Publicado por: Espaco Espiritual | segunda-feira, 3 janeiro 2011

Dr. EURIPEDES BRASNULFO.

                                               Dr. Euripedes Brasnulfo.

EURÍPEDES BARSANULFO E A PEDAGOGIA ESPÍRITA

 

Atendendo ao apelo de amigos espirituais, escrevemos este pequeno estudo sobre a vida e obra de Eurípedes Barsanulfo, endereçado especialmente a todos aqueles que trabalham na área da educação, sejam pedagogos, professores, evangelizadores, pais ou colaboradores.

O objetivo é levar ao conhecimento dos educadores em geral o trabalho profundo de Eurípedes, que bem soube ensinar, mas também vivenciar os princípios da Doutrina Espírita.

Pelo que pudemos compreender, é de grande importância que permaneçamos em sintonia com a equipe de Eurípedes que coordena as atividades de educação do Espírito, preparando os caminhos para a nova etapa de trabalhos de renovação que deverá acontecer em todas as áreas do conhecimento humano.

Entregamos a pesquisa aos amigos, rogado escusas por tão pobre trabalho em relação a tão grandioso Espírito, mas esperamos despertar o interesse para outras leituras, quais as que citamos na bibliografia.

Inserimos no final a mensagem esclarecedora do Espírito que apenas se identificou como “O Professor”.

Walter O. Alves

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Em 1º de maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, no Estado de Minas Gerais nascia Eurípedes Barsanulfo, filho de Hermógenes Ernesto de Araújo, conhecido como “Seu” Mogico e de Jerônima Pereira de Almeida, conhecida como dona Meca.  O casal Mogico e Meca teve treze filhos.

Para termos uma idéia desta época, podemos ressaltar que o Brasil vivia seus últimos momentos de monarquia e país escravocrata. . A abolição da escravatura ocorreu em 1888 e o regime republicano se instaurou no Brasil em 1889, quando Eurípedes contava com nove anos.

Consta que Sacramento foi fundado em 1820 pelo Cônego Hermógenes Casimiro de Araújo Brunswick, que construiu uma capela dedicada ao Santíssimo Sacramento, à margem esquerda do Ribeirão Borá, formando-se em volta uma pequena vila que foi crescendo aos poucos. Em 1876 a vila foi elevada à condição de cidade.  .

Sacramento, na época de Eurípedes, era uma cidade pequena, predominando a crença católica.  Eurípedes, como toda a comunidade local, foi criado na fé católica, participando ativamente das atividades da Igreja, tendo sido secretário e membro ativo da Irmandade de São Vicente de Paulo.

O menino Eurípedes aprendeu suas primeiras letras na escola primária do Sr. Joaquim Vaz de Melo, tendo depois, se matriculado no Colégio Miranda, do Prof. João Derwil de Miranda. O Prof. Miranda chegou a Sacramento em 1889, juntamente com uma equipe de professores oriundos do famoso educandário Caraça, na época a mais famosa escola de Minas.

Quando Eurípedes entrou no Colégio Miranda, tendo já frequentado a escola primária, foi encaminhado à classe adiantada, correspondente ao ginásio ou à oitava série de hoje. Eurípedes recebeu esmerada educação neste colégio, atuando, inúmeras vezes como assistente dos professores, iniciando assim, suas primeiras atividades pedagógicas.

Seu interesse pela Medicina despertou ainda criança. Passou a ler livros do Dr. Onofre Ribeiro que, ao transferir-se para Sacramento, trouxe inúmeras obras de medicina.  O próprio Dr. Onofre achava Eurípedes muito jovem para ler esses livros, chegando a sugerir ao Sr. Hermógenes que proibisse tais leituras.

Quando Dona Meca, que se encontrava doente há muitos anos, interpela Eurípedes, o mesmo responde:

– Não descansarei mãe, enquanto não encontrar um caminho para debelar o mal, que tanto a aflige. Não descansarei enquanto não curar a senhora.

EURÍPEDES AUTODIDATA

Seu pai conseguirá matrícula no Curso Preparatório para a Escola de Medicina, no Rio de Janeiro, mas às vésperas da saída do jovem, quando arrumava sua mala, Dona Meca foi acometida de outra daquelas crises que sempre a atacava.

Eurípedes, percebendo a situação precária da mãe e, sentindo que o motivo de mais uma crise era a separação próxima, desiste da viagem e, portanto, do curso que estava prestes a iniciar. Nunca mais tocaria no assunto.

Eurípedes torna-se, pois autodidata, entregando-se a leituras de bons livros. Eurípedes aprendera o francês com o Prof. Inácio Martins de Melo. Na época, os livros mais importantes eram traduzidos para o francês, o que lhe permitia ótimas leituras pelos livros que encomendava pelo reembolso postal.    

Eurípedes dedica-se aos deveres religiosos e às tarefas na Irmandade de São Vicente de Paulo.  Participa ainda, mesmo sendo muito jovem, da criação do Grêmio Dramático Sacramentano, tendo protagonizado várias peças. Foi também co-criador da Gazeta de Sacramento, primeiro jornal da cidade.

A FAMÁCIA HOMEOPÁTICA

Em 1897 chega a Sacramento a Sra. Joaquina Gomes, irmã do grande compositor Antônio Carlos Gomes, que viera em companhia de seus filhos Ormênio e Vera, ambos já moços.

Eurípedes se afeiçoa à família, tornando-se amigo de Ormênio que era entusiasta pelo estudo da homeopatia, tendo trazido consigo vários volumes sobre a terapia.  Eurípedes passa a estudar homeopatia, de início interessando na cura de sua própria mãe.

Eurípedes, nessa ocasião, trabalhava na casa comercial do pai, recebendo modesto salário. Assim, com os próprios recursos, cria uma pequena Farmácia Homeopática, e passa a atender aos necessitados da periferia da cidade. Todas as manhãs visitava os recantos mais afastados da cidade, tornando-se a providência dos mais necessitados.

“Graças à sua inteligência privilegiada e ao seu próprio esforço, chegou a possuir tal cultura, que os seus biógrafos a consideram verdadeiramente assombrosa. Tinha profundos e largos conhecimentos de Medicina e Direito. Dissertava sobre astronomia, filosofia, matemática, ciências físicas e naturais, literatura, com a mais extraordinária segurança, sem possuir nenhum diploma de escola superior.” (Grandes Espíritas do Brasil – Zêus Wantuil)

O LICEU SACRAMENTANO

            Em janeiro de 1902, Eurípedes, juntamente com outros companheiros do magistério, funda o Liceu Sacramentano.

            Agora com vinte e dois anos de idade, Eurípedes era estimado pelos alunos, pelos colegas e familiares. Incluíra no currículo normal da escola a arte, em especial o teatro. Junto às atividades intelectuais, incluía atividades afetivas e ativas.

Citamos abaixo trecho da obra de Corina, para percebermos a grandeza do pensamento de Eurípedes frente à escola tradicional.

“Era costume da escola tradicional – diz William H. Burton – considerar que o conteúdo dos livros é produto da aprendizagem que deve ser dominado. Estudavam-se (de memória) “lições” ou porções reduzidas desse conteúdo, para repeti-las, depois, diante do mestre”. Essa acumulação de informações no Espírito é que McMurray ridicularizou com o nome de “educação de geladeira”

“Eurípedes entendeu tão profundamente a consequência inevitável do falso conceito de aprendizagem, vigente na época, que criou, junto às atividades intelectuais, o cultivo de outras aprendizagens, sobretudo da apreciativa ou emocional, formadora de atitudes afetivas e da motriz ou ativa, referentes às atitudes e hábitos de ação.”

Pelo texto acima, percebemos que Eurípedes Barsanulfo se preocupava com a educação integral do homem, como ser que pensa, sente e age, primando por uma educação ativa, envolvendo os aspectos cognitivo, afetivo e volitivo.

Em pouco tempo, a fama do Liceu atingia outras cidades, que enviavam seus filhos para estudar em Sacramento.

A LEITURA DA BÍBLIA – DÚVIDAS SOBRE O SERMÃO DA MONTANHA

Em 1903, Eurípedes ganha do Padre Augusto Teodoro Maia um exemplar da Bíblia, livro cuja leitura era proibida pela Igreja. Eurípedes inicia a leitura pelo Novo Testamento se encantando com o seu conteúdo. No entanto, a leitura das Bem aventuranças, no Sermão da Montanha, lhe causa dúvidas. Busca respostas com o Padre Augusto Maia que, no entanto, não o satisfaz.

Conta-nos Corina Novelino que Eurípedes “assinalava com profundeza a distância entre o dogmatismo católico tão complexo na sua estrutura, essencialmente assentada na tela mística da letra e o sublime código de ensinamentos morais, com embasamento nas máximas tão singelas quão sábias e nas parábolas de luminosa tessitura educativa do Mestre. Permanecia, contudo, o discurso da Montanha como obstáculo maior aos sublimes empenhos do jovem para a compreensão da palavra divina.”

O ESPIRITISMO EM SANTA MARIA.

Nesta época, acontecia na Fazenda Santa Maria, reuniões mediúnicas e estudos sobre o Espiritismo. O Sr. Mariano da Cunha, o “Tio Sinhô” que, regularmente se hospedava na casa de Eurípedes, era um dos participantes dessas reuniões. 

Eurípedes, até então de formação católica, costumava travar diálogos calorosos sobre assuntos religiosos com “Tio Sinhô”. Este, sem conseguir responder às indagações de Eurípedes lhe oferece o livro “Depois da Morte”, de Léon Denis, que Eurípedes lê durante toda a noite, empolgando-se pela lógica de seu conteúdo.

De manhã diz ao tio: – Muito obrigado, meu tio! Isso é um monumento!

Tio Sinhô fazia chegar até Eurípedes o pouco material que possuía sobre o Espiritismo que o moço lia e tecia comentários junto ao seu amigo do Magistério, José Martins Borges.

Certo dia de 1904, Eurípedes convida seu amigo José Martins para assistirem uma sessão mediúnica em Santa Maria.

O interessante é que, quando lá chegaram, a sessão já tinha começado, restando apenas dois lugares vagos, providencialmente esperando os dois visitantes.

Eurípedes, em dado momento, pede, em pensamento que o Espírito de João Evangelista o elucide sobre as Bem Aventuranças, da qual ele ainda tinha dúvidas.

Após alguns minutos, ouvia “extraordinária dissertação filosófico-doutrinária, que jamais conhecera, em toda sua vida sobre o luminescente discurso de Jesus”, conforme afirmativa do próprio Eurípedes, segundo Corina Novelino.

Ao final da exposição, o Espírito que se comunicava pelo médium Aristides, homem simples do campo, assinala sua identidade: – Paz! João, o Evangelista.

Dissipam-se as dúvidas, mas ainda persistem os últimos laços que o ligava à Igreja. No entanto, dias depois, Eurípedes retorna a Santa Maria para assistir pela segunda vez a uma sessão Espírita.

O primeiro Espírito a se comunicar foi o Adolfo Bezerra de Menezes que afirmou as faculdades curadoras de Eurípedes. Em seguida, na segunda comunicação, o Espírito lembra a Eurípedes que ele pertencia a uma congregação religiosa que trazia o seu nome: Vicente de Paulo. Afirma ainda que era seu guia espiritual desde o berço, afirmando:

 “Abandone sem pesar e sem mágoa o seu cargo na Congregação. Convido-o a criar outra instituição, cuja base será Cristo e cujo diretor espiritual serei eu e você o comandante material. Afaste-se de vez da Igreja.”

Retornando à cidade, Eurípedes, sem titubear, corta os laços que o prendiam à Irmandade São Vicente de Paula.

Não é difícil imaginar o impacto que causou e o tremendo transtorno que o jovem viveu, tanto pela pressão da Igreja, dos familiares e dos amigos do Liceu Sacramentano que abandonaram seus cargos na escola. O mobiliário escolar foi retirado e o prédio onde funcionava a escola foi requerido por seus proprietários. Talvez a época mais difícil para o jovem que via seus sonhos no campo da educação ruir fragorosamente. Em meio a tudo, a mediunidade aflora rapidamente.

É Hilário Silva, no livro A Vida Escreve, psicografado por Francisco C.Xavier, que nos relata o incrível episódio:

“Começara Eurípedes Barsanulfo, o apóstolo da mediunidade, em Sacramento, no Estado de Minas Gerais, a observar-se fora do corpo físico, em admirável desdobramento, quando, certa feita, à noite, viu a si próprio em prodigiosa volitação. Embora inquieto, como que arrastado pela vontade de alguém num torvelinho de amor, subia, subia… Subia sempre. Queria parar, e descer, reavendo o veículo carnal, mas não conseguia. Braços intangíveis tutelavam-lhe a sublime excursão… Reparava na formosa paisagem, quando, não longe, avistou um homem que meditava, envolvido por doce luz…. E num deslumbramento de júbilo, reconheceu-se na presença do Cristo…. Viu, porém, que Jesus também chorava…

– Senhor, por que choras?

– Choras pelos descrentes do mundo?

E, após um instante de atenção, respondeu em voz dulcíssima:

– Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam…

Como se caísse em profunda sombra, ante a dor que a resposta lhe trouxera, desceu, desceu…

E desde aquele dia, sem comunicar a ninguém a divina revelação que lhe vibrava na consciência, entregou-se aos necessitados e aos doentes, sem repouso sequer de um dia, servindo até a morte.

O GRUPO ESPÍRITA ESPERANÇA E CARIDADE

Com a ajuda do pai, Eurípedes transfere sua residência para a Rua Principal, hoje Avenida Visconde do Rio Branco. Os primeiros trabalhos mediúnicos de Eurípedes realizaram-se neste local, onde ocorreu o desenvolvimento das suas faculdades mediúnicas.     

Meca, cujo irmão já era espírita, foi a primeira a se converter, colaborando com o filho nos serviços assistenciais, despertando suas faculdades curadoras. Depois vieram o pai e os irmãos.

Em 27 de janeiro de 1905, fundam, na própria residência de Eurípedes, o Grupo Espírita Esperança e Caridade, com a presença dos amigos de Santa Maria. Nessa ocasião se manifestaram os Espíritos Bezerra de Menezes, Bittencourt Sampaio e Vicente de Paulo.

Os trabalhos no Grupo Espírita se intensificam, sempre mantendo laço estreito com o grupo de Santa Maria.

O COLÉGIO ALLAN KARDEC

Quando da conversão de Eurípedes ao Espiritismo, seus amigos do Magistério o abandonaram, perdendo inclusive o prédio e o mobiliário.

No entanto, numerosos pais o procuram, pedindo a continuidade das aulas. Alugando uma sala, em antigo Colégio já fechado, Eurípedes prossegue os trabalhos em prol da Educação. Na entrada lia-se LICEU SACRAMENTANO.  O currículo era o mesmo, mas sem os antigos professores, Eurípedes se desdobra para ministrar todas as aulas.

E de forma impressionante, demonstrando coragem e fé inabalável, acrescenta o ensino da Doutrina Espírita ao currículo.

Os pais católicos ameaçam o professor de retirar os filhos do Liceu, caso ele mantivesse a decisão de lecionar Espiritismo.

– “Que retiram os filhos, mas a finalidade salvadora do aprendizado espírita será mantida.”

Dada a firme resposta, grande número de alunos teve suas matrículas canceladas.

Corina Novelino relata que, certo dia em que ele se entristecera profundamente e se põe a chorar na sala vazia, sentiu insinuante vontade de escrever. Uma força superior lhe toma as mãos e escreve mecanicamente:

“Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano – que é um resquício do orgulho humano. Em substituição coloque o nome Colégio Allan Kardec. Ensino o Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institua um curso de Astronomia. Acobertarei o Colégio Allan Kardec sob o manto do meu Amor.” E assina o documento: – Maria, Serva do Senhor.

“Eurípedes seguiu à risca as instruções espirituais de Maria Santíssima.” Assim nasce o Colégio Allan Kardec sob a Égide de Maria, a mãe de Jesus.

De início funcionava na própria casa de Eurípedes que, providenciou a derrubada de algumas paredes, formando um salão.

 A FARMÁCIA ESPÍRITA ESPERANÇA E CARIDADE

Foi nessa mesma época, que Bezerra de Menezes, numa mensagem, solicita a Eurípedes que retorne à casa de seu Pai, para darem início às atividades de uma farmácia.

Em um cômodo que o pai construiu ao lado de seu quarto, funcionava a farmácia, onde Eurípedes recebia as receitas do Dr. Bezerra de Menezes e os medicamentos eram manipulados por vários colaboradores.

A farmácia era totalmente gratuita, sendo a sua dispendiosa manutenção feita com o salário de Eurípedes, que provinha da escrituração de duas casas comerciais do pai e com a contribuição espontânea de alguns confrades que enviavam dinheiro para a aquisição dos medicamentos.

Utilizava-se tintura de folha de laranjeira e outras plantas, bem como raízes, cascas e folhas medicinais que eram selecionadas nos campos da cidade por pessoas de confiança. Percebemos que a farmácia não era exatamente alopática, mas utilizava principalmente de fitoterápicos na manipulação.

Em pouco tempo chegavam cartas de todo o Brasil, onde Eurípedes anotava as receitas ou as orientações do Dr. Bezerra de Menezes, conforme o caso. Muitas vezes, ao invés de medicamento, era recomendada a leitura das obras de Kardec.

Pela manhã, atendiam-se os pedidos de fora e, das 15h30 às 17h30, após as aulas no Colégio Allan Kardec, eram atendidas as solicitações locais. À noite, Eurípedes se dedicada às atividades do Grupo Espírita “Esperança e Caridade”. Em meio a tudo isso, encontrava tempo para a escrituração das casas comerciais de Conquista e de Sacramento, de onde recebia os seus proventos.

Eurípedes era o intérprete do Dr. Bezerra de Menezes no receituário enquanto outros colaboradores transcreviam as receitas para os rótulos da Farmácia. Conta-nos Corina que “outros alunos os colavam nos vidros e os encaminhavam ao laboratório…”, o que demonstra que os próprios alunos colaboravam nas atividades da farmácia.

Era um autêntico exercício da caridade no seu mais puro significado de amor ao próximo.

Eurípedes sofreu acirradas perseguições, primeiro por parte do Dr. João Teixeira Álvares, médico e presidente do Círculo Católico de Uberaba, principalmente através do jornal Lavoura e Comércio. Logo em seguida, Eurípedes foi acuso de exercício ilegal de medicina. O processo, contudo, passar por vários juízes que se declaram impedidos e suspeitos de pronunciarem-se por diversos motivos. O fato é que nenhum juiz quis julgar o réu e o processo acabou prescrevendo.

O CURRÍCULO NO COLÉGIO ALLAN KARDEC

Antigos alunos do Liceu retornam e mais duas centenas de outros estudantes se matriculam no Colégio Allan Kardec. Novos professores se aliam a Eurípedes e os cursos se ampliam para elementar, médio e superior. Eurípedes toma a si a responsabilidade pela classe superior. Corina relata que antigos alunos conservavam apostilas de Língua Portuguesa, Astronomia e Fundamentos da Doutrina Espírita.

O Curso Elementar iniciava-se com a aprendizagem da leitura e das quatro operações fundamentais, avançando depois para Aritmética Prática e Teórica, Morfologia da Língua Portuguesa, História do Brasil e Geografia.

Segundo Corina Novelino, a conclusão do programa ensejava ao aluno, em qualquer época do ano, a frequência ao Curso Médio que contava com: Aritmética e Geometria, História do Brasil e Universal, Geografia Geral, Noções de Vida Prática, Ciências Naturais e Gramática Portuguesa.

A promoção de um aluno fazia-se segundo o aproveitamento do mesmo, podendo ocorrer mesmo no primeiro semestre. Isso nos faz crer que o desenvolvimento ocorria dentro do ritmo do próprio aluno e de acordo com seu aproveitamento.

O Curso Superior, a cargo de Eurípedes incluía Português, Francês, Geometria, Cosmografia e Química, Astronomia e Evangelização, sendo que os dois últimos itens o próprio Eurípedes lecionava para todo o Colégio.

Às quartas-feiras, com início às 12 horas e meia, ocorria o estudo de O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Essas aulas eram assistidas pelos alunos do Colégio e também por numerosos visitantes. Iniciava-se com uma prece seguida pela palavra de Eurípedes momento em que, segundo consta, “sua voz assume ressonâncias indescritíveis. Toda a cidade ouve a palavra do moço, em todos os recantos, até os mais distantes, numa época em que não se conhecia esse milagre da ciência, que é a eletrônica”

A seguir realizava-se um torneio evangélico baseado em estudos anteriores e em questões propostas pelos alunos.

No horário do recreio ou intervalo, Eurípedes ainda atendia ao povo em geral, tanto no campo do receituário como na orientação espiritual.

“Findo o intervalo, os alunos retornam a seus lugares já com O Evangelho Segundo o Espiritismo à mão. Um dos alunos é convidado a iniciar a leitura, no que é acompanhado por todos, professores, alunos e visitantes.”

“Ao término da leitura, a apalavra do mestre se alteia na pregação do Bem. Sua voz penetra os corações e se insinua, por importantes processos de fonação espiritual – através de canais potentes criados por recursos de efeitos físicos abrangendo toda a cidade. As ruas apinham-se de pessoas não espíritas, também atraídas pelo fascínio daquela palavra, ungida do poderoso magnetismo do Amor”

Mas o momento mais emocionando da aula vem com o seu final.

Às 14 horas e meia, ocorria a prece de encerramento e, após o que, não raras vezes, recebiam-se mensagens de Celina, a mensageira de Maria, e outros Espíritos como Jeanne D’Arc, Paulo de Tarso, Pedro, Felipe e outros discípulos de Jesus. As atividades terminavam às 15 horas.

A METODOLOGIA DE EURÍPEDES

Dentre outros, gostaríamos de citar alguns aspectos na metodologia de Eurípedes que nos chama a atenção:

O primeiro aspecto, que podemos observar já no Liceu Sacramentano, é uma educação ativa, atraente, onde o aluno não é mero observador, mas participante ativo do processo de aprendizagem.

Em ciências, os alunos eram levados a um contato direto com a natureza, observando as plantas “in loco”.  Em vasta área adquirida ao pai, existiam inúmeras arvores frutíferas como mangueiras, ameixeiras, jabuticabeiras e laranjeiras. Eurípedes construiu ainda pequeno jardim com flores de variadas espécies onde havia rosas, violetas, cravos, margaridas e, no centro, um tanque rústico em cuja volta florescia amores-perfeitos. Era um perfeito laboratório natural, para as aulas ao vivo.

Em zoologia, da mesma forma, utilizava-se da dissecação de animais para o estudo dos diversos sistemas funcionais.  A observação “in loco” e as experiências ao vivo tornava o estudo atraente, interessante, propiciando uma aprendizagem consistente.

Em astronomia, utilizavam um binóculo de campo, de grande alcance, para observações dos astros, onde os alunos aprendiam a identificar pelo nome as estrelas das diversas constelações.

Contrário a prêmios ou castigos, a metodologia de Eurípedes buscava despertar o interesse dos alunos que, realmente, queriam aprender. Ao contrário de um ambiente de concorrência, o que se observava era um ambiente de cooperação, de amizade e fraternidade entre os alunos e entre alunos e professores. A cooperação é o primeiro passo para o “amai-vos uns aos outros”.

O segundo aspecto é a preocupação com a educação do sentimento que já existia desde os tempos do Liceu. Exemplo disso foi que os alunos, sob a inspiração de Eurípedes, criaram uma Sociedade dos Amigos dos Pobres que arrecadavam fundos para auxiliar o próximo em necessidades básicas como alimentos e agasalhos.

No Colégio Allan Kardec, quando Eurípedes saía a visitar os enfermos, era acompanhado de alunos que o auxiliavam na tarefa socorrista. Como já vimos, alunos também colaboravam na Farmácia e, em muitos casos, nos cuidados aos enfermos. Era o exercício do amor, através da prática da caridade. Não teoria apenas, mas vivência.

Um terceiro aspecto foi a utilização da arte, especialmente do teatro. O Colégio Allan Kardec promovia periodicamente festivais artísticos, onde, além da arte cênica, utilizava-se também das artes plásticas, na confecção de belos cenários que seriam utilizados nas apresentações.

E o quarto aspecto e, talvez o mais importante, é o papel da espiritualização da Educação. O aspecto espiritual da vida, presente na vivência diária da escola e nas aulas específicas. Além de incluir o ensino da Doutrina Espírita no currículo da escola, percebemos que não se tratava de um ensino teórico apenas, mas vivência constante.

Os alunos além de estudarem O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, iniciavam as aulas das quartas-feiras com uma prece, finalizando-as com a prece final e com a recepção de mensagens de Espíritos superiores, isso tudo aberto a todos quantos quisessem participar dessas reuniões.

Segundo Corina (1) “essas aulas despertavam tanto interesse que os alunos do curso superior não perdiam as sessões mediúnicas, no sentido de enriquecerem suas pesquisas com os conceitos dos Espíritos Benfeitores.”

Fenômenos mediúnicos aconteciam dentro da própria sala de aula, quando o professor “desprendia-se do corpo físico, transportando-se em Espírito para outros locais, muitas vezes distante.

Corina ainda nos conta que Eurípedes desenvolveu amplo estudo sobre a evolução da idéia religiosa, através das civilizações… “desde o horizonte tribal com seu mediunismo primitivo até o horizonte espiritual com a mediunidade positiva, abrangendo o cenário do século XVI” Nessas aulas, os alunos “ansiavam por chegar a vez do Espiritismo”, a que Eurípedes respondia: – “Lá chegaremos, Precisamos de um espaço de tempo muitíssimo dilatado para os estudos dos princípios fundamentais do Espiritismo.”

Este estudo, muito a propósito, demonstrava a evolução do pensamento religioso do homem, culminando com o Espiritismo que representa o retorno do Evangelho de Jesus ao cenário pedagógico do Planeta, bem como o currículo de uma nova etapa evolutiva dos seres humanos aqui reencarnados.

Com esta visão ampla, os alunos podiam compreender que a Doutrina Espírita não era apenas mais uma religião, mas representava o esforço hercúleo de milhares de trabalhadores de Jesus, diretor espiritual do nosso planeta, para a elevação espiritual da humanidade.  Os alunos e mesmo os visitantes que lotavam o amplo salão, compreendiam o valor dos grandes missionários do passado como Sócrates, Platão e Aristóteles, o sacrifício da própria vida dos primeiros cristãos, fiéis ao programa de Jesus, o trabalho imenso dos discípulos de Jesus e de Paulo de Tarso, divulgando o Evangelho por todo o Império Romano. Compreendiam o trabalho belíssimo de Francisco de Assis, vivendo a simplicidade do Evangelho, bem como o sacrifício de João Huss e do professor Jerônimo de Praga, em nome da verdade e da verdadeira interpretação da mensagem de Jesus, tão distorcida e falsamente interpretada de acordo com interesses escusos. O esforço, trabalho e sacrifício de milhares de trabalhadores de Jesus até chegar ao Consolador Prometido por Jesus, retirando-se o véu que encobria as realidades da vida Espiritual.

Rogamos escusas por tão pobre trabalho em relação a tão grandioso Espírito, mas esperamos que despertem o interesse para outras leituras, quais as que citamos abaixo.

Walter Oliveira Alves

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BIBLIOGRAFIA:

Eurípedes, o Homem e a Missão, Corina Novelino, Ed. IDE

Grandes Espíritas do Brasil,  Zêus Wantuil,Ed. FEB

O Apóstolo da Caridade, Jorge Rizzini, Ed. Correio Fraterno

Eurípedes, O Espírito e o Compromisso, Corina Novelino, Ed. A Nova Era

A Vida Escreve, Hilário Silva, F.C.Xavier – FEB

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Mensagem aos educadores.

Lembramos aqui a figura ímpar de Eurípedes Barsanulfo que, na última existência terrena, desenvolveu brilhante trabalho em prol da Educação. Sem possuir curso superior, revelou a superioridade intelectual e moral do Espírito com vivência milenar e imensos serviços prestados na Seara de Jesus.

No Colégio Allan Kardec, sob a égide de Maria de Nazaré, a supervisão de Vicente de Paulo e a colaboração de Espíritos superiores como o Dr. Bezerra de Menezes, não titubeou em transmitir o conhecimento espiritual de caráter universal necessário ao conhecimento de si mesmo e, portanto ao progresso do Espírito. Ensinou e vivenciou. Teoria e prática, num ambiente elevadíssimo, onde se aprendia e vivenciava.

O conhecimento da Doutrina Espírita possui caráter universal necessário à evolução espiritual da humanidade, dentro de um programa elaborado pelas falanges superiores que coordenam todo o processo de aprendizagem e desenvolvimento integral do Espírito

Fiel ao programa de Jesus, Eurípedes compreendeu a necessidade de divulgar esses conhecimentos que, pelo estudo da própria historia, sempre esteve presente nas grandes civilizações do passado, mas de forma velada. Naturalmente que, dentro do processo evolutivo, “é chegada a hora” da grande revelação, de forma clara, simples e objetiva, de forma a atingir, tanto os mais cultos quantos aos mais simples.  

– “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” – afirmou Jesus.

– “Poderoso é o sol da verdade” – reafirmou Eurípedes.

A humanidade necessita de tais conhecimentos para adentrar nessa nova etapa evolutiva, onde a luz brilhantíssima da realidade Espiritual da vida transformará todos os ramos do conhecimento humano, desde a física, a química, a biologia, a medicina, a psicologia, a educação, até o sentimento do homem, que poderá enfim, vibrar em sintonia com aqueles que, de mais alto, nos tutelam a existência. Do conhecimento que esclarece o homem passará à vivência que ilumina, produzindo o clima vibratório necessário aos novos ensinamentos que virão  nesta nova etapa evolutiva da humanidade, ainda tão perdida entre dogmas e falsas interpretações que o próprio homem, por ignorância ou por desejos escusos, tem criado e espalhado, atrasando o progresso intelectual e moral da humanidade.

A realidade da vida espiritual, os conhecimentos superiores que a Doutrina Espírita oferece, abrirão novos horizontes e profundíssimas oportunidades de aprendizagem e elevação, para todos aqueles que permanecerão no ambiente terreno. Pouco a pouco, na medida em que se realizam os planos de Jesus, nosso Planeta escola será envolvido por suaves vibrações de elevado teor, permitindo a sintonia com civilizações mais avançadas que já vibram na sintonia do amor fraterno, civilizações essas que guardam afinidades profundas conosco.

Mas isso não ocorrerá sem trabalho e esforço de todos nós, num clima de cooperação, respeito e amor fraterno. Daí a necessidade de vibrarmos na mesma sintonia, estudando, aprendendo e vivenciando essa doutrina que corresponde ao Evangelho redivivo em sua pureza  e simplicidade, apesar dos conhecimentos profundos que nos são revelados.

Grupos imensos de Espíritos de esferas elevadas já se espalham por todo o Planeta, com tarefas específicas, dentro das mais diversas áreas do conhecimento e da cultura humana. Muitos em idade infantil necessitam de ambiente adequado ao desabrochar de suas qualidades interiores. Contam conosco, evangelizadores, educadores, pais e trabalhadores da Seara Espírita.

Habilitemo-nos, pois, e vivamos em fraternidade, cooperando com essa equipe gigantesca que trabalha em nome de Jesus, nosso Mestre e sob a supervisão e apoio de Eurípedes e equipe de trabalhadores fiéis ao programa do Cristo.

“O Professor”

(Mensagem recebida por W.O.Alves, em Araras-SP, 15/12/2010)

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Responses

  1. Visitei a casa do PAI SETA BRANCA e gostei muito sai de la com mais paz na minha alma OBRIGADA.

    • ANA MARIA CORREIA RODRIGUES.
      Obrigado por visitar a casa do Pai Seta Branca e ao meu blog.


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