Publicado por: Espaco Espiritual | quarta-feira, 4 fevereiro 2015

A FACE DE JESUS

JESUS
No dia 3 de dezembro de 1984, quando estávamos prestes a comemorar o Natal, Chico [Xavier] me escreveu uma de suas mais belas cartas:

Querido amigo Baccelli:

Deus nos abençoe.

As suas notícias de ontem me trouxeram imensa alegria, a imensa alegria que me configurou por desdobramento da felicidade que senti ao ter em mãos o nosso livro Fé!* Ao relê-lo é que percebi que as páginas dele consubstanciam um poema de confiança em Deus e na vida. A forma que a editora escolheu para reger a leitura, colocando as frases de Refúgio, a bela página recebida por você, me encantou! Cada frase, brilhando ante a face do eterno Amigo, nos atrai o coração, fixando-nos no contexto de todo o volume, que mais se parece a uma joia da mais alta Espiritualidade.

Sou eu quem agradece a você e à nossa estimada Márcia o estímulo que recebi com a publicação. Todos os assuntos estão ajustados com elevação e mestria. Eu, que já me tornara um leitor assíduo da mensagem Refúgio, do nosso benfeitor Alexandre de Jesus, ao vê-la orientando o livro chorei de alegria ao compulsar o volume, em regressando à casa no sábado último. Que emoção se apoderou de mim! Era tarde e achando-me só podia olhar o céu qual se quisesse vasculhá-lo para encontrar aquela divina Face. Desde criança me impressionei com o bilhete-oração que São Francisco de Assis escreveu para Frei Leão, que seguia para longa viagem. O texto é quase assim: “Deus te abençoe! Que o Senhor te mostre a sua face”.

E as páginas do Fé como que nos convidam a contemplar a face de Jesus em todos os momentos nos quais nos detemos na leitura ou releitura do livro. Isso me comoveu intensamente e agradeci, em pensamento, a você e a Márcia, a alegria intraduzível que senti.

A face de Jesus!… Desde a escola primária perguntava a mim mesmo como seria o semblante dele, o Benfeitor incomparável! Muito cedo, caminhei para a mediunidade e indagava dos espíritos amigos como seriam os traços fisionômicos do Senhor. Os benfeitores espirituais me determinavam procurá-lo nas crianças doentes e desamparadas, e nas pessoas abatidas, sofredoras, andrajosas ou feridas. Certa vez, meu pai, impressionado com a minha persistência em recortar retratos do Senhor de jornais e revistas, me perguntou: “Chico, que nome terá Jesus no céu?” Eu, que estava sempre induzido pelos amigos espirituais a procurar a divina Face nos sofredores e nos infelizes, imaginei que o Senhor, sendo o conforto e a providência dos tristes e dos desventurados, deveria ter no Alto um nome de luz e respondi: “Meu pai, eu penso que no céu Jesus se chama ‘Alegria’, pois todos os que sofrem na Terra estão esperando por ele”.

E como era muito do gosto de meu pai celebrar o Natal, ele me solicitava acompanhá-lo em dez noites consecutivas para cantar um pequeno hino de louvor, enquanto ele me acompanhava ao violão. O hino era ligeiro e cabia-me repeti-lo à porta de cada um de nossos numerosos amigos. Lembro-me perfeitamente da estrofe única de que se compunha e, já que falamos no Fé, vou escrevê-lo aqui para você e Márcia:

Não quero que me dês prata,

Nem cousa de maior valia,

Só quero que abras a porta

E me mostres a alegria.

As casas se abriam, mas eu não encontrava o rosto de Jesus naqueles semblantes sorridentes e felizes, e no dia seguinte ia procurá-lo nas crianças paralíticas de nossa vizinhança ou nos velhinhos quase agonizantes do Abrigo São Vicente de Paulo, em Pedro Leopoldo.

Assim tem sido minha vida: uma busca incessante da Face divina. Agradeço, pois, a você e à Márcia a felicidade que me proporcionaram, felicidade de comparecer com vocês no livro, que ficou lindo!

Caro Baccelli, comunico a você e Márcia que após o dia 15 deste mês só voltarei ao Grupo Espírita da Prece na segunda sexta-feira de janeiro próximo. Assim espero, se Jesus me permitir. Fiquei contente ao saber que você se prepara a fim de ir ao Rio. Ficarei mais feliz se você me disser que a Márcia seguirá em sua companhia. Será ótimo se assim for. Espero que, no sábado próximo, possamos conversar sobre isso.

Com um abraço a Thiago e Marcela, envio a você e à Márcia um outro grande abraço do coração.

Chico

Livro: Chico Xavier, o Médium dos Pés Descalços

Carlos A. Baccelli

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