os missionários, que tinham o conhecimento das técnicas empregadas e organização física adequada, o faziam.

– E essas bases, como eram elas?

– Campos magnéticos preparados no subsolo e delimitados na superfície. Ainda hoje, se os cientistas usarem instrumentos adequados, eles irão detectar a diferença desses solos em relação às regiões circunvizinhas. Em sua maioria, esses pontos eram demarcados, e a aproximação totalmente vedada aos seres humanos comuns. Tais lugares ainda são considerados sítios sagrados ou malditos, conforme o folclore local, pois são, realmente, inadequados ao equilíbrio psicofísico dos seres humanos. Esse mesmo fenômeno ocorre em todos os lugares onde foram utilizadas energias magnéticas ou atômicas. Os discípulos do Jaguar usavam uma espécie de pincel atômico, que lhes permitia esculpir, com perfeição, os mais duros metais ou pedras. Os ambientes onde trabalhavam, bem como os objetos, ficavam emanados com essas energias, e se transformavam em tabus. Com o passar do tempo, essa emanação vai desaparecendo, mas ainda existe muito perigo nesse sentido. O desequilíbrio que isso provoca é facilmente confundido com problemas mediúnicos, daí surgirem as lendas e superstições. Naqueles tempos, isso mantinha os curiosos afastados, mas isso gerou o mistério religioso. Tais mistérios sempre foram habilmente utilizados pelos sacerdotes de todos os tempos, e incorporados aos rituais. No Templo de Salomão havia uma câmara onde somente o supremo sacerdote entrava, uma vez por ano.

– E havia algum perigo para outra pessoa que penetrasse nessa câmara?

– Havia, sim, Neiva, porque ali estava localizado um núcleo de captação de energias que somente aquele sacerdote sabia como manipular. O fenômeno acontece, hoje, no Templo do Amanhecer. O cristal que existe na cruz, atrás da Pira, emite um tipo de energia recebida do plano astral. É por isso que o ritual exige a abertura dos braços quando se cruza a linha mediana do Templo. Mas a energia que é emitida no Templo não oferece perigo algum para as pessoas de fora do ritual, pois não estão sintonizadas com a onda vibratória emitida. Já os médiuns em trabalho, recebem uma pequena carga todas as vezes que atravessam a linha de emissão.

– Quer dizer que os médiuns que atravessam a linha sem fazer o gesto apropriado recebem carga?

– Receberiam, se não fosse a proteção das entidades que os assistem. Você sabe muito bem, filha, o trabalho que nos dá a proteção dos médiuns incautos!… É preciso não esquecer que, embora semelhantes, os fenômenos são diferentes. No caso das civilizações antigas, eram energias fisioquímicas, mas, no presente caso, se tratam de energias ectoplasmáticas, flluídicas.

– Amanto, ainda lembrando Noé, o mundo não foi inundado naquele tempo?

– Não, se você se refere ao dilúvio como diz a lenda. Na verdade, as catástrofes sísmicas e os degelos já fizeram imensas inundações e afundamentos de terras. Muitas regiões da Terra foram submergidas e outras emergiram. Mas, esses foram fenômenos localizados, e não gerais. A idéia do geral se deve ao fato do conceito de mundo como sendo apenas a região onde o fato foi registrado.

– E agora, o mundo vai ser inundado?

– Apenas parcialmente, como já ocorreu no passado. Desta vez serão submergidos vinte e um países, que desaparecerão totalmente.

– Amanto, o que podemos fazer ou, então, deixar de fazer para evitar tantas perdas?

– O que o Homem pode fazer é se compenetrar de si mesmo, da sua situação de espírito em caminho, e acomodar sua mente às coisas do transcendente. As catástrofes e os acontecimentos planetários pouca diferença fazem ao indivíduo. Para aqueles que já vão desencarnando nos desastres e nas doenças incuráveis, o fim já chegou, embora muitos continuem, talvez, até os reajustes finais.

– Mais uma pergunta, que me escapou quando você falava dos contatos dos Capelinos com a Terra. Esses contatos traziam algum mal à Terra?

– Sim, Neiva, embora esses males fossem bem menores do que aqueles causados pelos próprios terráqueos. Quando os Tumuchy perceberam que os repetidos encontros conosco produziam danos à Terra, eles se entristeceram demais. Depois disso, eles rarearam muito, pois nos cercamos de imensos cuidados. A melhor forma de nos comunicar é através do plano etérico, como estamos fazendo neste momento com você. O problema que se apresenta, porém, é a falta de terráqueos equilibrados, para um trabalho dessa natureza, como é o seu caso, Neiva. A prova dessa dificuldade são os incríveis relatos de pessoas que dizem ter viajado em nossas chalanas, pois isso é tecnicamente impossível, em corpo físico. O mesmo acontece conosco em relação à Terra, embora muitos tenham afirmado terem visto e conversado conosco, fisicamente… Entretanto, existe em andamento toda uma série de acontecimentos, técnicos e naturais, que irão permitir esse contato. Quando o grande Seta Branca lhes diz que o “Céu irá se encontrar com a Terra”, ele se refere a esses acontecimentos. Mas tenha certeza, Neiva, que, quando isso vier, as coisas serão bem diferentes no seu planeta.

– Bem, Amanto, acho que, por hoje, me dou por satisfeita. Deixe-me voltar ao meu corpo.

– Sim, Neiva, creio que hoje a dosagem foi grande. Aliás, nos preocupa muito nos servirmos tanto do seu trabalho. Mas você é o repositório desses antepassados e a intelectual de nossos dias.

– Eu, intelectual? – retrucou Neiva, dando uma risada.

Então, ouviu o eco da risada que dera, como se estivesse reproduzida por um aparelho eletrônico, e disse:

– Que foi, Amanto? É minha esta risada?

– Sim, Neiva, – respondeu ele, rindo – isto foi um pequenino carinho eletrônico, pois você é tão querida para nós, como sabemos que o somos para você. Que você seja bem-aventurada até o término da sua missão. Bem-aventurados sejam todos os que, esquecendo-se de si mesmo, cuidam do seu próximo!  Por hoje, chega, Neiva. Noutra oportunidade voltaremos aos Tumuchy e seus descendentes, e às proximidades do Titicaca.

– Ao Titicaca de novo?

         Não. Desta vez iremos adiante, subindo as cordilheiras dos Andes!

 

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