Publicado por: Espaco Espiritual | domingo, 2 fevereiro 2014

Desencarnação: Processo de Transição

Desencarne 2

Desencarnação: 

Processo de Transição


Fernando A. Moreira

 

Morte é a cessação da vida orgânica; desencarnação é a libertação do Espírito imortal, período de transição, na sua mudança de plano. “A morte é hereditária” (1) e quando o corpo morre, o Espírito está pronto para delivrar-se, porque “não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito;”(2) mas este, nem sempre está em condições de fazê-lo. Neste caso, a morte biológica acontece mas, o Espírito não se desprende, não se liberta, fica preso ao corpo físico, isto é, continua encarnado, porque “nem todos os que morrem desencarnam.” (3)

 

“Disse-nos, certa vez, um suicida: ‘Não estou morto.’ E acrescentava: ‘No entanto sinto os vermes a me roerem.’ Ora indubitavelmente, os vermes não lhe roíam o perispírito e ainda menos o Espírito; roíam-lhe apenas o corpo. (…) Era antes a visão do que se passava com o corpo, ao qual ainda o conservava ligado o perispírito, o que lhe causava a ilusão, que ele tomava por realidade.” (4)
A reencarnação não é um processo punitivo, mas educativo, pois aqui “é escola, é prisão, é hospital”; para atingir a perfeição, a felicidade e a plenitude, é necessário renovar-se na experiência da matéria densa.. Tendo escolhido o caminho do progresso, evoluído, e assim realizado a sua reforma íntima, ou, ao contrário estagnado, com a ressalva que, por mínimo que seja, sempre se evolui alguma cousa, inexoravelmente sobrevém a morte (Fig. 1) , que é a fatalidade do corpo físico, assim como “a evolução é a fatalidade do Espírito“(5), um dos objetivos da reencarnação.(4); o outro é ” trabalhar para o Universo, como o Universo trabalha para nós, tal é o segredo do destino” (6), “é por o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação (…) e concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.” (4) (FIG. 1); este último é atingido consciente ou inconscientemente pelo Espírito. A reestruturação ou não de seu perispírito, vai depender em ter atingido ambos os objetivos, com influências importantes no seqüênciamento do processo desencarnatório. Quanto mais depurado esteja mais fácil se torna o seu desligamento gradual, porque “os laços se desatam, não se quebram.” .(4)
Dois fatores são seqüenciais à morte (Fig. 1), ocorrendo paralelamente e vinculados às suas circunstâncias e ao grau evolutivo do Espírito desencarnante:
        o desprendimento do corpo físico
        a perturbação do Espírito.

 

 

Léon Denis assinala que deveríamos chorar na hora da reencarnação, que é um momento de intenso sofrimento para o Espírito, e rirmos na hora da morte, quando o Espírito se liberta, já que encarnação é seu encarceramento fluídico e a desencarnação a sua libertação; isto, é importante frisar, se o Espírito cumpriu os objetivos da encarnação, porque se não o fez, serão dois choros, um ao encarnar e o outro ao desencarnar, tal a influência que esta sua conduta projetará na desencarnação.

O desprendimento.
Ao reencarnar o Espírito se liga ao corpo, através de seu perispírito, que a ele se une, molécula a molécula, átomo a átomo e ao desencarnar, inversamente se desprende, também, átomo a átomo, molécula a molécula.
O princípio vital e´ “o interruptor da vida”,(7) enquanto que o fluido vital é a eletricidade que carrega nossas baterias, o fluido cósmico animalizado; ao ser desligado aquele, a vida se esvai, cessa e sobrevem a morte (morte natural), que se dá por esgotamento do fluido vital ou embora com sua presença, por falência orgânica súbita (morte violenta), ficando ele impotente para transmitir o movimento da vida. (8) Esta fuga energética do corpo físico e do perispírito, que se encontravam dela impregnados, desde o primeiro instante da concepção, realiza-se de forma suave ou abrupta,(Fig. 1) de acordo com a sua distribuição, que é peculiar a cada ser, a cada órgão, a cada célula; há nos centros vitais ou de força, maior atividade vital e pontos de ligação com maior densidade entre o Espírito-perispírito e o corpo físico; destes o que tem mais forte esta união com o Espírito, via perispírito, é o centro coronário ou regente que, pelo fato mesmo, é o último que se desliga, desfazendo-se as conexões Espírito-perispírito-glândula pineal, a “glândula da vida espiritual”. O rompimento destes laços fluídico-magnéticos que compõe o cordão fluídico ou de prata, representa o selo da desencarnação, iniciando-se pelas extremidades e terminando, como dissemos, no cérebro.
A natureza das demais ligações dos centros vitais, variam de acordo com cada ser, dependentes da evolução do Espírito, modulador e estruturador do perispírito e portanto de suas ligações com a matéria densa, através dos centros vitais controladores e seus órgãos súditos e que serviço prestou ao comandante de suas ações_ o Espírito. Assim quem usou desregradamente o sexo, ou praticou aborto, por exemplo, terá suas ligações com o centro vital genésico difíceis de serem desligadas; quem foi tabagista inveterado, igualmente terá fortes ligações fluídico-magnéticas com o centro cardíaco, a retardar o processo desencarnatório, e daí por diante.
Assim o desprendimento acontece de forma lenta (envelhecimento natural, doenças crônicas, etc.) por esgotamento do fluido vital, ou de forma abrupta (morte violenta: acidentes, desastres, assassinatos, suicídios) por injúria grave, determinando a incapacidade funcional orgânica definitiva.(FIG. 1); nos primeiros, o desligamento já vinha se fazendo quando ocorreu a morte e nos últimos, a morte corresponde ao início do processo desencarnatório; eqüivale a dizer que o período morte-libertação, genericamente, é maior nestes. Com os Espíritos evoluídos ocorre que o momento da morte corresponde ao da libertação, mas, ao contrário, certos Espíritos que têm seu perispírito ainda muito densificado, ficam presos ainda ao corpo, após a morte.
“O Espiritismo, pelos fatos cuja observação ele faculta, dá a conhecer os fenômenos que acompanham esta separação, que, às vezes, é rápida, fácil, suave e insensível, ao passo que doutras é lenta, laboriosa, horrivelmente penosa, conforme o estado moral do Espírito, e pode durar meses inteiros”, (2) e até anos.
A perturbação.
A consciência é do Espírito e após a morte corporal, ele passa por um período variável de perturbação, de acordo com o estado moral da alma, “fruto das suas construções mentais, emocionais e volitivas” (9) e o gênero ou circunstâncias da morte, para voltar a readquiri-la.

O Espírito purificado se desvencilha dos tênues laços que o prendiam ao corpo físico, tomando então consciência de si mesmo, da sua volta ao mundo espiritual e da memória do passado, que é também do Espírito e aos poucos vai retornando do inconsciente, sediado no perispírito (8); este “livro misterioso, fechado a nossa vista, durante a vida terrena, abre-se no espaço. O espírito adiantado percorre-lhe à vontade as páginas (…).” (6) Nestes casos a sensação é de alívio, como quem acordou de uma intervenção cirúrgica e obteve alta, curado; não é pois, nem penosa, nem duradoura; é um despertamento, pois a “vida na carne é o sono da alma; é o sonho triste ou alegre.” (6)
Naqueles Espíritos que não aproveitaram o retorno à vida corporal, para sua evolução, estagnados na escala do progresso, o desencarne será um processo extremamente doloroso, “tétrico, aterrador, ansioso (…) qual horrendo pesadelo” (10), demorado e a perturbação espiritual que se seguirá, será muito intensa e prolongada; muitas vezes, mal se lembram até da última encarnação e muito menos das outras, em mais uma concessão da bondade e da misericórdia divina, mas um dia o farão, pois terão que “entrar no conhecimento do seu estado, antes de serem levadas para o meio cósmico adequado ao seu grau de luz e densidade. “(6)

Na morte violenta, situação não esperada na maioria das vezes pelo Espírito, sua conscientização da morte e conseqüente passagem à vida espiritual é difícil e demorada, tanto mais prolongada quanto menor a evolução espiritual.

        
Na Espiritualidade.

 
A espiritualidade não está parada, nem contemplativa, ao contrário, trabalha incessantemente e “Espíritos evoluídos, com fortes vínculos com a caridade”, (11) se incumbem da tarefa da desencarnação, ajudando nos desligamentos dos laços que unem o Espírito ao corpo físico, sob influxo do pensamento divino. Espíritos amigos e familiares, já desencarnados, colaboram nesta tarefa. Esta mesma atuação, pode ser prejudicada por Espíritos inimigos, obsessores até, que têm a finalidade de tornar o desligamento mais penoso, contribuindo também para maior perturbação do Espírito desencarnante, seu desafeto.
Destino dos componentes do homem.

      
Após a morte, o corpo físico desintegra-se, seguindo as leis físico-químicas, que também são divinas, nunca mais voltando a recompor-se, ou destinar-se à ressurreição, que seria desprovida de qualquer finalidade.
O fluido vital volta ao seu lugar de origem _ o fluido cósmico ou universal.

O perispírito poderá apresentar modificações em relação à sua densidade; não se segmenta e não se sedimenta; se depura, tornando-se tanto mais sutil quanto maior for o progresso espiritual.
O Espírito pode apresentar modificações em relação ao seu estado moral reencarnatório, porque o “Espírito evolui, tudo o mais se transforma”, por menor que seja esta mesma evolução, às vezes mínima, o que não pode nunca acontecer, é retrogradar.

 

Conclusão 
Um dia, depois da morte corporal, nós teremos um decisivo encontro marcado com nós mesmos, nos recônditos da nossa consciência, apanágio do Espírito, onde foram impressas por Deus as suas leis morais (4); aí serão julgados por ela, todos os nossos atos da senda reencarnatória, no uso do nosso livre arbítrio e comparados com os nossos propósitos ao reencarnar, escolhidos ou impostos pela justiça divina, sempre de acordo com as aptidões de cada um; depende de nós, e só de nós, se este será o “dia mais feliz de nossa existência”, momento de puro êxtase ou, “ao contrário, o pior deles”, o seu momento mais fatídico.

 

“Cremos que a educação para o desencarne implica na educação para a vida”. (9), para que consigamos a morte de que nos fala Hernani Santanna :(12)

 

“A morte (…) é a liberdade !


        É o vôo augusto para a luz divina,

sob as bênçãos da paz da eternidade!

É bem começo de uma nova idade,

antemanhã formosa e peregrina,

da nossa vera e grã felicidade.”

 

BIBLIOGRAFIA
1 _ FORMIGA, Luiz Carlos D. “Dores, Valores, Tabus e Preconceitos”, CELD Ed., maio/96, pg.89-102.

2 _ KARDEC, Allan. “A Gênese”. 22ª ed. Trad. Guillon Ribeiro. 1980, pg. 215.

3 _ RIBEIRO, Gêmison. “Nem todos que morrem desencarnam.” Revista Internacional de Espiritismo, Dez/1999, pg. 504.

4 _ KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 68ª ed.: FEB, 1987. perg. 132, 155, 257, 621.

5 _ SANTOS, Edson Ribeiro dos. Comunicação pessoal.

6 _ DENIS, Léon. “O Problema do Ser, do Destino e da Dor.” 4ª ed. 1936: FEB, pg. 167, 261, 323.

7 _ MELO, Jacob. “O Passe”. 8ª ed.: FEB,1992, pg 60.

8 _ MOREIRA, Fernando Augusto. “Fisiologia da Alma”. Revista Inter-nacional de Espiritismo, Out/2000, pg.399.

9 _ JERRI, Roberto. “A Fisiologia do Desencarne” A Reencarnação. Nº 414, ano XIII, 1º semestre, 1997, pg. 39 e 42.

10 _ KARDEC, Allan. “O Céu e o Inferno”. 37ª ed. Trad. Manuel J. Quintão: FEB, 1991, pg. 169.

11 _ CARNEIRO, Oscar F. “Reflexões”. Ozon Editor, 1960, pg. 15.

12 _ SANTANNA, Hernani. “Canção do Alvorecer”. 2ª ed,: FEB, 1983, pg. 46.

(Artigo reproduzido com autorização do autor)

 

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Publicado por: Espaco Espiritual | sábado, 25 janeiro 2014

PERCEPÇÃO DE DEUS

Deus 2

PERCEPÇÃO DE DEUS

 

Certa feita em uma escola de médio porte um professor substituto foi chamado as pressas pois um dos professores adoecera. Ao entrar na sala de aula e apresentar-se, foi logo indagando a uma garotinha que se sentava a primeira carteira de uma das filas.

– O que é a luz para você? – Muito tímida eis que a garota respondeu.

– Desculpe professor, não posso ver a luz por que nunca vi a luz. Desde que nasci eu não enxergo… Mas, penso que a luz deva ser como um abraço que Deus dá. Carinhoso, quentinho, aconchegante e que enche de vida a quem o recebe, assim como o de papai…

Assim como a garotinha acima, a humanidade ainda não consegue definir o que seja Deus em sua plenitude, mas pode identificar alguns de seus atributos, que de modo algum lhe deva faltar. Diz os historiadores, pautados por fatos e artefatos históricos encontrados ao longo do tempo, que a percepção de Deus e de seus sinais distintivos, mudou com o progresso da humanidade.

Para os povos mais antigos, deus – com d minúsculo mesmo, eram as forças da natureza, e dessa forma naturalmente para eles haviam muitos “deuses”, como o deus chuva, o deus trovão, o deus fogo, o deus terra etc., e cada um com características próprias  responsável por este ou aquele departamento da natureza. Foi apenas com os hebreus que a humanidade começou de forma mais lúcida perceber a divindade única que cria e rege o universo. A humanidade tem uma dívida de gratidão para com esse povo, pois foram os primeiros a reconhecerem e aceitarem a existência de apenas um único Ser Supremo, mesmo que com todas as qualidades humanas predominantes a época em que viveram: violento, vingativo, julgador, intolerante, castigador… Vale ressaltar que é deste povo que surgiram Judeus e Palestinos, e seria o berço do Cristianismo.

Com o Cristo Deus torna-se o amor, um Deus imparcial que ama a todas as suas criaturas indistintamente e que as cria com as mesmas possibilidades, capacidades e oportunidades para progredirem. Um Deus que nunca para de agir e que a todos convida a agirem também, construindo assim o reino dos céus dentro de nós e contribuindo na construção deste nos outros, apenas por amor ao semelhante. Um Deus que sempre faz o que é melhor para nós, mesmo que no momento que passamos, seja de alegria e felicidade, seja – e principalmente, por situações angustiosas, não compreendamos suas formas de educar o espírito individual e imortal que somos. Um Deus que perdoa indistintamente e sempre, quando para isso nos colocamos em condição de receber este, ao perdoarmos os outros quando estes nos ofendem, em fim um Deus de amor.

Nos últimos milênios, a humanidade progrediu significativamente, destacadamente no campo intelectual e mesmo que ainda nos falte um sentido para entendermos a natureza intima de Deus, já somos capazes de perceber alguns atributos que não lhe podem faltar sem ferir a razão, abstração feita de todo e qualquer crédulo religioso.

“Deus é sempiterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.” (O Livro dos Espíritos).

Reflitamos sobre estas características que nossa apequenada e vã razão nos permite entrever e analisemos se eles estão de alguma sorte em desacordo com o Deus de amor anunciado por Jesus. Se ainda não conseguimos penetrar na natureza íntima de Deus, isso não nos tira a responsabilidade de por uma ação consciente, refletir, pensar, buscar compreender, questionarmo-nos sobre aquilo que não lhe deve faltar, já que todos somos criados por Ele com estas capacidades, e segundo o Cristo “sua imagem e semelhança…”

 

Fonte: Internet

BIBLIOGRAFIA

KARDEC. Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.

 

 

Publicado por: Espaco Espiritual | domingo, 5 janeiro 2014

MENSAGEM DE FIM DE ANO DO “PAI SETA B RANCA”…2013/2014…

 

Pai Seta Branca no Cavalo

MENSAGEM DE FIM DE ANO DO “PAI SETA B RANCA”…2013/2014…

Salve Deus! 
Salve Deus filhos queridos do meu coração! Somente pela vontade de Jesus, estarmos todos reunidos em Teu Santo Nome. Graças a Deus!
Muitas preocupações vencidas pelos vossos trabalhos. Só tenho que confirmar todas as palavras dessa grande mensagem. Salve Deus!
Filhos, todos estão preparados para os instantes que a terra está vivendo. A varredura começou meus filhos! Mas Eu, Vosso Pai Seta Branca, em momento algum fico temido pelo jaguar, pelo espírito Espartano, que não mede esforços para caminhar. Estou muito feliz com todos os meus filhos, do menor ao maior! E tudo meus filhos que esse ano que está vencendo, passou… Foi somente para deixar o jaguar mais preparado, mais firme, com os pés no chão! Porque, aquele que não tem fé para caminhar nos espinhos do seu carma, precisa aprender! Porque agora é o momento final, de preparos, no qual todas as mensagens que dei através de minha filha (Tia Neiva), estão a concretizar. Por isso, não descansem dos vossos trabalhos! É firme! Passos largos, para que possam vencer todos os obstáculos. 
A Conduta Doutrinária é muito importante nas vossas vidas. Salve Deus! É tudo meus filhos que venho a pedir, a conduta para que vossos trabalhos tenham mais valor. Mas, Jesus está a abençoar a todos. E eu vosso Pai Seta Branca, fico triste, mas tenho que ir! Mas deixarei a cada um, uma pérola dos Santos Espíritos, nas vossas mãos meus filhos, para que esse ano seja de muita libertação. Que vocês possam vencer tudo que tem vontade nas vossas vidas. Não desanimem! 
E eu peço permissão para dizer, que todos os filhos jaguares que partiram, estão nesse instante presente junto com Agla Koatay 108, a abençoar a todos os povos que deixaram na terra, mas que nunca meus filhos, ficarão em prejuízo. Lá, é mais fácil ajudar a todos! Minha filha está fazendo um grande trabalho na Cachoeira do Jaguar. É um continente melhor que já está bastante grande para ajudarem a terra, para que quando Capela vier, essa varredura não vá atrapalhar a natureza!
Salve Deus!
Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja em vossos corações!
Filhos queridos do meu coração, Esse que despede, Seta Branca, Vosso Pai, Simiromba de Deus!
Salve Deus!
(*Texto transcrito do áudio da mensagem.)

Publicado por: Espaco Espiritual | domingo, 5 janeiro 2014

NOSSO LAR: CAPÍTULO A CAPÍTULO

_Nosso_Lar

 

NOSSO LAR: CAPÍTULO A CAPÍTULO

 

“A maior surpresa da morte carnal é a de nos colocar face a face

com a própria consciência, onde edificamos o céu, estacionamos

no purgatório ou nos precipitamos no abismo infernal.”

Emmanuel

 

O livro Nosso Lar* é formado por cinqüenta capítulos. Cada um deles traz esclarecimento sobre o outro lado da vida. A seguir, um pequeno resumo dos assuntos abordados em cada capítulo:

 

Capítulo 1 – Nas Zonas Inferiores

          André Luiz descreve sua passagem pelo Umbral, mostrando o cenário sombrio e pavoroso que encontrou por lá.

 

Capítulo 2 – Clarêncio

          O antigo médico, enquanto encarnado, narra o desespero causado pelos gritos de suicidas que ouvia de toda a parte, e o momento em que reza pedindo ajuda ao Criador da Vida, e então é socorrido e levado a Nosso Lar, pelo Ministro Clarêncio e mais dois auxiliares.

 

Capítulo 3 – A Oração Coletiva

          O Espírito descreve o ambiente que encontrou em Nosso Lar, traz informações sobre a colônia espiritual e narra a presença do Governador e dos Ministros juntamente com todos os habitantes de Nosso Lar na primeira oração coletiva a que teve acesso na colônia, oração que ocorre diariamente no crepúsculo.

 

Capítulo 4 – O Médico Espiritual

          André Luiz é atendido por um médico espiritual que descreve o estado debilitado do seu espírito e explica-lhe por que chegou ao plano espiritual em estado de suicida inconsciente.

 

Capítulo 5 – Recebendo Assistência

          O companheiro Lísias esclarece que, onde André estava internado, havia mais de mil Espíritos naquele momento em condições muito delicadas e necessitando de auxílio. André recebe esclarecimentos sobre os males que tinha causado ao corpo por conta de sua má conduta e recebe uma injeção de ânimo para buscar sair daquela situação.

 

Capítulo 6 – Precioso Aviso

          O Espírito recém-chegado se lamenta com o Ministro Clarêncio pela sua situação e se recorda da esposa e dos filhos, perguntando por notícias. Clarêncio ouve pacientemente suas lamentações.

 

Capítulo 7 – Explicações de Lísias

          André Luiz traz novos detalhes sobre Nosso Lar, comparando a paisagem que vê com uma cópia melhorada da Terra. Lísias esclarece sobre a mãe de André Luiz e sobre o quanto ela o tem ajudado, dia e noite.

 

Capítulo 8 – Organização de Serviços

          Novos esclarecimentos sobre Nosso Lar são trazidos, mostrando sua divisão em ministérios e apresentando a história da criação de Nosso Lar por espíritos portugueses, desencarnados no Brasil, no século XVI.

 

Capítulo 9 – Problema de Alimentação

          André fica sabendo sobre como é a alimentação em Nosso Lar e também recebe relato do episódio em que alterações nos hábitos alimentares foram introduzidas pelo Governador e dos protestos que estas geraram até serem aceitas.

 

Capítulo 10 – No Bosque das Águas

          Um impressionante relato sobre o aeróbus, o veículo aéreo usado pelos espíritos para se locomoverem em Nosso Lar, e sobre a visitação que André faz ao reservatório de água da colônia espiritual. Com isso, ele tem oportunidade de esclarecer-se sobre a importância da água em diferentes planos.

 

Capítulo 11 – Notícias do Plano

          André Luiz narra a existência de outras colônias espirituais semelhantes a Nosso Lar, como a de Alvorada Nova, que é as vizinha.

 

Capítulo 12 – O Umbral

          Um detalhado esclarecimento sobre o Umbral, região sombria situada próxima à crosta terrestre e habitada por espíritos pouco evoluídos e muito apegados ainda à matéria.

 

Capítulo 13 – No Gabinete do Ministro

          André vai a um encontro com o Ministro Clarêncio, visando a pedir-lhe a oportunidade de iniciar um trabalho em Nosso Lar. Lá, tem a oportunidade de presenciar uma audiência de uma voluntária que deseja proteger seus filhos encarnados. Também recebe esclarecimentos sobre o bônus-hora.

 

Capítulo 14 – Elucidações de Clarêncio

          O Ministro Clarêncio permite que André Luiz comece um trabalho em Nosso Lar como aprendiz, deixando de lado seu passado de médico na Terra.

 

Capítulo 15 – A Visita Materna

          Narra a emocionante visita da mãe de André, Espírito mais elevado que vive em esferas superiores.

Capítulo 16 – Confidências

          Na conversa, sua mãe traz notícias de Laerte, pai de André, e que vagava pelo Umbral, sendo obsidiado por duas mulheres vingativas, que, em vida, tinham sido suas amantes. Além disso, ele recebe notícias sobre suas três irmãs já desencarnadas.

 

Capítulo 17 – Em Casa de Lísias

          André é hospedado em casa de Lísias. Lá, conhece Dona Laura, mãe do anfitrião, e as duas irmãs dele, tendo oportunidade de conhecer e relatar como é um lar típico da colônia.

 

Capítulo 18 – Amor, Alimento das Almas

          Alertas sobre a questão do sexo e novas descrições do funcionamento da alimentação em Nosso Lar.

 

Capítulo 19 – A Jovem Desencarnada

          André conhece a neta de Dona Laura, que era recém-desencarnada e vivia na casa padecendo grande sofrimento pela lembrança de seu noivo, que ainda está encarnado e já se relacionando com uma amiga.

 

Capítulo 20 – Noções de Lar

          Em conversação entre Dona Laura, Lísias e André, são descritos detalhes sobre o lar e a função de homens e mulheres na sua constituição.

 

Capítulo 21 – Continuando a Palestra

          A conversação se estende abordando assuntos como bônus-hora e a recordação do passado, que, segundo Dona Laura, exige bastante equilíbrio.

 

Capítulo 22 – O Bônus-Hora

          É feito um detalhamento do funcionamento do bônus-hora e de como ele é distribuído aos trabalhadores da colônia.

 

Capítulo 23 – Saber Ouvir

          André Luiz recebe esclarecimento sobre o quanto é inconveniente, para a maioria dos desencarnados, receber notícias sobre os encarnados com quem conviviam na Terra.

 

Capítulo 24 – O Impressionante Apelo

          André tem a oportunidade de ouvir, pela emissora da colônia, que eclodia na Terra a Segunda Guerra Mundial, em episódio passado em 1939. Também ouve pedidos para que voluntários se apresentem para proteger a colônia de tentativas de invasões durante o período.

 

Capítulo 25 – Generoso Alvitre

          O Espírito recebe profundas orientações sobre as futuras atividades que poderá empreender em Nosso Lar.

 

Capítulo 26 – Novas Perspectivas

          André visita as câmaras de retificação, locais onde estão internados espíritos necessitados e ainda em grave situação. O Espírito solicita ao Ministro Genésio a oportunidade de trabalhar lá.

 

Capítulo 27 – O Trabalho, Enfim

          O ex-médico orgulhoso na Terra inicia seu trabalho nas câmaras de retificação como auxiliar de limpeza de vômitos de fluídos venenosos expelidos por espíritos. Nas câmaras, presencia impressionante quadro de sofrimento.

 

Capítulo 28 – Em Serviço

          André Luiz se coloca à disposição para permanecer durante a noite nas câmaras de retificação auxiliando no atendimento dos que lá chegam. Também conhece Narcisa, com a qual vai trabalhar no atendimento nas câmaras.

 

Capítulo 29 – A Visão de Francisco

           Um relato impressionante sobre a história de Francisco, que era profundamente apegado a seu corpo, tanto que, após ser sepultado, continuou ligado a ele e acabou presenciando a sua decomposição, o que gerou enorme transtorno em sua mente e fê-lo continuar com a visão do corpo e dos germes a persegui-lo, mesmo tempos depois.

 

Capítulo 30 – Herança e Eutanásia

          André toma contato com o caso do pai de Paulina, que foi submetido à eutanásia, pois a família queria ficar com sua herança, e que agora não consegue se livrar do sentimento de vingança.

 

Capítulo 31 – Vampiro

          O Espírito narra a história de uma mulher que tentava ingressar em Nosso Lar e que foi impedida pelo vigilante-chefe, pois estava fortemente vampirizada, trazendo impressos em seu períspirito 58 pontos negros, correspondentes ao número de abortos que tinha praticado enquanto trabalhava como ginecologista.

 

Capítulo 32 – Notícias de Veneranda

          André Luiz fica sabendo do trabalho realizado pela Ministra Veneranda, que possui 1 milhão de bônus-hora e é a maior trabalhadora de Nosso Lar, e conhece os salões verdes, idealizados por ela.

 

Capítulo 33 – Curiosas Observações

          O interessante relato de dois espíritos ainda encarnados e que, por já serem superiores, têm a oportunidade de visitar Nosso Lar, enquanto dormem.

 

Capítulo 34 – Com os Recém-Chegados do Umbral

          O Espírito atende uma senhora trazida pelos samaritanos, que se desfaz em lamentações, mostrando que ainda estava ligada a seu passado na época da escravatura.

 

Capítulo 35 – Encontro Singular

          André encontra-se com um conhecido da época em que estava encarnado e tem a oportunidade de pedir perdão, pois seu pai havia prejudicado muito esse homem no passado.

 

Capítulo 36 – O Sonho

          Emocionante relato sobre a necessidade que os espíritos têm de dormir para repor as energias e sobre o encontro que André Luiz teve com sua mãe quanto ele dormia, tendo a oportunidade de visitá-la em esferas mais elevadas.

 

Capítulo 37 – A Preleção da Ministra

          André Luiz assiste a uma palestra proferida pela ministra Veneranda, que fala sobre a importância do pensamento e sobre o papel de Nosso Lar como colônia de transição.     

 

Capítulo 38 – O Caso Tobias

          André tem a oportunidade de conhecer o caso de Tobias e suas duas ex-esposas Hilda e Luciana, que se tornaram amigas e convivem em harmonia em Nosso Lar.

 

Capítulo 39 – Ouvindo a Senhora Laura

          Buscando entender melhor a questão do casamento na espiritualidade e nutrindo muitos questionamentos acerca da sua família terrestre, André procura Dona Laura e dela obtém as respostas para suas dúvidas.

 

Capítulo 40 – Quem Semeia Colherá

          André vai ao departamento feminino das câmaras de retificação. Lá, tem contato com Elisa, que fora empregada em sua casa terrena e da qual ele se aproveitara, antes que ela fosse despedida de sua casa. Com o encontro, ele tem a oportunidade de se arrepender e de buscar ajudá-la a superar os traumas do passado.

 

Capítulo 41 – Convocados à Luta

          O Espírito narra a chegada da notícia de que o planeta está iniciando a Segunda Guerra Mundial, a repercussão dessa notícia lá e como esta influenciou negativamente Nosso Lar.

 

Capítulo 42 – A Palavra do Governador

          André Luiz vê pela primeira vez o Governador de Nosso Lar, que esclarece aos trabalhadores os problemas advindos da Guerra e convoca 30 mil servidores voluntários para criar defesas especiais.

 

Capítulo 43 – Em Conversação

          Relatos sobre os horrores da guerra são apresentados neste capítulo, bem como a esperança que o Espiritismo traz como o Consolador prometido.

 

Capítulo 44 – As Trevas

          André Luz questiona Lísias sobre as Trevas, região mais inferior conhecida em Nosso Lar, e este esclarece o amigo sobre o que levaria alguém a ficar preso nessa região.

 

Capítulo 45 – No Campo da Música

          O Espírito relata o momento em que teve a oportunidade de conhecer o Campo da Música, local em que encontra espíritos ali comentando com alegria os ensinamentos de Jesus.

 

Capítulo 46 – Sacrifício de Mulher

          André tem novo encontro com sua mãe, que o informa de que reencarnará novamente na Terra em missão para auxiliar o marido Laerte, que também reencarnaria. Na Terra, ela será mãe das duas ex-amantes do seu marido, que o obsidiavam no Umbral.

 

Capítulo 47 – A Volta de Laura

          André fica sabendo que também Dona Laura, mãe de Lísias, reencarnará em dois dias e reencontrará seu ex-marido Ricardo, que já se encontrava encarnado, para viverem juntos na Terra como marido e mulher novamente.

 

Capítulo 48 – Culto Familiar

          Narração da reunião de despedida antes do reencarne de Dona Laura. Nela, Ricardo aparece desligado, durante o sono, do seu corpo físico de criança, para trazer palavras de apoio. Ele se comunica por meio de um globo de cristal, a fim de ser preservado das irradiações de emotividade dos que ali se encontravam e que poderiam prejudicá-lo, já que ele se encontrava ainda frágil, em tenra idade.

 

Capítulo 49 – Regressando à Casa

          André descreve a sua ida ao lar terreno, um ano após ser socorrido em Nosso Lar, e a dura prova que teve de passar ao encontrar sua ex-mulher, Zélia, já casada com outro homem, que estava fortemente enfermo e em cuja cura André Luiz teve de auxiliar.

 

Capítulo 50 – Cidadão “Nosso Lar”

          No desfecho deste primeiro livro da série, André mostra o quanto evoluiu no período de um ano em que esteve na colônia espiritual Nosso Lar, se livrando de todo o apego e sentimento de posse que tinha da família terrena e se predispondo a ajudar no auxílio do novo marido de Dona Zélia.

          Para auxiliá-lo, ele pede ajuda de sua companheira de trabalho Narcisa, que vai até o encontro de André e ministra o auxílio ao enfermo. Tendo vencido essa dura batalha contra o apego, André deixa a família terrena e retorna a Nosso Lar. Ao chegar à colônia espiritual, ele é recebido pelos amigos, sendo finalmente declarado cidadão de Nosso Lar.

 

Livro:  Desvendando o Nosso Lar

            Luis Eduardo de Souza

            Universo dos Livros Editora

 

Nota de Fernando Peron (junho de 2013):

(*) – Nosso Lar. Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz. FEB – Federação Espírita Brasileira. É a primeira de uma série de obras revolucionárias, como se segue (ano de lançamento entre parêntesis): 1. Nosso Lar (1944), 2. Os Mensageiros (1944), 3. Missionários da Luz(1945), 4. Obreiros da Vida Eterna (1946), 5. No Mundo Maior (1947), 6. Agenda Cristã (1948), 7. Libertação (1949), 8. Entre o Céu e a Terra(1954), 9. Nos Domínios da Mediunidade (1955), 10. Ação e Reação(1957), 11. Evolução em Dois Mundos (1959), 12. Mecanismos da Mediunidade (1960), 13. Conduta Espírita (1960), 14. Sexo e Destino(1963), 15. Desobsessão (1964), 16. E a Vida Continua… (1968). As obras de número 11, 12, 14 e 15 são em parceria com o médium Waldo Vieira. A obra de número 13 foi psicografada unicamente por Waldo Vieira (Chico Xavier psicografou apenas o prefácio, pelo Espírito Emmanuel). Todas foram publicadas pela FEB – Federação Espírita Brasileira. 

Para mudar o mundo é preciso mudar a si mesmo.

 

Publicado por: Espaco Espiritual | sábado, 21 dezembro 2013

Nos Domínios da Sombra

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Nos Domínios da Sombra

Espírito Irmão X

Em completa assembléia do reino das sombras, um poderoso soberano das trevas, diante de milhares de falangistas da miséria e da ignorância, explicava o motivo da grande reunião.

O Espiritismo com Jesus, aclarando a mente humana, prejudicava os planos infernais.

Em toda parte da Terra, as criaturas começavam a raciocinar menos superficialmente!

Indagavam, com segurança, quanto aos enigmas do sofrimento e da morte e aprendiam, sem maior dificuldade, as lições da Justiça Divina. Compreendiam, sem cadeias dogmáticas, os ensinamentos do Evangelho. Oravam com fervor. Meditavam na reencarnação e passavam a interpretar com mais inteligência os deveres que lhes cabiam no Planeta. Muita gente entregava-se aos livros nobres, à caridade e à compaixão, iluminando a paisagem social do mundo e, por isso, todas as atividades da sombra surgiam ameaçadas….  Que fazer para conjurar o perigo? E pediu para que os seus assessores apresentassem sugestões. Depois de alguns momentos de expectativa, ergueu-se o comandante das legiões da incredulidade e falou: Procuremos veicular a crença de que Deus não existe e de que as criaturas viventes estão entregues a forças cruéis e fatais da Natureza…. O maioral das trevas, porém, objetou, desencantado: O argumento não serve. Quanto mais avança nos trilhos da inteligência mais reconhece o homem a Paternidade de Deus, sendo atraído inelutavelmente ardente e pura. Levantou-se, no entanto, o orientador das legiões da vaidade e opinou: Espalharemos a notícia de que Jesus nada tem que ver com o Espiritismo, que as manifestações dos desencarnados se resumem num caso fisiológico para as conclusões da Ciência, e, desnorteando os profitentes da Renovadora Doutrina, faremos com que gozem a vida no mundo, como melhor lhe pareça, sem qualquer obrigação para com o Evangelho e, assim, serão colhidos no túmulo, com as mesmas lacunas morais que trouxeram do berço….

O rei das sombras anuiu, complacente: Sim, essa ilusão já foi muito importante, contudo, há milhares de pessoas despertando para a verdade, na certeza de que as portas do sepulcro não se abririam para os vivos da Terra, sem a intervenção de Jesus.

Nesse ponto, o diretor das falanges da discórdia pôs-se de pé e conclamou:

– Sabemos que a força dos espíritos nasce das reuniões em que se congregam para a oração e para o aprendizado da Vida Espiritual, e nas quais tomam contacto com os Mensageiros da Luz…. Assim sendo, assopraremos a cizânia entre os seguidores dessa bandeira transformadora, exagerando-lhes a noção da dignidade própria. Separá-los-emos uns dos outros com o invisível bastão da maledicência. Chamaremos em nosso auxílio os polemistas, os discutidores, os carregadores de lixo social, os fiscais do próximo e os examinadores de consciências alheias para que os seus templos se povoem de feridas e mágoas incuráveis e, assim, os irmãos em Cristo saberão detestar-se uns aos outros, com sorrisos nos lábios, inutilizando-se para as obras do bem.  O chefe satânico, todavia, considerou: Isso é medida louvável, contudo necessitamos de providência de efeito mais profundo, porque sempre aparece um dia em que as brigas e os desacordos terminam com os remédios da humildade e com o socorro da oração. A essa altura, ergueu-se o condutor das falanges da desordem e ponderou: – Se o problema é de reuniões, conseguiremos liquidá-lo em três tempos. Buscaremos sugerir aos membros dessas instituições que o lugar dos conclaves é muito longe e que não lhes convém afrontar as surpresas desagradáveis da via pública. Faremos que o horário das reuniões coincida com o lançamento de filmes especiais ou com festividades domésticas de data fixa. Improvisaremos tentações determinadas para os companheiros que possuam maiores deveres e responsabilidades junto às assembléias, a fim de que os iniciantes não venham a perseverar no trabalho da própria elevação. Organizaremos dificuldades para as conduções e atrairemos visitas afetuosas que cheguem no momento exato da saída para os cultos espíritas-cristãos. Tumultuaremos o ambiente nos lares, escondendo chapéus e bolsas, carteiras e chaves para que os crentes se tomem de mau humor, desistindo do serviço espiritual e desacreditando a própria fé. O soberano das trevas mostrou larga satisfação no semblante e ajuntou: Sim, isso é precioso trabalho de rotina que não podemos menosprezar. Entretanto, carecemos de recursos diferente….. O responsável pelas falanges da dúvida ergueu-se e disse: As reuniões referidas são sempre valiosas com o auxílio de médiuns competentes. Buscaremos desalentá-los e dispersá-los, penetrando a onda mental em que se comunicam com os Benfeitores Celestes, fazendo-lhes crer que a palavra do Além resulta de um engano deles próprios, obrigando-os a se sentirem mentirosos, palhaços, embusteiros e mistificadores ,sem qualquer confiança em si mesmos, para que as assembléias se vejam incapazes e desmoralizadas….

O mentor do recinto aprovou a alegação, mas considerou:Indiscutivelmente, o combate aos médiuns não pode esmorecer, entretanto, precisamos de providência mais viva, mais penetrante…

Foi então que o orientador das falanges da preguiça se levantou, tomou a palavra, e falou respeitoso:- Ilustre chefe, creio que a melhor medida será recordar ao pensamento de todos os membros da agremiações espíritas que Deus existe, que Jesus é o Guia da Humanidade, que a alma é imortal, que a Justiça Divina é indefectível, que a reencarnação é uma verdade inconteste e que a oração é uma escada solar, reunindo a Terra ao Céu….

O soberano das sombras, porém, entre o espanto e a ira, cortou-lhe a palavra, exclamando:  – Onde pretende chegar com semelhantes afirmações? O comandante dos exércitos preguiçosos acrescentou, sem perturbar-se: Sim, diremos que o Espiritismo com Jesus, pedindo às almas encarnadas para que se regenerem, buscando o conhecimento superior e servindo à caridade, é, de fato, o roteiro da luz, mas que há tempo bastante para a redenção, que ninguém precisa incomodar-se, que as realizações edificantes não efetuadas numa existência podem ser atendidas em outras, que tudo deve permanecer agora como está no íntimo de cada criatura na carne para vermos como ficarão depois da morte, que a liberdade do Senhor é incomensurável e que todos os serviços e reformas da consciência, marcados para hoje, podem ser transferidos para amanhã…Desse modo, tanto vale viverem no Espiritismo com fora dele, com fé ou sem fé, porque o salário de inutilidade será sempre o mesmo…. O rei das sombras sorriu, feliz, e concordou: – Oh! Até que enfim descobrimos a solução!…

De todos os lados ouviam-se risonhas exclamações:- Bravos! Muito bem! Muito bem! O argumento do astucioso condutor das falanges da inércia havia vencido.

As quatro legítimas verdades   

  Autor: Manoel Philomeno de Miranda (espírito)
(…) Foi o Dr. Carneiro de Campos quem me respondeu: 
– “Ao convidar o caro Miranda para esta excursão de trabalho, não lhe quisemos detalhar o compromisso em tela porque muitas dificuldades estavam em pauta, aguardando solução. A fim de não deixá-lo ansioso, resolvemos esperar a ajuda divina para inteirá-lo depois, qual ocorre neste momento.”  Fazendo uma pausa breve, deu continuidade à narração: 
– “Oportunamente, ao ser liberado das Regiões infernais antigo comandante das forças do mal – que reencontrou em Jesus a porta estreita da salvação graças aos esforços sacrificiais e renúncias imensas de sua genitora – aqueles que permaneceram no esquema da impiedade reuniram-se para tomar providências em conjunto contra o que denominam como os exércitos do Cordeiro, que detestam.  “Estes seres, que se extraviaram em diversas reencarnações, assumindo altíssimas responsabilidades negativas para eles mesmos, procedem, na sua maioria, de Doutrinas religiosas cujos nomes denegaram com as suas condutas relapsas, atividades escusas e cones extravagantes, nas quais o luxo e os prazeres tinham primazia em detrimento dos rebanhos que diziam guardar, mas que somente exploravam, na razão do quanto os desprezavam. 
Ateus e cínicos, galgavam os altos postos que desfrutavam mediante o suborno, o homicídio, as perversões sexuais, a politicagem sórdida, morrendo nos tronos das honras e glórias mentirosas, para logo enfrentarem a consciência humilhada e, sob tormentos inenarráveis, sintonizando com os sequazes que os aguardavam no Além, sendo reconvocados aos postos de loucura, dispostos a enfrentar Jesus e Deus, que negam e dizem desprezar…”  Após ligeira interrupção e medindo bem as palavras, prosseguiu: 
– “As figuras mitológicas dos demônios e seus reinos, os abismos infernais e os seus torturadores de almas são relatos inicialmente feitos por pessoas que foram até ali conduzidas em desdobramento espiritual – por afinidade moral ou pelos Mentores, a fim de advertirem as criaturas da Terra – antros sórdidos que aqueles governam e onde instalaram o terror, dando a equivocada idéia de que naquelas paragens não há tempo a transcorrer, num conceito absurdo de eternidade a que se aferram diversas religiões, as quais mais atemorizam do que educam. 
“Mártires e santos, profetas e escritores, artistas e poetas de quase todos os povos e épocas, os que eram médiuns, visitaram esses Núcleos terrificadores e conheceram os seus habitantes, trazendo, na memória, nítidas, as suas configurações, que as fantasias e lendas enriqueceram com variações de acordo com a cultura, a região e o tempo, presentes, portanto, na historiografia da humanidade. 
Variando de denominação, cada grupamento, como ocorre na Terra, tem o seu chefe e se destina a uma finalidade coercitiva, reparadora. Periodicamente esses chefes se reúnem e elegem um comandante a quem prestam obediência e submissão, concedendo-lhe regalias reais… As ficções mais audaciosas não logram conceber a realidade do que ocorre em tais domínios. 
“Sandeus e absolutos, anularam a consciência no mal e na força, tornando-se adversários voluntários da Luz e do Bem, que pretendem combater e destruir. 
“Não se dão conta de que tal ocorre, porque vivem em um planeta ainda inferior em processo de desenvolvimento, onde aqueles que o habitam, também são atrasados, padecendo limites, em trânsito do instinto para a razão. lnobstante, porém, luz, nesta época, o Consolador e em toda parte doutrinas de amor e paz inauguram a Nova Idade na Terra, convidando o homem ao mergulho interior, ao rompimento dos grilhões da ignorância, à solidariedade, ao bem… A ciência dá as mãos à moral, e a filosofia redescobre a ética, para que a religião reate a criatura ao seu Criador em um holismo profundo de fé, conhecimento e caridade, numa síntese de sabedoria transcendental.  

“Tudo marcha na direção de Deus, é inelutável”.  A Grande Causa, a Inteligência Suprema, é o fulcro para o qual convergem todos, mediante a vigorosa atração da Sua própria existência. 
“As lutas de oposição desaparecem com relativa rapidez, rompendo-se as barricadas e trincheiras que se tomam inúteis. A trajetória do progresso é irrefreável. Só o Amor tem existência real e perene, lei que é da vida, por ser a própria Vida. ” 
Calou-se, novamente, e relanceou o olhar pelo veludo da noite salpicado de gemas estelares, dando prosseguimento: – “Na reunião que eles convocaram naquela oportunidade, ficou estabelecido que o novo substituto deveria ser impiedoso ao extremo, sem qualquer sensibilidade, cuja existência execranda no planeta houvesse espalhado o terror e cuja memória inspirasse revolta e ódio… Após um mês voltariam a reunir-se. 
“Naturalmente, foram buscados os sicários mais abjetos da Humanidade, que fossilizavam nos antros mais hediondos das regiões subterrâneas de sofrimentos, de onde foram retirados temporariamente para apresentação de planos, sua avaliação de possibilidades de execução e logo votação. “Difícil imaginar tais conciliábulos e conseqüente escrutínio para a eleição de um Chefe. 
“Recordando as reuniões de antigos religiosos, ontem como hoje, cada representante se vestiu com as roupagens e características do seu poder, e, acolitados pelo subalternos, compareceram em massa, diversos deles conduzindo os seus candidatos para o pleito macabro e ridículo. 
“A extravagância e o cinismo ilimitados fizeram-se presentes nas figuras grotescas, asselvajadas umas, animalescas outras, em um cenário de horror, para o que seria o grande momento de decisão, a conquista do mundo humano por tais assaltantes espirituais. 
“Mais de uma vintena de algozes da sociedade foram apresentados ao terrível parlamento. Alguns encontravam-se hebetados em padecimentos que se auto-impuseram; outros pareciam desvairados, e um número menor, com facies patibular e olhos miúdos, fuzilantes, chamaram mais a atenção dos governantes e da turbamulta alucinada que repletava as galerias daquele simulacro infeliz de tribunal de julgamento e seleção. 
“Nomes que fizeram tremer a Terra, no passado remoto como no mais recente, foram pronunciados, enquanto, pessoalmente, eles se apresentavam ou eram trazidos. Vários em estado de loucura foram apupados, embora os seus defensores prometessem despená-los e colocá-los lúcidos para o ministério que lhes seda delegado. A balbúrdia ensurdecedora interrompeu várias vezes as decisões. 
Os árbitros, porém, ameaçaram expulsar a malta, que foi atacada por mastins ferozes, até o momento em que assomou ao pódio um ser implacável, com postura temerária, passos lentos, coxeando, corpo balouçante com ginga primitiva, que, erguendo os braços para dominar o cenário, com facilidade o logrou, graças ao terror que expressava nos olhos fulminantes. 
“Quem o conduzia deu ligeira notícia do candidato, sem ocultar a felicidade que o dominava: 
– Tenho a honra de apresentar o inexcedível conquistador que submeteu o mundo conhecido do seu tempo, na Ásia, e esteve na Terra, novamente, apenas uma vez mais. As suas façanhas ultrapassaram em muito outros dominadores, graças à sua absoluta indiferença pela vida e aos métodos que utilizava para a destruição da raça humana. Fundou o segundo império mongol, realizando guerras cruentas. “A sua existência corporal transcorreu durante o século XIV, havendo renascido na Ásia Central, próximo a Samarcanda. Informando descender de Gengis Khan, aos cinqüenta anos de idade alargou seus domínios do Eufrates à Índia, impondo-se ao Turquestão, Coraçã, Azerbajá, Curdistão, Afeganistão, Fars. Logo depois, invadiu a Rússia, a Índia, deixando um rastro de dezenas de milhares de cadáveres, somente em Delhi, às portas da cidade e nos seus arredores… Cruel até o excesso, realizou alguns trabalhos de valor na sua pátria, porém as suas memórias são feitas de atrocidade e horror, por cujas razões, ao desencarnar, mergulhou nas regiões abismais onde foi localizado, nas Trevas…” 
O narrador fez breve silêncio para logo prosseguir , 
 – “A medida que a arenga apaixonada conquistava os eleitores triunfantes, o horror mais humilhava os presentes, que silenciaram diante do certamente vencedor hediondo. “Encerrada a apresentação do candidato, foi ele aceito por quase todos os chefes e aclamado como o Soberano Gênio das Trevas, que se encarregada de administrar os corretivos na humanidade, a qual ele propunha submeter e explorar. 
“Não ignoramos que o intercâmbio de energias psicofísicas entre os seres inferiores desencarnados e os homens é muito maior do que se imagina. Legiões de dezenas de milhões de criaturas de ambos os planos se encharcam de vitalidade, explorando-se, umas às outras, mediante complexos processos de vampirização, simbiose, dependência, gerando uma psicosfera morbífica, aterradora. Somente o despertar da consciência logra interromper o comércio desastroso, no qual se exaurem os homens, e mais se decompõem moralmente os Espíritos. Para sustentarem tão tirânica interdependênda, são criados mecanismos e técnicas contínuas de degradação das pessoas, que espontaneamente se deixam consumir por afinidade com os seres exploradores, viciados inclementes, amolentados secularmente na extravagante parasitose. Pululam, incontáveis, os casos dessa natureza. Enfermidades degenerativas do organismo físico, desequilibrados mentais desesperadores, disfunções nervosas de alto porte, contendas, lutas, ódios, paixões asselvajadas, guerras e tiranias têm a sua geratriz nesses antros de hediondez, onde as Forças do Mal, em forma de novos Lucíferes da mitologia, pretendem opor-se a Deus e tomar-lhe o comando. Vão e inqualificável desvario este do ser humano inferior. !
 “O homem marcha, na Terra como nos círculos espirituais mais próximos, ignorando ou teimando desconhecer a sua realidade como ser imortal, Espírito eterno que é, em processo de ascensão. Dando preferência à sensação, na qual se demora espontaneamente, em detrimento das emoções enobrecidas, jugula-se à dependência do prazer, cristalizando as suas aspirações no gozo imediato e retendo-se nas faixas punitivas do processo evolutivo. Face a tal comportamento, reencarna e desencarna por automatismo, sob lamentáveis condições de perturbação, perplexidade e interdependência psíquica. 
As obsessões que atravessam decênios sucedem-se. O algoz de hoje, ao reencarnar-se, toma-se a vítima que por sua vez, mais tarde, dá curso ao processo infeliz até quando as Soberanas Leis interferem com decisão. 
 “As religiões, através dos seus sacerdotes, ministros, guias e chefes, na maioria aferradas aos dogmas ultramontanos, preferem não descerrar a cortina da ignorância, mantendo os seus rebanhos submissos, pelo menos convencionalmente, em mecanismos de rude hipocrisia, desinteressadas do homem real, integral, espiritual. Sucede que grande número desses condutores religiosos está vinculado aos sicários espirituais, que os mantêm em dependência psíquica, explorados, para que preservem o estado de coisas conforme se encontra. Por tal razão, quando as doutrinas libertadoras se apresentam empunhando as tochas do discernimento, seus apologistas, membros divulgadores e realizadores, são perseguidos, cumulados de aflições e tormentos, para que desistam, desanimem ou se submetam aos mentirosos padrões dos triunfos terrenos.”  O Benfeitor calou-se por ligeiro espaço de tempo, e, lúcido, adiu: 
“Pode parecer que o Pai Misericordioso permanece indiferente ao destino dos filhos sob o domínio das sombras de si mesmos. No entanto, não é assim. lncessantemente Sua Voz convida ao despertamento, à reflexão, à ação correta, usando os mais diversos instrumentos, desde as forças atuantes do Universo aos missionários e apóstolos da Verdade, que não são escutados nem seguidos. 
“Os líderes da alucinação tornam-se campeões das massas devoradoras, enquanto as vozes do bem clamam no deserto. Milhares de obreiros desencarnados operam em silêncio, nas noites terrestres, acendendo luzes espirituais, em momentosos intercâmbios que são considerados, no estado de consciência lúcida, no corpo, como sonhos impossíveis, fantasias, construções arquetípicas, em conspiração sistemática a favor das teses materialistas. 
Essas explicações, algumas esdrúxulas, travestidas de científicas, são aceitas, inclusive, pelos religiosos, que aí têm seus mecanismos escapistas para fugirem aos deveres e responsabilidades maiores. “Desnecessário confirmar que as nobres conquistas das ciências da alma, inclusive as abençoadas experiências de Freud, de Jung e outros eminentes estudiosos, fundamentam-se em fatos incontestáveis. Algumas das suas conclusões merecem, porém, reestudo, reexame e conotações mais modernas, nunca descartando a possibilidade espiritualista, hoje considerada pelas novas correntes dessas mesmas doutrinas. “Quando as criaturas despertarem para a compreensão dos fenômenos profundos da vida, sem castração ou fugas, sem ganchos psicológicos ou transferências, romper-se-ão as algemas da obsessão na sua variedade imensa, ensejando o encontro do ser com a sua consciência, o descobrimento de si mesmo e das finalidades da existência corporal no mapa geral da sua trajetória eterna.” 
Mais uma vez, o venerável Instrutor fez uma pausa, facultando-nos assimilar o conteúdo das suas palavras, para logo dar continuidade: 
– “Posteriormente informado das razões que o elevaram ao supremo posto, representativo daqueles grupos hostis, o Chefe pediu um prazo para elaboração de planos, solicitando a presença de hábeis conselheiros de períodos diferentes da História, a ele semelhantes na estrutura psíquica, de modo a inteirar-se das ocorrências no planeta. 
 “As reuniões sucederam-se tumultuadas, violentas, sempre acalmadas pela agressividade do Soberano, que, ciente das novas revelações da Verdade na Terra, do advento do Consolador e seu programa de reestudo e vivência do Cristianismo, das incursões modernas do Espiritualismo ancestral na sociedade contemporânea, todos formando diques contra as águas volumosas da destruição, resolveu escutar fracassados conhecedores do comportamento das criaturas, tanto na área sexual como na econômica e na social – pois que nesses recintos transitam aqueles que se comprometeram negativamente perante a Vida – após o que estabeleceu o seu programa, que ironicamente denominou como as quatro legítimas verdades, em zombeteira paráfrase ao código de Buda em relação ao sofrimento: as quatro Nobres Verdades. 
“Em reunião privada com os chefes de grupos, explicitou o programa que elaborara para ser aplicado em todas as suas diretrizes e com pormenorizado zelo. 
“Primeiroo homem – redefiniu o novo Soberano das Trevas – é um animal sexual que se compraz no prazer. Deve ser estimulado ao máximo, até a exaustão, aproveitando-se-lhe as tendências, e, quando ocorrer o cansaço, levá-lo aos abusos, às aberrações. Direcionar esse projeto aos que lutam pelo equilíbrio das forças genésicas é o empenho dos perturbadores, propondo encontros, reencontros e facilidades com pessoas dependentes dos seus comandos que se acercarão das futuras vítimas, enleando-as nos seus jogos e envolvimentos enganosos. Atraído o animal que existe na criatura, a sua dominação será questão de pouco tempo. Se advier o despertamento tardio, as conseqüências do compromisso já serão inevitáveis, gerando decepções e problemas, sobretudo causando profundas lesões na alma. O plasma do sexo impregna os seus usuários de tal forma que ocasiona rude vinculação, somente interrompida com dolorosos lances passionais de complexa e difícil correção. 
Segundo: o narcisismo é filho predileto do egoísmo e pai do orgulho, da vaidade, inerentes ao ser humano. Fomentar o campeonato da presunção nas modernas escolas do Espiritualismo, ensejando a fascinação, é item de alta relevância para a queda desastrosa de quem deseja a preservação do ideal de crescimento e de libertação. O orgulho entorpece os sentimentos e intoxica o indivíduo, cegando-o e enlouquecendo-o. Exige corte, e suas correntes de ambição impõem tributários de sustentação. Pavoneando-se, exibindo-se, o indivíduo desestrutura-se e morre nos objetivos maiores, para cuidar apenas do exterior, do faustoso – a mentira de que se insufla. 

Terceiro: o poder tem prevalência em a natureza humana. Remanescente dos instintos agressivos, dominadores e arbitrários, ele se expressa de várias formas, sem disfarce ou escamoteado, explorando aqueles que se lhe submetem e desprezando-os ao mesmo tempo, pela subserviência de que se fazem objeto, e aos competidores e indomáveis detestando, por projetar-lhe sombra. O poder é alçapão que não poupa quem quer que lhe caia na trampa. Ademais a morte advém, e a fragilidade diante de outras forças aniquila o iludido. 

Quarto: o dinheiro, que compra vidas e escraviza almas, será outro excelente recurso decisivo. A ambição da riqueza, mesmo que mascarada, supera a falsa humildade, e o conforto amolenta o caráter, desestimulando os sacrifícios. Sabe-se que o Cristianismo começou a morrer, quando o martirológio foi substituído pelo destaque social, e o dinheiro comprou coisas, pessoas e até o reino dos céus, aliciando mercenários para manter a hegemonia da fé… 
“Quem poderá resistir a essas quatro legítimas verdades? – interrogou -. Certamente, aquele que vencer uma ou mais de uma, tombará noutra ou em várias ao mesmo tempo. 
“Gargalhadas estrepitosas sacudiram as furnas. E a partir de então, os técnicos em obsessão, além dos métodos habituais, tomaram-se especialistas no novo e complexo programa que em todos os tempos sempre constituiu veículo de desgraça, agora mais bem aplicado, redundando em penosas derrotas. Não será necessário que detalhemos casos a fim de analisarmos resultados.” 
Aprofundando reflexões, o Amigo concluiu: 
“Precatem-se, os servidores do Bem, das ciladas ultrizes do mal que tem raízes no coração, e estejam advertidos. Suportem o cerco das tentações com estoicismo e paciência, certos de que o Pai não lhes negará socorro nem proteção, propiciando-lhes o que seja mais . importante e oportuno. Ademais, não receiem as calúnias dos injuriadores que os não consigam derrubar. Quando influenciados pelos assessores dos Gênios, mantenham-se intimoratos nos ideais abraçados. A vitória tem a grandeza da dimensão da luta travada. 
“Este desafio, que nos tem merecido a mais ampla e minudente consideração, qual ocorre com inúmeros Benfeitores do Mundo Maior, é uma das razões de nos encontrarmos em atividade com o irmão Vicente e os membros da Casa que ele dirige. 
“Agora, sigamos ao trabalho que nos espera. ” 
Havia no ar da noite silenciosa a presença de bênçãos que aspiramos em longos haustos, enquanto nos dirigíamos para a sede dos nossos labores. 
Reflexões Necessárias
 Não tive tempo de arregimentar perguntas, tal o esfervilhar de pensamentos que me agitavam a casa mental. 
A narração breve do Instrutor fornecia-me explicações para melhor entender vários acontecimentos infelizes que pairavam agitando a economia moral da sociedade, especial e particularmente dos cristãos novos, dos espiritualistas modernos e dos estudiosos da mente que, interessados nos padrões éticos e superiores do comportamento, subitamente naufragavam nos ideais ou os abandonavam, padecendo graves ulcerações espirituais. Compreendia melhor a irrupção do sexo desvairado a partir dos anos sessenta deste século, o alucinar pelas drogas, a mudança dos padrões morais e o crescimento da violência, o abandono a que as gerações jovens foram atiradas, as falsas aberturas para a liberdade sem responsabilidade pelos atos praticados, a música ensurdecedora, a de metais, a de horror, a satânica, e tantas outras ocorrências… 
Está claro que o processo antropossociológico da evolução, às vezes, deve arrebentar determinados compromissos para abrir novos espaços experimentais, que irão compor o quadro das necessidades evolutivas do homem e da mulher. A moral social, geográfica, aparente, deve ceder lugar à universal, à que está ínsita em a Natureza, àquela que dignifica e promove, superando e abandonando as aparências irrelevantes e desacreditadas.
  Verificava que a transição histórica de um para outro período é semelhante a um demorado parto, doloroso e complexo, do qual nascem novos valores e a vida enfloresce. 
Não seriam, os períodos de convulsão danosa, gerados por mentes destruidoras sediadas no Além? 
Teriam gênese, em programações semelhantes, as súbitas alterações sociais que sacudiam até ao desmoronamento, nações e povos, abalando a Humanidade? 
Partindo do princípio de que a vida real e causal é a que tem origem e vigência na Erraticidade, no mundo espiritual, conforme os acontecimentos, suas matrizes desencadeadoras estão aqui e daqui partem por indução, inspiração e interferência direta, através da reencarnação de membros encarregados de perturbar a ordem geral. Embora suponham estar agindo por vontade própria, ei-los sob o Comando Divino, que os utiliza indiretamente para despertar as consciências adormecidas, para as altíssimas finalidades da vida. 
Recordava-me de amigos que haviam reencarnado com tarefas específicas e nobres, para agirem com elevação e desdobrarem o programa de iluminação espiritual, e que derraparam lamentavelmente, alguns sendo retirados antes de mais infelizes comprometimentos, e outros abraçando esdrúxulas condutas, fazendo-se crer auto-suficientes, superiores, revoltados… 
Tinha em mente as tarefas estabelecidas e aceitas com entusiasmo antes da reencarnação ou ditadas mediunicamente, que produziam impactos felizes, mas que logo pareciam perder o significado para os seus responsáveis, que as abandonavam ou as alteravam a bel-prazer para seguirem noutros rumos… Observava sempre a facilidade com que certos líderes carismáticos eram seguidos por multidões hipnotizadas, e astros do desequilíbrio galvanizavam as massas, aturdindo-as, fazendo-as adorá-los, naturalmente sob controles espirituais poderosos das Trevas. O caso Davi, mais especificamente, tornava-se um exemplo concreto da consumação das quatro legítimas verdades perturbadoras. Todo o empenho de seus Mentores e de alguns amigos encarnados não resultou positivo, intoxicado que estava pela presunção narcisista, atraído pelo sexo irresponsável, fascinado pelo dinheiro e, no íntimo, ambicionando o destaque, o poder… 
O labor de Jesus, o Cordeiro sacrificado, é todo de abnegação e renúncia, de amor e humildade, de persuasão afetuosa, jamais de imposição arbitrária. Como efeito, crêem os apressados, que vitórias são a da ganância, da força e do brilho rápido das luzes da fama… 
Compreendia melhor, a partir daquele momento, que as imperfeições da criatura humana são as responsáveis pelo fracasso de bem organizados planos, pelas perturbações que se generalizam, pelas opções extravagantes, pelo desdobrar das paixões asselvajadas, em razão do nível inferior de consciência no patamar em que transita a maioria das pessoas. Não obstante, estimuladas essas expressões primárias em domínio ou ainda remanescentes no ser, é fácil entender a loucura avolumada na Terra, a falência dos padrões éticos e o anseio pelo retomo às manifestações primevas do ser.  Raciocinando sobre os planos do Soberano Gênio das Trevas, tomaram-se-me lógicas as ocorrências que antes me pareciam absurdas, quase impossíveis de acontecer. 
No momento em que a cultura atinge as suas mais altas expressões; quando a Ciência mais se aproxima de Deus auxiliada pela Tecnologia, e o homem sonha com a possibilidade de detectar vida fora da Terra, igualmente campeiam a hediondez do comportamento agressivo; a excessiva miséria de centenas de milhões de pessoas, social e economicamente abandonadas à fome, às doenças, à morte prematura; o erotismo extravagante em generalização; a correria às drogas e aos excessos de toda natureza, tornando-se para mim um verdadeiro paradoxo da sociedade. 
O homem e a mulher terrestres, ricos de aspirações enobrecidas, ainda não conseguem desligar-se dos grilhões dos instintos perturbadores, muitas vezes amando e matando, salvando vidas e estiolando-as em momentos de alegria ou de revolta. Essa visão aflige-me como sendo um espetáculo inesperado no processo da evolução. Aprofundando, agora, a reflexão nas paisagens da obsessão dos grupos humanos e da procedência de um programa de paulatina subjugação mental das massas, melhor passei a entender a luta ancestral, quase mitológica, do Bem e do Mal, das forças existentes em a natureza humana propelindo para um outro comportamento. 
Observava, desde há algum tempo, a conduta de pessoas dedicadas ao Espiritualismo, que se apresentavam portadores de idéias materialistas-utilitaristas, sempre usando a verruma, a acidez e a zombaria contra os seus confrades, por pensarem de forma diferente e não se lhes submeterem à presunção, aos caprichos, ao comando mental. Pugnando sempre contra, e atacando, descobrem erros em tudo e todos, apresentando-se com desfaçatez como defensores do que chamam a Verdade, somente eles possuindo visão e interpretação correta do pensamento que vitalizam e divulgam. E claro que sempre os houve em todas as épocas da Humanidade, porém agora são mais audaciosos. 
Indaguei-me, naquele momento, se não estariam a soldo psíquico de tais manipuladores de obsessões ou se não seriam alguns membros desses grupos ora reencarnados? Sem qualquer censura a esses indivíduos, alguns certamente sinceros na forma de se conduzirem, inquiri-me: por que não concediam o direito aos demais de serem conforme lhes aprouvesse, enquanto eles seguiriam na sua maneira especial de entendimento?  Há, sem dúvida, muitas complexidades no processo da evolução, que se vão delineando e explicando lentamente, à medida que os Espíritos galgam degraus mais elevados. Por isso mesmo, as revelações se fazem gradativamente, dando, cada uma, tempo para que a anterior seja digerida pelas mentes e aplicadas nos grupos sociais. A Sabedoria Divina jamais deixou a criatura sem os promotores do progresso, que vêm arrancando o ser da ignorância para o conhecimento. 
Essas reflexões levaram-me a uma melhor compreensão do próximo, ensejando-me simpatia e amor pelos companheiros da retaguarda, encarnados ou não, e maior respeito pelos nobres Guias da Humanidade, sempre pacientes e otimistas, incansáveis na tarefa que abraçam como educadores amoráveis que são. Tem sido sempre crescente o meu afeto a Allan Kardec, por ele haver facultado à mediunidade esclarecida elucidar o comportamento humano e permitir a penetração do entendimento no mundo espiritual. Graças ao Espiritismo, novos descortinos e constantes informações ajudam o ser humano a compreender a finalidade da sua existência na Terra, as metas que lhe cumpre alcançar através de contínuos testes e desafios. 
Olhando a multidão ainda em movimento pelas ruas por onde transitávamos na grande cidade, um sentimento de ternura e compaixão amorosa assomou-me, levando-me às lágrimas. 
Percebendo-me a emoção silenciosa, o Dr. Carneiro de Campos enlaçou-me o ombro, e falou: 
– “Há muito por fazer em favor do nosso próximo, onde quer que se encontre. Aqueles que já despertamos para a compreensão da Vida, temos a tarefa de acordar os que se demoram adormecidos, sem lhes impor normas de conduta ou oferecer-lhes paisagens espirituais que ainda não podem penetrar. Se alguns pudessem conhecer a realidade que ora enfrentamos, enlouqueceriam de pavor, se suicidariam, tombariam na hebetação… O nosso dever induz-nos a ajudá-los a elevar-se, a pouco e pouco, identificando as finalidades existenciais e passando a vivê-las melhor.” 
Fazendo uma pausa oportuna, continuou: – “Em nossa esfera de ação encontramos, a cada instante, irmãos equivocados, iludidos pelas reminiscências terrestres, defendendo os interesses malsãos dos familiares e afetos, preocupados com as querelas do corpo já diluído no túmulo, negando-se à realidade na qual se encontram. Agimos com eles pacientemente, amorosamente, confiando no tempo. Ora, em relação aos encarnados, a questão faz-se mais complexa, exigindo-nos maior quota de compreensão e de bondade. O anestésico da matéria, que bloqueia muitas percepções do Espírito, terá que ser vencido vagarosamente, evitando-se choques danosos ao equilíbrio mental e emocional dos indivíduos. “Assim, prossigamos confiantes, insistindo e perseverando, sem aguardar resultados imediatos, impossíveis de ser atingidos.” 
Chegamos, por fim, ao núcleo das atividades, onde outros deveres nos aguardavam.
Retirado do livro “Trilhas da Libertação”, psicografado por Divaldo Franco

 Carlos Eduardo Cennerelli

 
Publicado por: Espaco Espiritual | sexta-feira, 8 novembro 2013

Memórias de um Toxicômano

Memórias de um Toxicômano

Memórias de um Toxicômano

                   Memórias de um Toxicômano

Psicografado por Marcos Alberto Ferreia

Tiago é um típico adolescente brasileiro envolvido com o vício das drogas.Após seu desencarne, narra os mecanismos e facções criminosas que dominam o tráfico de drogas no astral e como os jovens encarnados podem ser aliciados, e o que acontece quando se arrepende e se busca uma saída, os desafios encontrados durante sua internação e desintoxicação e os malefícios das drogas, que transcendem o mundo das formas.

Memórias de um Toxicômano

Drogas – da ilusão à realidade

O caminho pelo qual deveríamos passar era muito difícil. Em alguns lugares, escorria água por uma encosta lateral que tornava bastante escorregadias as pedras da trilha. Tomávamos bastante cuidado e nos apoiávamos uns nos outros.
Muitas horas se passaram e tínhamos caminhado bem pouco. Estávamos todos cansados. O ar era de difícil respiração, a atmosfera pesada, a paisagem seca, muito seca.
Mesmo com a umidade do caminho, a paisagem se formava por esqueletos de árvores secas. No chão, em volta, apenas terra e muita poeira, liberada ao sabor do vento. As rajadas de vento, quase sempre repentinas e inesperadas, eram assustadoras.
Prosseguíamos, no entanto, certos de nosso objetivo e dispostos a realizá-lo.
Luzia seguia sempre à frente do grupo. Conhecia todo o local e por ali caminhava como se estivesse em nossa colônia. De vez em quando, um grupo de espíritos passava por nós. Ou não nos viam, ou nos viam e não davam qualquer importância ao nosso grupo. Passavam direto, sem nenhuma palavra, sem nenhum gesto que pudesse determinar que nos observavam.
De quando em quando, fazíamos uma pausa para que pudéssemos descansar. O caminhar pesado e a respiração difícil nos extenuavam a musculatura. Parávamos, tomávamos água e logo seguíamos em frente.
Apenas Luzia e os lanceiros que acompanhavam o nosso grupo pareciam não se cansar. Prosseguiam sempre, como se estivessem passeando.
Quando parávamos, os lanceiros se colocavam em posição de guarda em nosso redor, o que nos fazia crer que corríamos algum perigo ali. Luzia, por sua vez, abria alguns mapas e se punha a consultá-los. Media determinados pontos com uma espécie de régua.
Logo nos refazíamos e a excursão seguia rumo ao seu objetivo, para uma idêntica parada logo mais.
Por mais que caminhássemos, parecia que estávamos no mesmo lugar. A paisagem não mudava. Só o cansaço cada vez era maior.
Em determinado momento, chegamos ao alto de uma encosta bastante íngreme. Olhávamos para baixo, mas nada conseguíamos enxergar. Sequer tínhamos idéia da profundidade da topografia daquele local.
A cerração era bastante forte. Tratava-se de uma névoa bastante escura, aparentemente pesada, que não nos permitia enxergar além de cinco metros.
Paramos para descansar novamente. Os lanceiros se colocaram em posição de guarda e, desta vez, Luzia não abriu o mapa, mas apenas desceu a encosta, até onde não pudemos observar. Demorou algum tempo. Quando voltou, reuniu a todos e esclareceu que estávamos quase chegando.
A Colônia do Pó ficava logo depois da encosta. A partir de agora, a vigilância deveria ser redobrada. Deveríamos nos manter permanentemente em oração e sempre juntos.
Nosso grupo se formava de cinco pessoas. Todos estávamos com medo de voltar àquele local onde, por muito tempo, tínhamos nos detido por nossas próprias realizações.
Tereza era uma garota algo tímida e estava um pouco amedrontada com a situação. Aliás, todos estávamos. Ela pouco conversava, e só o fazia para indagar sobre o caminho e sobre o que faríamos quando chegássemos lá.
Márcio já era mais falante. Mostrava ser bastante ansioso, estava um pouco amedrontado e extravasava tudo conversando. Sempre tinha algo a contar que se relacionava com a dificuldade vivenciada no momento, tentando mostrar segurança. No entanto, o que parecia ser segurança, era fuga da realidade. Márcio demonstrava um medo exagerado do momento em que chegaríamos lá. Por mais de uma vez confessou não estar preparado para, de novo, enfrentar aquele local, onde tanto havia sofrido.
Jorge era mais comedido. Falava pouco, mas demonstrava uma segurança quase invejada pelos demais. Como ele era o veterano da turma, víamos nele o nosso futuro, o que nos trazia bastante confiança para continuarmos a batalha que havíamos iniciado.
Karina ainda trazia muitas dúvidas. Não se lembrava muito do tempo em que havia passado por lá. Tinha uma remota lembrança do sofrimento por que passara. Isso a incomodava. Dizia que não sabia muito bem o que iria encontrar lá, e isso lhe causava medo. Medo do desconhecido. Mesmo assim, ela era muito solidária, auxiliava a todos e se preocupava com todos.
Eu, como principiante, não tinha muito que conversar. Nada conhecia do caminho, mas sabia muito bem o que iríamos encontrar na Colônia do Pó. Durante muito tempo tinha-me feito prisioneiro do vício. Iniciara ainda na Terra. Não foram poucos os que tentaram me auxiliar, para que eu modificasse minha vida. Mas nada adiantou. Usando droga como ninguém, fiz da minha vida uma droga. Mas nada percebia. Sempre me achava o maior, o único que conhecia as belezas da vida e a felicidade. Para falar a verdade, eu chegava a sentir pena das pessoas que não usavam droga. Entendia que a vida delas era uma chatice e que nada aproveitavam. E eu não perdia tempo, sempre enfiado na droga, até que um dia meu coração não suportou mais. Era muita droga para aquela máquina já enfraquecida pelo abuso dos últimos anos.
O coração pifou, mas eu fiquei ali. Nem percebi que já não tinha mais um corpo. Também, isso não era importante. O importante era que eu estava sempre junto da turma, e consumindo droga. Para falar a verdade, era até melhor. Depois do meu desencarne, diminuiu muito aquele mal-estar do dia seguinte, único senão que a droga nos proporcionava.
A vida continuava, até que comecei a perceber que as coisas haviam se modificado em minha casa. Meu quarto havia sido desmontado, a decoração havia mudado. Todos os eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos que haviam sumido voltaram para os seus lugares. Até mesmo a aliança de minha mãe ficava dando sopa na pia do banheiro.
Era a minha vez. Com tudo tão fácil, tão à disposição, era só arrumar um comprador e partir para uma noite de arromba.
Mas havia algo mais que estava estranho em minha casa. Minha mãe limpava a casa, fazia o almoço sempre sorrindo e cantando. Já não era mais aquela mulher triste e assustada de tempos atrás. Quando meu pai chegou, tive certeza de que algo havia mudado. Longe daquele mau humor que eu conhecia, ele exibia um largo sorriso nos lábios e entrou em casa brincando com todos e convidou a família para jantar fora.
Meus irmãos estavam no sofá da sala, também aparentemente felizes. Era tudo alegria.
Achando tudo muito estranho, comecei a pensar no que poderia ter ocasionado aquela mudança tão radical em minha casa. Depois de muito pensar, cheguei à única conclusão possível para mim, naquele momento. Enfim, minha família havia me escutado. Descobriram, finalmente, as delícias de uma fileira de cocaína1 ou de uma tragada em um bom cigarro de maconha.2 Só podia ser isso, já que eles estavam tão felizes e cordatos.
Já que haviam entrado na minha, fui conversar com eles. E foi só aí que eu descobri que eles não me ouviam. Agiam como se eu nem estivesse ali.
Fui ficando desesperado e resolvi passar a mão em um aparelho de som para comprar um pouco de coca. Descobri, então, que algo mais estava estranho em minha casa. Por mais que me esforçasse, não conseguia sequer erguer o aparelho de som e fiquei desesperado e saí correndo.
Corri em direção aos meus amigos, já que tinha certeza de que ali a droga não me faltaria. A noite estava apenas começando. Ainda estava todo mundo “de cara”.3 Aguardavam a chegada da droga que um amigo da turma havia saído para buscar.
Tentei conversar com os amigos até que a droga chegasse e percebi que também eles não me ouviam.
Não sabia o que estava acontecendo, não conseguia equilibrar a mente. Como sempre, diante de um momento difícil, precisava desesperadamente de droga.
Já estava quase me debatendo pela falta da droga quando José chegou. Disse que sabia de um lugar onde todos poderiam me ouvir e onde nunca faltaria droga. Convidou-me para acompanhá-lo. Como eu não tinha nada a perder, ou pelo menos pensava assim, acompanhei-o.
Achei o caminho um pouco estranho, mas não demorou muito para que chegássemos à Colônia do Pó.
Num primeiro momento, mal pude observar onde me encontrava. Três mulheres bonitas vieram ao meu encontro e me ofereceram uma fileira de cocaína. Coloquei-me avidamente sobre ela e não parei de aspirar enquanto havia ali um grãozinho.
Agora estava melhor, estava senhor de mim. Naquele dia, tudo e todos haviam conspirado contra mim. Nem mesmo meus amigos de roda haviam me dado bola. Mas, pensava eu, quem usa droga nunca se aperta, sempre encontra uma porta aberta. E mais uma vez entreguei-me às drogas, com a certeza de que era a única coisa capaz de me trazer felicidade.
Foi uma noitada e tanto. Aliás, acho que emendamos várias noites e vários dias sem parar. Tudo era maravilhoso.
Eu não sabia de onde estava vindo tanta droga, mas o que importava isso? O importante é que eu havia encontrado novos amigos que me compreendiam e que sabiam viver, assim como eu. Mas, principalmente, era importante o fato de ter muita droga para ser consumida.
Até hoje, quando isso me vem à memória, não consigo mensurar quanto tempo nós ficamos assim. Poderiam ser dias, meses, anos… Eu perdi completamente a noção do tempo.
Nunca mais me lembrei de voltar para casa ou de reencontrar os meus velhos amigos. Depois daquilo ali, meus velhos amigos pareciam todos “caretas”.
Mas um dia José voltou. Aquele mesmo que me levara para ali e depois havia desaparecido. Disse-me que teria que pagar toda a droga que havia consumido e me apresentou uma conta astronômica. Jamais eu teria condições de pagar aquela conta, disse a ele.
Ele ainda me deu um prazo. Teria um mês para lhe pagar. Mas enquanto não tivesse pagado, não poderia consumir nem um só grama de pó.4 Só de pensar, comecei a ficar desesperado. Foi o pior mês da minha vida. Aliás, não sei se foi apenas um mês, já que para mim pareceram anos.
Eu já me encontrava no mundo espiritual há algum tempo e deveria saber que lá não existe moeda em circulação. No entanto, a necessidade da droga era tanta que eu não tinha condições de raciocinar e perceber a impossibilidade de cumprir o pagamento que me fora exigido. A idéia da droga era fixa em minha mente e não deixava espaço para mais nada.
Eu me debatia pelo chão, machucando-me todo. Monstros enormes corriam atrás de mim e eu corria feito um desesperado. Quando conseguia me livrar de um, outro me aparecia. Outras vezes, eu via uma fileira de cocaína sobre uma pedra. Corria para ela, mas quando estava prestes a alcançá-la, uma rajada de vento espalhava todo o pó. Eu ficava batendo minha mão pelo ar na esperança de recolher um pouco do pó espalhado pelo vento. Como não conseguia, me desesperava. Começava a rolar pelo chão, enfiava os dedos na terra, tentando cavar, não sei o quê, até que me feria todo. Minha roupa já era apenas retalhos que não chegavam sequer a cobrir as partes genitais. Quando a crise estava por se acalmar, um outro monstro tentava me pegar e saía eu correndo de novo.5
Foi assim durante todo o tempo. Nenhum minuto de sossego e, muito menos, de sono. A minha vida se tornou um pesadelo. E cada vez mais acreditava que a felicidade estava na droga.
Quando José voltou, eu estava um farrapo. Mal conseguia parar de pé para conversar com ele. Apresentou-me novamente a conta e eu disse que não tinha arrumado nada, que poderia arrumar, mas que precisava urgentemente de um pouco de cocaína.
Foi aí que ele me propôs um acordo. Eu trabalharia para ele e nunca me faltaria a cocaína de que eu necessitasse. E mais, ele me perdoaria a dívida anterior. Ao fazer a proposta, já tinha um papelote de cocaína na mão. Caso eu aceitasse, disse ele, já poderia consumi-lo ali mesmo. Mas fez questão de me dizer que exigia fidelidade no trabalho, que eu deveria cumprir as ordens à risca e manter-me sempre fiel à organização que ele representava. De outra forma, o acordo se acabaria e eu nunca mais veria um grama sequer de cocaína.
Nem titubeei. Aceitei a proposta sem pestanejar e sequer indaguei em que consistiria o meu trabalho. Não estava em condições de pensar em qualquer outra coisa que não fosse a droga, e pus-me a consumi-la avidamente.
Depois, acompanhei José e minha vida se modificou totalmente.

 

Publicado por: Espaco Espiritual | quarta-feira, 24 julho 2013

CHICO E O POVO

chico xavier

CHICO E O POVO

No dia 6 de marco de 1981, em plena campanha do Nobel da Paz, o repórter Fenelon Almeida, do  jornal O Povo, de Fortaleza, Ceará, veio a Uberaba e acompanhou Chico Xavier em dois dias, nas reuniões de sexta-feira e sábado, no Grupo Espírita da Prece. A reportagem retrata com impressionante fidelidade como era o final de semana do médium. Impossível que a deixemos esquecida nos arquivos do jornal cearense:

CARISMA QUE ATRAI MULTIDÕES

Normalmente, as atividades públicas de Chico Xavier são exercidas somente nos fins-de-semana. Nesses dois dias — sexta e sábado — ele se desdobra, num esforço físico incomum a pessoas de sua idade (71 anos). Disseram-me que esse intenso e estafante programa semanal é uma rotina a que ele vem se submetendo há muitos anos, com pequenas e eventuais alterações, quando impostas pelo seu já debilitado estado de saúde.

Ao meio dia daquela sexta-feira, já se notava uma pequena fila em frente do portão principal do Grupo Espírita da Prece — uma casa singela, mas espaçosa, para esse fim adaptada, situada na Avenida João XXIII, 1495, num bairro pobre de Uberaba, a poucos quarteirões da estação rodoviária. Viam-se, ali, algumas pessoas bem-vestidas, outras mal-trajadas, num só desejo: serem levadas à presença do médium Chico Xavier.

Duas horas mais tarde, aquele filete de gente já se havia transformado num caudal humano de centenas de homens e mulheres de procedência social diversa e oriundas de diferentes Estados da Federação Brasileira.

Na sua maioria, seguidores do Espiritismo. Mas havia também os que professavam outros credos religiosos. Ecumenicamente, todos se sentiam atraídos pelo carisma de que o médium de Pedro Leopoldo se reveste aos olhos do povo. Todos o admiram, nele acreditam e dele tudo esperam.

Essa, talvez, a razão por que ele faz questão de atender o número elevado de amigos que o procuram. De certo, fidelidade àquele princípio ditado por Emmanuel de que “um dos maiores pecados do mundo e diminuir a alegria dos outros.”

Mas nem todos os que ali se encontravam tiveram trânsito livre para transporem o portão e se aproximarem do Chico. O sinal verde abriu, mas somente para os 60 primeiros, por ordem de chegada. Os retardatários teriam de contentar-se com o deixar o seu nome, inscrevendo-se para a semana seguinte, ou abdicarem daquele desejo impossível para os que não tivessem condições de permanecer em Uberaba, à espera, durante mais sete dias. Muitos deles eram peregrinos que tinham vindo de longe — do Rio de Janeiro, de Manaus, de Mato Grosso ou de Teresina, no Piauí.

Passaram dias inteiros viajando, alimentando-se mal e dormindo pouco, e não seria assim diante do primeiro obstáculo que iriam desistir do desejado encontro com o médium. Ficariam, sim. Estavam resolvidos a esperar!

Rodeado de Povo

Atravessaram o portão apenas 60 postulantes ao cobiçado diálogo. Cada um deles podia falar pessoalmente com o médium, mas durante apenas dois minutos — tempo considerado absolutamente suficiente para cada um expor o seu problema e ouvir o conselho solicitado. O Chico já os esperava, sentado num dos bancos da espaçosa sala do centro espírita, onde era vista, também, uma grande mesa central rodeada de cadeiras.

A porta principal da sala dá para um pátio, metade do qual mais se assemelha a uma varanda coberta, onde também estavam colocados, à disposição do público, numerosos bancos de madeira. A outra metade do pátio fica ao ar livre, com alguns bancos esparsos distribuídos pela sua área, à sombra de árvores de pequeno porte e contornando os canteiros de flores que servem de ornamento àquele templo espírita.

Enquanto, no salão, se realizava a audiência pública do médium, no pátio, literalmente repleto, uma fila logo chamou a atenção do repórter. Dentro de muita ordem e num silêncio permanentemente vigiado, essa coluna humana se encaminhou lentamente para uma mesinha colocada num dos cantos da varanda, onde uma mulher de meia-idade colaborava com o andamento dos trabalhos, anotando, em fichas individuais, nome, idade, endereço e demais dados referentes à pessoa que desejava obter uma consulta médica, cuja terapêutica seria prescrita, horas mais tarde, por algum médico do Astral, por intermédio do próprio Chico Xavier em transe mediúnico.

Enquanto isso, na sala, Chico Xavier continuava a ouvir as solicitações dos que dele se acercavam, virando-se de um lado para outro, como num confessionário, dirigindo-se ora a um, ora a outro interessado, alternadamente, durante horas seguidas, sem deixar de dar atenção a todos. Quando era o caso, ele tomava apontamentos, a lápis, num bloco de papel que tinha à mão, apoiado numa prancheta.

Finda a audiência pública, ele se encaminhou para os cumprimentos a um grupo de amigos e a alguns convidados especiais, entre os quais se encontravam o Presidente da Academia Municipalista de Letras, de Minas Gerais, o Bispo D. Fernando Pugliesi, da Igreja Católica Brasileira, alguns membros da caravana cearense, como Ary Leite, Edynardo Weine e o repórter de O Povo. Ali havíamos ingressado desde as primeiras horas da tarde, em caráter excepcional, pois somente às 18 horas o portão é aberto ao público em geral. Essa primazia nos foi concedida — a eles porque são dirigentes espíritas, e a mim como simples repórter de um grande jornal.

Chico Xavier está cego de um olho e com apenas 20 por cento da outra vista. Mesmo assim, ainda lhe sobrava perspicácia para reconhecer, num relance, pessoas que com ele voltassem a encontrar-se, como foi o caso com os cearenses Ary e Edynardo e com o Presidente da Academia Mineira, que o não via há mais de 20 anos.

Roteiro Espiritual

Pouco antes das 18 horas, Chico Xavier sentou-se à cabeceira da mesa, para presidir a abertura da sessão evangélica do Grupo Espírita da Prece. Ele próprio selecionou dois trechos dos livros sacros do culto espírita — O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos — obras consideradas basilares da Doutrina Espírita. Escolheu-os para serem lidos e servirem de base às prédicas que seriam proferidas, na ausência do médium, pelos componentes da mesa. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ele escolheu o capitulo 5°, que trata das Bem-Aventuranças, isto é, do chamado Sermão do Monte, proferido por Jesus, o Nazareno, e cuja reprodução textual foi deixada para a posteridade pelo evangelista Mateus, sem dúvida o maior repórter de todos os tempos. Em O Livro dos Espíritos, o trecho escolhido foi o capítulo l do Livro Quarto, que trata da felicidade e infelicidade (relativas) do homem aqui, na Terra.

Deixada essa pauta, traçado esse roteiro, Chico Xavier afastou-se da mesa e recolheu-se a um pequeno compartimento situado no fundo do salão principal — a chamada Tenda do Receituário. Ali ele deveria permanecer durante muitas horas seguidas. Acompanharam-no o Sr. Weaker Batista e D. Zilda, dois auxiliares prestimosos do médium, um casal que vem dedicando grande e desinteressada ajuda aos trabalhos públicos do Chico há vários anos.

Enquanto durou a ausência do médium, outros membros do Grupo Espírita da Prece assumiram a direção dos trabalhos, que decorreram normais. A mesa me pareceu um tanto eclética, pois nem todos os que a formavam eram iniciados na Doutrina Espírita. Além de profitentes espíritas residentes em Uberaba e de alguns visitantes de outras cidades, entre os quais incluo os dois já citados representantes da caravana cearense, anotamos, ainda, a presença do Bispo Pugliesi e da jornalista Marlene Rossi Severino Nobre, de São Paulo, esposa do também jornalista e político cearense, deputado José de Freitas Nobre, representante do povo paulista e atuante líder do PMDB no Congresso Nacional. Marlene e Freitas Nobre, diretores da Folha Espírita, jornal mensário editado em São Paulo e com circulação em todo o País, são amigos fraternos de Chico Xavier.

Todos os componentes da mesa, inclusive o Bispo visitante, fizeram uso da palavra no decorrer da sessão. Teceram considerações sobre aqueles temas de moral e de filosofia religiosas deixados pelo Chico, com o principal objetivo, conforme vim a saber mais tarde, de manter-se “um elevado padrão vibratório no ambiente e contribuir, fluidicamente, para maior êxito dos trabalhos” daquela noite.

Nessa hora precisa, outra fila começou a formar-se, no pátio, dirigindo-se, menos lenta que a primeira, a uma outra saleta conjugada à grande sala de reuniões públicas. Ali, um ou mais médiuns menores, em estado de concentração psíquica, ministravam a cada pessoa “passes fluídicos”, magnéticos, com a aposição das duas mãos espalmadas sobre a cabeça dos interessados.

 Medicina no Astral        

Enquanto no salão se desenvolvia a sessão evangélica, no quarto do receituário, ao qual ninguém poderia ter acesso, a não ser o casal que com ele permanecia naquele momento, servindo-o, Chico Xavier continuava em transe mediúnico, dando atendimento ao grande volume de pedidos de receitas médicas. Naquela noite, esse número ultrapassou em muito a casa de uma centena.

Tive satisfeita a minha curiosidade de ver algumas dessas receitas da Medicina astralina. Estavam assinadas por nomes para mim desconhecidos, todos médicos da Espiritualidade, dentro os quais se sobressaía, pela constância no atendimento a um número maior de consulentes, o Dr. Bezerra de Menezes —Adolfo B. de Menezes — médico cearense que viveu na capital do Império, onde se notabilizou por seus gestos de amor aos mais necessitados, cognominado, por isso, o Médico dos Pobres. Bezerra de Menezes tornou-se também um estudioso impenitente do Espiritismo Científico e um diligente praticante e divulgador da Doutrina Espírita, cujos destinos, no Brasil, por mais de uma vez, estiveram sob a sua direção, sendo ele, hoje, comumente chamado o Kardec Brasileiro.

O receituário mediúnico é psicografado na metade inferior da ficha em que foram anotados nome, idade e endereço do consulente. O Chico, geralmente, escreve a prescrição médica no anverso e no verso da parte inferior, deixando a parte superior somente com os dados indicativos da identidade e o endereço residencial do consulente. É uma precaução conscientemente deliberada, para, uma vez concluída a receita, dividir-se o papel ao meio, transformando-o em duas fichas, a primeira, indicadora dos elementos de identificação do paciente e, a parte restante, da receita propriamente dita. Feito isso, elas são grampeadas uma à outra, antes de serem entregues aos seus destinatários.

O receituário é predominantemente homeopático. Havia, porém, alguns casos de Medicina mista, de indicação complementar de algum medicamento alopático. Além da prescrição medicamentosa, há, quase sempre, uma mensagem de fortalecimento moral ou de orientação espiritual dirigida ao doente. Àqueles cuja saúde física não inspira cuidados especiais, ou, ao contrário disso, àqueles que estão em situação muito grave (os chamados “casos perdidos”), não há indicação de qualquer remédio. Apenas algumas vitaminas são recomendadas ou um fortificante qualquer, mas sem esquecer um lembrete, uma simples frase, como esta por mim observada e que pode perfeitamente servir de “tranquilizante”, de advertência ou simples encorajamento: “Dentro de todos os recursos ao nosso alcance, buscaremos cooperar espiritualmente em vosso favor. Jesus nos abençoe”. Nada mais estava escrito ali.

Em intervalos regulares, as mensagens (receitas) recebidas por Chico Xavier são introduzidas numa abertura, ou melhor, numa fenda aberta na porta. Vão cair, no outro lado, depositadas numa espécie de escaninho, de onde são retiradas por uma pessoa incumbida de as levar aos interessados, que as recebem, no pátio da casa, à medida que são lidos em voz alta os nomes dos consulentes que obtiveram atendimento. Às vezes, ficam consultas sem resposta, sendo automaticamente transferidas para a próxima sessão, na semana seguinte. Naquela sexta-feira, 23 de janeiro de 1981, Chico Xavier permaneceu na Câmara do Receituário durante mais de seis horas seguidas — das 18 até depois das 24 horas.

Recados do Além

Concluído o receituário, Chico Xavier voltou ao salão e reassumiu o seu lugar à mesa. Já era 24 de janeiro de 1981. Cumpridos aqueles minutos ou segundos iniciais de concentração mental que precedem as manifestações medianímicas, ele começou a psicografar. Uma atmosfera de recolhimento e de fé religiosa envolvia a todos os presentes, cujo estado de espírito parecia mais acentuar-se em vibrações de pensamento positivo, quando passou a ser ouvida uma música em surdina, uma ária instrumental apropriada a momentos, como aquele, de profunda meditação.

A um lado do grande psicógrafo sentara-se o Sr. Weaker, incumbido de municiá-lo de papel e lápis, quando se fizessem necessários (dezenas de lápis e centenas de folhas tipo ofício, sem pauta, foram utilizadas naquela noite). Do outro lado, D. Zilda, encarregada de retirar as folhas, à medida que elas fossem sendo escritas.

Com a mão esquerda espalmada sobre os olhos já embaçados por uma cegueira quase total e a outra a segurar um lápis, o médium passava para o papel, em grafia fluente, num ritmo impressionantemente rápido, torrentes de pensamentos que lhe passavam pelo cérebro, mas que não eram seus: partiam de fontes para ele de certo não muito distantes, que nós, espectadores, sentíamos serem até facilmente sondáveis, mas só para ele, pois que, para nós outros, se perdiam no imponderável do lncognoscível. Eu não tive do que duvidar em Chico Xavier. Porque eu o vi a psicografar sem parar, durante quase três horas seguidas — de zero hora e trinta minutos até depois das três horas da madrugada do dia 24 de janeiro de 1981, enchendo folhas e mais folhas com mensagens mediúnicas. Por duas vezes, sem parar ou sequer diminuir o movimento automático de suas mãos, qual a fonte de uma máquina de saída IBM a deslizar vertiginosamente de um para o outro lado do papel, Chico Xavier chorou copiosamente. Eu vi as lágrimas que lhe desciam, ainda quentes, pela gola do paletó. Por considerar não me ser lícito nem talvez possível desvendar o mistério daquelas lágrimas, nada lhe perguntei sobre tal ocorrência, quando o entrevistei, na noite daquele dia.

Concluída a psicografia, desenhou-se uma expectativa geral no salão. Pronunciada a prece de encerramento da sessão, Chico Xavier imediatamente passou a examinar o volumoso material psicografado. Separou as páginas, mensagem após mensagem. A primeira — uma página doutrinária de Emmanuel — foi lida ao microfone do sistema de alto-falantes do Grupo Espírita da Prece. Seguiram-se sete outros bilhetes procedentes  do Além, enviados por pessoas que já deixaram o mundo terráqueo — que já desencarnaram, em termo de vocabulário espírita. Ao ser pronunciado o nome de um dos comunicantes, apareceram no seio da massa alguns familiares seus, um dos quais se foi colocar, de pé, à esquerda do Chico, enquanto este fazia a leitura, para ele, à meia-voz, do texto da mensagem recebida. Terminada a leitura, o original foi entregue aos familiares do morto, que resolverão, por livre julgamento, se divulgarão ou não o teor da carta que lhes foi confiada.

A leitura dos recados restantes prosseguiu até 4 e meia da manhã, quando o movimento no Grupo Espírita da Prece já estava sensivelmente reduzido.

Naquela tarde/noite/madrugada de 23/24 de janeiro de 1981, Chico Xavier realizou mais uma jornada pública de trabalho, empreendendo uma maratona de 15 horas consecutivas de ininterrupta atividade.

Outra trabalheira o esperava para a tarde/noite daquele novo dia.

Poetas Cearenses em Noite de Gala

Cidadão cearense.

Chico Xavier recebeu-nos na varanda de sua casa. Sentou-se ao nosso lado, sem a presença de seus auxiliares, colocando-se inteiramente à disposição de todos nós, num diálogo informal, descontraído. E cordial, porque, como começo de conversa, ele fez questão de ressaltar o seu interesse por tudo que é cearense. Disse que bem gostaria de vir ao Ceará com aquela caravana.

Ele sabe que é cearense honorário, título esse concedido há vários anos pela Assembleia Legislativa do Ceará, mas que ele ainda não veio receber. Garantiu que não haveria de desapontar-nos por mais tempo; que não vai continuar a cometer “a grosseria de privar-me, a mim próprio, de tão honrosa cidadania”. Prometeu vir à Fortaleza desincumbir-se dessa “obrigação”. Depende, apenas, de ele criar um pouco mais de coragem para enfrentar uma viagem aérea. Ele disse apenas meia-verdade, porque também sabíamos não ser dos melhores o seu atual estado de saúde, o que talvez mais o impossibilite de empreender viagens longas. Mas ele prometeu. E, quando o Chico promete — dizem os seus amigos —, não há força humana que o faça voltar atrás.

Confessou que gostaria de residir no Sudoeste do Ceará, em plena região flagelada pela seca, transportando água na cabeça, “junto com os meus irmãos sofredores”. Recordou que já fez muito disso, quando era garoto, em sua cidade natal de Pedro Leopoldo, indo apanhar latas d’água e trazê-las na cabeça, de longa distância. O repórter disse que, no Ceará, ele seria chamado “cabra da peste”. Chico respondeu, gracejando: “Então, eu sou a peste do cabra”.

Tarde de Autógrafos 

Aproveitando o clima fraternal que estávamos respirando, comecei, naquele instante, a entrevistar Chico Xavier. Sem deixar de responder a uma só de minhas perguntas, ele tratou de questões sociais e políticas realmente importantes, revelando uma outra dimensão deste que é candidato por várias nações ao Prêmio Nobel da Paz em 1981… 

lnterrompida em meio à entrevista, por força de exiguidade de tempo naquele horário, Chico prometeu dar-lhe continuidade à noite, no Grupo o Espírita da Prece. E passou a autografar livros, às dezenas, todas obras por ele psicografadas, que os caravaneiros traziam para si e para presentear amigos e parentes. Atendeu todos os pedidos e ainda fez questão de oferecer a cada um de nós um exemplar do livro de Emmanuel, Algo Mais*, em edição recente. Insistiu em escrever, em cada volume, fraterno oferecimento nominal. Disse que é preciso haver amor em toda oferenda que se faz.

Enquanto dava prosseguimento aos autógrafos, ele descreveu algumas de suas experiências com Emmanuel, incluindo comentários que pediu mantivéssemos em caráter confidencial.

Comentou a opinião que a Primeira Dama do Ceará, Sra. Luiza Távora, expendeu sobre sua pessoa, nas páginas do periódico cearense Manhã de Sol, o que, para ele, revelou a estatura espiritual de D. Luiza. Pediu-nos, então, entregar à Sra. Távora um exemplar autografado da obra de Emmanuel, Paulo e Estêvão**, como sinal de reconhecimento pelo muito que ela vem fazendo em defesa dos direitos dos favelados de Fortaleza.

Enquanto os caravaneiros recebiam livros, havia rápidos diálogos e eram feitas fotografias de lembrança. Os quatro motoristas dos ônibus da Expresso de Luxo receberam também seus exemplares autografados e posaram com Chico Xavier, numa foto que lhes será memorável.

Chico procurou manter-nos em sua companhia por mais tempo. Ofereceu-nos chocolates e pediu para que não nos afastássemos de imediato; que permanecêssemos em sua casa, circulando livremente, até o momento em que, todos juntos, retornássemos ao Grupo Espírita da Prece.

Casamento e Caridade 

Quando ali chegamos, o salão já estava repleto. A mesa, os componentes habituais e mais alguns convidados, incluindo-se membros da caravana. Mas, a rigor, conforme observação do Sr. Weaker, “num templo espírita todos fazem parte da mesa”.

A sessão teve início logo depois das 19 horas. Presidiu-a, como sempre, o próprio Francisco Cândido Xavier, tendo à sua direita o Sr. Weaker com o seu arsenal de lápis, e, à esquerda, D. Zilda com a sua prestimosidade. Foi o próprio Chico quem escolheu e anunciou os temas para reflexão. O Evangelho Segundo o Espiritismo*** foi aberto no capítulo XXII, que tem este título: “Não Separeis o Que Deus Juntou”. Trata-se da indissolubilidade do casamento e do divórcio. Chico Xavier recomendou o texto n° 3. Levando em conta tratar-se de um assunto de palpitante atualidade, aqui o transcrevo, no seu trecho principal: “Na união dos sexos, ao par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei do amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir”.

De O Livro dos Espíritos**** foi extraído o segundo tema. Da Parte Terceira, capitulo XI, a pergunta 886, que indaga sobre “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?”. Esta a resposta, cujo texto foi levado em consideração pelos que estavam presentes à reunião: “Benevolência para todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.

Tomados tais preparativos, foi feita a prece de abertura dos trabalhos e começou a preleção acerca dos temas indicados, a cargo de uma jovem profitente espírita pertencente à melhor sociedade de Uberaba.

Nesse instante exato, Chico Xavier começou a psicografar…

Cerca de meia hora depois, em dado momento, a expositora do tema bíblico comoveu-se e chorou. Vimos quando ela parou de falar, a voz embargada pela emoção. Depois, pediu desculpas e continuou. Mais tarde, corriam pelo salão insistentes rumores de que, no momento exato em que a moça foi vítima daquela inesperada crise sentimental, Chico Xavier estava grafando uma mensagem a ela dirigida.

Terminada a preleção, todos permaneceram em seus lugares, num silêncio total, enquanto o médium continuava a psicografar. Havia música ambiente.

Concluída a psicografia, a música também parou. Fez-se a prece de encerramento, passando-se, em seguida, à leitura das mensagens recebidas.

Poetas Cearenses

Inicialmente, foi solicitado à jornalista Marlene Nobre, que também é médium e estava à mesa, que lesse a mensagem por ela recebida — fato que aconteceu no decorrer da sessão, simultaneamente com o trabalho psicográfico de Chico Xavier. Era uma página de André Luiz*****, pseudônimo que oculta o verdadeiro nome de um médico brasileiro que viveu no fim do século passado/começo do presente, autor de numerosos livros psicografados por Chico Xavier e pelo médium, também médico, Waldo Vieira.

A seguir, Chico Xavier passou à leitura da primeira mensagem por ele recebida, assinada por Alzira, endereçada a companheiras espíritas que tratam de obras sociais voltadas para a criança. Diz a missivista que a sua maior preocupação é por ter constatado, nas causas dedicadas à criança, haver frequentemente a ausência de Deus.

A segunda mensagem foi de uma criança, dirigida do outro lado da vida aos seus familiares aqui, na Terra, alguns dos quais, por sinal, se encontravam à mesa, naquele instante.

Por fim, Chico Xavier passou a ler numerosas produções literárias, quadras poéticas, trovas, a primeira das quais subscrita por Lívio Barreto. A simples anunciação do nome do poeta fez-me crescer a curiosidade de jornalista e despertou-me interesse, o que é normal a todo bom cearense que ouve falar de sua terra ou de algum filho ilustre que soube amá-la e enobrecê-la, como o fez Lívio Barreto. Ouvidos apurados, não perdi um verso sequer das trovas que, sob o título geral Laços e Enlaces, foram lidas por Chico Xavier. Uma galeria importante! Tomem nota: Lívio Barreto, Quintino Cunha, Gil Amora, Joaquim Magalhães, Irmão do Mestre Telles, Jovino Guedes, Álvaro Martins, José Carvalho, Carlos Gondim, Ulysses Bezerra, Hugolino Costa, Lopes Sá, Juvenal Galeno, Leonardo Motta, Sinfrônio Pedro Martins.

Joias Literárias

Como não podia deixar de acontecer, as trovas foram recebidas com entusiasmo pelos membros da caravana cearense e pelo público em geral. Havia um bom-humor generalizado por toda a sala.

Quando terminou a leitura, Chico Xavier acrescentou: “O Dr. Bezerra está dizendo que todos são cearenses”.

Alguém comentou em voz alta: “A festa dos cearenses foi completa, pois se realizou nos dois planos da vida”.

Seguiram-se comentários do Chico e esclarecimentos, prestados por Ary Leite, Edynardo Weine e este repórter, a respeito de alguns dos poetas manifestantes. Chico Xavier perguntou o que é a Praça do Ferreira, à qual se refere Carlos Gondim…

Na ocasião seguinte, ele pediu permissão para retirar-se ao quarto vizinho, onde iria passar a limpo o texto completo das páginas dos poetas cearenses. Regressou, minutos depois, trazendo, em folhas manuscritas, com a sua própria letra, as 15 joias literárias que só os céticos irão negar a autenticidade de sua verdadeira autoria. Chico entregou-as ao repórter de O Povo, com a seguinte recomendação: “Estão aí. Faça uma revisão bem feita e publique-as no seu jornal”.

Ainda sob os efeitos de tantas e tão agradáveis emoções, os caravaneiros cearenses, em número de quarenta, decidem retirar-se, a fim de empreenderem a grande viagem de volta. Chico Xavier permaneceu de pé, recebendo os cumprimentos de despedida de cada um.

Quando se afastou o último, ele voltou-se para o repórter e disse: “Agora vamos à nossa entrevista inacabada”. E concluiu-a, sob vistas e ouvidos atentos dos restantes componentes da mesa e de uma legião de amigos que dele se acercavam naquele momento.

Quando os ônibus a serviço da Vematur, estacionados defronte ao prédio humilde do Grupo Espírita da Prece, partiram de regresso a Fortaleza, eram 22 horas e 38 minutos. Chico Xavier teria ainda pela frente longas horas de trabalho missionário, de atendimento fraterno a dezenas de brasileiros, procedentes de todos os quadrantes do País, que ali aguardavam a sua vez de também abraçá-lo e poder falar com ele.

Foi assim que eu vi o maior médium psicógrafo de nossos tempos — Francisco Cândido Xavier, campeão da humildade e um portento de amor aos que dele se aproximam.”

A seguir, o texto do jornalista Fenelon Almeida, apresentando as trovas dos poetas cearenses que, na oportunidade, escreveram por Chico Xavier.

“Estas, as trovas recebidas pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas Gerais, na noite de 24 de janeiro de 1981, realizada com a presença da reportagem de O Povo e da caravana cearense, em visita a Chico Xavier e à cidade de Uberaba, procedentes de Fortaleza, a 3.339 quilômetros de distância, numa viagem realizada por terra, em ônibus especiais, sob a organização do periódico Manhã de Sol, da imprensa espírita brasileira, editado na capital cearense.”

Laços e Enlaces 

Por mais que a dor amordace

Quem ama e vive a sofrer,

No enlace ou fora do enlace,

Ama sempre até morrer.

Lívio Barreto

Conceito claro e profundo

Que se eleva sem se impor: 

A casa é feita no mundo

E o lar é feito no amor.

Quintino Cunha 

Duas almas, quando unidas,

Mesmo entre rudes labéus,

Vencem milênios e vidas,

Seja na Terra ou nos Céus.

Gil Amora

O espírito escolhe o corpo

Que o servirá no porvir,

Somente quando merece

Certa missão a cumprir.

Joaquim Magalhães

O obsessor na mulher

Que o guarda, mimado e aceito,

Nasce dela como quer

E vive de qualquer jeito.

Irmão do Mestre Telles

O amor em duas pessoas

De tal forma se condensa,

Que, enquanto uma delas fala,

Reflete o que a outra pensa.

Jovino Guedes

Na afeição — mistério vivo —,

Vejo as fotos como são…

O namoro é o negativo,

Enlace é a revelação.

Álvaro Martins

Muito amor que se conquista

Lembra o rifão justo e raro:

— “Quem a paca cara compra

Pagará a paca caro”.

José Carvalho

Lá na Praça do Ferreira

Vejo muitos laços loucos,

Muito amor na choradeira,

Casamentos, muito poucos.

Carlos Gomlim 

Se amor é luz infinita

Ninguém me indague ou confunda.

Deixo esta nota esquisita

Ao nobre Joaquim Catunda.

Ulysses Bezerra

Não entendo as novas tranças…

Matrimônio regredindo

E, em matéria de crianças,

O número vai subindo…

Hugolino Costa

Casamento, belo encanto,

Lembra um livro, amigos meus.

A família é o texto santo

E o índice está com Deus.

Lopes Sá

Regressando a novo corpo,

E usando amor e juízo,

Desejo casar, na Terra,

Quantas vezes for preciso.

Juvenal Galeno

Com todos os meus pertences

Trago, contente e janota,

Aos meus irmãos cearenses

Grande abraço do Leota.

Leonardo Motta

Mesmo ante a grita do povo,

Haja seca onde se vá,

Eu quero nascer de novo

Na Terra do Ceará.

Sinfrônio Pedro Martins

Livro:  100 Anos de Chico Xavier – Fenômeno Humano e Mediúnico

Publicado por: Espaco Espiritual | quinta-feira, 13 junho 2013

Minha vida após a morte como o faraó Tutankhamon

faraó TutankhamonMinha vida após a morte como o faraó Tutankhamon

 Tem crescido consideravelmente em todo o mundo o número de comunidades que se associam para a prática daquilo que chamam de ritual xamânico. Assim como o cristianismo através de suas generalizações apressadas criou a simpatia popular pelos pobres, desgraçados e miseráveis os rituais xamânicos cativam os alienados do sistema maniqueísta que usa e abusa da dualidade em sua forma mais perversa. As pessoas foram domesticadas para achar que tudo que envolva a natureza é bom. Como estes rituais envolvem a natureza ganham a simpatia irrestrita e incondicional de todo ser humano, que necessariamente não precisa ser pensante. O dualismo que impregna, castiga e escraviza a humanidade não tem pudor de se aproveitar das mentes incapazes de ponderar e dos que acham que algo é bom só porque envolve a natureza. Do lado de lá, no plano espiritual, os responsáveis pela manutenção e propagação dos rituais xamânicos também não.

Os que vivem rasgando seda para tais cerimônias só porque envolvem a natureza não têm idéia do que está por trás disto tudo. Não sabem de fato quem são, como pensam, sentem, agem, o que pretendem e o que escondem os mentores espirituais que sustentam tal egrégora. Os espíritos que guiam os rituais xamânicos carregam grandes podres e receiam que os seus seguidores venham a conhecer esta verdade. A verdade de que eles, os xamãs do plano espiritual, são espíritos rudimentares, grosseiros, longe e ignorantes da Verdade universal e movidos por paixões e Egos vergonhosos. Assim como o conhecimento liberta, a ignorância escraviza e os xamãs mantém seus seguidores na ignorância com o intuito de manter seu rebanho. É preciso que os frequentadores destes rituais saibam com quem estão lidando, que saibam plenamente quem são estes guias.

Há algum tempo participei de um ritual xamânico e tive uma experiência interessante. Cheguei ao local do ritual com um grupo de amigos, participei de toda a ritualística necessária, estava aproveitando a experiência e em um instante tudo mudou. Passei a ser espiritualmente violentamente agredido por espíritos indígenas que estavam presentes no ritual em seu plano espiritual. Comentei com os participantes e um destes confirmou que também viu ali um espírito indígena enfurecido comigo. Havia um xamã do plano espiritual, um dos guias daquele grupo, que estava enfurecido com a minha presença ali. Como era uma cerimônia, a priori, com o intuito de ajudar surgiu o questionamento sobre o que estava acontecendo comigo, já que se aquelas entidades indígenas ali se colocavam para ajudar não deveriam me fazer mal. Tratei de buscar a resposta para aquela experiência e ela veio depois através de uma regressão a vidas passadas, que faço com um amigo.

Ao iniciar a regressão, antes de ser encaminhado para o trabalho que seria conduzido pelos espíritos egípcios, vi a imagem do busto de uma rainha egípcia com uma coroa de cor vinho com uma cruz ansada em cor amarela. Ela tinha o crânio alongado e a coroa o cobria, como sempre foi com aquele seres. Ela era minha mãe e de imediato ficou claro que aquela regressão dizia respeito à minha vida como o faraó Tutankhamon, sendo que aquela mulher era Nefertiti. A partir do momento em que a regressão passou a ser conduzida pelos egípcios fui levado à uma câmara subterrânea, quadrangular nos mesmos padrões dos templos das ordens iniciáticas, inclusive adentrei o recinto pela região sudoeste. A estrutura do local era toda de blocos cúbicos grandes e dourados com cerca de 3m de lado e encaixados milimetricamente. No centro havia uma pedra quadrangular ritualística, um altar, com cerca de 1,30m de altura e comprida a ponto de ser possível que alguém ali deitasse.

Chegando nesta câmara fui recebido por minha mãe, que estava sentada ao leste em um trono. O local estava vazio e em silêncio religioso. Era um lugar secreto, reservado e guardado e o que ocorria ali não era para os outros. Deitei-me na pedra ao centro e então começou o trabalho efetivo dos egípcios comigo naquela noite. Fiquei com a cabeça na direção de onde minha mãe estava. Dois egípcios vieram até mim pelo sudoeste e um deles começou a retirar com um tipo de colher os meus órgãos internos através da cavidade abdominal. Eu via meus ossos, minhas costelas e o via retirando meus órgãos sistematicamente. Naquilo que eles faziam havia muito respeito e devoção. Raspavam as partes internas do meu corpo para retirar fluídos e outros. Eu estava revivendo o processo de mumificação que recebi como Tutankhamon. Minha mãe veio por trás de mim e colocou a máscara mortuária em minha cabeça. Esta era a parte que lhe foi incubida no processo e assim ela o fez.

Revivendo na regressão o processo de mumificação alumiou-se como os egípcios viam a morte. Sua consciência da vida após a morte era tão desperta e segura que eles sequer lamentavam a passagem para o outro mundo. Eles não só tinham a certeza de que havia vida após a morte como sabiam exatamente o que fariam nesta vida. Por mais que soubessem que a morte era apenas uma passagem não a menosprezavam. Havia respeito e devoção ao ritual fúnebre, mas nada de drama, lamentos e choro como fazem os humanos. Muitos dizem saber tudo sobre o plano espiritual, mas basta morrer um ente querido que perdem o chão, sinal de que não vivem exatamente o que dizem. Os egípcios respeitam o próprio Deus criador na morte. Era na devoção ao ritual fúnebre e no silêncio que eles demonstravam seu respeito ao modo como Deus resolveu fazer as coisas acontecerem; mesmo sabendo que tudo continuava, tanto no plano material como no espiritual.

Após os egípcios finalizarem o processo de mumificação vi o caixão de Tutankhamon dentro de outro templo, quadrangular também, ao centro e em cima de uma piscina artificial. Por um momento um buraco abriu mecanicamente no teto e uma luz adentrou o recinto iluminando o caixão. Estava dentro de uma pirâmide cuja ponta abriu para entrar esta luz. Em outra visão, de fora da pirâmide, vi ondas de luz coloridas e circulares vindo dos céus para dentro da pirâmide. Estas luzes vinham de uma grande nave dos que ficaram fora da Terra. Depois, meu amigo que conduzia a regressão falou que o caixão estava indo por um rio e que eu deveria descrever o que via, ele estava vendo o que eu via. O caixão seguiu por um rio subterrâneo e foi sendo levado até certo ponto até bater na entrada de uma caverna, onde parou. A partir dali vi minha alma saindo do corpo de dentro do caixão e ingressando de vez no plano espiritual para a continuidade da minha existência.

Chegando ao plano espiritual me vi novamente como faraó, já carregando uma cruz ansada na mão e ficou muito claro aquilo que rege todo o universo na correspondência entre o plano material e o espiritual. “Faraó aqui, faraó lá”. O que cada um é em essência no plano material é e será no plano espiritual e vice-versa. “O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima”, como diz o hermetismo. Isto está associado também à vida após a morte. Infelizmente a afirmação “Faraó aqui, faraó lá” não será compreendida. O planeta Terra não está do jeito que está por estar lotado de gênios e sábios. Asnos e mulas para dizerem: “Ai, mas você não é faraó nesta vida” não faltarão. As pessoas investem tanto para poder dizer quantos quilos perderam, mas não se preocupam em poder dizer quantos neurônios despertaram. Não há anúncios: “Eu, antes, um asno x Eu, agora, ao menos um sapiens sapiens”.

Deixando a minha vida como Tutankhamon passei imediatamente para o plano espiritual para ali também ser um faraó e isso explica porque os espíritos egípcios sempre deixaram claro que eu não deveria me ater demais à minha vida como Tutankhamon, pois, segundo eles, a minha vida depois foi muito mais importante. E foi. Importa ressaltar que quando eles dizem ser mais importante isto diz respeito não à minha individualidade, mas ao meu papel junto aqueles seres, ao propósito da raça reptiliana. No que tange aos humanos, que por serem da mesma raça deveriam se unir para o bem comum, se para um deles acontece algo grandioso os outros são dominados por grande raiva e ódio, pois o que aconteceu não foi com eles. Já para os espíritos evoluídos não; a noção de que o que é bom para um é bom para o outro é clara e todos sabem da sua função. Isto é algo que a humanidade ainda vai demorar eras para compreender.

Chegando no plano espiritual fui imediatamente confrontado por um espírito de um xamã, chefe das entidades indígenas da Terra tanto no plano espiritual como no material. O xamã me atacava buscando defender território, aquilo que ele achava que era seu, o planeta Terra. É certo que os humanos foram ao longo do tempo sendo modificados geneticamente por seres extraterrestres para que chegassem ao que são hoje e aqueles que mais próximos podem ser identificados como os humanos naturais, sem intervenção genética de extraterrestres, são os índios. Muitas civilizações e culturas humanas surgiram e desapareceram, mas os índios, naquilo que possuem de mais autêntico, a sua conexão com Gaia, ainda continuam. O xamanismo é a verdadeira religião de Gaia, eis que são os autênticos terráqueos comungando com a própria Terra. Isto do Antigo Egito e seus deuses, nada é daqui.

Os antigos egípcios que fundaram o Antigo Egito eram Reptilianos. Extraterrestres que quando chegaram à Terra encontraram um planeta que até então parecia ser de ninguém, já que ninguém havia reivindicado o planeta. Apesar disso, de não existir uma estrutura social e política expressa e definida, no plano espiritual os xamãs se achavam donos da Terra. Quando os Reptilianos chegaram as entidades xamânicas sentiram-se ameaçadas e trataram de confrontar aqueles que eram de fora. Esta batalha aconteceu literalmente no plano espiritual e no plano material teve reflexos, embora não tenha havido demonstração literal aparente deste conflito. O embate foi no plano espiritual entre os representantes dos dois lados e assim tanto muitos reptilianos quanto muitos índios não sabem que isto aconteceu. Houve disputa entre Reptilianos e xamãs pelo reino da Terra e isto os xamãs escondem de seus seguidores.

Os Reptilianos vieram à Terra assim como foram a vários outros planetas em todo o universo. O universo está para ser explorado, foi criado por Deus e Deus colocou à disposição de toda a sua criação, para todos os que tiverem desenvolvimento para conquistar. Os xamãs consideravam-se donos da Terra quando na verdade tudo é de Deus. Viam Gaia como uma grande mãe, que lhes supria e a quem eles amavam e achavam que nós, os Reptilianos, por sermos de fora não iríamos amar a Terra como eles amavam. O que é uma percepção compreensível, mas que não anula a grosseria vibratória da tentativa de expulsar quem de fora veio e que não lhes fizera mal algum. A agressão que eu sofri espiritualmente no ritual xamânico foi a mesma que eu sofri quando cheguei à Terra como reptiliano e foi a pior possível. A agressão gratuita, sem causa, sem motivo, da ignorância que ataca sem sentido. O mal sem causa é o pior dos males. Os frequentadores dos rituais xamânicos não sabem que seus guias espirituais atacam outros seres desta forma.

Como faraó Tutankhamon morri cedo e tudo foi feito às pressas, pois eu era aguardado urgentemente no plano espiritual. Para o propósito dos Reptilianos, eu, naquele momento, era mais importante do lado de lá do que do lado de cá. Eu era mais necessário no plano espiritual do que no plano material. O plano material é apenas um torto reflexo do plano espiritual, por isso os Reptilianos agem mais lá do que aqui. Apenas os patéticos humanos idolatram mais a matéria do que o espírito, por isso nunca serão qualquer coisa. A morte prematura de Tutankhamon foi um deslocamento urgente de função. Justamente por isso que os espíritos do Antigo Egito diziam que a vida de Tutankhamon logo após a morte foi mais importante, pois servi a um propósito maior. A única resistência de Gaia frente à chegada dos Reptilianos era a espiritual através dos xamãs e eu representei os Reptilianos nesta batalha.

Existe o princípio da territorialidade no plano espiritual. Os espíritos dominam territórios e assim tratam de defendê-los conforme entendem necessário. Os xamãs queriam apenas a Terra, enquanto nós queremos todo o universo. O que houve entre as entidades indígenas e eu foi um choque de autoridade; o xamã pelos povos indígenas, os humanos, e eu pelos Reptilianos. A guerra no plano espiritual corresponde à guerra no plano material e também ao jogo de xadrez. Não é preciso eliminar todos os peões, basta dar xeque-mate ao Rei que a partida está ganha. Nas guerras no plano espiritual acontece o mesmo. Atuando o líder da egrégora de cada lado basta que ambos se enfrentem, não sendo necessário que outros de hierarquias inferiores ingressem no confronto. Foi o que aconteceu comigo e o xamã no plano espiritual após a minha morte como o faraó Tutankhamon.

Todo grupo espiritual tem suas limitações e peca justamente por ser um grupo. Onde houver um grupo haverá separação, entre os que fazem parte do grupo e os que não fazem, e onde há separação há dor. Após este contato direto com as entidades indígenas, como um reptiliano, ainda haveria de encontrá-las em minhas próximas encarnações na Terra, principalmente em minha última vida quando fui um militar na Conquista do Oeste no século XIX. Os rituais xamânicos são para quem tem afinidade com Gaia e ninguém pode pensar que os guias espirituais que cuidam destes grupos são santos a ponto de perdoar aquilo que eles veem como erro. Eles me agrediram mais de uma vez porque me acharam uma ameaça ao que achavam que era deles, o planeta Terra. Por fim, as informações aqui presentes podem ser confirmadas diretamente com os espíritos do Antigo Egito e as entidades xamânicas. Quem tiver contato basta ir atrás e comprovar por si só.

(LAMDEL)

 

Publicado por: Espaco Espiritual | quinta-feira, 30 maio 2013

Casamento e Família

casamento

Casamento e Família

Diante das contestações que se avolumam, na atualidade, pregando a reforma dos hábitos e costumes, surgem os demolidores de mitos e de Instituições, assinalando a necessidade de uma nova ordem que parece assentar as suas bases na anarquia.A onda cresce e o tresvario domina, avassalador, ameaçando os mais nobres patrimônios da cultura, da ética e da civilização, conquistados sob ônus pesados, no largo processo histórico da evolução do homem.

Os aficionados de revolução destruidora afirmam que os valores ora considerados, são falsos, quando não falidos, e que os mesmos vêm comprimindo o indivíduo, a sociedade e as massas, que permanecem jungidos ao servilismo e à hipocrisia, gerando fenômenos alucinatórios e mantendo, na miséria de vários matizes, grande parte da humanidade.

Entre as Instituições que, para eles, se apresentam ultrapassadas, destacam o matrimônio e a família, propondo a promiscuidade sexual, que disfarçam com o nome de “amor livre”, e a independência do jovem, imaturo e inconseqüente, sob a justificativa de liberdade pessoal, que não pode nem deve ser asfixiada sob os impositivos da ordem, da disciplina, da educação…

Excedendo-se, na arbitrariedade das propostas ideológicas ainda não confirmadas pela experiência social nem pela convivência na comunidade, afirmam que a criança e o jovem não são dependentes quanto parecem, podendo defender-se e realizar-se, sem a necessidade da estrutura familiar, o que libera os pais negligentes de manterem os vínculos conjugais, separando-se tão logo enfrentam insatisfações e desajustes, sem que se preocupem com a prole.

Não é necessário que analisemos os problemas existenciais destes dias, nem que façamos uma avaliação dos comportamentos alienados, que parecem resultar da insatisfação, da rebeldia e do desequilíbrio, que grassam em larga escala.

A monogamia é conquista de alto valor moral da criatura humana, que se dignifica pelo amor e respeito ao ser elegido, com ele compartindo alegrias e dificuldades, bem-estar e sofrimentos, dando margem às expressões da afeição profunda, que se manifesta sem a dependência dos condimentos sexuais, nem dos impulsos mais primários da posse, do desejo insano.

Utilizando-se da razão, o homem compreende que a vida biológica é uma experiência muito rápida, que ainda não alcançou biótipos de perfeição, graças ao que, é frágil, susceptível de dores, enfermidades, limitações, sendo, os estágios da infância como o da juventude, preparatórios para os períodos do adulto e da velhice.

Assim, o desgaste e o abuso de agora tornam-se carência e infortúnio mais tarde, na maquinaria que deve ser preservada e conduzida com morigeração.

Aprofundando o conceito sobre a vida, se lhe constata a anterioridade ao berço e a continuidade após o túmulo, numa realidade de interação espiritual com objetivos definidos e inamovíveis, que são os mecanismos inalienáveis do progresso, em cujo contexto tudo se encontra sob impositivos divinos expressos nas leis universais.

Desse modo, baratear, pela vulgaridade, a vida e atirá-la a situações vexatórias, destrutivas, constitui crime, mesmo quando não catalogado pelas leis da justiça, exaradas nos transitórios códigos humanos.

O matrimônio é uma experiência emocional que propicia comunhão afetiva, da qual resulta a prole sob a responsabilidade dos cônjuges, que se nutrem de estímulos vitais, intercambiando hormônios preservadores do bem estar físico e psicológico. Não é, nem poderia ser, uma incursão ao país da felicidade, feita de sonhos e de ilusões.

Representa um tentame, na área da educação do sexo, exercitando a fraternidade e o entendimento, que capacitam as criaturas para mais largas incursões na área do relacionamento social. Ao mesmo tempo, a família constitui a célula experimental, na qual se forjam valores elevados e se preparam os indivíduos para uma convivência salutar no organismo universal, onde todos nos encontramos fixados.

A única falência, no momento, é a do homem, que se perturba, e, insubmisso, deseja subverter a ordem estabelecida, a seu talante, em vãs tentativas de mudar a linha do equilíbrio, dando margem às alienações em que mergulha.

Certamente, muitos fatores sociológicos, psicológicos, religiosos e econômicos contribuíram para este fenômeno. Não obstante, são injustificáveis os comportamentos que investem contra as Instituições objetivando demoli-las, ao invés de auxiliar de forma edificante em favor da renovação do que pode ser recuperado, bem como da transformação daquilo que se encontre ultrapassado.

O processo da evolução é inevitável. Todavia, a agressão, pela violência, contra as conquistas que devem ser alteradas, gera danos mais graves do que aqueles que se buscam corrigir. O lar, estruturado no amor e no respeito aos direitos dos seus membros, á a mola propulsionadora do progresso geral e da felicidade de cada um, como de todos em conjunto.

Para esse desiderato, são fixados compromissos de união antes do berço, estabelecendo-se diretrizes para a família, cujos membros se voltam a reunir com finalidades específicas de recuperação espiritual e de crescimento intelecto-moral, no rumo da perfeição relativa que todos alcançarão.

Esta é a finalidade primeira da reencarnação.

A precipitação e desgoverno das emoções respondem pela ruptura da responsabilidade assumida, levando muitos indivíduos ao naufrágio conjugal e á falência familiar por exclusiva responsabilidade deles mesmos.

Enquanto houver o sentimento de amor no coração do homem — e ele sempre existirá, por ser manifestação de Deus ínsita na vida — o matrimônio permanecerá, e a família continuará sendo a célula fundamental da sociedade.

Envidar esforços para a preservação dos valores morais, estabelecidos pela necessidade do progresso espiritual, é dever de todos que, unidos, contribuirão para uma vida melhor e uma humanidade mais feliz, na qual o bem será a resposta primeira de todas as aspirações.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Antologia Espiritual.
Ditado pelo Espírito Benedita Fernandes.

Publicado por: Espaco Espiritual | quinta-feira, 30 maio 2013

A Parentela Corporal e a Parentela Espiritual

 

 

 

 

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A Parentela Corporal e a Parentela Espiritual

Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências (Capitulo IV, no.13).

Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de São Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espírito. Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: “Eis aqui meus verdadeiros irmãos.” Embora na companhia daqueles estivesse sua mãe, ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia. Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.

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Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo.
112a edição. Capitulo XIV, no.8. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996.

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