Publicado por: Espaco Espiritual | quinta-feira, 19 janeiro 2012

VALE DO AMANHECER – O Vale dos Espíritos

 

Documentário sobre o Vale do Amanhecer – (Doutrina Espiritualista Cristã) – Exibido em 20 de Dezembro de 2011 – Produzido pela Discovery Channel – Série: MUNDOS EXTREMOS – Título Original: O Vale dos…
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tia neiva é desafiada por um paciente e prova sua clarividência
 
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Publicado por: Espaco Espiritual | sábado, 7 janeiro 2012

Mensagem do Pai Seta Branca 31/12/2011 para 01/01/2012 por Templo Mãe,Planaltina DF

Mensagem do Pai Seta Branca 31/12/2011 para 01/01/2012  por Templo Mãe,Planaltina DF

Salve Deus! 

Salve Deus, filhos queridos de meu coração. Somente Jesus na Sua Infinita Bondade, dando esta oportunidade a este vosso Pai mais uma vez, está aqui a falar com vos outros.

Filhos queridos! 

Este é o momento do Jaguar, tanto esperado por vos outros e por esse vosso Pai. Lembrai-vos que a espada do espartano tem que cair no chão. Somente a Espada de Luz, que vai resplandecer por todo esse universo, será a vossa arma Por isso, meus filhos, muito tens de fazer.

É chegada a hora, não podemos esperar mais. Todos, todos estão preparados para estes instantes de vossas vidas. A espada de luz que resplandece por todo esse universo, na mão do Jaguar preparado por koatay 108, por esse vosso pai.

É chegada a hora, não tem tempo mais para brincar filhos queridos de meu coração, Salve Deus.

Porque filhos, este planeta precisa de vos outros. Não para embainhar uma espada, mas sim, para levantar a espada de luz que o doutrinador está
sendo preparado ha anos para esse instante, e esse vosso Pai está sempre presente em vossos corações, dando a vos outros a esperança de um
futuro bem próximo de muita luz, de muita esperança para vocês. Filhos queridos de meu coração. Estou muito feliz, em vê-los muito alegres satisfeitos com as vossas vidas. Passasse por provações, mas isso somente traz a iluminação de vossos espíritos, Salve Deus.

Por isso esse vosso Pai não tem nada a pedir, a exigir de vos outros, somente a conduta doutrinária, a humildade o amor e a tolerância em vossos corações, que vão precisar muito filhos. Este ano, é um ano de lutas que vos outros vão ter que ajudar aqueles que vão chegar passando pelas vossas vidas, cansados. Fostes preparados para essa hora, e esse vosso Pai, nunca, Jamais não vai acreditar no doutrinador (Jamais deixará de acreditar no doutrinador). Por isso, fico feliz que está Doutrina está sendo conduzida com muita humildade, tolerância, união, sempre todos de mangas arregaçadas. Estou feliz, filhos, Salve Deus.

Somente Jesus na sua infinita bondade, que está sempre presente em vossos corações, pode dar a vos outros, este ano que está a aproximar, tudo que meus filhos, assim necessitarem e quiser. O merecimento… analise o merecimento de colher tudo, meus filhos, que plantaram. Salve Deus.

Que a Paz de nosso senhor Jesus Cristo, esteja em vossos corações,

filhos queridos de meu coração.

Salve Deus!

Publicado por: Espaco Espiritual | segunda-feira, 26 dezembro 2011

Casos paranormais com animais

 

Casos paranormais com animais 

Já faz alguns anos que nós estamos procurando trazer informações às pessoas e principalmente aos adeptos da doutrina espírita. Mas não somente os espíritas se interessam por este tema, pois freqüentemente somos chamados a fazer palestras a grupos ligados a outras religiões e doutrinas e até mesmo a grupos ligados à proteção animal, que nos procuram para receberem orientações a respeito do destino da alma dos animais depois da desencarnação. 

Já faz alguns anos que nós estamos espalhando a idéia, que não partiu de nós, mas da espiritualidade, de que os animais não são objetos, que os animais não são matéria prima de qualquer industria, que os animais são espíritos em evolução, que os animais são seres que merecem a nossa atenção, a nossa compaixão e principalmente o nosso respeito, pois eles são nossos irmãos.  

Ao longo deste tempo em que procuramos levar orientações às pessoas a este respeito, nós notamos que a compreensão delas está se tornando cada vez maior sobre este tema e rapidamente elas estão deixando de ver estes seres do mesmo modo como eram vistos antigamente, quando os animais eram tidos apenas como propriedade de alguém.

Ao longo deste tempo em que procuramos orientar as pessoas sobre os nossos irmãos animais, tornou-se notável como muitos estão passando a respeitar mais os animais como nossos semelhantes.
 
Claro! Os animais são nossos semelhantes espirituais, pois são espíritos em evolução assim como nós. As pessoas estão acordando para esta realidade e vêm procurando aplicar os ensinamentos de Jesus, quanto ao amor ao próximo, por incluí-los, também neste rol. As palavras de Jesus diziam para nós amarmos a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos, mas não especificou se os próximos deveriam ser somente os humanos. Gandhi já disse que tudo o que vive é o nosso próximo. 

Hoje sabemos que os seres espirituais que estagiam na fase de animalidade nada mais são do que espíritos que estão sujeitos as mesmas leis evolutivas que outros espíritos mais adiantados, como nós, por exemplo. Os espíritos, ou almas, dos animais foram criados simples e ignorantes e por estarem sujeitos as mesmas leis que os espíritos estagiários em patamares superiores, também evolução e atingirão patamares tão altos quanto o nosso e até mais.  

A evolução acontece desde o “átomo ao arcanjo”, como lemos no Livro dos Espíritos. Sendo assim todos os espíritos, já passaram ou passarão por todas as fases antes de atingir a fase humana e supra-humana.

Eu, recentemente, fiz uma palestra sobre Espiritualidade dos Animais em uma Casa Espírita em São Bernardo do Campo que tem Francisco de Assis em seu nome.

Trata-se de um grupo muito interessado em estudar o assunto e entender tudo o que puderem sobre o assunto que acham interessante demais. 

Em minha palestra eu falava sobre casos de materializações de animais comentados pela literatura espírita e disse sobre o fato de que faltava-nos casos do cotidiano que enriquecesse-nos as preleções, que poderiam ser contadas a fim de comprovar a veracidade de nossas palavras e das pesquisas desenvolvidas por cientistas do século IX e inicio do séc. XX, sobre materializações. 

Eu comentei sobre o caso de uma pessoa conhecida que teve a sua gatinha morta recentemente, cuja materialização se confirmou com as marcas de pegadas nos lençóis da cama onde ela caminhou antes de se desvanecer diante dos olhos atônitos da amiga, que a observou desaparecer.

Comentei sobre o caso de uma senhora que cuida de um gato desde pequeno, mas que tem o péssimo hábito de caminhar sobre a comida que será servida á família.  

Assim ela o pendeu no quarto enquanto preparava o jantar. Para a surpresa da senhora o gato surgiu na cozinha,mesmo tendo ela trancado a chaves a porta do quarto. Dada a bronca, o animal, esperto se evadiu. Ela o perseguiu e quase o alcançou, quando ele correu em direção ao quaro. Para sua surpresa, o gato desapareceu diante da porta, que esta ainda trancada. Ela abriu a porta e lá estava o gato ressonando. Dormia um sono pesado. Seu espírito se desdobrou e foi a cozinha onde desejava estar. 

Outro caso interessante é o da senhora que todos os dias brincava com um cão que permanecia maior parte de seu tempo brincando na rua como se fosse um cão sem lar, apesar de ter um. Certo dia, como fazia de rotina, encontrou o cão brincando perigosamente entre os carros e sequer notou sua presença. No dia seguinte o cão nao estava ali a espera de seu afago como sempre fazia e ela logo desconfiou que ele provavelmente foi atropelado no dia anterior. Procurando a dona do cão, perguntou-lhe o que aconteceu. A mulher disse: “Faz vinte dias que ele morreu atropelado”. 

Parecem muitos caso, mas são poucos e a Casa onde estive para fazer a tal palestra resolveu contribuir com mais uma:

Estavam estudando sobre o assunto “Espiritualidade dos animais” lendo um de nossos livros (Todos os Animais Merecem o Céu), quando um cão surgiu em total silêncio na sala de aula do Centro. O cão passou por cada aluno e mostrou-se extremamente carinhos, pedindo afagos de todos.  

Depois de te passado algum tempo em companhia daquelas pessoas que tem especial carinho por animais, o cão se despediu e caminhou em uma direção e desapareceu, atravessando a parede da sala. Todos viram e se surpreenderam. Não é para menos!

 

 

Publicado por: Espaco Espiritual | quarta-feira, 14 dezembro 2011

Dinheiro e Espiritualidade, será que são incompatíveis?

 

 

Dinheiro e Espiritualidade, será que são incompatíveis?

 

Muitas crenças, que em sua maioria tem origem em interpretações equivocadas de religiões e filosofias espiritualistas, geram um conflito na relação entre o dinheiro e espiritualidade.

  Cria-se uma separação entre o material e o espiritual. Minimiza-se também a importância da parte material, como se devêssemos deixá-la de lado se realmente quisermos crescer, provocando culpa em prosperar. Para muitos é ainda mais radical. É como se os bens materiais fossem um grande obstáculo para o desenvolvimento. Quem vive de forma próspera e abundante é visto como alguém que não despertou egoísta, perdido, apegado… Pra que ter tanto se a vida é tão passageira e o mais importante é a nossa essência?

  Concordo que a essência do ser humano é o que ele tem de mais valioso. O imaterial, a consciência ou a parte espiritual, como queira chamar, vem sendo negligenciado e isso tem provocado muitos desequilíbrios e uma busca desenfreada por bens materiais por parte de muitas pessoas para preencher o vazio interior que sentem.

  Tudo que é material é passageiro, enquanto que o imaterial é eterno. Entretanto, estamos vivendo uma experiência concreta neste momento no mundo material. Esse lado tem a sua importância e deve ser valorizado, sem termos que perder o contato com a essência. Ter uma vida voltada apenas para o material é um desequilíbrio, mas é também igualmente um desequilíbrio valorizar somente a parte espiritual. O ideal seria balancear os dois lados. E o que isso significa? Do lado material, significaria viver uma vida material média, ou modesta? Como você se sentiria se progredisse muito financeiramente? Seria como se estivesse se afastando da espiritualidade?

  Por trás dessas crenças existem muitas outras que relacionam o dinheiro a coisas negativas: dinheiro causa corrupção, exploração, desonestidade, egoísmo, guerras, brigas, pobreza e etc… Somando tudo isso, chega-se a conclusão de que o dinheiro afasta o ser humano do caminho espiritual.

  No livro “A mente milionária, sem segredos” de Thomas J. Stanley, Ph.D., o autor fez uma pesquisa com mais de 700 milionários nos Estados Unidos para traçar um perfil sobre seus estilos de vida e como enriqueceram. Vários pontos interessantes podem ser observados:

  – A maioria deles enriqueceu em única geração, ou seja, não herdaram bens. São vistos como pessoas honestas pelos funcionários, parceiros e sociedade. Mais da metade dos milionários credita boa parte do seu sucesso ao princípio de ser honesto com todas as pessoas, assim ganham confiança e credibilidade e as oportunidades crescem sempre.

  – A maioria é envolvida em causas sociais e de ajuda ao próximo e fazem doações significativas regularmente. E para quem acha que eles fazem isso por que são ricos, o que acontece é que eles já faziam isso desde a época das vacas magras. Já falei antes sobre doação. É um comportamento de uma mente próspera que confia na abundância, e o resultado disso é atrair riqueza.

  – São vistos como pessoas que valorizam e respeitam os seres humanos. Isso também está conectado com o item anterior da honestidade.

  – A maioria trabalha mais do que a média, mas não se mata de trabalhar, e investe tempo de qualidade com a família e tiram férias regularmente.

  – Amam o que fazem. Daí também se explica o porquê de trabalharem mais do que média. Quando se ama o que se faz, o trabalho é também fonte de prazer. Prazer em executar um trabalho que presta um bom serviço ou produto a sociedade, contribuindo para o seu crescimento.

  É claro que deve haver pessoas que fogem desse perfil, mas essas foram características encontradas na maioria, é um perfil médio. Podemos perceber no que foi citado acima, várias qualidades que são vistas em pessoas espiritualistas. Ser espiritualista, na verdade, contribui para aumentar a prosperidade, a não ser que estejamos contaminados com crenças que relacionam o d i n h e i r o a coisas negativas ou com problemas de autoestima; se estivermos, sabotaremos nosso crescimento material. Esse é o problema de boa parte das pessoas que se dizem ou são vistas como espiritualistas.

  Uma prosperidade realmente sólida, crescente e ilimitada só se constrói com honestidade, respeito, e com um trabalho que contribui para o bem estar da sociedade. Quanto mais pessoas ajudamos como o nosso trabalho, mais enriquecemos.

  No entanto, na mídia vemos constantemente notícias de pessoas ricas desonestas, exploradoras, gananciosas e ficamos com uma impressão generalizada de que a maioria é assim. É claro que existem pessoas que agem dessa maneira. No meu ponto de vista, elas poderiam alcançar resultados melhores e mais duradouros se agissem de outra forma. Além disso, não são a maioria. Infelizmente, somos atraídos por notícias negativas e o que vemos na televisão é um retrato filtrado da realidade, onde é mostrado o que há de pior na maioria das vezes. Honestidade raramente será motivo para se fazer uma matéria jornalística.

  À medida que enriquecemos podemos proporcionar cada vez mais bem estar para nós mesmos, para nossa família e para quem quisermos. Podemos inclusive investir em livros, cursos, trabalhos terapêuticos e viagens que nos trarão ainda mais crescimento espiritual (atenção, se você estiver sem dinheiro, isto não serve de desculpa para não ir em busca de crescimento espiritual, pois existem muitas boas fontes até de graça). O dinheiro nos permite fazer o bem em uma proporção muito maior. Se você gosta de fazer o bem, invista no conhecimento sobre a prosperidade, liberte-se das crenças negativas, enriqueça e assim você poderá concretizar objetivos maiores.

 

 

 

Publicado por: Espaco Espiritual | quarta-feira, 16 novembro 2011

A Visão Espírita da Pedofilia

 

A Visão Espírita da Pedofilia

Assunto delicado e grave. Vejamos alguns aspectos iniciais:

Como o espiritismo vê a questão  da pedofilia?
Como um grave desequilíbrio mental e espiritual, necessitando severo tratamento multidisciplinar, isto é envolvendo diversos profissionais além de tratamento espiritual complementar.

Qual a razão de existirem pedófilos?
A mesma razão de existirem quaisquer outros desequilíbrios psíquicos. São atitudes doentias que se estruturaram ao longo de uma ou mais existências ou seja reencarnações. Ninguém foi criado pedófilo.

O que se passa nas suas mentes?
Cada um deles tem uma história. Não há como colocar todos em um mesmo rótulo. Mas poder-se-ia dizer que tem um impulso sexual doente e destituído de ética.

Quais os traumas que eles têm?
Diversos, e variam conforme cada caso. Podem ter sofrido: violência infantil, abandono, desprezo, presenciado quando em tenra idade, sexo entre os pais, enfim outras distorções de educação ou de vivência.

Como se explica tal comportamento?
A resposta é tão difícil como explicar qualquer outra grave alteração de comportamento. São espíritos que pelo seu atraso, imaturidade, ignorância e sobretudo pelo livre arbítrio desviaram-se da linha normal de conduta.

E as vitimas, por que isso?
Em diversas oportunidades, quando fizemos palestra sobre reencarnação, fomos questionados posteriormente sobre a dolorosa e delicada circunstância da pedofilia. Principalmente, ao se propiciar perguntas nos serem dirigidas por escrito viabilizava-se este questionamento.

Embora o tema seja potencialmente polêmico e desagradável, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação planetária.

Nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista considerando que são dois espíritos, no mínimo, envolvidos na tragédia em questão. Cumpre-nos esclarecer que o livre arbítrio é o maior patrimônio que nós, espíritos humanos, temos alcançado ao atingirmos a faixa evolutiva pensante. Livre arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e se responsabilizar pelas consequências de seus atos posteriores.

Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão dos atos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que possuímos. Importante também salientar que não há atos perversos que tenham sido planejados pela espiritualidade superior. Seria de uma miopia intelectual sem limites, a ideia de que alguém deve reencarnar a fim de ser violentado ou sofrer pedofilia. A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no dicionário dos esclarecidos sobre a vida espiritual. Deus é a fonte inesgotável de amor. É a Lei maior que a tudo preside, uma lei de amor que coordena as leis da natureza.

Então, como conceber a violência física? Como enquadrar a onipresença divina em situações e sofrimentos que observamos? Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou estaria presente? Para muitos indivíduos se estivesse presente já seria motivo para não crer na sua existência ou na sua infinita bondade e onisciência.

Outra questão importante: Quem é a “vítima”? Analisemos. Cada um de nós ao reencarnar trouxe todo o seu passado impresso indelevelmente em si mesmo, são os núcleos energéticos que trazemos em nosso inconsciente construídos no passado.
Espíritos que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos, representadas pelas inúmeras vidas, possuímos no nosso “passaporte” inúmeros “carimbos” das pousadas onde estagiamos em vidas anteriores. Hoje, a somatória dessas experiências se traduzem em manancial energético que irradia constantemente do nosso interior para a superfície desta vida.

Assim, é também a “vítima”. A criança, que hoje se apresenta de forma diferente, podem trazer de seu passado profunda marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus. Atitudes de desequilíbrio que são gravadas em si mesma.
Algumas dessas, hoje crianças, participaram intelectualmente de verdadeiras emboscadas visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual de criaturas; outras foram executoras diretas, pela autoridade que eram investidas, de crimes nesta área. Enfim, são múltiplas as situações geradoras da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos arquivos vibratórios da criança, nossa personagem neste drama.

Pela Lei Universal da sintonia de vibrações, poderá ocorrer, em um dado momento, uma surpresa desagradável. O espírito, criança agora, poderá atrair e sintonizar com o agressor, ou seja, o pedófilo, e ser agredida.

Identificados dois dos protagonistas (agressor e criança), temos também que considerar o frequente processo obsessivo que vinha se desenvolvendo. Uma outra entidade pode estar fixa perifericamente ou até profundamente à trama perispiritual de um ou dos dois envolvidos no processo.
Lembramos, novamente, não foi em hipótese alguma programada a violência ou o estupro, nem ele em qualquer circunstância teria justificativa. No entanto, o crime existindo, necessário compreender em uma visão mais ampla o que está acontecendo. A espiritualidade sempre fará o máximo para evitar o “mal” ou não sendo possível, apoiar aos que sofrem.

O espírito submetido à violência da pedofilia sofre intensamente no processo, conforme o seu grau de maturidade espiritual. Não houve a programação, mas a tendencia que trazia era forte e havia o risco  em passar por algo do gênero, que  a espiritualidade não conseguiu evitar.

A violência da pedofilia gera, muitas vezes, profundos traumas em todos os envolvidos, exacerbando a dolorosa situação kármica da constelação familiar.
Há, também, espíritos afins e benfeitores que visam amparar os envolvidos nesta dor. Amigos do extrafísico cheios de ternura em seu coração, com projetos de dedicação e amparo, sempre se fazem presentes. O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma.

Dr Ricardo Di Bernardi

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 76.

Publicado por: Espaco Espiritual | domingo, 6 novembro 2011

O HOMOSSEXUALISMO E O ESPIRITISMO

O HOMOSSEXUALISMO E O ESPIRITISMO

  

O HOMOSSEXUALISMO E O ESPIRITISMO 

  Ultimamente, tenho recebido muitas respostas, solicitando esclarecimento acerca de como o Espiritismo encara as questões do homossexualismo, após o artigo O SEXO E O ESPÍRITA“, venho aqui com outro artigo “O HOMOSSEXUALISMO E O ESPIRITISMO”, não tenho pretensão de mudar ninguém e já deixo claro que não debaterei o tema, esta é apenas mais uma pequena reflexão sobre este tema que tanto tem provocado perguntas, para finalizar peço a todos que tenham duvidas, estude e se aprofundem na literatura espirita; sobre este tema temos com toda certeza livros e conteúdos, muito elucidativos, e em vez de simplesmente perguntar estudemos, porque um dos fundamentos espiritas é instruirmos.

  Nós, espíritos, somos seres perfectíveis, dotados de inteligência e livre arbítrio, porém responsáveis diretos pelas consequências de nossas atitudes. Através da pluralidade das existências corpóreas, caminhamos rumo à meta imutável da lei divina: a perfeição. Quando nos afastamos do caminho, afastamo-nos dessa meta, gerando o que chamamos de mal. Todavia, quando retornamos ao caminho, pela mudança de conduta ou reparação das faltas cometidas, restabelece-se a harmonia e o mal deixa de existir. Onde haja o bem, o mal desaparece.

  Muitos estudiosos afirmam que a homossexualidade é uma opção do ser humano. Alguns discordam, alegando que nenhuma pessoa se sentiria feliz por ser perseguida ou discriminada. Uns, asseveram que ela é orgânica, ou seja, a pessoa não teria alternativa. Já outros, apelam para o emocional: o homossexualismo seria efeito de algum trauma. 

 

E o Espiritismo, que diz?

  O espírito não tem sexo. O mesmo espírito pode animar ora um corpo masculino, ora um corpo feminino. Cada sexo como cada posição social, lhe proporciona o ensejo de adquirir experiência. O corpo não lhe é mais do que um invólucro perecível de que se serve para se esclarecer e se purificar. Sempre de modo progressivo, jamais regressivo. Desde que cessa a vida do corpo, ele o abandona e retorna à pátria legítima, o mundo invisível, ou mundo espiritual. Em um desses estágios, como homem ou mulher, o abuso que faça do uso das funções sexuais, acarretará o seu reingresso na lide carnal, no sexo oposto.

  “Quando o homem, em muitas ocasiões, tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus. Ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à delinquência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro, requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor.”

  Aparentemente, esse processo parece uma punição, mas não é. Deus não perdoa nem castiga. A iluminação dos sentimentos é que o exige, através da nossa consciência. “A Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem”, já dissera Kardec.

  A prática da homossexualidade não transforma o ser em pessoa abominável. Conhecemos homossexuais que se distinguem pela inteligência apurada, pela cultura aprimorada, pela educação exemplar, pela fraternidade cristã e, principalmente, pelo caráter reto. Conhecemos, também, heterossexuais que mais parecem uma gruta vazia e sombria. Grande e florida por fora, por dentro, um deserto de qualidades.

  O que nos diz a Consoladora Doutrina? Por primeiro, examinemos a pergunta 202 de “O Livro dos Espíritos”:

  “Pergunta – Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?”

  “Resposta – Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.”

  Percebe-se claramente que Kardec e os Espíritos da Codificação referem-se a provas no corpo masculino ou no corpo feminino a serem enfrentadas no mundo físico. Fica claro também que não se pode falar em preferência espiritual por um ou outro sexo, mas que, feita a escolha (ou imposta determinada forma), são provas o que enfrentaremos como Espíritos encarnados.

  Se um determinado Espírito em uma dada encarnação se revestir da “forma” masculina, ele deverá enfrentar as provas reservadas a tal opção. Se a encarnação desse Espírito se der no vaso feminino, suas provas serão daquelas reservadas às mulheres, como a maternidade, por exemplo. Por conseguinte, a nós outros cabe-nos suportar com resignação as provas inerentes a um e a outro sexo físico. Disso não poderemos nos afastar.

  Podemos exemplificar o raciocínio com a prova da pobreza, que quase sempre vem para o Espírito como mecanismo reparatório do egoísmo e da prodigalidade ou em razão do mau uso da riqueza que se haja feito em vida pretérita. Não e licito ao pobre desta vida furtar, corromper-se ou praticar fraudes para fugir a prova da miserabilidade transitória. O enfrentamento das carências materiais com serenidade levara a evolução moral do Espírito. Disso ninguém discorda.

  Por igual, ao ser espiritual que vivencia a experiência física masculina não e dado fugir a prova da masculinidade, cedendo aos arrastamentos de um suposto sexo psíquico, diverso daquele que se apresenta materialmente. A condição de sua evolução é justamente não ceder a tais condutas instintivas, para, então, reequilibrar-se e evoluir. O mesmo vale para os seres revestidos de envoltório corporal feminino, que não se podem deixar levar por costumes pretéritos, que eram lícitos ha milênios na Ilha de Lesbos, mas que não se coadunam, hoje, com o ideal de uma vida em equilíbrio e em harmonia.

  Dai não podermos encarar o grave problema da homossexualidade com despreocupação, cedendo apenas aos apelos de uma conduta que se supõe politicamente correta ou acertadamente crista. Obviamente, nossos irmãos homossexuais merecem o respeito devido a todos os seres da criação; não podem ser discriminados, nem rejeitados, pois, como disse meigo Rabi da Galiléia, “aquele dentre vos que não tiver pecados, atire a primeira pedra”.

  Possivelmente muitos entre nós já passaram pelos desvios homossexuais na fieira de existências anteriores, na Grécia, em Roma ou alhures.

  Mas evidentemente o homossexual (como também o heterossexual desregrado) não e um ser em equilíbrio espiritual. Ao contrario, tanto um quanto outro quase sempre estão sob cerrado ataque fluídico negativo ou em estrito conluio psíquico com entidades trevosas. Este e o discernimento que nos cabe alcançar.

  O homossexual, de ambos os sexos, tem sido condenado ao esquartejamento moral e violentado, psicológica e fisicamente, por gente maldosa, e ignorantes nas leis divinas sem qualquer fundamento sério. Para nós, espíritas, serão sempre nossos irmãos amados, tanto quanto os demais, credores do nosso maior respeito e carinho. Dito isto, passamos a responder as indagações, de um irmão: 

“É pecado ser homossexual?”

  Não. Também não é uma escolha ideal, mas o amigo não deve sujeitar-se ao jugo dogmático das igrejas, dos julgamentos de pessoas que se colocam guardiãs morais ou de leis preconceituosas. 

“Por que sou assim?”

  Por livre e espontânea vontade. Você é senhor absoluto de sua vontade podendo aceitar ou não suas provas e expiações nesta reencarnação, na doutrina espirita chamamos de livre arbítrio, ou seja, você é livre para ser o que quiser ser, mas atente para as consequências de seus atos. 

“Que pecado cometi para sê-lo?”

  Pecado talvez não seja essa a palavra certa, mas se essa é a sua tendência, você deve estudar a doutrina espirita, ela irá te explicar o porquê de você passar por essa prova e como vencer esse sentimento de culpa, ou melhor, o sentimento de culpa só existe na consciência de quem se sente culpado. 

“Até quando serei assim?”

  Até quando quiser. Se se dispuser e puder controlar seus impulsos carnais, transferindo as energias sexuais para um trabalho de auto reeducação, melhor. Sua indômita força de vontade poderá vencer todos os obstáculos, superar todos os problemas, possibilitando-lhe uma vida saudável. A felicidade conquistada será o galardão de seus esforços. Deus instituiu leis que nos favorecem a todos, já dizia o nosso saudoso Chico Xavier. 

“Se olhar para um rapaz, com carinho, estarei pecando?”

  Não. Desde que esse olhar não seja de modo lascivo. Um olhar carinhoso, uma palavra fraterna, um sorriso sincero, uma ação solidária, são ingredientes que alimentam as verdadeiras amizades, tornando-as indesuníveis. 

“Se eu gostar de um rapaz, com amor verdadeiro, serei pecador?”.

  Já disséramos, anteriormente, que o pecado está condicionado à atitude mental de cada um, com base no sentimento de culpa. Quanto ao amor verdadeiro por outro alguém, requisitamos a palavra autorizada e benevolente do nosso irmão e Benfeitor Espiritual, cuja orientação bondosa serve para todos nós:

  Jorge Andrea, no seu “Forcas Sexuais da Alma”, editado pela FEB, diz que “Para o homossexual existira necessidade intransferível de vivência na castidade construtiva, a fim de encontrar a harmonia para as futuras formações corpóreas que as reencarnações podem propiciar”. 

Veja o que diz Humberto de Campos.

  “Recomendar-lhe a castidade quando as pessoas se degradam em ligações clandestinas, nos braços de amantes, seria temeridade e hipocrisia”. Você faria, dentro em pouco, o que elas fazem. Sobre a ignomínia da culpa, a ignomínia da mentira. Daí, a audácia do meu conselho. Se puder resistir à sua carne, aos seus nervos rebeldes, aos seus sentidos alarmados, resista. Será heroico e sublime. A tranquilidade de sua velhice será o prêmio dessa renúncia na mocidade.

  Se, porém, não encontrar na própria alma energias para vencer o corpo, eleja um cônjuge. Faça-o, entretanto, publicamente. Nada de subterfúgios, de mistérios, de clandestinidade. Funde, com ele, um lar. A noção da responsabilidade assumida em público fá-los-á, a um e a outro, cautelosos na escolha, assegurando-lhes, assim, a honestidade e a duração da ventura. Amores escondidos são amores transitórios. Amante que foge, é amante substituído. E quando alguém adota esse regime, o amor perdeu o seu nome. Chama-se prostituição.

  O meu conselho é, como se vê, prudente e humano. Você é livre e quer ser feliz. Faltam-lhe as grandes forças interiores, as poderosas energias mentais, que neutralizam os gritos da carne e dos nervos, e elevam a pessoa acima do seu sexo, purificada da animalidade comum. Evite, todavia, em quaisquer circunstâncias, a pessoa que não quiser, em público, assumir os encargos do seu destino. A casa de família em que se entra escondido deixa de ser um lar para ser um prostíbulo. E a pessoa, que vai encontrar-se secretamente com outra, perdem o seu título de honrada para tomar o de meretriz. Aquela pessoa que não fizer um sacrifício igual ao seu, abandonando tudo, e tudo afrontando, para viver ao seu lado, deve ser tomada, simplesmente, como sedutora vulgar e covarde, semelhante aos rufiões que exploram as mulheres na sombra, desfrutando as vantagens e fugindo às responsabilidades. Repila, em suma, o amante. “E aceite o cônjuge.”

  Emmanuel, em “O Consolador” (FEB, pergunta 184) esclarece que “Deus não extermina as paixões dos homens, mas fá-las evoluir, convertendo-as pela dor em sagrados patrimônios da alma, competindo às criaturas dominar o coração, guiar os impulsos, orientar as tendências, na evolução sublime de seus sentimentos”.

  O nobre Espírito complementa dizendo que “observamos, muitas vezes, almas numerosas aprendendo, entre as angustias sexuais do mundo, a renuncia e o sacrifício, em marcha para as mais puras aquisições do amor divino. Depreende-se, pois, que, ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, e imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo”.

  Emmanuel encerra o livro “Vida e Sexo” com a seguinte recomendação: “Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as vossas tendências mais intimas e, apos verificardes se estais em condições de censurar alguém, escutai, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

  Compreender e respeitar são necessários. Instruir e evoluir são imprescindíveis. O Codificador deixou assentado nas paginas de “O Livro dos Médiuns” que os defeitos que afastam os bons Espíritos de nosso campo vibratório são “o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem a matéria” (capitulo XX, item 227). 

Para libertamos temos que conhecer a verdade, somente ela nos libertará.

Palavras do meigo Rabi de Nazaré.

Paz a todos.

Osvaldo Lira

(LAMDEL)

 

Publicado por: Espaco Espiritual | sábado, 5 novembro 2011

BUDISMO E ESPIRITISMO – PARTE 1

 

BUDISMO E ESPIRITISMO –

“Uma Breve Comparação” –

PARTE 1

 

AS QUATRO NOBRES VERDADES

I: Apresentação

    Acredito sinceramente que a melhor maneira de evitar o fanatismo e o fundamentalismo religioso ou filosófico é o estudo de outras formas de pensar e de crer. A verdade última, realidade a que todos os caminhos espirituais buscam, só pode ser uma, nossa capacidade de compreensão é que é limitada e, portanto só pode apreendê-la de forma parcial. Cada uma dessas verdades parciais, modelos criados pelo entendimento humano, aborda um ângulo especifico, traduz dentro de um contexto cultural definido, dentro das características psicológicas de um povo ou de uma época, a verdade maior.

    Indo ao encontro de outras crenças, percebemos que o critério da concordância universal [1], proposto por Allan Kardec, tem também seu aspecto externo. Como em todas as épocas da humanidade o espírito humano buscou transcender suas limitações e compreender o problema do ser, do destino e da dor – como sempre os mundos espiritual e material estiveram em contato – as verdades parciais de cada um, são mais confiáveis, quando podem ser validadas com as descobertas, ou revelações, vindas de diversas fontes, de diferentes povos, em diversas épocas, dentro de tradições diferentes. E, naturalmente, as diferenças que encontramos, são os diferentes enfoques, mais ou menos precisos, que cada um deu ao mesmo problema.

    Entendendo o enfoque dado por outros, compreendemos melhor o nosso, suas virtudes e suas limitações, e estamos aptos a vivencia-lo mais fielmente ou buscar novos rumos. O Espiritismo, como doutrina aberta a razão, ao estudo e a critica, nos permite tal liberdade de consciência e nela está sua maior força.

    Portanto não poderia deixar de começar este artigo sem agradecer ao educador emérito, Allan Kardec, que construiu sobre alicerces tão firmes e duradouros, na elucidação dos fenômenos mediúnicos e na análise dos ensinamentos dos espíritos, uma nova forma de pensar sobre o ser humano e o mundo que o rodeia.

    Também gostaria de agradecer aos amigos do GEAE, que no exercício da razão, através do estudo fraterno e da troca salutar de ideias, trilham este caminho. Agradeço particularmente ao amigo Elzio Ferreira de Souza, por ter me feito rever minhas ideias sobre o pensamento oriental, mostrando-me onde meus estudos anteriores, por sua pouca profundidade, estavam incompletos e onde deveriam ser corrigidos. Inclusive trechos inteiros deste artigo foram revisados sob sua orientação.

    Obrigatório agradecer também ao extraordinário pensador e líder religioso do povo Tibetano, sua Santidade o XIV Dalai Lama, pelos excelentes livros [2] em que aborda as mais intricadas questões do Budismo de forma tão espontânea e sincera, com tanta simplicidade de expressão, que praticamente se tornam compreensível a nós que não crescemos entre as tradições milenares do Oriente.
    Muita Paz para todos,

    Carlos Alberto Iglesia Bernardo

*****

 

1 – vide artigo “Verdade e Controvérsias em torno do ensinamento dos Espíritos” no Boletim GEAE número 3672 – O sucesso editorial dos livros do Dalai Lama entre o público brasileiro foi tema de artigos na revista “Super Interessante” da editora Abril – “A vida segundo o Dalai Lama”, na edição de agosto de 2001 – e na revista “Meditação” da editora Três – “O Sucesso Editorial do Dalai Lama”,  edição número 30.

II – Introdução: 

Uma retrospectiva – Ocidente & Oriente

  O fascínio do extremo Oriente sobre o Ocidente é velho de milênios, pois, já na Grécia antiga, aventureiros, viajantes e comerciantes traziam notícias das riquezas e dos estranhos sábios que existiam para lá das fronteiras da Pérsia. Com a expedição de Alexandre, o Grande, que chegou ao vale do Indus por volta de 326 AC, os dois mundos foram colocados em contato próximo. Os historiadores contam que esta expedição trouxe, ao retornar, um asceta jaina [1] que grande admiração causou entre os gregos [2]. Durante os séculos seguintes, o ouro e a prata do Ocidente fluíram através das rotas comerciais asiáticas, trazendo de volta seda – daí a famosa “Rota da Seda” – especiarias e conhecimentos. Junto a estes bens materiais vinham também informações sobre reencarnação, karma, ascetismo, ligeiras notícias sobre Buda e Brahma.

    Foi somente a longa noite medieval que interrompeu o fluxo,  que desviou-se para o Oriente próximo, alimentando espiritualmente a civilização Árabe Medieval no seu apogeu. Bagdá, Damasco, Córdoba e outras capitais do Islã medieval, receberam por suas caravanas e navegadores, os conhecimentos sobre o “zero”, a “bússola” e a filosofia que se incorporou ao Islã em sua forma mais mística – o Sufismo [3].

    O antigo “Mare Nostrum” dos Romanos, ficou fechado para a navegação do Ocidente e até bem depois do ano 1000 não circulavam mais especiarias, nem ciência do espírito,  mal e mal algum tráfego marginal e lendas fabulosas. O Ocidente ficou fechado em si mesmo, com seus monges e a igreja de Roma tentando a todo custo evitar a submersão total na barbárie.

    Novo período se inicia pela época das Cruzadas, que apesar do desastre militar e moral que representaram, abriram caminho novamente para as rotas do Oriente. Por esses caminhos, comerciantes italianos, como Marco Polo, começaram novamente os contatos com o extremo Oriente, que aos poucos levariam as grandes navegações do século XV e ao início da era moderna.

    Ricas e populosas, as cidades do Oriente distante, naturalmente passaram a atrair os navegadores ocidentais. No início estes causaram apenas incômodos marginais, os grandes impérios da Espanha e de Portugal mal se estabeleceram as margens da Índia e da China. Más aos poucos, novas levas, reforçadas pelos progressos da ciência material, permitiram o estabelecimento de protetorados e finalmente submeteram os principais centros culturais. A nova ciência da matéria e a cobiça levaram países europeus pequenos a dominar territórios imensos, com civilizações muitas vezes mais velhas e sofisticadas. De todo o Oriente, somente o Sião e o Japão escaparam relativamente incólumes a este período.

    O século XIX marcou o auge do Imperialismo Europeu, a revolução industrial se espalhou pelo velho continente, fabricando mais e mais bens de consumo, para os quais os países necessitavam tanto de mercados, como de fornecedores de matéria prima. Mesmo o velho império do meio, a China, sofreu golpes e humilhações tão profundas que o jogariam nos braços do materialismo comunista do século XX [4].

    Durante este processo de conquista, no sentido inverso, o Oriente fascinou os Iluministas europeus do século XVIII, povoou a imaginação das cortes europeias – que multiplicaram em seus jardins os pavilhões chineses e em seus palácios as salas chinesas, com porcelanas e pinturas orientais – e, século XIX adentro, alimentou o esoterismo ocidental. No final do século XIX, Madame Blavaski e a Sociedade Teosófica, popularizaram a filosofia hindu na Europa e nos Estados Unidos.

    Este período histórico, o do auge do colonialismo ocidental no século XIX, marca também a transformação dos Estados Unidos em uma potência continental. A vitória contra o México, trazendo-lhe as riquezas da Califórnia e do Texas, consolidou o esforço iniciado com os peregrinos do Mayflower. Foi nesta jovem democracia, única em sua época por sua organização social e política, que em 1848 começaram a ocorrer os fenômenos que dariam nascimento ao Modern Spiritualism e, ao atravessar o Atlântico, ao Espiritismo.

    Em 1857, o educador frânces, Hypollite Leon Denizard Rivail, mais conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec, publica o “Livro dos Espíritos”, dando por primeira vez uma verdadeira ciência do espírito ao Ocidente. Ciência dentro de todos os rigores metodológicos do racionalismo francês, continuando de onde a filosofia iluminista não tinha conseguido passar.

    Século XX, século de conflagrações mundiais e de paradoxos. Se por um lado o Oriente se ocidentaliza para conseguir se libertar do jugo colonial, por outro o Ocidente se descobre carente de espiritualidade e olha para o Oriente. Nos anos 40, diante da não violência e do amor à verdade de Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatama Gandhi, a grande alma, o império britânico recua.

    A partir dos anos 50, o Ocidente se vê fascinado pelo Budismo. Primeiro pelo Budismo Zen, vindo do Japão através das tropas de ocupação americanas, depois pelo Budismo Tibetano, trazido por monges que fogem da ocupação chinesa no Tibete. Se o Budismo perde o Tibete, ganha adeptos por todos os lados e simpatizantes sem fim.

    Seu líder espiritual, Tenzin Gyatso – Sua Santidade o XIV Dalai Lama – pela sua luta pacífica em defesa de seu povo e pela sobrevivência de sua cultura, hoje é uma das figuras mais populares entre os lideres religiosos mundiais e pode se dizer que divide com o Mahatma Gandhi o privilégio de ser um dos Orientais contemporâneos de maior influência entre os pensadores Ocidentais.

    Depois da turbulência ao final do século XX, com o desaparecimento da União Soviética e o pipocar de pequenas guerras nacionais, começamos o século XXI em um mundo globalizado. Ocidente e o Oriente estão de tal modo próximos, que é impossível ignorarem-se mutuamente [5] ou deixarem de reconhecer que cada um tem seus méritos e deméritos.

    Há muito que se aprender mutuamente e não será por “conversões” ou por “conquistas” que esta compreensão virá. Nunca, desde que Alexandre chegou às margens do Indus, ouve tantas oportunidades de aprendizado em comum. Não é mais o supercivilizado Oriente olhando com desdém os rústicos bárbaros ocidentais, nem mesmo os orgulhosos senhores do mundo querendo impor seu cristianismo aos pagãos do Oriente – são povos iguais, sofridos e cansados, que mutuamente podem se apoiar na busca da libertação do sofrimento e de uma melhor compreensão do Universo [6].

    Assim é dentro deste escopo, de compreensão mutua, que pretendo desenvolver esta série de artigos. Analisando as diferenças e afinidades entre a sabedoria do Oriente – aqui representada pelo Budismo Tibetano [7]- e o Espiritismo, doutrina a que somos ligados.

1 – Adepto de uma das escolas de filosofia da Índia – o Jainismo
2 – Sua estada entre os gregos continuou sendo motivo de muita curiosidade mesmo após sua morte. Esta inclusive deixou-os completamente aturdidos, pois ele se queimou voluntariamente em uma pira:

    “With Alexander there had also gone one ‘Calanus’, a figure worth remembering in that he seens to be the first Indian expatriate to whom a name and a date can confidently be given. One of a group of ascetics encamped near Taxila, Calanus had accepted Alexander’s invitation to join him in that city and subsequently acompanied him back to the west. There, in Persia shortly before his patron’s death, his own death would cause a sensation.

    Calanus’ doctrinal persuasion is uncertain. As one of his conpanions at Taxila had put it, trying to explain one’s philosophy through a wall of interpreters was like ‘asking pure water to flow through mud’. In that Calanus and his friends went naked, a condition in which no Greek could be persuaded to join them, they may have been ‘nigrantha’ or Jains. Jains nudity was dictated by that sect’s meticulous respect for life in all its forms. Clothes were taboo because the wearer might inadvertently crush any insect concealed in them; similarly death had to be so managed that only the dying would actually die. Jains bent on ending their life, therefore, usually starved themselves to death. Yet Calanus, a man of advanced years, chose to immolate himself on his own funeral pyre. Though an extraordinarly stoical sacrifice in Greek eyes, this was a decidedly careless move for one dedicated to avoiding casual insecticide. Evidently the Persian winter had induced a chill, if not pneumonia, and Calanus had decided it was better to die than be an encumbrance. No one, not even Alexander, could dissuade him from his purpose. He strode to his cremation at the head of an enormous procession and reclined upon the pyre with complete indifference. This composure he mantained even as the flames frazzled his flesh.

    Visibly shaken by such an exhibition, the Greeks held a festival in his honour and drowned their sorrows in a Bacchanalian debauch. Calanus, though he had made no converts, had won many friends. He also left a profound impression well worthy of India’s first cultural emissary. ‘Gymnosophists’, or ‘naked philosophers’, henceforth became stock figures in the Western image of India. As ‘Pythagoreans’, they were also identified with Greek traditions of abstinence and the conjectures of Pythagoras about rebirth and the transmigration of the soul.Lucian, Cicero and Ambrose of Milan all wrote of Calanus and his naked companions. “John Keay, India – A History”.

3 – Os Sufis, procurando extrair dos ensinamentos de Maomé o seu significado profundo – além de cumprir as observações exteriores exigidas de todo muçulmano – incorporaram ao Islamismo conhecimentos sobre o espírito e o Universo, de nitída influencia indiana. Veja-se, por exemplo, os versos de um poeta persa do século XI:

    “Como vela en la llama, en su fuego me derreti
     y el resplandor oscilante,
    sólo a Dios vi.Com mis proprios ojos, a mí mismo me vi,
     pero al mirar con los ojos de Dios,
    sólo a Dios vi.
    Desvanecido en la nada, me diluí.
    Yo era la vida, el Universo … y,
    sólo a Dios vi.”

    Outro exemplo são as obras de Ibn Arabi, sufi nascido em Murcia em 1164 e falecido em Damasco em 1240, considerado pelos árabes como o “maior dos mestres” e “vivificador da Religião”:

    “Lo que quiero decir es que tú no eres, o posees tal o tal cualidad, que no existes y que no existirás jamás, ni por ti mismo, ni por El, en El o con El. Tú no puedes cesar de ser, porque no eres. Tú eres El y El es tú, sin ninguna dependencia o casualidad. Si alcanzas a reconocer en tu existencia esta cualidad de la nada, entonces conoces a Alá. En otro caso, no.”.

    Estes dois trechos são da tradução espanhola, por Roberto Pla (Editorial Sirio S.A. – Málaga, España), do livro “Tratado de La Unidad”, escrito por Ibn Arabi.    Jalal ud-Din Rumi, poeta persa do séc XIII, assim se expressou sobre o mundo:

    “Este mundo que é nada e encobre a beleza de Deus é também sinal e prova de sua presença”.

    Nossa existência – mero favor de Shams de Tabriz, obséquio da alma – encobre sua essência e diante dela se envergonha. “Poemas Místicos, Divan de Shams de Tabriz Jalal ud-Din Rumi Trad. José Jorge de Carvalho, Attar Editorial”.

4 – Um dos capítulos mais tristes da história ocidental, que compete com as cruzadas no tocante ao distanciamento a justiça e a verdade, foi a guerra do Ópio (1839-1842). Por esta guerra, as potencias ocidentais garantiram a abertura dos portos chineses ao comércio da nefanda droga: “O ópio era o único produto estrangeiro, controlado por fornecedores estrangeiros, que os consumidores chineses desejavam, ou aprenderam a desejar, em grandes quantidades. Como ocorria com a droga mais suave exportada em troca – o chá, que se dizia ter sido descoberto por Buda para se livrar do sono -, sua demanda parece ter sido determinada pela oferta. Quando, em 1729, a China proibiu pela primeira vez este comércio, calculou-se que as importações eram de cerca de duzentas caixas anuais; em 1767, registraram-se mil caixas; no final da década de 1830, quando este comércio assumiu proporções que ameaçavam com a guerra, mais de dez mil caixas entravam anualmente na China. Para o governo chinês, sua exclusão era, ao mesmo tempo, uma questão de interesse econômico e de retidão moral; para a Inglaterra, a possibilidade de acesso ao mercado chinês era não só um imperativo material, mas também um símbolo da liberdade de comércio. Quando a China procurou energicamente impedir as importações, a Grã-Bretanha a invadiu.” Milênio – Uma história de nossos últimos mil anos, Felipe Fernández-Armesto, ed. Record.

5 – O leitor que duvide desta afirmação, que faça uma visita a São Paulo e dê uma caminhada pela região central da cidade, pelo bairro da Liberdade e suas imediações. Vai reparar que muito próximos encontrará igrejas católicas, templos budistas, lojas maçônicas, grupos espíritas, tendas de umbanda, igrejas protestantes, modernas faculdades e – simbolo máximo talvez da cultura americana – lanchonetes de “fast food” como o Mac Donalds.

6 – Vide o trecho transcrito abaixo, do livro “La Espiritualidad Hinduista”, de Swami Vivekananda (1863-1902),  discípulo de Sri Ramakrishna. Ambos foram grandes reformadores do Hinduísmo na India Moderna e naturalmente depararam-se com a questão das relações entre ocidente e oriente:

    “Para um oriental, o mundo do Espírito é tão real quanto o mundo dos sentidos para um ocidental. No mundo espiritual, o oriental encontra o que deseja e espera, nele descobre tudo o que torna real sua vida. Do ponto de vista de um ocidental, o oriental é um sonhador; enquanto que do ponto de vista de um oriental, o sonhador é o ocidental, que lida com coisas efêmeras (que juega con juguetes efemeros) … Cada um chama de sonhador ao outro.

    Porem o ideal oriental é tão necessário ao progresso da humanidade como é o ocidental. As maquinas não tem feito, nem farão jamais, feliz a humanidade… Estas coisas não os farão felizes, a não ser que vocês levem dentro de sí a força da felicidade (estas cosas no os harán felices, salvo que llevéis dentro la fuerza de la felicidad); a não ser que vocês tenham conquistado a si próprios.

    É verdade que o homem nasceu para conquistar a Natureza, porem, por “Natureza”, o ocidental entende somente a natureza física e externa. A natureza externa com suas montanhas, seus mares e seus rios, com suas forças e sua infinita diversidade, são, sem duvida alguma, majestosa; contudo existe também a natureza interior do homem, que é mais majestosa ainda… E nos brinda com outro campo de estudos. Neste sobressai o oriental, da mesma forma que o ocidental sobressai no outro. Portanto, é justo que, quando seja necessário um reajuste espiritual, este venha do Oriente. Também é justo que, quando o oriental queira aprender a construir maquinas, se coloque aos pés do ocidental e aprenda dele; porém, quando o ocidental queira saber coisas do espírito, de Deus e da alma, e do significado e mistério deste universo, há de colocar-se aos pés do oriental para aprender”. (cap. El Neo-hinduísmo, Espiritualidade Hinduísta, Daniel Acharuparambil)

7 – “Iglesia, eu vou colocar algumas sugestões, mas há uma de ordem geral que lhe peço permissão para fazer. Acho que você deveria colocar as posições budistas e espíritas de um modo bem estrito, e depois fazer um comentário, demonstrando a identidade ou semelhança das doutrinas, embora a aparente diferença do discurso, nos casos em que couber, ou demonstrando as diferenças reais. Acho que deve haver uma advertência, esclarecendo que a comparação está sendo feita com o budismo tibetano, porque as doutrinas têm nuanças e é importante respeitá-las. Vivekananda, por exemplo, discorda da interpretação que muitos discípulos de Buda deram a suas lições. Em realidade, o que conhecemos, hoje, do Budismo passa pelos olhos dos discípulos, desde que Buda como Jesus nada escreveu, e são passados 2500 anos de formulações doutrinárias na busca de um melhor entendimento e prática.” Elzio Ferreira de Souza (sobre o primeiro esboço do artigo que lhe enviei para análise)

 

III – Visão Geral

 

As Duas Doutrinas

- Budismo

    O Budismo tem por princípio os ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda, entre eles, como base principal as “quatro nobres verdades”. Ele  não pode ser definido exatamente como uma “religião” no sentido ocidental, é mais uma filosofia, um caminho (método prático) de libertação do sofrimento. Naturalmente associada a este caminho, surge uma visão de mundo que influencia a ciência e a vida cotidiana das sociedades budistas. Assim conforme nos explica Matthieu Ricard, monge budista, no livro “O Monge e o Filósofo” (capitulo Religião ou Filosofia):

    “Em essência, eu diria que o budismo é uma tradição metafisica da qual emana uma sabedoria aplicável a todos os instantes da existência e em todas as circunstâncias”.

    O budismo não é uma religião, se por religião entendermos a adesão a um dogma que deve ser aceito por um ato de fé cega, sem que seja necessário redescobrir por si mesmo a verdade desse dogma. Mas se considerarmos uma das etimologias da palavra religião, que é ‘aquilo que liga’, o budismo sem dúvida está ligado as mais altas verdades metafisicas. Ele tampouco exclui a fé, se entendermos por fé uma convicção íntima e inabalável que nasce da descoberta de uma verdade interior. A fé é também um maravilhamento diante dessa transformação interior. Por outro lado, o fato do budismo não ser uma tradição teísta leva muitos cristãos, por exemplo, a não o considerar como uma ‘religião’ no sentido corrente da palavra. O budismo, enfim, não é um ‘dogma’, pois o Buda sempre disse que a pessoa devia examinar os ensinamentos dele, meditá-los, mas não aceita-los simplesmente por respeito a ele. É preciso descobrir a verdade desses ensinamentos percorrendo as sucessivas etapas que levam à realização espiritual. Convém examina-los, disse o Buda, como se examina uma barra de ouro. Para saber se o metal é puro, a pessoa o fricciona sobre uma pedra lisa, martela-o, derrete-o no fogo. “Os ensinamentos de Buda são como diários de bordo na estrada do Despertar, do conhecimento último sobre a natureza do espírito e sobre o mundo dos fenômenos.”

- Espiritismo

    O Espiritismo, ou Doutrina Espírita, tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos. Através do estudo dos fenômenos mediúnicos investiga as leis que regem essas relações e suas consequências. Também pelo estudo da situação dos Espíritos no mundo espiritual, investiga as leis morais que regem o destino do ser. Do fato do homem ser apenas um espírito encarnado, o estudo do espírito se estende ao estudo do ser humano, de sua psicologia, de suas capacidades mediúnicas e anímicas, e de suas relações com o mundo com o cerca.

    Assim o Espiritismo também não pode ser definido exatamente como uma “religião” no sentido usado normalmente no ocidente. É uma visão de mundo, englobando não só filosofia, ciência, moral, como também um caminho (método prático) de progresso do espírito. Como nos explica Allan Kardec:

    “O laço estabelecido por uma religião”, seja qual for o seu objetivo, é, pois, um laço essencialmente moral, que liga corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou de realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunidade de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. É nesse sentido que também se diz: a religião da amizade, a religião da família.

    Se assim é, perguntarão então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza.

    Por que, então, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se se quiser dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes de levantou a opinião pública.

    Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia em devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. “Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral”. [1]

    Como doutrina filosófica e moral, o Espiritismo pertence à tradição monoteísta cristã. Tradição iniciada com a revelação mosaica no Velho Testamento, profundamente reformada por Jesus no Evangelho, e complementada pelos conhecimentos adquiridos no estudo das comunicações com os espíritos. Por este motivo os espíritas também se referem à Doutrina como a “Terceira Revelação” ou, fazendo referência a uma promessa de Jesus, como o “Consolador Prometido”.

- Análise

        “As palavras nos importam pouco. A linguagem deve ser formulada de maneira a se tornar compreensível. As dissensões humanas surgem porque sempre há desentendimentos sobre as palavras, pois a linguagem é incompleta para as coisas que não lhes ferem os sentidos”  O Livro dos Espíritos, resposta a questão 28.

    Nosso uso cotidiano da palavra “religião” se prende a um sentido muito limitado, entendemos normalmente por esta palavra um culto organizado, com crenças estabelecidas através de “dogmas” e uma hierarquia destinada a sua manutenção. Embora este sentido se enquadre bem na comunicação cotidiana, deixa a desejar quando aplicado a problemas filosóficos mais profundos. Por limitações do nosso vocabulário, “religião” também designa a crença individual em uma realidade maior que transcende o mundo material. Por “religiosidade” se entende também o sentimento que liga o homem ao restante do Universo. Neste sentido filosófico da palavra, o Espiritismo e o Budismo tem aspectos religiosos. São “religião” no tocante ao modo que mudam as crenças do homem sobre si mesmo e sobre a realidade que o rodeia. Mas igualmente não são apenas “religião”, nem se enquadram corretamente no uso comum da palavra. O que em si mesmo gera os mais acalorados debates, quando sua “natureza” é discutida.

    No tocante ao Budismo, entre os povos que o praticam, o problema praticamente não se apresenta, é no mundo Ocidental, onde ainda nos apegamos tanto aos “nomes” e as “categorias” – valorizando mais a letra que o espírito – que há longas discussões a respeito e as mais diversas opiniões. Já houve, entre os estudiosos ocidentais, quem negasse ao Budismo a designação de “religião” e quem o chamasse de uma “religião sem Deus”, por motivos que discutiremos na sequência dos artigos.

   Quanto ao Espiritismo, não é segredo que as discussões em torno a sua “natureza” – ao emprego ou não, da palavra “religião” para descrevê-lo – tem algumas vezes degenerado em polêmicas inúteis e em amargas disputas entre grupos com diferentes visões da questão [2].

1 – Discurso de abertura da sessão anual comemorativa do dia dos mortos, em 1º de novembro de 1868. O discurso foi publicado na Revista Espírita de Dezembro de 1868 e seu texto pode ser consultado na integra no Boletim GEAE número 277.
2 – Pessoalmente adotamos a orientação dada pelos Espíritos a Kardec, de que as palavras pouco importam o que vale é definir precisamente do que se está falando, para não cair em polêmicas inúteis. Também respeitamos os sábios conselhos, transmitidos pela tradição Budista, de que a verdade raramente está nos extremos. Para nós, o Espiritismo “é” Religião no sentido filosófico da palavra e “não é” Religião no sentido comum, de culto organizado.

 

História

- Budismo

    Surgiu na Índia, em torno do V século A.C., a partir dos ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda. Sidarta deixou sua vida de príncipe, comovido pela descoberta do sofrimento, para dedicar-se a encontrar suas causas e como elimina-lo. Não deixou nada escrito, seus ensinamentos foram compilados por seus seguidores imediatos e transmitidos oralmente durante séculos. Passaram para a forma escrita, somente no inicio da nossa era. A longo do tempo surgiram algumas escolas de pensamento ligeiramente diferentes. Basicamente estas escolas se agrupam em duas linhas:

    – Escola Theravada (Escola dos Anciãos);
    – Escola Mahayana (Grande Veículo);

    A diferença principal entre elas é a ênfase dada aos objetivos da salvação ou libertação do sofrimento. Enquanto na escola Theravada, mais próxima ao Budismo primitivo, a libertação é procurada como objetivo máximo e em bases individuais, a escola Mahayana coloca grande ênfase na compaixão e no esforço para a salvação de todos. Esta escola enfatiza o ideal do “Bodhisattva”, que é o nome dado ao indivíduo que atingiu todas as condições necessárias para a libertação individual, mas que a retarda, para ajudar aos demais a encontrar o caminho da salvação. Ou seja, o Bodhisattva renuncia ao Nirvana por compaixão aos demais seres.

    Em muitos escritos Mahayana, a escola Theravada é chamada de “Hinayana” ou “Pequeno Veículo” – veículo no sentido de meio de condução do ser para a salvação – com conotações pejorativas (por apresentar um objetivo mais restrito, de salvação individual, em comparação com o objetivo de auxiliar na salvação de outros). Desta maneira, apesar do tempo ter mitigado o sentido original, é aconselhável evitar esta designação.

    Em certos aspectos, o Budismo constituiu uma resposta a problemas enfrentados pelo pensamento filosófico hindu da época de Sidarta Gautama. Principalmente a divisão da sociedade em castas e as polêmicas em torno da criação do Universo, de que papel tiveram as divindades nela ou quais as que eram as principais. De qualquer maneira, seu surgimento e desenvolvimento dentro da sociedade hindu se deram mantendo o mesmo espírito de tolerância característico da Índia védica.

    No auge da influência Budista na Índia, pelo segundo século antes de Cristo, o mundo viu algo inédito e extraordinário, o governo do Rei Asoka, que se norteou pela justiça e pelo respeito a todos os seres vivos. Este rei manteve um país próspero e seguro, inclusive enviou missionários para a divulgação o Dharma em terras distantes.

    A partir do continente indiano, o Budismo se expandiu pelo extremo oriente: Burma, China, Coréia, Japão, Java, Sri Lanka, Sumatra, Tailândia, Tibete, Vietnã, etc… Com a expansão do Islã (a partir do século VIII da nossa era) e, posteriormente, com as destruições massivas pelas mongóis nas regiões que lhe constituíam o berço (século XII) , o Budismo deixou de ser representativo na Índia. Ele também sofreu algum recuo em regiões fortemente influenciadas pelo comércio com o Islã.

    Foi por volta do ano 700 D.C., que vários monges budistas chegaram ao Tibete e difundiram a escola Mahayana. O Budismo se desenvolveu consideravelmente a partir dos diversos mosteiros fundados, tornando-se o centro da vida Tibetana. Traduções dos textos antigos foram feitas para o Tibetano, desenvolveram-se novas concepções, tendo grande avanço uma terceira escola – ou “terceiro veículo” – o Veículo Adamantino, Vajrayana, que acrescenta técnicas espirituais para se atingir o desenvolvimento espiritual. A religião local, o “Bon” – uma espécie de Xamanismo, com metafisica complexa – continuou a existir em paralelo ao Budismo e, inclusive, muitos de seus costumes se incorporaram ao Budismo Tibetano.

    Com a integração do poder temporal com a estrutura de mosteiros, o seu líder espiritual, o Dalai Lama, – “mar de sabedoria” – também tornou-se o centro político do país. O atual Dalai é o XIV de uma linha – pelas crenças tibetanas é a reencarnação de seu antecessor – que já vem de alguns séculos.

    O Budismo encontrou também grande progresso na China, tendo se incorporado a sua civilização, lado a lado com o Taoísmo e o Confucionismo. Foi apenas na segunda metade do século XX, nas grandes turbulências que se seguiram ao final da segunda guerra mundial, que o Budismo Chinês passou a ser marginalizado, com a implantação do comunismo por Mao Tse Tung. O estado materialista, que vê a religião como o “ópio do povo”, também chegou ao Tibete com sua anexação pela China a partir de 1949.

    Em seu auge, o Budismo Chinês influenciou profundamente o Japão. Em terras japonesas o Budismo Zen foi o que mais se difundiu e passou a conviver pacificamente com a religião nativa do país, o “Xintoismo”. No século passado, a partir de 1930, pelo trabalho do prof. Masaharu Taniguchi, surgiu dentro do Budismo japonês um movimento, denominado “Seicho-no-ie” (Lar do Progredir Infinito), que é hoje bastante divulgado, inclusive no Brasil.

    O Budismo passou a ser mais conhecido nos países ocidentais após a II Guerra Mundial, quando as tropas aliadas passaram a ter contato direto com o Budismo Zen. Posteriormente, em 1959, a ocupação chinesa no Tibete forçou a fuga de monges tibetanos para outros países. O Dalai Lama e muitos dos que o acompanharam, encontraram refugio no norte da Índia, dando de novo a este país um papel importante na preservação e difusão do Budismo. Desde então, Sua Santidade, o XIV Dalai Lama, tem viajado frequentemente a muitos países, dando conferências e publicando livros sobre o “Dharma”. Ao mesmo tempo, têm sido fundados mosteiros Budistas e cada vez mais ocidentais tem se dedicado ao estudo da doutrina.

    A divulgação do Budismo no Ocidente também foi beneficiada pela crise espiritual que se tornou evidente a partir dos anos 60. Como resultado do período da “guerra fria”, do medo de uma guerra nuclear, das guerras verdadeiras – tendo a do Vietnã sido a primeira amplamente coberta pela mídia moderna – a juventude do mundo ocidental passou a questionar as respostas tradicionais aos problemas existenciais e a buscar novos caminhos. Foi um período histórico de transformação acelerada, não só de costumes mas da própria visão do homem dentro da sociedade, com muitos erros e acertos, cujas consequências ainda estamos vivendo e cuja análise mereceria um estudo bem mais profundo do que seria possível neste artigo.

- Espiritismo

   Historicamente o Espiritismo surge na França, na segunda metade do século XIX,  na sequência do “Espiritualismo Moderno”. Como todo movimento importante de transformação espiritual, suas raízes são bem mais antigas, podendo-se percebê-las nas especulações filosóficas do Iluminismo europeu do século XVIII e nos grandes espiritualistas do período, como o vidente sueco Swedenborg.  Outro precursor desta fase histórica foi o médico vienense Mesmer, que com seu “magnetismo animal”, abriu campo para o estudo de fenômenos que escapavam ao objeto costumeiro da ciência newtoniana.

    A data oficial para o nascimento do novo movimento espiritualista, conhecido como “Espiritualismo Moderno” (Modern Spiritualism), é 31 de março de 1848. Nesta data aconteceu um evento extraordinário por suas implicações futuras, mas que por si só é de uma simplicidade inacreditável: Uma menina de onze anos – Katherine Fox – teve a idéia de solicitar a um espírito, que “assombrava” a casa em que viviam em Hydesville (EUA), que repetisse o número de batidas que ela desse. Estava inaugurada a comunicação aberta entre os dois planos da vida. Doravante a comunicação com o plano espiritual não estaria mais restrita aos iniciados em doutrinas secretas, nem aos grandes ascetas ou a místicos extraordinários. Homens e mulheres comuns, muitas vezes jovens, como no caso de Katherine, seriam os “medianeiros” – médiuns – entre nós encarnados e os entes queridos no outro lado da vida.

    As ocorrências na casa da família Fox chamaram rapidamente a atenção da vizinhança e logo da mídia da jovem democracia americana.  Religiosos, cientistas e estudiosos das mais variadas especialidades se interessaram pelos fenômenos, que não conseguiam explicar pelas respostas costumeiras de mistificação ou ilusão, mais que isso, esses fenômenos começaram a se reproduzir por outros médiuns e, desde as primeiras mensagens, seus autores se identificavam como sendo os mesmos seres humanos, apenas despojados das vestes físicas – do corpo material – pelo fenômeno da morte.

    As batidas nas paredes foram substituídas pelas “mesas dançantes” – mesas em que as pessoas se sentavam ao redor e que sob controle dos espíritos, levantavam-se e batiam os pés. Após as mesas dançantes vieram os lápis amarrados a cestos e a pranchetas e finalmente a comunicação direta através dos médiuns. A mediunidade passou a se revelar uma sensibilidade normal do ser humano, que pode se manifestar de diversas maneiras diferentes – pela comunicação falada (psicofônia), pela comunicação escrita (psicografia), pela vidência ou mesmo pelos eventos físicos, dos quais o mais espetacular e raro é a “materialização” completa dos espíritos.

    O enorme interesse despertado pelos fenômenos mediúnicos, a partir de 1848 até praticamente o final do século, contribuiu para que fossem divulgados amplamente no outro lado do Atlântico. Em todas as capitais europeias se formaram grupos de estudos e surgiram médiuns cuja fama perdura até nossos dias. Entre eles se destaca Daniel Dunglas Homes, médium de efeitos físicos, cujas demonstrações foram feitas diante das personalidades mais ilustres da época e em circunstâncias que as tornavam acima de qualquer suspeita.

    Naturalmente estes fenômenos chamaram a atenção dos estudiosos e, entre eles, o educador francês Hyppolite Leon Denizard Rivail. Em suas obras, que publicou usando o pseudônimo Allan Kardec,  reuniu os resultados de suas pesquisas sobre os fenômenos mediúnicos e uma acurada análise das mensagens transmitidas pelos espíritos. Elas vieram a constituir o que se convencionou chamar de “Codificação Espírita”, sendo 18 de abril de 1857, data em que foi publicado em Paris o “O Livro dos Espíritos” , considerada como a de surgimento do “Espiritismo”.

    A “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, formada por Allan Kardec se tornou o modelo a partir do qual se estabeleceriam outros grupos espíritas na França e no exterior. A “Revue Spirite” – a Revista Espírita – dirigida por Kardec entre 1858 e 1869 foi, junto com os livros de Kardec, o veículo de comunicação das ideias espíritas em seus primeiros tempos.

    O Espiritismo rapidamente se estendeu a outros países europeus e a América latina. No inicio do século XX, pioneiros já haviam criado grupos espíritas do México a Argentina, incluindo Porto Rico e Cuba. Na Europa se sobressaiam França e Espanha, onde se realizariam grandes congressos até as vésperas da Guerra Civil. No mundo de língua inglesa, prevaleceu  inicialmente a variante americana – Modern Spiritualism – caracterizada principalmente pela rejeição a idéia da reencarnação. No Brasil, o Espiritismo foi introduzido já na época de Kardec.

    Com o período das grandes guerras mundiais e dos regimes autoritários [1], o Espiritismo praticamente desapareceu da Europa. Seus adeptos foram perseguidos e presos, os grupos fechados e os poucos remanescentes jogados para a clandestinidade. Durante este período, se desenvolveu consideravelmente no Brasil, tendo entre seus grandes nomes personalidades como o médico Adolfo Bezerra de Menezes e o médium Francisco Cândido Xavier. Não se pode deixar de mencionar também o excepcional médium de curas José Arigó, que através de sua abnegação – atendendo gratuitamente todos os que o procuravam – e capacidade de trabalho, atendeu milhares de doentes e tornou-se prova viva do Espiritismo para muitos dos que o procuraram. Durante fase dificil de sua vida, em que as perseguições – sob o pretexto de curandeirismo – o levaram a prisão, foi através de indulto do próprio presidente da Republica, Juscelino Kubischek, que foi libertado.

    Nos últimos anos, com o final da guerra fria e o retorno a normalidade democrática em todos os países da Europa, o Espiritismo tem retornado gradualmente a este continente. Grupos espíritas se formaram imediatamente em Portugal e na Espanha após o fim das proibições e, no resto do continente, aos poucos, superando a cultura materialista imperante após o período das guerras. Merece menção, neste grande trabalho de renascimento do Espiritismo, o esforço abnegado dos imigrantes brasileiros, que passaram não só a criar núcleos espíritas em seus países de adoção, como a apoiar os movimentos espíritas locais. Como médiuns, tradutores de obras espíritas do português para as línguas nativas interpretes de conferencistas e de médiuns em viagens, contribuíram significativamente suprindo as deficiências causadas nestes países pelas turbulências do século XX. Conferencistas brasileiros também tiveram e estão tendo papel importante nesta fase histórica. Podemos citar rapidamente, como exemplo – pois uma análise detalhada desse trabalho de divulgação, fazendo juz a todos os que participaram dele, demandaria uma série de artigos – nomes como Divaldo Pereira Franco, Miguel de Jesus Sardano e Reinaldo Leite.

    Nos demais países da América Latina, o Espiritismo vai relativamente bem, tendo enfrentado dificuldades com as revoluções e guerras civis, mas sobreviveu até mesmo em Cuba. A América latina também tem dado grande contribuição ao movimento espírita internacional e, da mesma forma que o Brasil, tem contribuído com médiuns, tradutores, trabalhadores e conferencistas como, por exemplo, Juan A. Durante.

    Nos Estados Unidos vem se instalando gradativamente, ressentindo-se talvez mais que na Europa, do materialismo e do consumismo vigentes. Os grupos espiritualistas americanos, sucessores do “Modern Spiritualism”, ainda existem, mas são bastante dispersos e cada qual seguindo seu caminho próprio, o que dificulta muito uma colaboração mais efetiva. O lado positivo é que em sua maioria já aceitam a reencarnação sem maiores restrições [2].

    Pelo próprio escopo do artigo, é natural que se fique devendo aos leitores um panorama mais amplo das biografias dos grandes vultos da Doutrina Espírita. Incontáveis seriam os nomes que deveriam figurar em uma história detalhada, começando pela própria esposa de Kardec, Amélie Gabrielle Boudet, educadora como ele e sua colaboradora de todas as horas:

    Léon Denis, Cammille Flammarion, Gabriel Dellane, Eusapia Palladino, Amalia Domingo Soler, Miguel Vives y Vives, Cosme Mariño, Euripides Barsanaulfo, Batuíra, Bittencourt Sampaio, Analia Franco, Caibar Schutel, Teles de Menezes, Ivone A. Pereira, Francisco Valdomiro Lorenz, Vinicius, Herculano Pires, José Gonçalves Pereira…

1 – Em geral pode se considerar que este período histórico começa com a primeira guerra mundial em 1914, se estende entre guerras com o estabelecimento do comunismo, do fascismo e do nazismo, prossegue com a guerra civil espanhola de 1936, a grande guerra de 1945, as guerras na ásia e a guerra fria até o fim dos anos 80. Pode-se dizer que entre a primeira guerra mundial e o fim da união soviética na década de 90 o mundo viveu um período contínuo de tensão, com o consequente apego ao imediatismo materialista, mesmo porque grande parte da Europa ficou, por longo tempo, sob regimes ditatoriais e violentos.

2 – É interessante notar que a diferenciação entre “Modern Spiritualism” – Espiritualismo Moderno – é bastante sutil e na maior parte das vezes sem muita importância. Na realidade o que ocorreu foi uma lentidão na difusão das obras de Kardec nos meios espiritualistas de língua inglesa. Essa demora foi em parte provocada pela rejeição que americanos e ingleses tinham quanto a idéia da reencarnação, em parte pela diferente visão quanto ao papel das comunicações dadas pelos espíritos. Enquanto Kardec – e os Espíritas – consideram as comunicações como meio de estudo, objeto de análises criticas e sujeitas ao critério da concordância, os espiritualistas de língua inglesa as viam como revelações de um plano superior e os espíritos que as transmitiam, acima de suspeita por serem guias iluminados.  Não só pioneiros do Espiritismo, como Léon Denis continuaram utilizando o termo “Espiritualismo Moderno”, junto com “Espiritismo”, como em tempos recentes Júlio Abreu Filho traduziu a obra de Connan Doyle – History of Modern Spiritualism – para o português com o titulo de “História do Espiritismo” (Editora Pensamento).  O resultado desta opção de tradução é que o leitor espírita se surpreenderá ao notar, em uma história do “Espiritismo” o pequeno espaço reservado ao trabalho de Kardec e o posicionamento do autor contrário a reencarnação, principalmente se não prestar atenção no prefácio, onde Herculano Pires alerta sobre a questão.

    A propósito, o motivo que levou Kardec a criar uma nova palavra – Espiritismo – foi para evitar mal-entendidos.  A designação “Moderno Espiritualismo” não é muito precisa, uma vez que espiritualista é todo aquele que crê em algo além da matéria e não necessariamente em espíritos e na sua possibilidade de comunicação conosco.
 

As Quatro Nobres Verdades

- Budismo

    1.a Verdade: Da existência do sofrimento (Impermanência, Insatisfatoriedade, Impessoalidade);

    As quatro nobres verdades constituem a base do Budismo, tendo a constatação da existência do sofrimento e de que todos os seres viventes estão sujeitos a ele como o ponto inicial de sua estrutura lógica.

   Desde o instante em que nascemos neste mundo, estamos sujeitos ao sofrimento. Se crianças necessitamos do amparo dos adultos para nossas mínimas necessidades, se adultos temos que lutar por nossa sobrevivência e daqueles que nos são caros, se atingimos avançada idade, sentimos o declínio das forças físicas e a aproximação da morte. Durante a vida, passamos pelas mais diversas situações, pela perda dos entes queridos, pelas doenças e estamos sujeitos a sermos vitimas de acidentes e violências diversas.

    2.a Verdade: Da origem do sofrimento

    Para Buda, a origem do sofrimento está relacionada a ignorância, sofremos porque tomamos o mundo material a nosso redor como realidade última e objeto de nossas ambições. Sofremos porque, em nosso egoísmo, nos apegamos aos objetos exteriores e queremos eternizar o que é transitório. Tanto quanto o sofrimento, o mal é resultado da ignorância do ser. Mal é tudo que causa sofrimento ao próximo e próximo no sentido mais amplo possível, abrangendo todos os seres viventes.

    3.a Verdade: Da cessação do sofrimento

    O sofrimento pode ser extinto, extinguindo-se o motivo que o gera, a ignorância e a ilusão de um “eu”. Com o fim do “eu” termina o egoísmo e o apego aos objetos passageiros. Em lugar do egoísmo, surgem a Sabedoria e a Compaixão. Não haverá mais sofrimento para o ser iluminado, e um mundo composto de uma maioria de seres iluminados, será um mundo feliz.

    4.a Verdade: O caminho que conduz a extinção do sofrimento

    De nada vale conhecer uma verdade se não for vivenciada. E as regras práticas do Budismo, expressas no Caminho Óctuplo, levam diretamente a vivenciar o desapego ao eu e ao egoísmo. Não são dogmas, mas regras de vida que se bem aplicadas tornarão o ser, um ser compassivo e sábio:

        Palavra Correta  (ser verdadeiro e justo no falar)

        Ação Correta (agir sempre de acordo com o bem de todos, ser compassivo).

        Meio de Vida Correto  (viver corretamente, sem prejudicar a ninguém e fazendo o bem sempre que possível)

        Esforço Correto (procurar sempre melhorar-se a si mesmo e buscar a verdade)

        Plena atenção Correta (prestar atenção em tudo o que se faz, para ter a visão correta do que se faz e se passa).

        Concentração Correta (aprender a concentrar-se, para chegar ao conhecimento de si mesmo e da essência das coisas).

        Pensamento Correto (saber pensar e pensar de maneira correta de maneira a controlar a si mesmo)

        Correta Compreensão (procurar compreender verdadeiramente, procurar ser sábio).

    Em resumo, a vivência pessoal que pode ser resumida em:

    – Conduta Ética (palavra correta, ação correta e meio de vida correto);
    – Disciplina mental (Esforço Correto, Plena Atenção e Concentração);
    – Sabedoria (Pensamento correto e correta compreensão);

- Espiritismo: Apesar da questão do sofrimento não ser o ponto inicial da Doutrina dos Espíritos – cujas bases são a constatação da sobrevivência do espírito após a morte e da sua possibilidade de comunicação conosco – ela também reconhece sua existência e classifica nosso mundo como de “provas e expiação”.

     Para o Espiritismo, o sofrimento é causado pela ignorância. Ignorância de que o mundo material é transitório, de que acima de tudo o ser humano e todos os seres viventes, são espíritos em evolução. O sofrimento cessa com o progresso espiritual, com o fim do egoísmo e com a clara compreensão de que os acontecimentos da vida material são, em última análise, secundários frente a realidade maior do espírito. Provas e expiações, do ponto de vista do espírito liberto da matéria, são rápidas lições na sua longa jornada evolutivas.  Para o espírito adiantado, nada mais pode lhe afetar a serenidade espiritual, sendo que nele, a “caridade” – o amor ao próximo – e a “sabedoria”, lhe conduzem os atos.

    As regras morais espíritas podem ser deduzidas das leis naturais – ou Divinas – que são apresentadas no “Livro dos Espíritos”, no livro terceiro. Estas regras são aprofundadas no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, onde se mostra que a moral espírita é a mesma moral contida nos ensinamentos de Jesus. No livro “Céu e Inferno”, se aprofunda a questão da lei de Causa e Efeito, se veem os resultados da vivência destas regras.

    As leis morais, apresentadas no Livro dos Espíritos são:

    Lei de Adoração: “É a elevação do pensamento em direção a Deis. Pela adoração, o ser humano aproxima de Deus a sua alma”. (questão 649). “A verdadeira adoração á do coração. Em todas as suas ações, lembrem sempre que o Senhor os observa” (questão 653) “Deus prefere aqueles que o adoram do fundo do coração, sinceramente, praticando o bem e evitando o mal, àqueles que acreditam honrá-lo por meio de cerimônias que não os tornam melhores para os seus semelhantes. (…)”(questão 654).
    
    Lei do Trabalho: “O trabalho é uma lei da Natureza e por isso mesmo é uma necessidade (…)” (questão 674) “O Espírito também trabalha, como o corpo. Toda ocupação útil é um trabalho” (questão 675) “O forte deve trabalhar para o fraco; na ausência de uma família, a sociedade deve ampará-lo: é a lei de caridade”. (questão 685a).
    
    Lei de Reprodução: “(…) Sem a reprodução, o mundo corporal desapareceria” (questão 686) O casamento, ou seja, a união permanente de dois seres “é um progresso na marcha da humanidade” (questão 695). O efeito da abolição do casamento sobre a sociedade humana seria “o retorno à vida animal” (questão 696).
    
    Lei de Conservação: O instinto de conservação é uma lei da Natureza “(…) todos os seres vivos o possuem, seja qual for o grau de sua inteligência (…)” (questão 702) “Porque todos devem colaborar nos desígnios da Providência.. Foi por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. A vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres (…)” (questão 703) “O instinto de conservação foi dado a todos os seres contra os perigos e os sofrimentos. Fustiguem seu Espírito e não o seu corpo, mortifiquem o seu orgulho, sufoquem o seu egoísmo, que se assemelha a uma serpente que lhes devora o coração e farão mais por seu adiantamento do que pelos rigores que não pertencem mais a este século” (tratando dos sofrimentos “voluntários” – questão 727).
    
    Lei da Destruição: Todos os seres vivos, no mundo material, nascem e morrem. A morte, na natureza, é uma necessidade, pois é um instrumento de transformação. A vida material em sí mesma é um instrumento para o progresso do espírito, e a morte é o término de um ciclo, que não destrói o principio inteligente – o espírito – que continua a existir em outros planos da vida e que volta a renascer. Em nosso mundo, na natureza, a lei de destruição é um instrumento para manter o equilíbrio das espécies e garantir seu contínuo aperfeiçoamento. O homem, ser com inteligência desenvolvida, no trato com os animais, deve comportar-se sem crueldade e não destruir vidas sem necessidade – como, por exemplo, no caso dos animais daninhos, cujas populações devem ser controladas – toda destruição, pelo prazer de destruir indica “predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais destroem apenas para sua necessidade; o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem finalidade. Prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi conferida, pois nestes casos, ele cede aos maus instintos” (questão 735). A matança de outros seres humanos é um crime aos olhos de Deus, pois “aquele que tira a vida de seu semelhante, interrompe uma vida de expiação ou de missão e nisso está o mal “  (o espírito é imortal, assim o criminoso   atinge o corpo físico, sem destruir o ser em sí mesmo). Mesmo na guerra a destruição de outros seres é condenável pois a guerra significa “predominância da natureza animal sobre a espiritual e satisfação das paixões. Nesse estado de barbárie, os povos conhecem apenas o direito do mais forte (…)” (questão 742) e ela desaparecerá da face da Terra “quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Então todos os povos serão irmãos”. (questão 743).
    
    Lei de Sociedade: “Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu em vão ao homem a palavra, bem como todas as outras faculdades necessárias à vida de relação” (questão 766). “Nenhum homem possui todos os conhecimentos; e é pela união social que eles se complementam uns aos outros, a fim de assegurarem o bem-estar mútuo e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados” (comentário de Kardec a questão 768).
    
    Lei do Progresso: “A humanidade progride por meio da melhora gradativa dos indivíduos que se esclarecem (…). Pela pluralidade das existências, o direito à felicidade é o mesmo para todos, pois ninguém é deserdado pelo progresso (…)” (comentários de Kardec a questão 789). Uma civilização completa se reconhecerá “pelo desenvolvimento moral (…) somente terão o direito de dizerem-se verdadeiramente civilizados, quando tiverem banido de sua sociedade os vícios que a desonram e que vivam como irmãos, praticando a caridade cristã (…)” (questão 793).
    
   Lei de Igualdade: “Todos os homens são submetidos às mesmas leis naturais; todos nascem com a mesma fragilidade, estão sujeitos às mesmas dores; o corpo do rico passa pelo mesmo processo de destruição que o do pobre. Deus não concedeu, portanto, superioridade natural a nenhum homem, nem pelo nascimento, nem pela morte: são todos iguais diante dele” (comentário de Kardec à questão 803) “Deus criou todos os espíritos iguais, mas cada um individualmente viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte granjeou maior ou menor número de aquisições”. A diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio (…) (questão 804) “Assim, a diversidade de aptidões do homem não se relaciona com a natureza íntima de sua criação, mas com o grau de aperfeiçoamento que tenha chegado como espírito (…)” (comentário de Kardec à questão 805).
    
   Lei de Liberdade: O homem é dotado de um livre-arbítrio relativo a seu grau de evolução e ao resultado de suas ações. A fatalidade com se entende vulgarmente, não existe. Somos hoje o que fizemos de nós mesmos ontem e seremos amanhã o que construirmos hoje. Desta maneira se pode dizer que fatalidade existe, quando entendida no sentido da “posição que o homem ocupa na Terra e as funções à ela inerentes, como consequência do gênero de existência que o Espírito escolheu, como prova, expiação ou missão. Sofre ele, fatalmente, todas as vicissitudes dessa existência, e todas as tendências, boas ou más, que lhe são próprias; mas a isto se reduz a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a estas tendências. Os detalhes dos acontecimentos estão sujeitos às circunstâncias que ele mesmo provoque, por seus atos, e sobre os quais podem influir os Espíritos, pelos pensamentos que lhe sugerem” (comentários de Kardec – 872)
    
    Lei de Justiça, Amor e Caridade: “A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um” (questão 875). O verdadeiro sentido da caridade, como a entende Jesus é “Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão as ofensas” (questão 886). “A lei de amor e de justiça proíbe fazer ao outro o que não queremos que nos seja feito; condena, por esse mesmo princípio, todo meio de ganho que seja contrário a essa lei”. (comentário de Kardec à questão 884).

    A máxima por excelência que define a moral espírita, e resume todas as leis morais, é “Fora da Caridade não há salvação”, entendendo-se por caridade o amor ativo aos semelhantes e não simplesmente a “esmola” material. É equivalente ao “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo”

- Análise

        “O verdadeiro Espírita não é o que crê as comunicações, mas o que procura aproveitar os ensinamentos dos Espíritos. De nada adianta crer, se sua crença não o faz dar sequer um passo na senda do progresso, e não o torna melhor para o próximo”  – Máximas extraídas do ensinamento dos espíritos, Allan Kardec, O Espiritismo em sua mais simples expressão.

    Tanto os Espiritismos como o Budismo enfatizam a necessidade da vivência de seus ensinamentos. Conhecimento sem prática é inútil. As quatro nobres verdades, constatando que o sofrimento é resultado de nossa ignorância e nos mostrando os meios para supera-lo, são perfeitamente concordantes com os ensinamentos espíritas. A vivência delas se enquadra dentro das leis morais reconhecidas pelos Espíritas e são maneiras diferentes de expressar as mesmas regras morais ensinadas por Jesus.    A diferença na ênfase dada ao sofrimento, que no Budismo é o ponto de partida e para o Espiritismo uma consequência da inferioridade de nosso mundo, não chega a ser motivo de divergência. É interessante, porém o leitor ter em mente essa pequena sutileza.

    Para o Espiritismo o objetivo do progresso espiritual é a felicidade do ser, consequentemente também a libertação do sofrimento, porém o próprio sofrimento pode ser um instrumento benéfico para o espírito atingir a felicidade – mostrando-lhe as consequências de seus erros, incentivando-o ao esforço para progredir, forçando-o a avançar quando estagnado. Como o Espiritismo considera a lei do progresso uma lei natural, a qual todos os seres estão sujeitos, além das situações decorrentes da lei da Causa e Efeito há outras escolhidas pelo próprio espírito. Vidas entre grandes dificuldades, situações bem suportadas pelo espírito, servem-lhe de oportunidades de testar seu valor e de adquirir conhecimentos e virtudes que o auxiliarão no seu progresso espiritual.( Lamdel)

 

Publicado por: Espaco Espiritual | sábado, 5 novembro 2011

BUDISMO E ESPIRITISMO – PARTE 2

BUDISMO E ESPIRITISMO –

“Uma Breve Comparação” –

PARTE  2

 

 

 

III – Questões Filosóficas

 

Objetivos

- Budismo

        “Segundo o Budismo, é o homem que traça a rota do seu próprio destino. Assim, Gautama Buda, exortava seus discípulos a que eles mesmos fossem seus próprios refúgios, ou ajudas. Estimulava em cada um o autodesenvolver-se, porque, mediante seu próprio esforço e dedicação, o homem tem em suas mãos o poder de libertar-se da escravidão, da ignorância e de todo o sofrimento” (cap. “Budismo como Ciência, Moral e Filosofia”, Budismo, Psicologia do Autoconhecimento).

    O Budismo busca a transformação do ser através da destruição da ilusão do “eu”, superação da ignorância. Compaixão e sabedoria como resultadas da destruição total do egoísmo. Libertação do sofrimento encerrando-se o ciclo de causa e efeito através do desapego ao resultado das ações, fim do “eu” e do “meu”(sem que isso signifique exatamente extinção total do ser);     Na escola Mahayana, uma grande ênfase é dada ao ideal do Bodhisattva. O Bodhisattava é o ser que já atingiu todas as condições para a libertação final, para o Nirvana, porém prefere manter-se em contato com este mundo a fim de auxiliar na libertação dos demais seres. O voto do aspirante ao Bodhisattva é justamente de buscar o despertar em beneficio de todos.

- Espiritismo

        “O objetivo essencial do Espiritismo é melhorar os homens, no que concerne ao seu progresso moral e intelectual Máxima extraída do ensinamento dos espíritos, Allan Kardec, O Espiritismo em sua mais simples expressão”. “É assim que, pela prática do Espiritismo e com as instruções dos Espíritos elevados, pode o homem adquirir essa preciosa ciência da vida: a disciplina das emoções e das sensações, o domínio de si mesmo, essa arte profunda de se observar e, depois, de se assenhorear dos secretos impulsos de seu próprio ser”. Léon Denis, Aplicação Moral e Frutos do Espiritismo, No Invisível – FEB.

    O Espiritismo busca a transformação do ser através de sua reforma moral, com a superação do egoísmo e o desenvolvimento de virtudes como a caridade e a sabedoria. Pela palavra “caridade” entende-se, na Doutrina Espírita, o amor ao próximo em sua expressão mais sublime, já a palavra “sabedoria” significa o uso ético dos conhecimentos adquiridos, inclusive das leis universais, como a de causa e efeito. Como consequência do progresso espiritual resultante, há a libertação do sofrimento e o fim da necessidade do espírito reencarnar-se, por não necessitar mais do aprendizado proporcionado pelo ciclo de reencarnações.    Assim descreve Kardec as características dos espíritos que atingiram esse estágio de progresso:

    Espíritos Puros: “Percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Havendo atingido a soma de perfeições a que a criatura é suscetível, não têm mais a sofrer nem provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação nos corpos perecíveis, vivem a vida eterna que desfrutam no seio de Deus” (cap. Dos Espíritos, O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).

- Análise

    O resultado da correta prática do Budismo leva aos mesmos resultados da prática da Doutrina Espírita. Os dois caminhos espirituais resultam na libertação do sofrimento, pelo fim do apego ao mundo material e ao “eu” egoísta. O “Iluminado” Budista corresponde ao conceito de “Espírito Puro” dos Espíritas.

    É muito importante notar que as palavras “compaixão” para os Budistas e “caridade” para os espíritas, tem sentido mais amplo que o empregado na conversação cotidiana. A compaixão budista, longe de ser um sentimento de piedade, é o interesse profundo e amoroso pelo destino de todos os seres e se reflete na ação de ajuda-los a encontrar seu caminho de iluminação. A caridade espírita, também está longe de ser a esmola ou simplesmente a ajuda material, é o amor fraterno em ação, representando tanto o interesse pelo bem-estar do próximo, como o desejo mais profundo de auxilia-lo na busca da verdadeira felicidade.

    Ambos, compaixão e caridade, nascem no ser a partir da compreensão de que somos mais do que um corpo material, de que estamos ligados a todos os seres e compartilhamos o mesmo destino. A felicidade, a libertação do sofrimento, é o objetivo de todas as criaturas e trabalhar em prol deste objetivo, auxiliando a todos, a meta mais nobre a que o ser pode almejar.
 

A questão da Causa Primeira

- Budismo

        “Certa vez, na floresta Simsapa do Kosambi (perto de Allahabad), pegando algumas folhas na mão, perguntou aos discípulos: – Que pensais bhikkhus”? Quais as mais numerosas? Essas poucas folhas na minha mão, ou as que estão na floresta?

        – Senhor, certamente as folhas da floresta são muito mais numerosas!
        – Da mesma forma, bhikkus, do que sei não disse tudo e o que não divulguei é muito mais. E por que eu não lhes disse? E por que eu não lhes disse? “Porque isto não é útil e não conduz ao Nirvana” (Samyutta-Nikaya).(…) Buda explicou a Malunkyaputra que a vida espiritual não depende de opiniões metafísicas. Qualquer que seja a opinião sobre estes problemas, existe sempre o nascimento, a velhice, a decrepitude, a morte, a desgraça, as lamentações, a dor, a angústia – “logo, declaro: a cessação de tudo isto é o Nirvana ainda nesta vida”.

        – Por conseguinte, Malunkyaputra, considere explicado o que expliquei, e o que não expliquei como não explicado. Não esclareci se o universo é eterno, ou não e etc., etc., porque não é útil e não está fundamentalmente relacionado com a vida espiritual, não conduzindo ao desapego, à cessação, à tranquilidade, à penetração profunda, à realização, ao Nirvana. Estes são os motivos pelos quais não falei. Que foi que expliquei? Expliquei a existência do sofrimento, o aparecimento ou a origem do sofrimento, a cessação do sofrimento e o caminho que conduz à cessação do sofrimento. E por que expliquei isto? “Porque é útil e está fundamentalmente relacionado à vida espiritual que conduz ao desapego, à cessação, à tranquilidade, à penetração profunda, à libertação, ao Nirvana”. Trechos do cap. “Contra Especulações Metafísicas”, Budismo, Psicologia do Autoconhecimento

    O Budismo não vê objetivos práticos nas questões envolvendo a origem do Universo e sua Causa Primeira. Considera que a essência do ser é eterna e que a questão se há uma “Causa Primeira” ou um criador não são importantes para seu destino. Assim, não acredita em um “Deus Pessoal” e afirma que o destino do ser depende única e exclusivamente de seus atos e da lei de causa e efeito.

    O problema de como o ser entrou no circulo de causa e efeito não lhe interessa, mas sim como libertar-se dele. Todos os seres (animais, vegetais, homens, “deuses”, etc…), tem a mesma “essência”, todos com a mesma capacidade de iluminar-se e o mesmo desejo de libertar-se do sofrimento.
- Espiritismo

        “Que é Deus? Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” Questão nº 1, O Livro dos Espíritos “A ordem universal reinante na Natureza, a inteligência revelada na construção dos seres, a sabedoria espalhada em todo o conjunto, qual uma aurora luminosa e, sobretudo, a universidade do plano geral regida pela harmoniosa lei da perfectibilidade constante, apresenta-nos, já agora, a onipotência divina como sustentáculo invisível da Natureza, lei organizadora, força essencial, da qual derivam todas as forças físicas, como outras tantas manifestações particulares suas.

        Podemos, assim, encarar Deus, como um pensamento imanente, residente inatacável na essência mesma das coisas, sustentando e organizando, ele mesmo, as mais humildes criaturas, tanto quanto os mais vastos sistemas solares, de vez que as leis da Natureza não mais seriam concebíveis fora desse pensamento, antes são dele eterna expressão”. cap. Deus, Deus na Natureza, Camille Flammarion.

    A concepção espírita sobre o Universo, sua metafísica, tem raízes cristãs, sua base é Deus, “Causa Primeira” de todas as coisas e de todas as leis morais e físicas que regem a criação. A lei de Causa e Efeito faz parte do ordenamento moral do Universo, cujo objetivo é o progresso do ser. O espírito, individualização do princípio inteligente, começa da forma mais simples e, conduzido por ela, evolui até a perfeição relativa [1].

- Análise

    Curiosamente a posição de Buda em não incentivar a especulação sobre as origens do universo e a natureza de uma causa primária, não é muito diferente da apresentada pelos Espíritos que orientaram a Codificação Espírita. Quanto Kardec procurou aprofundar as questões sobre a natureza de Deus, estes lhe responderam que há coisas que escapam a nossa compreensão atual e que não nos faria melhores o fato de especularmos a respeito, pelo contrário, poderia nos induzir ao orgulho, levando-nos a tomar nossas hipóteses por conhecimentos que efetivamente não temos:

    “(…) Deus existe, não se pode duvidar, isto é essencial. Creiam-me, pois ir mais além seria lançar-se num labirinto de onde não se poderia sair. Este conhecimento não os tornaria melhores, mais porventura mais orgulhosos, porque acreditariam saber o que na realidade não sabem. Deixem, portanto, de lado todos esses sistemas e teorias; há muitas coisas que cabe aos homens desembaraçar-se. Isto lhes será mais útil do que pretender penetrar no que é impenetrável”.  Resposta a questão 14 do Livro dos Espíritos (da tradução de Sandra R. Keppler para a editora Mundo Maior).

    A principal diferença entre o Budismo e o Espiritismo está na importância que dão a questão sobre a existência de Deus, ou, em outras palavras, ao reconhecimento de uma “Causa Primeira” de todas as coisas.

    Para o Espiritismo o “problema do ser, do destino e da dor” – o “porquê da vida” – está intrinsicamente ligado a resposta para esta questão. Na filosofia espírita o ciclo de encarnações – o samsara dos Budistas – nada mais é que um recurso didático na longa jornada evolutiva do espírito.

   É a existência da inteligência suprema, da Causa Primeira, que explica porque há uma direcionalidade nas leis morais universais, sempre no sentido de progresso – da brutalidade para a angelitude, da ignorância para a sabedoria, do mal para o bem. As próprias leis materiais são parte disto também, criando o cenário onde o espírito exercita suas faculdades e progride rumo a libertação da ignorância e do sofrimento.

    Deus, sábio e justo, atua no Universo através de leis universais. Sua essência nos é desconhecida, mas sabemos que é em última análise a realidade suprema, que tudo mantém. A concepção espírita, que pode ser classificada como de um “Deus Pessoal” [2], defende que somos nós mesmos que construímos nosso destino, através dos nossos atos, mas também postula que Deus, por ser “amor”, sempre nos abre caminhos para o progresso. Somos livres para trilha-los, assim não nos isenta da responsabilidade de nossas escolhas.

1 – Me parece que é correto dizer que Deus é o “limite” desta evolução, no sentido matemático, por ser infinito em perfeição. O ser sempre tenderá a ele, mas jamais o igualará.

2 – “Quanto à visão do Deus Pessoal e Impessoal, é preciso não esquecer que são posições humanas relativas à capacidade que temos hoje de entender a Divindade, mas que, em realidade, nada dizem sobre ela realmente. Acho que a Impessoalidade e a Pessoalidade são aspectos derivados da posição que adotamos. Em realidade, à Impessoalidade somos conduzidos pela transcendência divina, e à Pessoalidade somos induzido pela imanência. Se oramos, nos relacionamos pessoalmente com o Divino, mas quando dizemos quando erguemos os olhos para o infinito, a Impessoalidade nos acorre. Como você pode verificar mesmo considerando a Impessoalidade há  um poder de criação. Se há criação, há momentos criativos.” Elzio Ferreira de Souza, comentando um esboço deste artigo e me explicando o que realmente significa o conceito de “Deus Pessoal”. Foi justamente nesta questão conceitual, do que significa a crença em “Deus Pessoal”, em contraposição a concepção Budista, de não aceitar um “Deus Pessoal”, que encontrei os maiores obstáculos.
 

O homem em sua essência

- Budismo

    A percepção que o homem tem de si mesmo, como de um individuo distinto dos demais e com uma individualidade permanente, é uma ilusão. O que entendemos como nosso “eu” é na realidade um conjunto de circunstâncias e de agregados temporários que, na ignorância, tomamos por um todo único. Estes componentes, conhecidos tecnicamente no Budismo como “skandas”, são cinco:

    – O corpo;
    – Os sentimentos;
    – As percepções;
    – Os impulsos e emoções;
    – Os atos de consciência;

    A combinação destes fatores se dá através das leis de causa e efeito e eles ocorrem não só no mundo material, como também nos mundos espirituais. O corpo sutil, espiritual, também é temporário e, do mesmo modo que o físico, um elemento sujeito as vissitudes da lei de causa e efeito. O individuo, portanto, em sua essência, não corresponde a uma entidade isolada, eterna, mas pode-se falar de uma consciência individual – sem uma base física, como a entendemos – que é o sujeito da lei de causa e efeito e, este sim, eterno. Matthieu Ricard – no livro “O Monge e o Filósofo” – se refere a esta consciência individual como um “fluxo de consciência”. A este fluxo de consciência, como resultado de suas ações se agregam os cinco “skandas”, resultando no ser material ou espiritual. A libertação espiritual é descrita por Matthieu como a purificação deste fluxo até o ponto de sua pureza máxima.

    O ser que atinge a iluminação no Budismo, pelo menos no Tibetano, não deixa de existir, mas sua existência não está mais sujeita ao ciclo de reencarnações ou presa as leis de causa e efeito [1 ]. Completamente livre de todos os fatores que o prendem a um corpo perecível, seja nos mundos materiais, seja nos mundos sutis – pois o Budismo também reconhece diferentes níveis de existência – ele goza de uma paz absoluta e da compreensão total do Universo. Sua “consciência” continua a existir – consciente de si mesma – mas sem a ilusão de que é algo independente de todas as outras consciências ou do Universo.

    “O espírito junta-se então ao próprio espírito do Buda, essa substância chamada espírito sutil, sem começo nem fim, independente do corpo e do cérebro, e sem duvida a verdadeira causa da consciência. Esse espírito sutil que se manifesta finalmente livre de todo apego, eliminou totalmente os obstáculos que se opunham à visão ‘da última natureza de toda a existência’ (…)”.

    “- Aliás – diz o Dalai Lama – Buda jamais falou do nirvana. Sim, ele indicou uma libertação dos renascimentos (o que só torna a noção compreensível para um ocidental  se ele admitir como fato o encadeamento das transmigrações, o samsara), mas suas indicações param por aí. Daí uma multiplicidade de interpretações. Você me pergunta o que é o nirvana. Eu lhe respondo; uma certa qualidade do espírito “.  (trechos do cap. “Para uma ciência do Espírito”, A Força do Budismo).

- Espiritismo

    O homem é composto do corpo material, de um corpo sutil ou fluídico denominado pelo Espiritismo de “períspirito” e do principio inteligente, denominado espírito. A essência do espírito é desconhecida para nós, por nos faltarem conceitos e percepções suficientes para entendê-lo.

    O Espírito é criado por Deus simples e ignorante [2], ao longo de sua evolução se utiliza do “períspirito”, para poder atuar nos mundos materiais, que lhe servem de estágio para o aprendizado e exercício de suas capacidades. O períspirito se modifica conforme o nível de evolução do ser e do mundo em que se encontra. O períspirito desempenha papel importante como intermediário entre o espírito e a matéria, sendo determinante na formação do corpo físico quando do processo de reencarnação (interferindo, selecionando, dirigindo, complementando o código genético).

- Análise

        “O fluxo de consciência é uma sorte de metáfora não distante daquela outra: o Espírito é uma centelha” Elzio Ferreira de Souza,  trecho de e-mail sobre a questão da essência do ser.

    A questão do ser humano em sua essência é bastante difícil de ser analisado, o Budismo procura desvincular a essência do ser de um ente individual e chega a imagens bastante abstratas. A melhor comparação que vi, foi a de considerar o ser como uma “onda de consciência” no infinito. Tal qual as ondas de luz, que sem um suporte material individual, assim mesmo se propagam por seus caminhos próprios no imenso oceano eletromagnético que é o espaço. Esta “onda de consciência” – elo não material que liga todas as existências do ser, dando consistência a uma lei de causa de efeito – é que serve de “guia” a combinação dos componentes que formam o ser, resultando em um corpo sutil e, quando necessário, um corpo material. Ela é a base dos sentimentos, das emoções e até do pensamento. Difícil dizer exatamente quais são seus atributos, principalmente depois de atingido o Nirvana, mas me parece que se poderia dizer que é a inteligência pura, o espírito em seu estado mais abstrato.

    Vale lembrar que para os espíritas, a palavra “espírito” significa o “elemento inteligente” do ser, ou seja, a essência mesma, a qual se agregam, para sua jornada evolutiva, o corpo espiritual – o períspirito – e o corpo físico. No Livro dos Espíritos, o espírito é descrito como a individualização do principio inteligente e, portanto é o que retém, em última instância, a individualidade do ser. Um espírito puro é esta individualidade em seu grau de perfeição e pureza máximas.

     Do mesmo modo que não é possível descrever-se exatamente o que é o ser após ter atingido sua Iluminação, também não há como descrever o que é o espírito:

    ” O Espírito não é fácil de analisar em sua linguagem. Para os homens não é nada, porque o Espírito não é algo palpável; mas para nós, é alguma coisa. Saibam-no bem, nenhuma coisa é o nada, e o nada não existe “. (resposta a questão 23a, O Livro dos Espíritos)

1 – “(…) Os seguidores do Vaibhashika, entendem,  portanto o nirvana final em termos da total cessação do indivíduo. Deduz-se que, quando o Nirvana final é atingido, o ser individual deixa de existir.

        Essa opinião não é aceita por muitas outras escolas budistas. Há, por exemplo, uma objeção muito conhecida, de autoria de Nagarjuna, que sustenta ser a consequência lógica da doutrina Vaibhashika a de que ninguém atinge o Nirvana, porque o indivíduo deixa de existir quando alcança o Nirvana. Portanto, esse posicionamento é absurdo. (…)”   (cap. “A Transformação através do altruísmo”, Transformando a Mente, XIV Dalai Lama)

2 – “Simples e ignorante, o que seria isto? A mim, parece-me que é o ponto inicial da carreira do Espirito no reino hominal, ou seja, o estágio do ser no momento em que atinge o processo de hominização. Poderíamos também dizer que é o momento em que ele alcança o livre-arbítrio e descobre-se responsável: na linguagem bíblica, descobre a própria nudez. (…) Outras questões, entre as quais a 540, dá outra noção do Espírito do ponto de vista da substância. O simples e ignorância é referência ética.” Elzio Ferreira de Souza, comentando em e-mail o uso desta expressão no artigo.

    Na atualidade, os espíritas admitem que o princípio inteligente evolui a partir das formas mais simples de existência. Nestas formas rudimentares ele começa a aprender a se relacionar com a matéria e aos poucos vai assenhorando-se da capacidade de organizar corpos mas complexos, começa talvez pelas bactérias e seres unicelulares; de seres unicelulares progride aos vegetais; dos vegetais aos primeiros animais; destes animais simples aos animais superiores, dotados de instintos desenvolvidos e rudimentos de inteligência; dos animais mais inteligentes aos primatas ancestrais do homem; dos primatas ao homem moderno. Milênios infindáveis de evolução, nos dois planos de existência – material e espiritual – e em quantos mundos forem necessários.

    Durante esta evolução o desenvolvimento do períspirito acompanha a complexidade dos organismos, influenciando o processo de reencarnação e sendo por ele influenciado. É um dos mecanismos por detrás do processo de seleção natural e de evolução das espécies, estudado pelo seu lado puramente material por Charles Darwin.

    O livro “The Origin of the Species”, de Darwin, que consagrou cientificamente a teoria da evolução biológica das espécies, foi publicado em novembro de 1859, depois do “O Livro dos Espíritos” e provocou um grande abalo na opinião publica. A resistência enfrentada pelas novas teorias, principalmente no tocante a descendência biológica do homem a partir dos primatas, permite entender a cautela com que os Espíritos trataram a questão da evolução espiritual na época de Kardec.  Assim restringiram-se a detalhar o progresso do Espírito a partir do momento em que, atingido o estágio humano, ele sem maiores conhecimentos do bem e do mal – simples e ignorante – começa a exercer escolhas que determinaram seu passo rumo ao futuro.

    Desta maneira, a expressão “simples e ignorante” pode assim ser entendida, como comentou o Elzio, como uma descrição qualitativa do estado do espírito no início do seu processo de desenvolvimento humano, quando cruzou a fronteira entre o animal e o homem.  Também pode ser entendido, e neste sentido utilizei no texto, como o “simples” das formas primitivas de vida e o “ignorante” da ausência completa de qualquer sofisticação da inteligência – seja na forma de controle da organização biológica, seja instintos seja a “inteligência” humana propriamente dita.

    É um grande mistério o início desta escala de evolução, pois como os espíritos disseram ao final da resposta para a questão 450, citada pelo Elzio, “é assim que tudo serve tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que seus Espíritos limitados não podem abranger o conjunto”. Tal resposta deixa entrever a possibilidade de que por detrás da organização da matéria, da energia tão bem estruturada em partículas elementares sob as leis da natureza, possa já estar atuando o principio inteligente em seus primórdios. Na mesma linha de raciocínio, Ernesto Bozanno, cita em seu livro “Os Animais tem Alma”, um pequeno trecho de uma obra mediúnica:

        O gás se mineraliza,
        O mineral se vegetaliza,
        O vegetal se humaniza,
        O homem se diviniza.
        (Old Truth in New Light, Lady Cathness)

    Por toda a linha de evolução, o processo é progressivo. Um espírito que atingiu o nível evolutivo suficiente para nascer no reino animal, não tem mais necessidade ou possibilidade de nascer em um vegetal. Da mesma maneira, o espírito que atingiu o nível dos primeiros primatas não volta ao animal. Finalmente, o homem moderno não teria como reencarnar no Australopitéco. A própria sofisticação do períspirito – definido por Hernani Guimarães Andrade como um modelo organizador biológico (vide seu livro Espírito, Períspirito e Alma), por conduzir os processos reencarnatórios, selecionando a bagagem genética e integrando-a as necessidades karmicas do espírito – tornaria impossível tal reencarnação. O “homo sapiens” de nossos dias, só pode reencarnar como “homo sapiens”, ou, caso tenha a necessidade de reencarnar em outros mundos, em um ser com uma organização nervosa equivalente em sofisticação. Mesmo em um desterro a mundo mais atrasado, o ser até nasceria em um hominídeo primitivo culturalmente, mais ainda assim, que reunisse as condições nervosas necessárias. Esta posição filosófica – distinta da adotada pela metempsicose grega e pelo Budismo – de que o ser humano sempre reencarna como ser humano, justifica as respostas dos Espíritos as questões 592 a 610 (Os animais e o homem), em que apresentam os animais como seres distintos dos homens. Estas questões, que levaram muitos espíritas a negar a continuidade espiritual entre os reinos da natureza, podem ser entendidas perfeitamente se considerada também a resposta à questão 611:

    “Duas coisas podem ter uma mesma origem e absolutamente não se assemelharem mais tarde. Quem reconheceria a árvore, suas folhas, suas flores e seus frutos no germe informe contido na semente de onde saíram? No momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período de humanidade, não há mais relação com seu estado primitivo e não é mais a alma dos animais, como a árvore não é a semente. No homem, há somente de animal o corpo, as paixões que nascem da influência do corpo e o instinto de conservação inerente à matéria. Não se pode dizer, portanto, que tal homem é a encarnação do Espírito de tal animal; logo a metempsicose, tal como a entendem, não é exata.”

    Apesar da clareza desta resposta, foram necessários muitos anos para que se formasse o consenso em torno da questão. Pouco depois da época de Kardec, eminentes pesquisadores como Ernesto Bozzano (vide seu livro “Os Animais tem alma?”) e Gabriel Delanne, (vide seu livro “A reencarnação”) apresentaram provas inquestionáveis de que os animais tinham alma (espírito encarnado), que sobrevive a desencarnação tal qual a alma humana. Mais ainda, da mesma maneira, reencarnam e evoluem segundo as mesmas leis do progresso e de ação e reação.

    Nas últimas décadas, principalmente com a obra mediúnica de Francisco Cândido Xavier – veja-se, por exemplo, o livro “Evolução em Dois Mundos” do espírito André Luiz – a resistência a idéia praticamente desapareceu e hoje já é amplamente aceito que não há seres privilegiados na criação.

    “Evolução no Tempo: É assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na textura da própria alma.

    Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, a romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos. Isso é perfeitamente verificável na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do Globo. E entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o homem, com a benção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica” André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos.
 

Concepção deste mundo

- Budismo

        “(…) convém esclarecer que a verdade do sofrimento, enunciada pelo Buda em seu primeiro sermão, pertence à verdade relativa e não descreve a natureza última das coisas, pois aquele que atinge a realização espiritual goza de uma felicidade inalterável e percebe a pureza infinita dos fenômenos: nele, todas as causas de sofrimento desapareceram. Então, por que destacar tanto o sofrimento? Para tomar consciência, em um primeiro momento, das imperfeições do mundo condicionado. Neste mundo da ignorância, os sofrimentos se acrescentam uns aos outros: um de nossos pais morre, o outro o segue algumas semanas depois. As alegrias efêmeras se transformam em tormentos: parte-se para um alegre piquenique em família e nosso filho é picado por uma cobra. A reflexão sobre a dor, portanto, deve nos incitar a tomar o caminho do conhecimento. (…)” Matthieu Ricard, Ação sobre o mundo e ação sobre si mesmo, O Monge e o Filósofo, Ed. Mandarim.

    A ilusão de um “eu” individual leva ao egoísmo e a considerar as coisas deste mundo como permanentes. Este apego leva ao sofrimento. O homem deve libertar-se dessa ignorância, compreender que tudo é impermanente (transitório) e aí terá atingido a felicidade.    O ser que age para se libertar da ignorância, seguindo as regras do caminho óctuplo, vive longe dos extremos – nem o ascetismo exagerado, muito menos o apego desmesurado aos bens materiais – daí a expressão “caminho do meio”.  Pelo ideal do Bodhisattva, há a valorização do esforço para melhorar o mundo e trazer a felicidade para todos. O Budista deve sempre agir para diminuir o sofrimento, onde e da maneira que lhe for possível.

- Espiritismo

        “172 – Todas as nossas diferentes existências realizam-se na Terra? Não, vivemo-las nos diferentes mundos: as da Terra não são as primeiras nem as últimas, porém das mais materializadas e distantes da perfeição. 173 – A cada nova existência corporal a alma passa de um mundo a outro ou lhe é possível viver muitas vidas no mesmo planeta? Pode reviver várias vezes no mesmo planeta, se não estiver suficientemente avançada para passar a um mundo superior.” O Livro dos Espíritos.

    O mundo material é transitório, temos uma percepção limitada da realidade devido as nossas limitações de entendimento e de percepção. Como o mundo físico é uma escola na jornada evolutiva do ser, e as vissitudes da vida material desafios para o espírito, o verdadeiro espírita deve sempre procurar melhorar a si mesmo e, consequentemente, melhorar também seu modo de agir no mundo.  Assim, pela lei de caridade e pela prática da sabedoria, o espírita deve sempre procurar melhorar a situação de seu próximo e da sociedade em que vive. O Espiritismo não aprova os extremos, nem o ascetismo exagerado nem o apego aos bens matérias. Somos depositários temporários dos bens deste mundo e devemos emprega-los do melhor modo possível para o bem de todos.

- Análise

    A primeira vista, em um estudo superficial, o Budismo parece ter uma visão pessimista deste mundo, por sua aguda percepção do sofrimento e de suas causas. Isso, porém não corresponde a realidade, pois faz parte das bases doutrinarias do Budismo a conscientização de que é possível superar-se o sofrimento e agir de tal modo que se possa ter um razoável grau de felicidade já nesta vida. Desta maneira, a concepção do mundo – e consequentemente da ação do homem no mundo – valoriza o esforço no sentido do bem e do progresso.

    O Espiritismo por outro lado, valoriza imensamente as oportunidades de aprendizado oferecidas por este mundo material, enfatizando que o correto agir, conforme as leis morais resultam não só no progresso individual como no coletivo. Para o Espiritismo ainda estamos a caminho da verdadeira civilização, onde as leis de amor e de justiça serão aplicadas em sua verdadeira extensão. Para que esta civilização seja atingida, precisamos nós todos nos empenharmos no esforço de reforma interior e consequente mudança de comportamento.

    Uma vez que se compreenda que somos espíritos, temporariamente reencarnados em um corpo material com finalidades educativas e que tudo neste mundo é transitório, se tem uma nova visão do mundo e pode se atingir a felicidade relativa que nosso nível de progresso permite. A verdadeira felicidade só é atingida com o progresso do espírito e sua depuração de todas suas imperfeições.

    O fim do egoísmo, almejado tanto pelo Budismo, como pelo Espiritismo, transformam o individuo e o mundo ao seu redor. Não há o apelo para o abandono da ação no mundo, mas o redirecionamento desta ação. O melhor exemplo dentro do Budismo é o próprio Dalai Lama, em seu trabalho incansável – e pacifico, conforme as diretrizes de Buda – em prol de seu povo.

Responsabilidade frente ao destino

- Budismo

        Os fenômenos mentais têm como precursora a mente, fundam-se na mente, são feitas da mente;

        Se um homem fala ou age com mente corrupta, em consequência sofrimento o segue, como a roda nos passos do boi (que puxa a carroça). Os fenômenos mentais têm como precursora a mente, fundam-se na mente, são feitas da mente;

        Se um homem fala ou age com mente pura, em consequência felicidade o segue, como a sombra, que não vai embora. Os versos gêmeos, Dhammapada.

     O homem é totalmente responsável por seu destino. Tudo o que lhe ocorre é devido a lei de causa e efeito e ele tem o livre arbítrio relativo (condicionado por seu carma passado, que o coloca em uma situação mais ou menos difícil no presente) para agir e mudar seu futuro. Não há graça divina ou intervenção de um criador no destino individual de cada um. Grupos sociais – por serem formados de indivíduos com atuação em comum, portanto com compromissos similares com a lei de causa e efeito – também tem o seu “karma” coletivo. Da mesma maneira que com o individuo, um grupo social é totalmente responsável por seu destino, pois o que lhe ocorre é consequência dos atos de seus membros.

    Importante notar que o ser – no ciclo de reencarnações – pode nascer como qualquer criatura senescente. Não há nada que impeça que um homem renasça em um animal e vice-versa, se os seus atos o levarem a tal condição.

- Espiritismo

        “O nosso estado psíquico é obra nossa. O grau de percepção, de compreensão, que possuímos, é o fruto de nossos esforços prolongados. Fomos nós que o fizemos ao percorrer o ciclo imenso de sucessivas existências. O nosso invólucro fluídico, sutil ou grosseiro, radiante ou obscuro, representa o nosso valor exato e a soma de nossas aquisições. Os nossos atos e pensamentos pertinazes, a tensão de nossa vontade em determinado sentido, todas as volições do nosso ser mental, repercutem no períspirito e, conforme sua natureza, inferior ou elevada, generosa ou vil, assim dilatam, purificam ou tornam grosseira a sua substância. Daí resulta que, pela constante orientação de nossas ideias e aspirações, de nossos apetites e procedimentos em um sentido ou noutro, pouco a pouco fabricamos um envoltório sutil, recamado de belas e nobres imagens, acessível às mais delicadas sensações, ou um sombrio domicílio, uma lôbrega prisão, em que, depois da morte, a alma restringida em suas percepções, se encontra sepultada como num túmulo. Assim cria o homem para si mesmo o bem ou o mal, a alegria ou o sofrimento. Dia a dia, lentamente, edifica ele seu destino. Em si mesmo está gravada sua obra, visível para todos no Além. É por esse admirável mecanismo das coisas, simples e grandioso ao mesmo tempo, que se executa, nos seres e no mundo, a lei da casualidade ou de consequência dos atos, que outra não é senão o cumprimento da justiça” Léon Denis, O Espírito e sua forma, No Invisível – FEB

    O homem é totalmente responsável por seu destino. Além da lei de causa e efeito, há outras leis morais, entre elas a do progresso. Assim nosso livre arbítrio é relativo, limitado por nosso carma passado, pelo nosso “estágio” de desenvolvimento e pelas nossas necessidades educativas. Durante o período em que o ser necessita do ciclo de reencarnações, para sua evolução, há uma linha crescente de sofisticação dos corpos físicos utilizados para sua manifestação no mundo material, através dos renascimentos. O Espírito sempre evoluiu dos seres mais simples para os mais complexos e, embora possa estacionar temporariamente em um dos estágios, jamais regride. Assim, ao longo dos milênios, o vegetal se tornará animal, o animal evoluirá até atingir o estágio de ser humano, e o ser humano evoluirá até conseguir se tornar espírito puro, livre da necessidade da reencarnação. A evolução do espírito significa também a evolução do seu períspirito, cada vez mais sutil e apto a servir de intermediário na ligação com corpos físicos mais sofisticados. A reencarnação de um espírito que já atingiu o estágio da humanidade em um animal seria impossível devido a própria incompatibilidade do períspirito.

    O ser humano compartilha a mesma natureza espiritual dos demais seres sencientes, é diferente destes apenas por ser “mais velho” na jornada evolutiva. Seu espírito aprendeu as primeiras lições de vida – desenvolvendo os automatismos – nos vegetais, depois aprendeu as sensações e os instintos no mundo animal e, agora, na condição humana, tem como desafio aprender a usar a inteligência, a emoção e a intuição.

   A caminhada evolutiva, apesar de conquista individual de cada ser, pode ser feita em grupos afins (tal qual nas escolas há grupos de alunos que seguem juntos por diversas classes), com o amparo mutuo. Famílias, nações e mundos são grupos de indivíduos afins.  Estes grupos sociais estão sujeitos a compromissos comuns com a lei de causa e efeito. Compromissos que são consequência da atuação coletiva de seus membros ou das necessidades de aprendizado compartilhadas por eles.

- Análise

    Tanto os Budismos como o Espiritismo postulam a responsabilidade do homem, individualmente ou como membro de um grupo social, perante seu destino.

    Deve-se notar que há uma interessante diferença na amplitude aceita para os efeitos dos atos realizados pelo ser em sua existência. Para o Budismo, em consequência de seus atos, o ser pode renascer entre os reinos inferiores da natureza, mesmo depois de ter atingido a condição de ser humano. Para o Espiritismo, por seus atos o espírito pode estacionar, mas nunca regredir na escala evolutiva.

    Para a filosofia espírita, a evolução tem componentes morais e intelectuais. Nem sempre os dois são desenvolvidos pelo espírito no mesmo ritmo e isso pode resultar em ações que parecem incompatíveis com a situação aparente em que ele se encontra, mas que na realidade são manifestações de imperfeições ainda não superadas.
 

Atitude perante a Fé

- Budismo

        “Exatamente como as pessoas verificam a pureza do ouro queimando-o no fogo, cortando-o e o examinando numa pedra de toque, da mesma forma, ó monges, deveis aceitar minhas palavras depois de submetê-las a um exame crítico e não por reverência a mim” Buda, citado pelo Dalai Lama no livro “Transformando a Mente”. “Sua fé deve ser racional, baseada na inteligência, para que quando as pessoas questionarem e tentarem refutar sua crença e prática você esteja apto a sustentar seus argumentos; não pode cultivar uma fé cega. Por isso, deve basear sua crença em um alicerce firme. Com inteligência, você estará invulnerável a questionamentos. Do contrário, como dizem os mestres Kadampa, “a fé isoladamente é como um cego, que pode ser levado por outra pessoa a qualquer lugar se lhe faltar sabedoria”. Assim, a fé sustentada pelo conhecimento é indispensável à prática budista, enquanto que crença e compaixão exercidas isoladamente são características comuns a todas as principais religiões. Por isso, cultivando fé com base no alicerce correto, você será racional e firme”. Dalai Lama, cap. Principais meditações Lamrim, O Caminho da Felicidade.

    A doutrina Budista fundamenta-se em constatações feitas por Buda, que podem ser verificadas por qualquer pessoa. Naturalmente o esforço de verificação exige longo trabalho de preparação interior – pois o campo de pesquisas é a própria mente humana e tem por ferramenta a meditação. Com uso da meditação, o homem pode estudar a si mesmo e os seus processos mentais, desfazendo os enganos que o prendem a ignorância e ao mesmo tempo transformando-se para atingir a iluminação.    Do ponto de vista Budista, a meditação é uma disciplina espiritual que permite controle sobre nossos pensamentos e emoções. Sob controle eles podem ser analisados e selecionados. Podem ser focados em objetivos determinados, levando a uma observação mais cuidadosa e profunda. Basicamente há a meditação “shamatha” – permanência serena – que mantém a concentração da atenção em um só objeto e a meditação “vipasyana” – discernimento penetrante – em que além da simples concentração da atenção, há o esforço do raciocínio em compreender o objeto da meditação.

    A importância da meditação e da transformação mental é tão grande no Budismo que este desenvolveu uma psicologia bastante interessante, com profundos conhecimentos sobre os processos mentais, sua relação com as leis de causa e efeito e com a situação do ser no mundo espiritual.

    Além da verificação direta e da dedução, o Budismo também reconhece como critério de verdade o testemunho – ou os ensinamentos – de pessoas fidedignas. Neste caso, o que torna estas pessoas fidedignas não é o seu conhecimento ou suas palavras, mas sim sua vivência da doutrina. Mestres espirituais que através de anos de estudo e de prática dos ensinamentos de Buda atingiram as experiências de que dão testemunho.

    O Budismo não desconhece os fenômenos mediúnicos, que até acabam ocorrendo como consequência das práticas de meditação, mas devido a seu enfoque na iluminação pelo fim da ilusão do “eu”, na autoanálise, nos fenômenos interiores, não os faz objeto de seu estudo.
 - Espiritismo

        “Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”, Allan Kardec, Evangelho Segundo o Espiritismo “Na dúvida, abstém-te, diz um de vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa. Com efeito, sobre essa teoria poderíeis edificar todo um sistema que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento construído sobre a areia movediça. Entretanto, se rejeitai hoje certas verdades, porque não estão para vós clara e logicamente demonstradas, logo um fato chocante ou uma demonstração irrefutável virá vos afirmar a sua autenticidade”. Erasto, Influência moral do médium, O Livro dos Médiuns.

    A ciência espírita se baseia necessariamente na existência dos espíritos e sua intervenção no mundo material. A verificação destas bases é feita pelo estudo das manifestações dos espíritos através dos fenômenos mediúnicos. Estas manifestações podem ser espontâneas ou provocadas. O que caracteriza a manifestação dos espíritos, frente a grande quantidade de fenômenos físicos existentes, é a vontade independente e a inteligência que demonstram.    O estudo das manifestações dos espíritos, longe de ser um campo fácil de investigação, exige grande observação e estudo, pois se lida com seres independentes e não forças cegas da natureza. Como os fenômenos normalmente não são reprodutíveis a vontade em um laboratório, há que se dedicar a analisá-los quando ocorrem e considerar sempre seu conjunto.

    Como, em essência, o homem é um espírito encarnado, existem também fenômenos provocados pelo próprio “médium”, classificados sob a denominação de animismo, e que devem receber uma grande atenção para não serem confundidos com as comunicações dos espíritos e levarem a caminhos errados. O inconsciente, e suas manifestações na personalidade, são também fenômenos anímicos e nesta categoria são estudados pelo Espiritismo desde o seu surgimento.

    O estudo das manifestações dos Espíritos, além do objetivo de comprovação cientifica das bases da Doutrina, também tem o escopo de aprofundar os conhecimentos sobre o Espírito, sua situação no mundo espiritual, as leis que regem seu destino e as que regem a comunicação entre o mundo material e o espiritual. Este estudo também acompanha o avanço das ciências, de modo que o Espiritismo esteja sempre a par dos progressos realizados nos demais campos do conhecimento humano.

    Partindo da base fornecida pelas manifestações dos espíritos, o Espiritismo também estuda as comunicações obtidas através delas. Assim pode se dizer que a “Ciência Espírita compreende duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral; a outra, filosófica, sobre as manifestações inteligentes. Quem quer que tenha observado somente pelo ângulo da primeira, está na posição daquele que conheceria a Física apenas pelas experiências recreativas, sem haver penetrado no fundamento da Ciência. A verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos e os conhecimentos que esse ensinamento comporta são muito sérios para poderem ser assimilados de outro modo que não seja por um estudo profundo e contínuo, feito no silêncio e no recolhimento; porque só nestas condições se pode observar um número infinito de fatos e de nuanças que escapam ao observador superficial e permitem firmar uma opinião” (Allan Kardec, Introdução ao “Livro dos Espíritos).

    Um aspecto a ser comentado, é que o avanço de algumas disciplinas cientificas acadêmicas rumo as realidades espirituais as tem  colocado em relação próxima com o Espiritismo. Assim é comum encontrarem-se Espíritas contribuindo diretamente nas áreas de psicologia, com a Psicologia Transpessoal e  a Terapia de Vidas Passadas, e de medicina,  com a psicossomática e a homeopatia.

- Análise

    Parece-me que o Budismo e o Espiritismo avançam para resultados muito semelhantes tendo dois pontos diferentes de partida. Enquanto o Budismo – dentro de um contexto cultural oriental – parte dos fenômenos internos ao individuo em direção à realidade que lhe transcende, o Espiritismo parte das manifestações dos espíritos, do mesmo individuo liberto da matéria, em direção a mesma realidade. As duas Doutrinas rejeitam a fé cega e enfatizam a necessidade do estudo prolongado e sério. Não basta só procurar, há que se saber como…

IV – Prática

 

Impacto na sociedade

- Budismo

        “Que eu seja motivo de prazer de acordo com a vontade de todos os seres sencientes e sem interferência, como são a terra a água, o fogo, o vento, as ervas medicinais e florestais”. Que eu seja caro aos seres sencientes. Como sua própria vida, e que eles me sejam caros.
        Que seus pecados frutifiquem para mim. E todas as minhas virtudes para eles.

        (…)“Enquanto perdurar o espaço, enquanto persistirem os seres sencientes, que eu também possa permanecer para dissipar as desgraças do mundo.” Estrofes de textos budistas citadas pelo Dalai Lama para explicar os ideais de um Bodhisattva Do livro Transformando a Mente.

    O Budismo considera que a fonte dos problemas econômicos e sociais é o apego ao “eu”, o “egoísmo”. Sua influência visa diminuir o egoísmo nos indivíduos e através da melhora do individuo, melhorar a sociedade. Considera que todos os seres sencientes (que buscam a libertação do sofrimento) têm direitos e que devem ser tratados com compaixão. 

 

- Espiritismo

        “O homem que se ilumina conquista a ordem e a harmonia para si mesmo. E para que a coletividade realize semelhante aquisição, para o organismo social, faz-se imprescindível que todos os seus elementos compreendam os sagrados deveres de auto iluminação” Emmanuel, médium Francisco Cândido Xavier, da resposta a questão 234, O Consolador – FEB.”Na hora atual da humanidade terrestre, em que todas as conquistas da civilização se subvertem nos extremismos. o Espiritismo é o grande iniciador da Sociologia, por significar o Evangelho redivivo que as religiões literalistas tentaram inumar nos interesses econômicos e na convenção exterior de seus prosélitos.

        Restaurando os ensinos de Jesus para o homem e esclarecendo que os valores legítimos da criatura são os que procedem da consciência e do coração, a doutrina consoladora dos Espíritos reafirma a verdade de que a cada homem será dado de acordo com seus méritos, no esforço individual, dentro da aplicação da lei do trabalho e do bem; razão pela qual representa o melhor antidoto dos venenos sociais atualmente espalhados no mundo pelas filosofias politicas do absurdo e da ambição desmedida, restabelecendo a verdade e a concórdia para os corações” Emmanuel, médium Francisco Cândido Xavier, da resposta a questão 59, O Consolador – FEB.

    O Espiritismo considera que a fonte dos problemas econômicos e sociais é o egoísmo, fruto da ignorância e do pouco progresso moral dos indivíduos que formam as sociedades. Sua influência visa diminuir o egoísmo e através da melhora do individuo, melhorar a sociedade.  Considera que todos os seres vivos são solidários (o progresso do espírito se dá através de uma longa cadeia evolutiva dos seres mais simples aos mais complexos) e, portanto tem direitos, todos devem ser tratados com caridade.

- Análise

   A reforma de uma sociedade não pode ser feita apenas através de leis externas, sem alterações fundamentais nos indivíduos que a compõe. Liberdade, igualdade e fraternidade são, em essência, conquistas que só poderão ser verdadeiramente estabelecidas quando o egoísmo tiver sido combatido eficazmente. O combate ao egoísmo exige uma transformação mental ou moral, decorrente de uma salutar disciplina espiritual. Não de trata de almejar uma sociedade regida por normas religiosas, ou dogmas, pois tanto o Budismo como o Espiritismo, não os tem, mas de uma sociedade em que a prática da compaixão, da caridade e do amor ao próximo são normas livremente escolhidas por seus cidadãos. A escolha, por sua vez, não decorre da adesão cega a uma fé, mas a certeza adquirida no estudo próprio, de que a realidade última transcende a matéria – que somente o desapego ao eu e a adesão a normas morais universais trazem a verdadeira felicidade.
 

Organização Interna

  – Budismo

    “Ele cujo prazer é o Darma, que se deleita no Darma, que medita no Darma”.
    “Que evoca o Darma -, este bikshu não renega o verdadeiro Darma”.
    Verso 364 – Dhammapada, trad. Nissim Cohen, ed. Palas Athena “O homem que desejar ser meu discípulo deverá abandonar todas as relações diretas com a família, a vida social mundana e toda a dependência a riqueza. O homem que tiver abandonado tais relações em prol do Dharma e não tiver abrigo para o corpo e a mente tornar-se-á meu discípulo e será chamado de irmão sem lar.”

    Os Irmãos sem Lar, A Doutrina de Buda, Siddharta Gautama, ed. Martin Claret.

    “Para se tornar um irmão leigo, deve-se ter uma inabalável fé em Buda, deve-se acreditar em Seus ensinamentos, estudar e pôr em prática os preceitos, e deve-se apreciar a Fraternidade.”

    Os Irmãos Leigos, A Doutrina de Buda, Siddharta Gautama, ed. Martin Claret.

    Desde o início das pregações de Buda, a prática de seus ensinamentos em todos os seus desdobramentos – com seus altos níveis de realização espiritual em busca da iluminação – levou algumas pessoas a se desligarem completamente das atividades mundanas e a se dedicarem a uma vida de renuncias e de meditações. Estas pessoas, chamadas de bikshus (inicialmente com o sentido de monges mendicantes), formam a “Sangha”, a comunidade de monges budistas. A continuidade desta comunidade, com variações de forma e organização pelos vários países pelos quais o Budismo se propagou, tem sido o principal fator de preservação e divulgação do Dharma.    Os ensinamentos de Buda também podem ser seguidos e praticados sem que o discípulo se desligue completamente de seus laços com a familia e a sociedade. Naturalmente ele não poderá se dedicar tão intensamente as práticas de meditação. O resultado deste fato é que, ao lado da Sangha, existem os budistas leigos.

    Assim a diferença entre os monges e os outros budistas está na intensidade com que podem se dedicar ao Dharma. Os monges dedicam-lhe todo o seu tempo.

 - Espiritismo

    “O médium é um companheiro”.

    É um trabalhador.

    É um amigo.

    “E é sobretudo nosso irmão, com dificuldades e problemas análogos àqueles que assediam a mente de qualquer espírito encarnado”.

    “VI-Médiuns, Mediunidade e Sintonia, Emmanuel, médium Francisco Cândido Xavier, Ed”. CEU” Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações”.

    “Os Bons Espíritas”, no cap. XVII (Sede Perfeitos) do “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec, EDICEL

    “Embora este regulamento tenha resultado da experiência, não o damos como um modelo obrigatório, mas unicamente para facilitar às sociedades em formação, que poderão tomar por normas as disposições que considerem úteis e aplicáveis às circunstâncias que lhes sejam próprias. Não obstante já se apresente simplificada, a sua estrutura poderá ser ainda mais reduzida quando se trate não de sociedade regularmente constituída, mas de pequenos grupos particulares que só necessitem de estabelecer medidas de ordem interna, de preservação e de regularidade de seus trabalhos”

    Cap. XXX – Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec, EDICEL

    Não há um “ascetismo” espírita, no sentido de uma classe de monges dedicados ao eu estudo e divulgação. Muito menos uma hierarquia, pois a Doutrina Espírita não impõe uma forma de organização. A forma de organização proposta por Allan Kardec foi  a adotada pela “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas” [1]  que serviu de modelo para os grupos espíritas posteriores, do mesmo modo que a “Revue Spirite” foi o modelo para o jornalismo espírita.    Assim. ao longo da história do Espiritismo, se formou um “movimento espírita” organizado em torno de grupos espíritas. Surgiram grupos com diversas finalidades – estudo, atividades filantrópicas, reuniões religiosas, etc…
Também surgiram entidades maiores como federações e associações nacionais.

    Importante notar que se pode perfeitamente ser espírita sem pertencer a nenhum grupo espírita. Do mesmo modo, não há nenhuma obrigação de que um grupo se filie a uma associação ou outra. A organização do movimento espírita é totalmente voluntária e visa apenas juntar esforços no estudo, na prática e na divulgação da Doutrina. Não há privilégios ou prerrogativas doutrinárias associadas a qualquer posição dentro do movimento espírita [2].

    Uma forma muito comum de grupo espírita é o familiar. Amigos e parentes que se reúnem periodicamente para o estudo das obras básicas, principalmente do estudo do evangelho.  Muitos dos grupos maiores nasceram em reuniões familiares, pelo aumento do número dos participantes e principalmente em torno de personalidades marcantes do movimento espírita. Pelas próprias características da Doutrina, os médiuns acabam desempenhando o papel de núcleo dos diversos grupos e ponto de referência para os demais indivíduos.

    A mediunidade, como faculdade natural no ser humano, efetivamente não dá a ninguém privilégios especiais dentro do Espiritismo. Apenas capacita o médium a ser um trabalhador em benefício de todos.

- Análise

    A forma de organização difere entre o Budismo e o Espiritismo.  A diferença está na existência entre os budistas, da “Sangha”, a comunidade de monges dedicados ao estudo e divulgação do Dharma. No Espiritismo, tanto o estudo como a divulgação, podem ser feitos individualmente ou por grupos formados voluntariamente por seus adeptos, sem votos especiais.

[1] – Vide “O Livro dos Médiuns” (cap. XXIX – Reuniões e Sociedades e XXX – Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas) ou “Obras Póstumas” (“Constituição do Espiritismo”).

[2] – As estruturas existentes dentro dos grupos espíritas são puramente administrativas e operacionais.

 

Ritos

- Budismo

    “O ritual – que consiste em molhar o ombro esquerdo, o direito e depois as costas da imagem – simboliza a purificação da mente” (Uma breve explicação do ritual de despejar agua em uma imagem de Buda menino. Este ritual fez parte de uma celebração budista que teve lugar no parque Ibirapuera, comemorando o nascimento, a iluminação e a morte de Buda. “Celebração faz o Ibirapuera virar templo budista”, Mauro Mug, Jornal O Estado de São Paulo, 27 de maio de 2002)

    “Pense em todos os milhões de homens e mulheres que inclinaram suas cabeças em oração  enquanto acendiam velas. Será que alguém acredita que Buda, ou qualquer outra imagem do absoluto, precisa de uma vela para enxergar ou se aquecer ? Acender uma vela é um ato simbólico, uma forma ritualizada de oferecer luz a escuridão. A vela simboliza a luz interna e a sabedoria luminosa que nos guia através da escuridão da ignorância e da confusão. A chama brilhante da vela é um lembrete externo da luminosidade interna e da clareza – a chama viva espiritual que brilha no templo do coração e da alma”. O Despertar do Buda Interior, cap. “Hoje, agora mesmo”, Lama Surya Das, trad. Anna Lobo, ed. Rocco.

    No Budismo, os rituais tem um papel importante de auxiliares nas práticas de meditação e de formas simbólicas de expressão dos seus ensinamentos.

    O papel do simbolismo pode ser avaliado em sua correta dimensão quando se considera que a Doutrina foi ensinada oralmente por Buda e só posteriormente transcrita. Mesmo após seu registro na forma escrita, a forma mais valorizada da passagem do Dharma foi, e continua sendo, a transmissão viva de um mestre para seus discípulos. Assim, símbolos e rituais correspondem a uma forma muito eficaz de fixar ideias e memorizar ensinamentos complexos.

    Também o contato do Budismo com outros povos, e sua grande tolerância religiosa, o levou a absorver práticas de diversas origens e transformá-las conforme sua mensagem. Assim, por exemplo, encontramos no Budismo Tibetano rituais que remontam as práticas ancestrais do Tibet.

    Em essência seria possível  conceber o Budismo sem rituais. É perfeitamente possível seguir o caminho óctuplo sem eles e nada nas “Quatro Nobres Verdades” está amarrado a suas práticas. Mas seria uma visão muito parcial e despojaria o Dharma de toda sua riqueza simbólica acumulada em mais de 2.500 anos de história.

- Espiritismo

    “653 – A adoração tem necessidade de manifestar-se exteriormente? – A verdadeira adoração é a do coração. Em todas suas ações, lembrem sempre que o senhor os observa”. O Livro dos Espíritos

    “653a – A adoração exterior é útil? Sim, se ela não representar um vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo, mas os que o fazem apenas por afetação e por amor-próprio, e cuja conduta desmente a sua aparente piedade, dão um exemplo antes mau do que bom, fazem mais mal do que supõem”. O Livro dos Espíritos.

    O Espiritismo não tem rituais, principalmente por considerá-los desnecessários frente a prática sincera do amor ao próximo. Importante observar que ele respeita todas as crenças sinceras e suas formas de manifestação.

    Normalmente as reuniões espíritas são organizadas conforme a finalidade do grupo há reuniões de estudo de obras espíritas, reuniões com palestras doutrinárias, reuniões de auxilio espiritual, onde se aplicam passes e reuniões mediúnicas dos mais diversos tipos. As manifestações mediúnicas variam grandemente, desde reuniões dedicadas a psicografia ou a pintura mediúnica, até o atendimento a espíritos sofredores desencarnados.

    As aplicações de passe também tomam formas diferentes conforme as características dos grupos e o tipo específicos de ação curativa que se almeja alcançar. Embora em alguns grupos as aplicações de passe possam parecer gestos ritualísticos, são na realidade técnicas desenvolvidas ao longo do tempo para dar maior eficiência à transmissão dos fluidos magnéticos aos pacientes.

    Sem fugir ao escopo deste artigo, gostaria de observar que os passes são aplicados com o intuito de assistência ao próximo e essencialmente não são exclusividade da doutrina espírita. Embora sua origem remonte a antiguidade – o próprio Jesus o aplicava aos doentes – seu estudo moderno foi retomado a partir de Mesmer no século XVIII e reconhecido pela doutrina espírita como uma das consequências da existência do espírito humano e do períspirito. O termo “fluido” e “magnetismo” devem, portanto ser entendidos dentro de um contexto próprio, evitando-se confusão com a nomenclatura atual da física.

    O conjunto de conhecimentos que forma a Doutrina Espírita tem como uma de suas formas principais de transmissão a palavra escrita. Desde as obras básicas de Allan Kardec até as obras espíritas da atualidade, os espíritos e os espíritas tem preferido a forma direta de exposição. Também, por seu carácter de ciência experimental, os conhecimentos são resultados de pesquisas e análises, reprodutíveis dentro de regras próprias da comunicação com o plano espiritual (1). Assim o papel do simbolismo religioso dentro da doutrina espírita é bastante limitado ou praticamente inexistente.

- Análise

    A distância que separa o Budismo do Espiritismo na questão dos ritos é exatamente a distância histórica entre o surgimento de cada um dos dois. O Budismo tendo nascido em uma época e cultura onde a tradição oral era o veículo por excelência da transmissão de uma filosofia, desenvolveu técnicas apuradas de simbolismo. Seus ritos e símbolos são a representação viva de seu conteúdo doutrinário. O Espiritismo por outro lado, tendo nascido imediatamente após o Iluminismo, no período que para a cultura ocidental ficou conhecido como o Século das Luzes, se empenhou em transmitir diretamente seus conhecimentos, principalmente através da palavra escrita. Dentro deste contexto, para o Espiritismo, os rituais e os símbolos não trariam contribuição efetiva e são considerados dispensáveis.

1 – No estudo do mundo material, ao qual se dedica a Física, é importante para uma ciência que todos os seus fenômenos sejam reprodutíveis por quaisquer experimentadores, dadas as mesmas condições de experimentação. Assim a lei da gravidade de Newton, ou as equações de onda de Maxwell, podem ser verificadas por qualquer cientista que se disponha ao empreendimento.

    No caso da Ciência Espírita, onde se estudam fenômenos ligados ao espírito humano, que tem um grau de liberdade muito maior que as grandezas físicas, a reprodução dos experimentos exige muito maior preparação do experimentador e principalmente muito maior compreensão das condições de contorno que podem afetar o experimento. Assim, para reproduzir os trabalhos de Sir William Crookes com as materializações de Kate King o experimentador teria não somente de obter uma médium com possibilidades mediúnicas equivalentes as de Miss Florence Cook, como também teria de ter a mesma seriedade nos propósitos. Na ciência do espírito, o estado de espírito do experimentador influência decisivamente os resultados – alguém dedicado a experiências frívolas ou sem maiores propósitos de edificação espiritual encontraria somente espíritos do mesmo gabarito a auxiliá-lo. Provavelmente não passaria de resultados medíocres e de fraudes vergonhosas.

 

V – Conclusão

        (…) nós reconhecemos a existência de seres superiores, pelo menos de um certo estado superior do ser, nós acreditamos nos oráculos, nos presságios, nas interpretações dos sonhos, na reencarnação. Mas essas crenças, que para nós são uma certeza, não tentamos, de maneira alguma, impô-las às pessoas. Repito: não queremos converter. O Budismo se atém acima de tudo aos fatos. Ele é uma experiência, e até mesmo uma experiência pessoal. Lembre-se das tão famosas palavras de Shakyamuni: “Espere tudo de você mesmo”. XIV Dalai Lama (A Força do Budismo)

    Deixando-se de lado as questões metafisicas, que para o Budismo não são essenciais, as duas doutrinas – os dois caminhos espirituais – são extraordinariamente afins.    Um Budista e um Espírita trocando ideias perceberiam rapidamente que concordam no essencial, nos meios para tornar o homem livre de sofrimentos, e que as discordâncias de detalhes têm mais a ver com visões culturais diferentes do que propriamente com a “essência” dos ensinamentos.

    Para o Espírita a psicologia budista traz ensinamentos valiosos e para o Budista os conhecimentos científicos espíritas lhe permitiriam estender sua compreensão de como o fluxo de consciência “não material” atua sobre o mundo material.  Por exemplo, no estudo da lei de Causa e Efeito, juntar os enfoques diferentes – a ciência Espírita com a atuação do períspirito e o Budismo com o funcionamento da mente – abriria novas perspectivas.

    Um exemplo de um trabalho bastante interessante, unindo os enfoques Budista e Espírita, é o livro “Plenitude”, do espírito Joanna de Ângelis, psicografado pelo médium Divaldo Pereira Franco. Neste livro, a autora aborda o problema do sofrimento, sua existência, suas causas e forma de eliminação. É um estudo bastante criterioso e consistente, onde conceitos milenares do Budismo integrados aos conhecimentos Espíritas fornecem o ferramental adequado para aprofundar o tema e dar-lhe solução.

    Tanto o Espiritismo como o Budismo dão pouco valor ao proselitismo (a busca de conversões) e enfatizam o respeito a todas as tradições religiosas, assim não há fontes de conflito ou empecilhos maiores a troca de ideias e ao dialogo.

Carlos Alberto Iglesia Bernardo

 

Publicado por: Espaco Espiritual | sexta-feira, 4 novembro 2011

COLÔNIAS ESPIRITUAIS

 

COLÔNIAS ESPIRITUAIS

COLÔNIAS ESPIRITUAIS

Colônias Espirituais no Brasil

O que rege a formação das Colônias Espirituais é a Lei de Afinidade.

1. COLÔNIA DAS ÁGUAS

Próxima à entrada do rio Amazonas, em terras do Brasil, ainda com o nome de Solimões, estendendo-se no sentido em que correm as águas do grande rio, no seu encontro com o mar.

Sua especialidade: receber os desencarnados por problemas circulatórios e que são afetados no perispírito, pela impressão da doença.

2. COLÔNIA AMIGOS DA DOR

 

Fica ao norte de MG, passando pelo Extremo Sul da Bahia, passando por Porto Seguro e avançando pelo Oceano Atlântico.
 
Realiza grande socorro a recém-desencarnados através de missas, visto que os tarefeiros desta Colônia prestam atendimento nas igrejas, nas santas casas de misericórdia e em funções de ritual católico. É uma das mais antigas colônias em terras brasileiras.

3. COLÔNIA DA PRAIA

Fica no sudeste do Espírito Santo, próximo a Marataízes, estendendo-se além da Ilha dos Franceses.
 
É voltada para atividades espirituais que atuam na ecologia terrena, desenvolvendo estudos e mantendo observação atuante no equilíbrio exercido pelo oceano, na estrutura do planeta. Funciona como um dos pontos de vigilância na harmonia planetária.

4. COLÔNIA DAS FLORES

 

É uma das maiores colônias espirituais. Inicia-se na parte central de Santa Catarina, nas proximidades de Tangará, seguindo sem interrupção até o norte de Goiás, na cidade de Alto Paraíso de Goiás.
 
Como pontos de referência, no Paraná, está próxima a União da Vitória, a Londrina. Adentrando São Paulo, às cidades de Presidente Prudente, Pereira Barreto e Santa Fé do Sul. Segue em direção do sudoeste de Minas Gerais, adentra Goiás, por São Simão, Paraúna até Alto Paraíso.

“Paraíso das Flores”.
Especializou-se no socorro aos que desencarnam vítimas de câncer e que quase sempre conservam a impressão da doença no perispírito

5. COLÔNIA NOVA ESPERANÇA

 

Poderia ser chamada de “Colônia da Estatística Planetária”, devido à sua importantíssima função, na catalogação de todos os espíritos que entram, saem e que permanecem no Orbe planetário, o que, hoje, equivale a aproximadamente 30 bilhões de espíritos. Ela se localiza bem próximo à cidade de Palmelo/GO (na direção de leste a norte), estendendo-se nas direções das localidades de Pires do Rio, Ipameri e Caldas Novas, respectivamente.
 
É grande a quantidade de espíritos que chegam para os primeiros socorros, devido à sua potente irradiação planetária. Após o tratamento inicial, vários espíritos são encaminhados a outras colônias, para o prosseguimento de tratamentos específicos ou por afinidade e vontade, ou, ainda, por solicitação de espíritos familiares, com méritos para isso.
 
Possui vários postos de socorro e atendimento espalhados por vários lugares da Crosta Terrena, e estes postos recebem todos o nome de “Boa Esperança”.
 
As atividades espirituais são intensas e possui muitos emissários de luz. Todo trabalho de serviço prestado na Colônia recebe-se “bônus-hora”.

6. COLÔNIA MORADA DO SOL

Localiza-se na parte leste do Brasil, estendendo-se do norte da Bahia, próximo a Altamira, atravessa Sergipe, passando por Aracaju, segue por Alagoas, por via de Maceió, indo até o norte de Pernambuco, na Ilha de Itamaracá.
 
Esta Colônia também coordena um trabalho de equipes espalhadas pelo planeta, levando socorro, assistência e amparo a todos os portadores de “doenças tropicais”, os quais se encontram encarnados.

7. COLÔNIA RAIOS DO AMANHECER

                                        

Localiza-se na parte central do planeta, acompanhando a imaginária linha do equador.
 
Forma uma quase “ciranda” em torno da Terra, embora apresente núcleos de espaço em espaço. Os maiores núcleos estão no Brasil, norte do Amapá, passando pelas Guianas em direção ao Atlântico; na África, abrange os dois Congos e o Quênia; e o outro grande núcleo se encontra nas Ilhas da Indonésia, entre os oceanos Índico e Pacífico. Além desses existem outros núcleos menores e o conjunto deles é que constitui a Colônia Raios do Amanhecer.

Cada núcleo apresenta características filosóficas próprias, embora seja a do Cristo a filosofia de atendimento em todos eles.

No Brasil, a colônia tem o aspecto de uma grande “parque infantil”, pois é o mundo espiritual das crianças. Os grandes centros de lazer infantil na Terra foram inspirados nessa Colônia.

8. COLÔNIA REGENERAÇÃO

                                                        

Localiza-se nas proximidades de Goiânia, seguindo em direção a Brasília, envolvendo Anápolis, Pirenópolis, Luziânia até Formosa. Trabalha também na recuperação dos espíritos mutilados no perispírito, área que envolve muitos setores de atendimento: fluídico concentrado, terapias, academias, esportes, tudo isso com uma contínua conscientização de renovação interior.

9. COLÔNIA DO SOL NASCENTE

                                                                         

Fica no sudoeste do Estado de SP, envolvendo as áreas de S. José dos Campos, Campos do Jordão, Itajubá (MG), Pouso Alegre (MG), Águas de Lindóia e Bragança Paulista, em SP.

A Colônia apresenta também um setor de preparação do espírito para o reencarne aguardando o momento determinado por Deus; geralmente ficam felizes com a nova oportunidade e aguardam esperançosos; e há os que são encaminhados para lá para receberem essa preparação para voltarem à vida física.

10. COLÔNIA REDENÇÃO

                                                      

Fica no leste da Bahia, com uma forma mais ou menos triangular, numa área de envolve Salvador, Alagoinhas e Feira de Santana e é de grande referência no plano espiritual. 

É um grande laboratório fluídico, do qual toda a colônia se beneficia e distribui seus fluidos através de suas equipes socorristas na Terra.

Nesta colônia encontra-se um arquivo com as mais lindas histórias e exemplos de amor que o Planeta conheceu, começando pela história de Jesus, com cenas vivas.

11. COLÔNIA DAS MONTANHAS

Localiza-se a noroeste de MG, próxima à divisa com Goiás, adentrando o sudoeste entre a Serra Bonita (MG) e a Serra da Capivara (BA) e a Serra dos Gaúchos (MG), envolvendo toda a área do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, onde envolve as águas dos rios Urucaia e Pardo com seus afluentes.

12. COLÔNIA BOM RETIRO

Localiza-se no Paraná entre Curitiba e Ponta Grossa, estendendo-se ao norte até Cerro Azul e, ao sul, até Água Azul. Tem o formato de um losango.

Além do socorro espiritual a desencarnados, sua função principal é voltada ao reequilíbrio do espírito

13. COLÔNIA PADRE CHICO

Fica no Triângulo Mineiro, na região que envolve Uberlândia, Tupaciguara, Monte Alegre de Minas, Prata e Miraporanga, como pontos de referência material.

  É também conhecida no Plano Espiritual como a Colônia das Margaridas, pela grande quantidade dessa flor espalhada por toda a Colônia, na cor branca e na amarela.

Colônia de porte médio, tem vida intensa e movimentada devido ao grande número de espíritos nela abrigados tanto para socorro quanto para trabalharem e servirem em nome do Cristo.

- Ala dos Hospitais
- Ala dos Albergues
- Ala das Escolas
- Ala de informações
- Áreas residenciais
- Parte central da Colônia

14. COLÔNIA DO MOSCOSO

Situada na parte centro-leste do Espírito Santo. Envolve a área que abrange Vitória, Vila Velha, Domingos Martins, Cariacica, Serra, Jacaraípe e Oceano Atlântico.

Tem o formato de um retângulo – características orientais, por ter sido fundada pelos “Moscos”, povos que habitavam entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, havia milhares de anos e que vieram em migração espiritual para o psiquismo do Brasil.

Tem como característica o desenvolvimento de técnicas especiais, que auxiliam o espírito à autodescoberta, como essência divina. Distribui equipes de tarefeiros, por toda a parte, estimulando e concedendo apoio atoda tarefa que visa à educação da alma, no domínio de si mesma, ampliando os setores de autoconhecimento.

Inspiram encarnados nos livros de autoajuda oferecendo o resultado de suas pesquisas e esforços visando ao autoconhecimento.

15. COLÔNIA DO ROUXINOL

                                                                         

Fica ao norte do Brasil, no Maranhão, na região que envolve a Serra das Alpercatas. Suas extremidades aproximam-se ao norte da cidade de Presidente Dutra; ao sul, de Raimundo das Mangabeiras; a leste, da Represa da Boa Esperança (divisa com Piauí) e, a oeste, de Naru.

Há uma profunda sensação de paz e ali ficam os espíritos que desencarnaram após longos períodos de enfermidade ou que tiveram morte súbita, com perda de sangue (o plasma da vida).

16. COLÔNIA DAS VIOLETAS

 

É uma colônia do Brasil central. Se estende do rio Sucunduri (AM) ao Parque Nacional do Araguaia (TO), passando pela Serra do Cachimbo, por Santa Maria das Bandeiras (PA) e pela Serra dos Apiacás e Alta Floresta (MT). 

A Colônia desenvolve técnicas voltadas para a cura de enfermidades cardíacas. Nos seus educandários e laboratórios, espíritos estudiosos oferecem não só no plano espiritual mas também aos estudiosos encarnados, o resultado de suas pesquisas. O avanço médico, no setor cardíaco, recebe direta ou indiretamente a influência positiva dessa Colônia inspirando os transplantes do coração, pequenas, média e grandes cirurgias cardíacas e todo avanço desenvolvida nessa área vem desta Colônia.

 

17. COLÔNIA GRAMADO

A Colônia desenvolve também um trabalho específico – técnicas de estudo relacionadas com a “coluna vertebral”, “coordenação motora das pernas e pés”.

Muitos dos profissionais dessa área encarnados têm afinidades com esta colônia recebendo dela muita influência, em especial os que fazem “cirurgias de hérnia de disco”, para se aprimorarem as técnicas dessa enfermidade. Cuidam também de serviços relacionados com “paralisias”.

18. COLÔNIA DO ABACATEIRO

Abrange os estados de Goiás e Mato Grosso na região que fica entre o distrito de Aparecida do Rio Claro, próximo a Montes Claros de Goiás (GO), Barra do Garças (MT), Primavera do Leste (MT), Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Rondonópolis (MT) e Bom Jardim de Goiás (GO), como pontos de referência. Aparecida do Rio Claro e Cuiabá são os pontos extremos a leste e oeste, e toda a colônia é cercada de abacateiros.

A Colônia desenvolve técnicas e tratamentos específicos no atendimento “renal”, tanto no perispírito quanto no auxílio a todos os processos de enfermidade renal dos encarnados em resgate nesse setor.

19. COLÔNIA “ESTUDO E VIDA”

Encontra-se no Mato Grosso do Sul e parte da Bolívia. No Brasil, envolve a região do Pantanal Matogrossense adentrando a Bolívia pela Lagoa Mandiorê.

A finalidade da Colônia é o estudo da vida. Todo espírito que deseja aprofundar-se em algum estudo de autoconhecimento, para compreensão dos próprios conflitos e desencontros, para qualquer assunto que vise ao bem, à elevação de conceitos e à busca de Deus, desde que tenha “bônus-horas” suficientes para se inscrever na Colônia, poderá dirigir-se a ela e permanecer enquanto desejar.

Espíritos também fazem uma retrospectiva, reprogramando-se para o futuro, verificando que pontos ainda os fazem ingressar na matéria, para posteriormente poderem deixar o planeta Terra em busca de outro.

20. COLÔNIA ARCO-ÍRIS

Localizada na região norte do Brasil, a colônia vai de Porto Velho (RO) a Manaus (AM), em linha reta, abrindo aproximadamente 20 km de largura.

Espíritos volitam entre esses arcos-íris como se fossem viadutos no espaço em tarefas de amparo aos encarnados e conhecidos como “os filhos do arco-íris”. 

“(…) o Universo se compõe de diferentes esferas, com vários graus de luminosidade e felicidade e essas esferas nos servirão de morada depois da morte na Terra, de conformidade com as condições espirituais que aqui tenhamos conseguido.”“(…) pelas coisas que vi durante tantos anos posso fazer as seguintes declarações: no Mundo Espiritual há terras como no nosso mundo natural, há planícies e vales, montanhas e colinas e também fontes e rios; há cidades e nessas cidades há palácios e casas; há escritos e livros; há funções e comércio; há ouro, prata e pedras preciosas; em uma palavra, há, tanto em geral como em particular, todas as coisas que estão no mundo natural, mas estas coisas nos céus são imensamente mais perfeitas.” (A Verdadeira Religião Cristã, Emmanuel Swedenborg) 

“Para certas pessoas convencidas da existência do Espírito – e aqui não cogito de outras – deve ser motivo de espanto que, como nós, Espíritos tenham suas habitações e as suas cidades. Não me pouparam críticas; “casas de Espíritos em Júpiter? … Que piada!…”
(AK, Revista Espírita, agosto/1858    “(…) os habitantes de Júpiter têm seus lares comuns e suas famílias, grupos harmoniosos de Espíritos simpáticos, unidos no triunfo, após o terem sido na luta. Daí as moradas tão espaçosas que merecem exatamente o nome de “palácios”. Ainda como nós, os Espíritos têm suas festas, suas cerimônias, suas reuniões públicas; daí certos edifícios destinados especialmente a essas finalidades.”Espírito Pallissy, médium psicógrafo Victorien Sardou, em Revista Espírita, agosto/1858.

Colônia: 

– conjunto de indivíduos da mesma nacionalidade que se estabelecem em local estrangeiro (Novíssima Enciclopédia DELTA LAROUSSE – vol. 2. Ed. Delta

- conjunto de indivíduos que deixaram a pátria para se estabelecerem noutro país (Enciclopédia e Dicionário Internacional – vol. V – W.M.Jackson, Inc.)

- grupo de imigrantes que se estabelecem em terra estranha (Dicionário Escolar da Língua Portuguesa – MEC).

COLÔNIAS ESPIRITUAIS = COMUNIDADES ESPIRITUAIS = CIDADES ESPIRITUAIS = MUNDOS TRANSITÓRIOS

O que rege a formação das Colônias Espirituais é a Lei de Afinidade.

As Colônias Espirituais são de diversos tipos. Por exemplo:

  Socorristas

- Correcionais – Estudos e de desenvolvimento das artes – De pesquisas no autoconhecimento e científicas e muitas outras.

Nosso Lar
Colônia Socorrista Moradia
Colônia Campo da Paz
Casa Transitória de Fabiano
Colônia Redenção

Colônia da Música

Colônia Espiritual de Eurípedes Barsanulfo
Colônia Alvorada Nova
Colônia Casa do Escritor
Colônia Triângulo, Rosa e Cruz
Sanatório Esperança
Moradias
Colônia Porto da Paz
Instituto de Confraternização
Espírito Meimei
Colônia A Cruzada
Colônia Gordemônio
 

MORADAS ESPIRITUAIS (Vânia Arantes Damo)

Elaborado por CARLA A. NUNES Centro Espírita Porto da Paz

 

  Você pode copiar e divulgar esse trabalho mas, por favor, dê os créditos a quem de direito. Esse trabalho foi idealizado, pesquisado, elaborado e postado inicialmente por Léa Cristina Ximenes de Andrade. Divulgue na íntegra. A ética movimenta a energia de prosperidade e inteligência espiritual. Obrigada pela ética, Léa.

LAMDEL.

 

Publicado por: Espaco Espiritual | sexta-feira, 28 outubro 2011

INFOGRÁFICO DAS RELIGIÕES

 

INFOGRÁFICO DAS RELIGIÕES

Visualize por um momento, você, como um benévolo missionário, em expedição por terras distantes com o objetivo de disseminar a boa-nova de seu culto. Chegando a certo ponto, se vê diante de uma tribo de selvagens que cultuam e prestam homenagens a uma entidade abstrata, que é considerada Superior e Criadora do tudo.

 

  Essa entidade, ou o Deus desta tribo é representado por um boneco de barro ordenado envolto a um templo rude, onde seus seguidores se mostram em êxtase ao som de batuque e ataques coletivos de histeria ao ouvir a mensagem do líder espiritual da tribo.

 

O que fará você, caro amigo missionário?

 

  Certamente procurará com tempo e jeito, persuadir com fundamentos ideológicos a necessidade de evoluir um conceito primitivo a uma filosofia mais moderna, no caso, seu Deus, seja Jeová, Buda, Alá, Cristo ou o Monstro do Espaguete Voador.

 

  É possível, com o tempo, que a tribo se convença do quão estúpido era a adoração daquele boneco de barro e adote o símbolo do missionário.

 

  Admitamos, também, que ao longo do tempo, missionários de seu mesmo credo ou de diferentes, adentre e ensine com intervalos de tempo suficiente para que o pensamento de Deus verdadeiro se enraíze entre um missionário e outro na mente dos pobres selvagens.

 

O que acontecerá?

 

  Ficará evidente, ao cabo de alguns anos, até mesmo séculos, que essa tribo que foi doutrinada pelo primeiro missionário (você!) sofrerá tamanhas revoluções na concepção do Deus proclamado que não mais será Um Deus, e sim vários Deus em uma filosofia de múltiplas interpretações.

 

  Consideremos também, que em algum ponto da história das revoluções desta tribo, uma alma ou um grupo se tenha mantido fiel à doutrina de sua geração e tenha ensinado ela rigorosamente para seus filhos. O que acontecerá é que este grupo serão os fundamentalistas opositores das mudanças naturais que o tempo nos aguarda.

 

  É, pois então, inquestionável, que essa variação natural do modo de conceber o “Deus único e verdadeiro” gere várias exegeses e conseqüentemente cismas por dividir o próprio Deus único em vários cultos e seitas inimigas, a ponto de se odiarem de morte.

 

  Assim foi a gênese de todas religiões, mostrando evidentemente que religiões são reflexo de cismas e multiplicidade ideológica, não de um consenso unânime, mesmo aceitando que haja apenas Um Deus.

 

  São tão variáveis as concepções de Deus único que os antropólogos tiveram que ordená-los em grupos para estudá-los. O Deus único e “verdadeiro” é representado em 5 grupos distintos e ao mesmo tempo complementares:

1. Deus como Entidade / Ser.
2. Deus como Substância.
3. Deus como Energia.
4. Deus como Fenômenos naturais.
5. Deus como Fenômenos psicológicos. 

  Do ponto de vista histórico critico, Deus como Fenômenos Psicológicos se mostra mais compreensível para entender as múltiplas exegeses. Esta premissa analítica também sofre com a divisão de sua concepção, já que por um lado há quem defender Deus como uma criação arbitrária humana (Ateísmo), e os que defendem que Deus é um fenômeno espontâneo da psique no desenvolvimento intelectual das comunidades primitivas. (ex: Psicanálise Junguiana).


  Abaixo mostro um infográfico de minha autoria, e nele se encontra a relação entre as várias religiões do mundo. Estou sujeito a erros. Não tenho a pretensão de dizer que este infográfico é a verdade. Até o momento presente de meus estudos, estas são as melhores ligações que avaliei.

Por Rafael Gomes Moraes

(Texto adaptado do livro “Jesus e sua doutrina”, de A. Laterre, editora Madras)

Referência:
História das Religiões, de Filoramo, Giovanni, Massenzio, Marcello, Scarpi, Paolo, Raveri, Massimo;
Tratado de História das Religiões, de Mircea Eliade;
As Máscaras de Deus, de Joseph Campbell;
Filosofias da Índia, de Heinrich Zimmer;
Uma História de Deus, de Karen Armstrong;
Cronologia da História do Mundo

 

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