Publicado por: Espaco Espiritual | sexta-feira, 10 junho 2011

RESUMO EXPOSITIVO SOBRE OS PUROS ESPÍRITOS

RESUMO EXPOSITIVO SOBRE OS PUROS ESPÍRITOS 

1. O Supremo Conselho

Segundo O Livro dos Espíritos, 112, 113, 169, 226, 540 e 562, a evolução do princípio espiritual é um processo que inicia no átomo primitivo e encerra seu progresso quase infinito no arcanjo, [1], ou seja, no estado definitivo dos seres da categoria mais elevada, cuja natureza das ocupações é receber diretamente as ordens de Deus, pertencendo à classe única da primeira ordem da escala espírita.

Em O Céu e o Inferno, porém, Kardec acresceu a isto a existência de mais classes, hierarquia entre os puros espíritos. Na 1.ª Parte, III, 12 e 13, desta magnífica obra da Codificação, o mestre os adjetivou como bem-aventurados que gozam de todos os esplendores da criação, penetram todas as coisas e contemplam Deus. Mas diz que “aqueles da ordem mais elevada” [ceux de l’ordre le plus élevé]”, os que integram “o supremo conselho, sob as vistas de Deus”, são os únicos a possuir e compreender os segredos divinos, tornando-se seus representantes diretos. [2]

Nesta escala dos puros espíritos, abaixo dos “mais dignos” e, desse modo, subordinados ao supremo conselho, estão os “chefes superiores”, aos quais é incumbida a “direção de turbilhões planetários” e de “mundos especiais”. Apesar da nomenclatura, trata-se de puros espíritos, pois Kardec disse que são eles que “cumprem as grandes missões, presidem à formação dos mundos e à harmonia geral do Universo, incumbência gloriosa a que só chegam pela perfeição”. Deus não só os julga capazes de cumprir tais missões, como, sobretudo, já os tem como incapazes de comprometê-las. Somente a obtenção da soma de perfeições acessível às criaturas pode assegurar isto: a infalibilidade decorrente da absoluta superioridade intelectual e moral.

Ao atingir o estado de pureza, os espíritos gozam de inalterável felicidade, não têm mais de passar por provas ou expiações; estão capacitados à contemplação de Deus, à penetração de todas as coisas, mas, lógico é supô-lo, na respectiva esfera de particulares limitações atinentes ao seu estádio angélico. A progressiva conquista de chefias cósmicas, à frente das quais nunca erram, é que os conduz ao supremo conselho, a estarem entre os “mais dignos”, em cuja órbita lhes são revelados os segredos de Deus e se tornam seus representantes diretos.

Tal visão não se esvai com o fato de Kardec, em A Gênese, XI, 27 (ou 28), valer-se, desta vez, da expressão plural: conselhos do Todo-Poderoso, nos quais são recebidos os espíritos ao lograrem o ponto culminante do progresso.

Pode-se conceber que sejam esses conselhos os que reúnem as respectivas chefias universais, de planetas, sistemas, etc., e que, nem por isso, deixam de sem subordinar àquele supremo conselho. O que parece menos simétrico é a condição de mensageiros diretos que ali Kardec também atribui aos puros espíritos de todos os conselhos, em vez de conferi-la somente aos do supremo conselho. No entanto, aos puros espíritos de todas as classes não deixa de assistir, de certa forma, a condição de mensageiros diretos de Deus, desde que seja isso considerado na respectiva fronteira de suas responsabilidades cósmicas, no âmbito das quais são os que melhor filtram o pensamento divino, de que estão impregnados, malgrado as subordinações a que eventualmente se sujeitem no supremo conselho, apenas no qual se pode ter ao próprio Deus como superior.

2. Encarnação dos puros espíritos

O Livro dos Espíritos ensina que os puros não estão mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis simplesmente porque não lhes é mais proveitosa a encarnação em corpos materiais. Mesmo aos espíritos superiores, a nossa matéria já não é mais útil. O mestre disse certa vez: “Só nas fileiras inferiores a encarnação é material. Para os espíritos superiores não há mais encarnação material e, conseqüentemente, não há procriação”.[3] Isso bem explica A Gênese, XI, 27 (ou 28), onde assegura que os espíritos avançam “até que, a encarnação em um corpo material, não lhes sendo mais útil, passam a viver exclusivamente a vida espiritual, na qual continuam a progredir em um outro sentido e por outros meios”. Decerto, seriam estas, para nós, reencarnações fluídicas, em organismos “menos compactos, menos pesados e menos grosseiros”, cada vez mais identificados ao próprio perispírito. [4] Razão pela qual, a essa fase evolutiva, é dispensável a procriação e, nela, “a morte não tem nenhum dos horrores da decomposição, e longe de ser motivo de pavor, é considerada como uma transformação feliz”. [5]

Não procede, pois, que a encarnação em corpo material esteja interdita, ou que seja impossível aos puros espíritos. Eles apenas não estão mais “sujeitos”, isto é, obrigados a ela. Por isso, quando O Livro dos Espíritos ensina que os puros não têm “nenhuma influência da matéria” (112), é no sentido que o texto mesmo esclarece a seguir, porque “se despojaram de todas as impurezas da matéria” (113), não de toda matéria. Assim não fosse, e não teriam ainda um corpo fluídico. Foi-nos dito do perispírito dos puros: “[…] esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo que para vós é como se não existisse” (186). É fato, pois, que existe. No dizer de São Luís: “Eteriza-se mais e mais, até a purificação completa, que constitui a natureza dos espíritos puros”. [6]

De mais a mais, em A Gênese, XIV, 9, Kardec foi bem claro quanto à possibilidade de os puros espíritos encarnarem: “É assim que OS ESPÍRITOS DA ORDEM MAIS ELEVADA [de l’ordre le plus élevé] podem manifestar-se aos habitantes da Terra, ou encarnar em missão entre eles”.[7] Um guia já ensinara: “Deus, criador, é a alma do Universo, de todos os mundos que gravitam no infinito, e os espíritos incumbidos, em cada mundo, da execução de suas leis, são os agentes de sua vontade, sob a direção de um DELEGADO SUPERIOR. ESSE DELEGADO PERTENCE, NECESSARIAMENTE, À ORDEM DOS ESPÍRITOS MAIS ELEVADOS [à l’ordre des Esprits les plus élevés], porquanto seria injusto com a sabedoria divina crer que ela abandonasse ao capricho de uma criatura imperfeita o cuidado de velar pela realização do destino de milhões de suas próprias criaturas”.

E quando se lhe perguntou: “Esse espírito-chefe também pode encarnar?”, respondeu: “Sem dúvida alguma, quando recebe a missão, o que ocorre quando sua presença entre os homens é julgada necessária ao progresso”. [8]

3. Jesus

No que concerne a Jesus, não restam dúvidas acerca de sua condição de o Espírito puro por excelência [l’Esprit pur par excellence], conforme Kardec o definiu em O Livro dos Médiuns, XXXI, IX. Em A Gênese, XV, 2, o grande pedagogo sequer aceita que outro espírito possa ter inspirado Jesus e afirma que este último, “se recebia algum influxo estranho, só poderia ser de Deus”. 

Por fim, em Obras Póstumas, veio à baila um estudo de Kardec sobre a natureza do Cristo, no qual sentencia, § VIII:

“Jesus era um messias divino pelo duplo motivo de que de Deus é que tinha a sua missão e de que suas perfeições o punham em relação direta com Deus.” Nesta lógica, o estádio angélico de Jesus seria o mais elevado e, portanto, equivalente ao dos integrantes do supremo conselho da perfeição, dos que nada mais têm de fato a adquirir, dos únicos que efetivamente dispensam a inspiração de qualquer outro que não seja o próprio Deus.

Entretanto, Kardec também disse que Jesus, bem como o Espírito de Verdade, preside à regeneração que se opera na Terra, o que evidencia tratar-se do mesmo ser espiritual. Prova disto é que o próprio Kardec chamou Jesus de l’Esprit de vérité; doutra vez, Erasto se reportou ao Espírito de Verdade como “nosso mestre bem-amado” e Hanemann assegurou que o Espírito de Verdade “dirige este globo”.[9] As conexões restam cristalinas. Nesta lógica, o estádio angélico de Jesus, o Espírito de Verdade, seria ainda o daqueles “chefes superiores”, já entre os puros espíritos, aos quais é conferida a formação e direção dos mundos em especial.

Sergio Aleixo

[1] Uma vez disse o mestre que, se subisse incessantemente, a alma nunca chegaria à felicidade perfeita e, por isso, concluiu: “Diz a razão que a alma, sendo um ser finito, sua ascensão para o bem absoluto deve ter um limite […]”. (Revista Espírita. Set/1862. Poesias Espíritas. Peregrinações da Alma. Observação.)
[2] “Ceux de l’ordre le plus élevé”; portanto, demonstrativo seguido de contração entre preposição e artigo: os da, ou aqueles da, e não “de ordem mais elevada”, o que já não seria forçosa menção a essa ordem final, a mais elevada dos puros espíritos.
[3] Revista Espírita. Jul/1862. Ensinos e Dissertações Espíritas. Observação.
[4] O Evangelho segundo o Espiritismo, IV, 24.
[5] O Evangelho segundo o Espiritismo, III, 8.
[6] O Evangelho segundo o Espiritismo, IV, 24.
[7] Com preposição e artigo no francês; então, no português, “da ordem mais elevada”, e não “de ordem mais elevada”, o que já não seria forçosa menção aos puros espíritos. O mesmo se verifica no citado texto da Revista.
Veja-se ainda a nota 2, caso em que a determinação é igualmente fundamental à verdadeira compreensão das palavras de Kardec.
[8] Revista Espírita. Set/1868. A Alma da Terra. Sociedade Espírita de Bordéus. Abril de 1862.
[9] Cf. O Evangelho segundo o Espiritismo, I, 7. A Gênese, I, 42. O Livro dos Médiuns, 48. Revista Espírita, out/1861:
Epístola aos Espíritas Lioneses; jan/1864: Um caso de possessão.

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