Publicado por: Espaco Espiritual | sexta-feira, 31 dezembro 2010

MEDIUNIDADE E CONHECIMENTO ESPÍRITA‏

MEDIUNIDADE E CONHECIMENTO ESPÍRITA


Uma relação necessária para os espíritas

“Diariamente a experiência confirma a nossa opinião de que as dificuldades e desilusões encontradas na prática espírita decorrem da ignorância dos princípios doutrinários”

LM, introdução.

  A despeito de se constituir um elemento estruturador da realidade humana, conforme decorre dos lúcidos ensinos do Espiritismo, que em seu discurso jamais abdicou da lógica e dos dados colhidos por uma experimentação segura, a mediunidade – traço de ligação entre o plano espiritual e a dimensão física – permanece desconsiderada, inexplicavelmente, seja pelo repúdio preconceituoso das academias científicas seja pelo fanatismo religioso de muitos.

Mesmo no meio espírita – entre os que deveriam lhe dominar todo alcance – observa-se a vigência de grande incompreensão em torno do tema, por sua vez, tratado com maestria nas inolvidáveis lições do Mestre de Lion.

Deveras, as contradições que se apresentam entre os ensinos de Kardec e a prática mediúnica, que se desenvolve em um sem-número de centros e reuniões espíritas, salvo raras exceções, apontam para a flagrante deficiência de um estudo específico e metódico que deveria sedimentar, previamente, toda e qualquer atividade neste sentido. De sorte que é fácil perceber o véu do sobrenatural e do maravilhoso a envolver médiuns, mediunidades e seus admiradores. Tudo em detrimento da vivência mediúnica saudável indicada por Allan Kardec.

A indispensabilidade de uma apreensão criteriosa dos pressupostos teóricos do Espiritismo se torna evidente, sob o risco de se impingir à prática espírita aquilo que o Codificador se esmerou em dela afastar.

Neste sentido, é preciso diferençar crença, noção intuitiva e simpatia para com as ideias espíritas da convicção metodologicamente alcançada pelo estudo sério. A questão do conhecimento, tocante qualquer área a que ele se refere, atrela-se ao esforço que se despende em adquiri-lo visto que o trabalho do aprendizado é requisito inarredável na compreensão de qualquer ciência. Bem assim com o Espiritismo que não foge à regra. Sobretudo por sua visão da realidade – que determina o espírito imortal como eixo de todas as cogitações – que tangencia todos os ramos da filosofia, da metafísica, da psicologia e da moral se constituindo em um campo imenso que não se pode percorrer em algumas horas, conforme afirmação do próprio Kardec.

Daí não se poder esquecer o caminho que se elege para a sedimentação do conhecimento espírita. Há pontos que devem, necessariamente, ser enfrentados antes de outros, por exigências didáticas, para que o ensino e o aprendizado se mostre prático e eficiente. De fato, não se inicia uma construção senão por seus alicerces sendo inapropriado desvalorizá-los em função do que lhe seja secundário.

 Portanto, os princípios fundamentais da ciência espírita, quando se desejar aprofundá-la, devem ser estudados previamente para que sua apreensão seja efetivada de forma consistente. E em assuntos que tocam a grandiosidade da vida espiritual e suas graves consequências, não se pode olvidar a clara advertência de Jesus quanto à necessidade da casa ser construída sobre a pedra e não sobre a areia. Pedra consubstanciada em um conhecimento que se lastreia na razão, na lógica, no bom-senso e na experimentação. Areia da fé cega, da crença ilógica, do lugar comum da acomodação intelectual que crê piamente sem a crítica necessária.

O relacionamento com a Doutrina Espírita não dispensa o apoio do conhecimento lúcido que Kardec denominou de fé raciocinada. É recorrente a preocupação do Codificador quanto à necessidade de se afastar as concepções espíritas daquelas místicas e míticas. Nesse sentido, de se notar seu zelo ao cuidar de desconstruir a ideia do sobrenatural e do maravilhoso, que amiúde a ignorância liga à ação dos espíritos, ao tratar o problema logo nos capítulos iniciais de “O Livro dos Médiuns”.

É que a falta de método no aprendizado da Doutrina, da qual resulta uma abordagem equivocada dos princípios doutrinários, enodoará a prática espírita de elementos conceituais também equivocados resultando daí a banalização dos magnos fundamentos do Espiritismo. E pior: por conta de seus próprios adeptos, conforme acentua Kardec em ensino de clara importância:

Há, por fim, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se preferisse sempre o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. No Espiritismo ele produz uma confiança cega e frequentemente pueril nas manifestações do mundo invisível, fazendo aceitar muito facilmente e sem controle aquilo que a reflexão e o exame demonstrariam ser absurdo ou impossível, pois o entusiasmo não esclarece, ofusca. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil a causa do Espiritismo.

 São os menos capazes de convencer, porque se desconfia com razão do seu julgamento. São enganados facilmente por Espíritos mistificadores ou por pessoas que procuram explorar a sua credulidade. Se apenas eles tivessem de sofrer as consequências o mal seria menor, mas o pior é que oferecem, embora sem querer, motivos aos incrédulos que mais procuram zombar do que se convencer e não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Isso não é justo nem racional, sem dúvida, mas os adversários do Espiritismo, como se sabe, só reconhecem como boa a sua razão e pouco se importam de conhecer a fundo aquilo de que falam. (O Livro dos Médiuns)

No que respeita à falta de estudo do Espiritismo e suas consequências na práxis espírita, vê-se que o ridículo de alguns espiritistas pode ser pedra de tropeço para todos. E o uso do pronome indefinido – alguns – não é excludente, antes permite a inclusão das mais variadas classes de trabalhadores espíritas quais sejam os presidentes de Centros, os expositores, os médiuns, os esclarecedores, os coordenadores de atividades, etc. Ainda no contexto, se poderia dar ao verbete “alguns” a conotação adjetiva. E não se estaria muito longe da realidade…

Lado outro, grafe-se em letras gigantes, pode-se concluir que decorre do estudo sério o entendimento de que a condução da mediunidade não prescindirá do adequado comportamento moral, nas linhas da ética Cristã, revivida a contento pela Doutrina. É que a moral espírita resulta da imponente cosmovisão oferecida pela filosofia Espírita.

Elerson Márcio dos Santos

 

Anúncios

Responses

  1. ESTA DOUTRINA É MUITO SERIA SE TRINTA POR CENTO DA POPULAÇÃO CONHECESSE ESTA DOUTRINA AS PESSOAS SERIAM OUTRAS COM MAIS DEUS SENTRO DELES MAIS HUMILDADE E TOLERANCIA, SEM ESCRAVISAR AS PESSOAS EM NADA.

    JUAZEIRO DO NORTE 05 DE ABRIL DE 2011.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: